Robert William "Willie" Pickton (Port Coquitlam, 24 de outubro de 1949 – Quebec, 31 de maio de 2024) foi um antigo fazendeiro criador de porcos e assassino em série condenado em 2007 pelo homicídio em segundo grau de seis (06) mulheres em Vancouver.

Ele também foi acusado pelas mortes de outras 20 vítimas, contudo, estas acusações foram retiradas após sua prisão.

Foi sentenciado a prisão perpétua em dezembro de 2007, sem possibilidade de liberdade condicional durante 25 anos - a maior sentença na altura disponível para a lei de homicídio do Canadá.

Durante o primeiro dia de julgamento, em 22 de janeiro de 2007, foi revelado que ele teria dito a um policial à paisana, infiltrado como seu companheiro de cela, que ele queria ter matado outra mulher para chegar ao número exato de 50. "O caso chocou o Canadá e o Mundo: um agricultor multimilionário, Robert Pickton, de 68 anos, matou 49 mulheres, a maioria prostitutas, e transformou os corpos em carne picada", escreveu o jornal Correio da Manhã de Portugal em janeiro de 2018.

"Pensa-se que ele poderá ter matado 70 mulheres, desaparecidas em Vancouver desde os anos 80 até 2001", escreveu o Correio da Manhã em dezembro de 2007.

Roberto Pickton foi o maior serial killer do Canadá.

Cenário Nos anos 1970, Pickton herdou, junto com o irmão David e a irmã, uma propriedade rural de criação de porcos em Port Coquitlam. Ele e seu irmão administravam a quinta (fazenda, em português brasileiro) quando registraram, em 1996, uma organização sem fins lucrativos, a Piggy Palace Good Times Society, com o objetivo de "organizar eventos especiais, festas e espetáculos". "Pickton e o irmão, David, eram conhecidos por esbanjarem dinheiro em festas no ‘Palácio dos Porquinhos’. As noites incluíam sempre prostitutas, muito álcool e drogas", escreveu o Correio da Manhã.

Bill Hiscox, empregado da fazenda, intimado a dar seu depoimento posteriormente, chamou a fazenda de "um lugar sinistro", enfatizando que o local era vigiado por um porco de 270 quilos. "Eu nunca vi um porco como aquele, que poderia perseguir-te e morder-te", disse ele. Ele também descreveu Pickton como um "tipo quieto, difícil de manter uma conversa", cujo comportamento bizarro ocasional chamava a atenção. Ele e o irmão David também tinham uma extensa ficha criminal.

Em 23 de março de 1997, Pickton foi acusado pela tentativa de homicídio de uma prostituta chamada Wendy Lynn Eistetter, que havia sido esfaqueada diversas vezes depois de fazer um programa sexual com o criminoso na fazenda. A vítima informou à polícia que Pickton a tinha algemado, mas que ela escapou, depois de ter sido atacada, desarmando-o e esfaqueando-o. Ele foi posteriormente libertado sob uma fiança de dois mil dólares.

Meses depois, os Pickton foram acusados pela Polícia de Port Coquitlam de violarem leis de zoneamento, tendo "alterado um grande edifício da quinta com o objetivo de dançar, dar concertos e outras recreações". Os Pickton ignoraram o aviso das autoridades e deram uma festa de Ano Novo em 1998, tendo depois sido proibidos de realizar futuros eventos e a polícia tendo sido "autorizada a prender ou remover qualquer pessoa" das festas da Piggy Palace Good Times realizadas no local. No ano seguinte, a sociedade perdeu o estado de "sociedade sem fins lucrativos" por ser incapaz de alcançar seus objetivos financeiros.

Os crimes Em meados dos anos 1990, investigadores passaram a observar que diversas mulheres, geralmente prostitutas usuárias de drogas de origem indígena, de Vancouver estavam desaparecendo. "Vários agentes do Departamento de Polícia de Vancouver começaram a suspeitar que um serial killer estava agindo. Um deles foi o inspetor Kim Rossmo (...) 'Esse número começou a crescer em 1996, 1997 e 1998. Pensei que a única explicação para aquilo era que fosse um caso de assassinato em série'", escreveu a BBC.

Em julho de 1998, Lorimer Shenher, o novo investigador designado para resolver os 17 primeiros desaparecimentos recebeu uma ligação telefônica (feita anonimamente por Bill Hiscox), na qual o nome de Robert Pickton foi citado. Anos depois, Shenher admitiu que Pickton era "seu homem em potencial", porque meses antes ele havia sido acusado de ter atacado uma prostituta de nome Wendy Lynn Eistetter.

A polícia já rastreava Pickton, quando em 6 de fevereiro de 2002 conseguiu um mandato de busca por armas de fogo ilegais na fazenda e, depois de levar os irmãos Robert e David sob custódia, obteve uma segunda ordem para vasculhar o local como parte da BC Missing Womem Investigation. Itens pessoais, incluindo uma prescrição para um inalador de asma, pertencentes às mulheres desaparecidas foram encontrados na fazenda, que foi isolada pela Real Polícia Montada do Canadá (RCMP). No dia seguinte, Pickton foi acusado por posse de arma de fogo sem licença e mais tarde libertado, porém mantido sob vigilância.

Os investigadores começaram a fazer escavações na fazenda, encontrando inicialmente os corpos de quinze mulheres.

Em 22 de fevereiro, Pickton foi preso, acusado de dois homicídios em primeiro grau pelas mortes de Serrena Abotsway e Mona Wilson. Em 2 de abril, foram adicionadas mais 3 acusações pelos homicídios de Jacqueline McDonell, Diane Rock e Heather Bottomley. Uma sexta acusação do homicídio, de Andrea Joesbury, foi feita em 9 de abril, seguida por uma sétima de Brenda Wolfe. Em 20 de setembro, mais 4 acusações foram adicionadas, pelas mortes de Georgina Papin, Patricia Johnson, Helen Hallmark e Jennifer Furminger. Mais 4 de homicídios, de Heather Chinnock, Tanya Holyk, Sherry Irving e Inga Hall, surgiram em 3 de outubro, elevando o total a 15, transformando o caso na maior investigação de um assassino em série na história do Canadá. Em 26 de maio de 2005 foram adicionadas mais 12 acusações, pelas mortes de Cara Ellis, Andrea Borhaven, Debra Lynne Jones, Marnie Frey, Tiffany Drew, Kerry Koski, Sarah de Vries, Cynthia Feliks, Angela Jardine, Wendy Crawford, Diana Melnick e uma mulher não identificada, elevando o total a 27 acusações de homicídio em primeiro grau.

Em janeiro de 2007 o Correio da Manhã escreveu: "durante as buscas à fazenda de Pickton, a polícia encontrara num frigorífico os crânios e outras partes do corpo de duas das vítimas. As cabeças foram cortadas ao meio, verticalmente. Junto dos crânios, que tinham marcas de balas, estavam as mãos direita e esquerda, bem como a parte de frente dos dois pés de cada uma das vítimas".

Modus operandi As vítimas eram atraídas para a fazenda de Pickton com a promessa de dinheiro ou drogas em troca de programas sexuais. Elas eram então atacadas, algemadas, estranguladas ou mortas a tiros, tendo depois os corpos retalhados num moedor de carne. Algumas vezes seus corpos moídos eram jogados aos porcos.

Área de atuação Os crimes aconteceram na área de Vancouver.

Perfil das vítimas Prostitutas, geralmente de origem indígena, viciadas em drogas.

Inquérito preliminar Um inquérito havia sido instaurado contra Robert pela tentativa de homicídio de Wendy Lynn Eistetter em 1997, no entanto, a acusação foi arquivada em janeiro de 1998, porque ela tinha problemas com drogas e a justiça a considerava a mulher instável demais para testemunhar. As roupas e botas de borracha que Pickton usava na noite em que atacou Wendy haviam sido confiscadas pela polícia e deixadas numa base policial por mais de 7 anos, sendo que só em 2004 passaram por testes de laboratório que mostraram que o ADN de duas mulheres desaparecidas estavam nos itens recolhidos.

Wendy foi ouvida novamente pela polícia em 2003 e 2006, quando relatou que após ter feito um programa sexual com Pickton, ao estar debruçada sobre uma lista telefônica, ele a atacou. Ela conseguiu se defender com uma faca, tendo fugido e pedido ajuda na estrada. Os ocupantes do carro que pararam para ajudá-la, relataram em depoimento que ela vinha "descendo cambaleando pela calçada, dizendo: 'me ajude'. Ela estava coberta de sangue e tinha uma faca grande, do tipo de cozinha, na mão direita e o que parecia ser uma algema no pulso esquerdo. Ela pediu que a ajudássemos, que ela havia sido esfaqueada. Ela estava muito preocupada com o fato de estar morrendo e disse: 'no caso de morrer, diga a eles que o esfaqueei no pescoço'." Os advogados de defesa do criminoso alegaram que ela havia atacado Pickton por ter "enlouquecido" após consumir drogas em excesso, tendo seu testemunho sido dispensado.

Polêmicas Durante as investigações e o julgamento, o caso acabou virando uma polêmica com as famílias acusando a polícia de não ter agido rápido o suficiente porque as vítimas eram indígenas, prostitutas e viciadas em drogas. Em 2012, Hiscox, o empregado de Pickton que havia ligado para os policiais em 1998, disse: "É frustrante ver a dor destas famílias, quando eles me dizem que suas filhas e irmãs ainda poderiam estar vivas se a polícia tivesse prendido Pickton após eu dar minhas primeiras informações".

"Se essas mulheres fossem de qualquer outro estrato social, haveria uma revolta, busca em festas, voluntários, bloqueio de estradas. Em um nível bem profundo, um vasto segmento da sociedade e a comunidade policial não sentiam que essas mulheres mereciam o esforço, e muitas pessoas questionaram se elas realmente queriam ser encontradas", disse o investigador Lorimer Shenher em 2017. O Governo da Colúmbia Britânica admitiu em 2010 a "falta de liderança nas investigações" e as descreveu como um "fracasso vergonhoso".

Com base nas leis canadenses, o caso envolvendo Pickton foi mantido em segredo de justiça até o julgamento, tendo o juiz proibido a revelação de qualquer pormenor pela imprensa, alegando que as revelações poderiam prejudicar as investigações. No entanto, mesmo após o julgamento, esta restrição foi apenas sendo pouco a pouco cancelada.

Julgamento O julgamento de Pickton começou em 30 de janeiro de 2006 em New Westminster, tendo Pickton, no Supremo Tribunal da Colúmbia Britânica, alegado ser inocente das 27 acusações de homicídio em primeiro grau. "Não sei nada sobre o assunto", teria dito em juízo.

A fase voir dire do julgamento levou meses para determinar que provas podiam ser admitidas perante o júri, já que o depoimento de Wendy não foi aceito. Os investigadores não podiam excluir nenhum material presente nos argumentos e em 2 de março uma dessas 27 acusações foi rejeitada pelo juiz James Williams por falta de provas.

Em 9 de agosto, o juiz Williams separou as acusações em um grupo de 6 e outro grupo de 20. O julgamento continuou com o grupo das 6 acusações, sendo que as restantes 20 acusações deveriam ser ouvidas num julgamento à parte. Devido à proibição imposta à imprensa, detalhes completos sobre o a decisão do juiz não foram divulgadas, mas o juiz explicou que julgar todas as 26 acusações de uma vez iria demorar mais de 2 anos. O juiz também alegou que as 6 acusações que escolheu tinham evidências "materialmente diferentes" das outras 20.

A data para o julgamento das primeiras 6 acusações foi inicialmente agendado para 8 de janeiro de 2007, mas foi depois adiado para 22 de janeiro. Nessa data, Pickton enfrentou acusações de homicídio em primeiro grau pelas mortes de Frey, Abotsway, Joesbury, Wolfe e Wilson. A restrição imposta à imprensa foi retirada e pela primeira vez os detalhes do que foi encontrado durante a longa investigação se tornaram públicos: crânios cortados ao meio com mãos e pés em seu interior; os restos mortais de uma vítima encontrados num saco de lixo; roupa ensanguentada encontrada no carro do assassino; parte do maxilar e os dentes de outra vítima encontrados na porta do matadouro; um revólver de calibre 22 com um dildo contendo o ADN de uma das vítimas. Num gravação mostrada ao júri, Pickton disse ter prendido o dildo à sua arma como substituto do silenciador.Canadian pig farmer guilty of serial killings.

Em 20 de fevereiro de 2007, as seguintes informações foi apresentadas no tribunal: