A eleição municipal de Leme em 2012 aconteceu em 7 de outubro de 2012 para eleger um prefeito e 17 vereadores no município de Leme, no Estado de São Paulo, no Brasil. O prefeito eleito foi Lema, do PV, com 46,24% dos votos válidos, sendo vitorioso logo no primeiro turno em disputa com dois adversários, Paulo Blascke (PT) e Pedro de Souza (PMN). O vice-prefeito eleito, na chapa de Lema, foi Didio (PSC).
O pleito em Leme foi parte das eleições municipais nas unidades federativas do Brasil. A disputa para as 17 vagas na Câmara Municipal de Leme envolveu a participação de 235 candidatos, tendo como mais bem votados José Eduardo Giacomelli (PR) e Juninho da Prefeitura (PSD) que obtiveram 1.760 votos (3,42% dos votos válidos) e 1.540 votos (2,99% dos votos válidos), respectivamente.
Quatro meses após a posse dos eleitos, em abril de 2013 os candidatos Paulo Roberto Blascke (PT) e Ademir Donizete Zanóbia (PSDC) acabam assumindo a prefeitura devido à cassação de Lema e Didio pelo TSE. Eles foram acusados de abuso de poder econômico pelo uso eleitoral do desconto de 50% da tarifa de água para a população de baixa renda às vésperas da eleição, quando Lema ainda era diretor do Serviço de Águas e Esgoto do Município de Leme (SAECIL) e pré-candidato.
Antecedentes Na eleição municipal de 2008, Wagner Ricardo Antunes Filho, o Wagão, do DEM, venceu com ampla maioria outros três candidatos. O candidato do DEM foi eleito com 39.127 votos (80,08% dos votos válidos).
É importante ressaltar que Wagner Ricardo Filho Prefeito de Leme foi condenado por improbidade administrativa, Wagner foi acusado de fazer publicidade institucional e utilizar os bens e recursos públicos da administração municipal em benefício próprio antes e durante o período em que era candidato a reeleição em 2008. Segundo a sentença, ele ainda por cima teria usado indevidamente o jornal "O Popular" para promover sua imagem e candidatura. .
Eleitorado Na eleição de 2012, estiveram aptos a votar 68.718 lemenses, o que correspondia a 84,18% da população da cidade.Sendo que 8,02% ou 4.637 foram votos em branco; 11,69% ou 6.76 foram votos nulos.
Campanha Na campanha política de 2012 houve irregularidades, em de janeiro de 2013, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP), acolhendo parecer da Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo (PRE-SP), cassou o registro de candidatura dos candidatos mais votados para prefeito e vice-prefeito do município de Leme (SP), respectivamente, Sérgio Luiz Dellai (conhecido como "Lema") e Evanildo dos Santos Brito. O prefeito da cidade até 2012, Wagner Ricardo Antunes Filho ("Wagão"), foi condenado ao pagamento de multa. Lema, à época Diretor do Serviço de Águas e Esgoto do Município de Leme (SAECIL) e pré-candidato, criou em 2012 o benefício da "tarifa social" de água e esgoto, que dá um desconto de 50% na tarifa a famílias beneficiadas pelo Bolsa Família. O benefício foi amplamente noticiado pela Prefeitura e por meios de comunicação simpáticos a esta, tendo sido uma "bandeira de campanha" dos candidatos.
Em seu parecer, o procurador regional Eleitoral André de Carvalho Ramos entendeu que Lema e Wagner Ricardo violaram o disposto no inciso IV eno § 10 do art. 73 da Lei das Eleicoes (Lei n.º 9.504/97). Esses dispositivos proíbem a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios por parte da Administração Pública no ano da eleição, e também o uso promocional, em favor de candidato, de serviços de caráter social custeados pelo Poder Público. Tais disposições legais são algumas das condutas vedadas aos agentes públicos em época de eleição, tipificadas pelo citado art. 73, que visa impedir que os candidatos próximos ao governo usem a máquina pública para ter vantagens indevidas durante a campanha.
O parecer da PRE-SP também entendeu que o ex-prefeito incorreu em abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação social em favor dos candidatos, o que é proibido pelo art. 22 da Lei das Inelegibilidades (Lei Complementar nº 64/90). Isso porque o jornal local "O Popular" noticiou reiteradamente e de forma favorável as ações da Prefeitura, com especial destaque para a "tarifa social". Além disso, uma emissora local foi usada para divulgar obras do governo, com destaque expresso às figuras do ex-prefeito e do candidato à sucessão.
Candidatos Foram três candidatos à prefeitura em 2012: Sérgio Luiz Dellai (Lema) do PV, Paulo Roberto Blascke do PT e Pedro de Souza do PMN
Candidato(a)VicePartidoColigação104x104pxSérgio Luiz DellaiDidioPV"Leme no rumo certo" (PRB / PP / PDT / PTB / PMDB / PSL / PSC / PR / PPS / DEM / PSB / PV / PRP / PSDB / PSD / PC do B / PT do B)</small>104x104pxPaulo Roberto BlasckeGu ZanobiaPT"Resistência" (PT / PSDC)</small>104x104pxPedro de SouzaHamilton do Agita LemePMN(PMN)</small>
Vereador Dos dezessete (17) vereadores eleitos, cinco (5) eram em 2012 da base de Sérgio Luiz Dellai (Lema), haviam apenas dois mulheres dentre as vereadoras eleitas em 2012. O vereador mais votado foi Zé Giacomelli (PR), que teve 1.760 votos. O PV é o partido com o maior número de vereadores eleitos (5).
Resultado da eleição para a Câmara Municipal de Leme em 2012 por candidato Candidato Número Partido Votos Porcentagem Ze Giacomelli 22625 PR 1.760 3,42% Juninho da Prefeitura 55601 PSD 1.540 2,99% Duzao 25250 DEM 1.524 2,96% Raul Xuxu 43333 PV 1.521 2,96% Professor Marcelo 55040 PSD 1.366 2,66% João do Churrascão 40444 PSB 1.154 2,24% Chico da Rosa 40333 PSB 970 1,89% Ademir Lopes 70777 PT do B 961 1,87% Fabinho do Correio 43300 PV 942 1,83% Dr. Amarilis 43111 PV 935 1,82% Dr. Carlos Alexandre 55000 PSD 927 1,80% Paulinho Vallença 25220 DEM 835 1,62% Osmar Fick Jr. 50007 PSOL 827 1,61% Gilson Lani 43999 PV 824 1,60% Professor João Machado 43000 PV 782 1,52% Kiko Moraghi 15000 PMDB 724 1,41% Ricardinho 20777 PSC 723 1,41% Silvio Sales 20333 PSC 722 1,40% Nivaldo Cabeludo 15555 PMDB 698 1,36% Edjalma 22800 PR 675 1,31% Adenir Pinto 45500 PSDB 662 1,29% Bonelli 43010 PV 662 1,29% Claudemir Borges 15100 PMDB 614 1,19% Bel Parolim 13001 PT 610 1,19%
Votos válidos 51.440 88,92% Votos nulos 2.870 4,96% Votos em branco 3.539 6,12% Total 57.849 100%
Análises Nos últimos anos, Leme enfrentou uma série de escândalos políticos envolvendo sobretudo os prefeitos eleitos pela população entre 2009 e 2016. Eleito em 2004 e 2008, o então prefeito Wagner Ricardo Filho, o Wagão, foi condenado por improbidade administrativa por questões relacionadas à campanha de reeleição em 2008 e viu seu sucessor Sérgio Luiz Dellai, o Lema (PV), e o vice-prefeito, Evanildo dos Santos Brito, o Didio (PSC) enfrentarem problemas com a justiça logo que assumiram a administração municipal.
Suspeitos de utilizarem a máquina pública a seu favor às vésperas das eleições de 2012, com a criação de uma "tarifa social" de água e esgoto que beneficiaria famílias atendidas pelo Bolsa Família, com descontos de até 50%, Wagão, Lema e Didio receberam punições como multa e cassação do registro de candidatura, após um parecer da Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo ser acolhido pelo TRE-SP. Enquanto Wagão foi punido com uma multa, Lema e Didio foram cassados em abril de 2013, dando lugar a Paulo Blascke (PT) e Ademir Zanobia, o Gu Zanobia, (PSDC), representantes da segunda chapa mais votada na eleição de 7 de outubro do ano anterior.
Tendo assumido a prefeitura de forma imediata após a cassação de Lema, Paulo Blascke também enfrentou problemas judiciais durante o mandato e chegou a ser cassado pela Câmara Municipal em abril de 2015, após uma comissão processante ser instaurada para a apuração de quatro denúncias, sendo a primeira relacionada ao atraso de repasses da parte patrimonial ao fundo previdenciário dos funcionários municipais e a segunda sobre mandados de segurança solicitados por um vereador após o chefe do executivo não solicitar as informações requeridas pela Câmara.
A terceira denúncia envolvia o superfaturamento na contratação de caminhões de lixo, em que apenas dois eram utilizados após uma licitação ser aberta para quatro veículos e os contratos eram pagos regularmente. Já a quarta e última denúncia tratou de uma nova licitação irregular, dessa vez envolvendo a concessão de um terreno para uma associação de cortadores de cana de açúcar, que implantaria uma micro usina de hortifruti granjeiro.
Durante o período, o vice-prefeito Gu Zanobia foi convocado para assumir a prefeitura. No entanto, sete meses depois de ser retirado, Blascke voltou ao executivo amparado por uma decisão do Supremo Tribunal Federal, sob avaliação do ministro Luís Roberto Barroso, que destacou "não haver provas suficientes para afastar o chefe do Executivo e todo o processo de cassação se baseou no regimento interno da Câmara, quando deveria ter sido embasado em um decreto federal que trata das responsabilidades dos prefeitos e vereadores".
2012 Leme