Khmer VermelhoDicionário Houaiss: khmer ou Quemer Vermelho (em khmer: ខ្មែរក្រហម, Khmer Krahom, lit. "Khmers vermelhos") eram os seguidores do Partido Comunista da Kampuchea, partido governante no Camboja de 1975 a 1979, liderado por Pol Pot, Nuon Chea, Ieng Sary, Son Sen e Khieu Samphan. O regime liderado pelo Khmer Vermelho - de 17 de abril de 1975 a 7 de janeiro de 1979 - foi denominado oficialmente como Kampuchea Democrático.
Esta organização é lembrada principalmente por suas políticas de engenharia social, que resultaram em um genocídio. Suas tentativas de reforma agrária levaram à fome generalizada, enquanto sua insistência na autossuficiência, até mesmo nos serviços médicos, levou à morte de milhares de pessoas em consequência de doenças tratáveis (tais como malária). Execuções brutais e arbitrárias e tortura praticadas por seus oficiais contra elementos considerados subversivos, ou durante expurgos em suas próprias fileiras entre 1976 e 1978 são consideradas como tendo constituído um genocídio, com mortes atingindo cerca de 20% da população.
Depois da intervenção vietnamita em 1978, os Estados Unidos, o Reino Unido, a China e a Tailândia ajudaram os Vermelhos a combater o novo governo. O Khmer Vermelho e os partidos anticomunistas cambojanos encontraram um governo no exílio, que obtém o reconhecimento da maioria dos países ocidentais e asiáticos.
O clandestino Partido Comunista da Kampuchea constituía a liderança secreta do Khmer Vermelho, uma vez que seu nome oficial era conhecido apenas por alguns íntimos: o Partido se denominava “angkar” (a “organização”) e anunciou oficialmente sua existência em 1977, quase dois anos após o estabelecimento da Kampuchea Democrática. Após a queda do regime do Khmer Vermelho, o restante das forças guerrilheiras da organização ficou conhecidas como o Exército Nacional do Kampuchea Democrático. Em 1981, o partido foi dissolvido e substituído pelo Partido do Kampuchea Democrático. Atualmente, o ex-líder comunista Hun Sen que lutou contra Lon Nol pelo Khmer Vermelho e depois contra Pol Pot é o Primeiro-ministro do Camboja no partido que governa o país chamado de Partido Popular do Camboja.
Legado histórico Após tomar o poder, a liderança do Khmer Vermelho mudou o nome do país para Kampuchea Democrático. O Khmer Vermelho submeteu o Camboja a um radical processo de reforma social que tinha como objetivo a criação de uma sociedade comunista puramente agrária, de acordo com sua interpretação do Maoísmo. Os moradores das cidades foram deportados para o campo, onde foram misturados à população local e submetidos ao trabalho forçado. Estima-se que cerca de 2 milhões de cambojanos tenham morrido em ondas de assassinatos, tortura e fome, direcionadas particularmente contra a elite intelectual e educada.
Tendo perdido o poder após uma intervenção militar vietnamita em dezembro de 1978, o Khmer Vermelho manteve o controle em algumas regiões e continuou a lutar como uma guerrilha. Em 1998, seu último refúgio, no Distrito de Anlong Veng, caiu perante as forças do governo."Principais eventos envolvendo Pol Pot e o Khmer Vermelho", CNN.com
Seguindo ao seu líder Pol Pot, o Khmer Vermelho impôs à sociedade cambojana uma forma extrema de engenharia social — uma forma radical de comunismo agrário onde a população teve de trabalhar em fazendas coletivas ou em projetos de trabalho forçado. Em termos de número de pessoas mortas como uma proporção da população (estimada em 2 milhões de pessoas em 1975), foi o regime mais letal do século XX.
O Khmer Vermelho queria eliminar qualquer pessoa suspeita de “envolvimento em atividades de livre mercado”. Suspeitos de serem capitalistas incluíam profissionais e quase todas as pessoas com alguma educação, muitos moradores de centros urbanos e pessoas com conexões com governos estrangeiros.
O Khmer Vermelho acreditava que os pais estavam envenenados pelo capitalismo. Consequentemente, as crianças foram separadas de seus pais e sofreram uma lavagem cerebral socialista, e também aprenderam métodos de tortura com animais. As crianças foram “um instrumento ditatorial do Partido” e receberam papéis de liderança em torturas e execuções. Um de seus lemas em referência ao Novo Povo era: “Não existe beneficio em mantê-lo vivo. Não existe prejuízo em destruí-lo”.Soizick Crochet, Le Cambodge, Karthala, Paris 1997, ISBN 2-86537-722-9 A ideologia do Khmer Vermelho evoluía com o passar do tempo. Nos primeiros dias, o Khmer Vermelho era um partido comunista ortodoxo e buscava inspiração nos comunistas vietnamitas.
O Partido se tornou mais anti-intelectual quando grupos de estudantes que estudavam na França retornaram ao Camboja. Os estudantes, incluindo o futuro líder do Partido, Pol Pot, foram fortemente influenciados pelo exemplo do Partido Comunista Francês (PCF).
Após 1960, o Khmer Vermelho desenvolveu suas próprias ideias políticas. Contrário à doutrina marxista, o Khmer Vermelho considerava os camponeses como sendo o único proletariado e os verdadeiros representantes da classe trabalhadora — uma forma de maoísmo que os levou para o lado dos chineses na Cisão Sino-Soviética. Começaram a incorporar o nacionalismo khmer à sua ideologia, assim como também o anti-intelectualismo, nesta época. Isto se tornou evidente durante a perseguição de chineses étnicos, tais, muçulmanos, cristãos (em sua maioria católicos), etc.
Na década de 1970, a ideologia do Khmer Vermelho combinava suas próprias ideias com as ideias anticolonialistas do PCF, que os líderes adquiriram durante sua educação em universidades francesas, durante os anos de 1950. Os líderes do Khmer Vermelho também guardavam muito ressentimento dos vietnamitas e estavam determinados a estabelecer uma forma de comunismo muito diferente tanto do modelo vietnamita quanto de outros países comunistas, incluindo a China.
Após quatro anos de governo, o regime do Khmer Vermelho foi retirado do poder em 1979, como resultado de uma invasão por parte da República Socialista do Vietnam e substituído por comunistas moderados pró-Vietnam. O movimento sobreviveu até os anos de 1990 como um movimento de resistência operando na região oeste do Camboja, a partir de bases na Tailândia. Em 1996, após um acordo de paz, seu líder Pol Pot dissolveu formalmente a organização. Pol Pot morreu no dia 15 de abril de 1998, sem nunca ter sido levado a juízo.Como os poderosos estão caindo.The Economistminiaturadaimagem|250px|Brasão de armas do Camboja durante a Kampuchea Democrática.O Khmer Vermelho é lembrado principalmente pelas mortes de um número estimado de 1,5 milhão de pessoas, ou um quinto da população total do país (as estimativas variam entre 850 mil e 2,5 milhões) durante o regime, devido a execuções, tortura, fome e trabalho forçado. Devido ao grande número de mortes e ao fato de grupos étnicos e religiosos serem alvos, as mortes durante o governo do Khmer Vermelho são muitas vezes consideradas como um genocídio, conforme definido no âmbito da Convenção da ONU de 1948.
História do nome O termo Khmer Rouge (em português, Khmer Vermelho), alusivo ao grupo étnico predominante no Cambodja, foi cunhado pelo chefe de estado cambojano Norodom Sihanouk, sendo mais tarde adotado pela comunidade anglófona. O termo se refere a uma sucessão de partidos comunistas do Camboja que evoluíram até se tornarem o Partido Comunista da Kampuchea (CPK) e, mais tarde, o Partido do Kampuchea Democrático. A organização também ficou conhecida como Partido Comunista Khmer e como Exército Nacional do Kampuchea Democrático.
Origens O movimento comunista cambojano: o início da história A história do movimento comunista no Camboja pode ser dividida em seis fases: o surgimento do Partido Comunista da Indochina (PCI), cujos membros eram quase que exclusivamente vietnamitas antes da Segunda Guerra Mundial; a luta de 10 anos pela independência da França, quando um partido comunista separado, o Partido Revolucionário do Povo Kampucheano (ou khmer) (PRPK) foi estabelecido sob o patrocínio do Vietnam; o período seguinte ao Segundo Congresso do PRPK, em 1960, quando Saloth Sar (Pol Pot, após 1976) e outros futuros líderes do Khmer Vermelho ganharam controle do seu aparato; a luta revolucionária a partir do início da insurgência do Khmer Vermelho em 1967—68 até a queda do governo de Lon Nol em abril de 1975; o regime da Kampuchea Democrática, de abril de 1975 a janeiro de 1979, e o período seguinte ao Terceiro Congresso de Partido do PRPK, em janeiro de 1979, quando Hanói efetivamente assumiu o controle sobre o governo e o Partido Comunista do Camboja.
Em 1930, Ho Chi Minh fundou o Partido Comunista Vietnamita unificando três movimentos comunistas menores que surgiram nas regiões norte, central e sul do Vietnam durante o final dos anos de 1920. O nome foi alterado quase que imediatamente para Partido Comunista Indochinês, ostensivamente para incluir revolucionários do Camboja e Laos.
Quase sem exceções, todos os primeiros membros do Partido eram vietnamitas. No final da Segunda Guerra Mundial, um punhado de cambojanos haviam entrado para as suas fileiras, mas a sua influência no movimento comunista da Indochina e nos acontecimentos dentro do Camboja foi insignificante.
Unidades do Viet Minh ocasionalmente fizeram incursões a bases cambojanas durante sua guerra contra os franceses e, em conjunção com o governo esquerdista que governou a Tailândia até 1947, o Viet Minh incentivou a formação dos bandos armados esquerdistas Khmer Issarak. No dia 17 de abril de 1950 (25 anos antes do dia em que o Khmer Vermelho capturou Phnom Penh), o primeiro congresso nacional dos grupos do Khmer Issarak se reuniu e a Frente Unida Issarak foi estabelecida.
Seu líder era Son Ngoc Minh e um terço de sua liderança consistia de membros do PCI. De acordo com o historiador David P. Chandler, os grupos esquerdistas Issarak, com a ajuda do Viet Minh, ocuparam um sexto do território do Camboja em 1952 e, às vésperas da Conferência de Genebra, eles controlavam a metade do país.Chandler, 180–181
Em 1951, o PCI foi reorganizado em três unidades nacionais — o Partido dos Trabalhadores do Vietnam, o Lao Itsala e o Partido Revolucionário do Povo Kampucheano (ou khmer) (PRPK). De acordo com um documento emitido após a reorganização, o Partido dos Trabalhadores Vietnamitas continuaria a “supervisionar” os movimentos menores laocianos e cambojanos. A maioria dos líderes do PRPK parece ter sido khmer krom ou vietnamitas étnicos vivendo no Camboja. O apelo do Partido aos khmers nativos parece ter sido mínimo.
De acordo com a versão da história do Partido contada na Kampuchea Democrática, a falha do Viet Minh em negociar um papel político para o PRPK na Conferência de Genebra de 1954 representou uma traição ao movimento cambojano, que ainda controlava grandes áreas no campo e que comandava pelo menos 5 000 homens armados. Após a conferência, cerca de 1 000 membros do PRPK, incluindo Son Ngoc Minh, realizaram uma “Longa Marcha” em direção ao Vietnam do Norte, onde eles permaneceram em exílio.
No final de 1954, os membros que permaneceram no Camboja fundaram um partido político legal, o Partido Pracheachon, que participou nas eleições de 1955 e 1958 pela Assembleia Nacional. Nas eleições de setembro de 1955, o partido ganhou cerca de quatro por cento dos votos, mas não garantiu um assento no legislativo.
Os membros do Pracheachon foram submetidos a constantes assédios e prisões, pelo fato de que o partido se encontrava fora da organização política de Sihanouk, o Sangkum. Os ataques do governo impediram o partido de participar nas eleições de 1962 e o levaram à clandestinidade. Sihanouk habitualmente rotulava a esquerda local como Khmer Vermelho, um termo que mais tarde veio a representar o Partido e o Estado liderados por Pol Pot, Ieng Sary, Khieu Samphan e seus associados.