thumb|Este vídeo foi gravado pela tripulação da Expedição 29 a bordo da ISS. A passagem começa pouco a nordeste da ilha da Terra Nova, sobre o Atlântico Norte, e segue até a África Central, passando sobre o Sudão do Sul.
Oceano Atlântico é o segundo maior dos cinco oceanos do mundo, com uma área de cerca de 85 133 000 km². Cobre aproximadamente 17% da superfície da Terra e cerca de 24% da área de sua superfície aquática. Durante a Era dos Descobrimentos, ficou conhecido por separar o Novo Mundo das Américas (América do Norte e América do Sul) do Velho Mundo da Eurafrásia (África, Ásia e Europa).
Ao separar a Eurafrásia das Américas, o oceano Atlântico desempenhou um papel central no desenvolvimento da sociedade humana, na globalização e na história de muitas nações. Embora os nórdicos tenham sido os primeiros seres humanos de que se tem conhecimento a atravessar o Atlântico, foi a expedição de Cristóvão Colombo de 1492 que teve as consequências mais profundas. A expedição de Colombo deu início a uma era de exploração e à colonização das Américas por potências europeias, sobretudo Portugal, Espanha, França e o Reino Unido. Do século XVI ao XIX, o oceano Atlântico foi o centro tanto do comércio de escravos que recebeu seu nome quanto do intercâmbio colombiano, além de ocasionalmente sediar batalhas navais. Essas batalhas, assim como o crescimento do comércio de potências regionais americanas como os Estados Unidos e o Brasil, intensificaram-se no início do século XX. Após a Segunda Guerra Mundial, grandes operações militares tornaram-se mais raras, embora conflitos notáveis do pós-guerra incluam a Crise dos Mísseis de Cuba e a Guerra das Malvinas. O oceano continua sendo um componente central do comércio mundial.
As temperaturas do oceano Atlântico variam conforme a localização. Por exemplo, o Atlântico Sul mantém temperaturas quentes durante todo o ano, pois os países de sua bacia estão em regiões tropicais. O Atlântico Norte apresenta clima temperado, uma vez que os países de sua bacia estão em zonas temperadas e têm estações com temperaturas extremamente baixas e altas.
O oceano Atlântico ocupa uma bacia alongada, em forma de S, que se estende longitudinalmente entre a Europa e a África, a leste, e as Américas, a oeste. Como um componente do oceano global interligado, conecta-se ao norte ao oceano Ártico, a sudoeste ao oceano Pacífico, a sudeste ao oceano Índico e ao sul ao oceano Antártico. Outras definições descrevem o Atlântico como se estendendo para o sul até a Antártida. O oceano Atlântico é dividido em duas partes, Atlântico Norte e Atlântico Sul, pela linha do equador.Organização Hidrográfica Internacional, Limits of Oceans and Seas, 3rd ed. (1953) , pages 4 and 13.
Nomes thumb|O oceano Etíope representado em um mapa francês da África de 1710
As menções mais antigas conhecidas a um mar "Atlântico" provêm de Estesícoro, por volta de meados do século VI a.C. (Sch. A. R. 1. 211): (, "o mar Atlântico", "Mar de Atlas") e de Histórias, de Heródoto, por volta de 450 a.C. (Hdt. 1.202.4): (, "Mar de Atlas" ou "o mar Atlântico"), em que o nome se refere ao "mar além das Colunas de Hércules" (o estreito de Gibraltar), para além da cordilheira do Atlas, em Marrocos, e ao largo da costa da África Ocidental. Nessas utilizações, o nome refere-se a Atlas, o titã da mitologia grega, que sustentava os céus e que mais tarde apareceria como frontispício em mapas medievais e atlas.
Os primeiros navegadores gregos acreditavam que o Atlântico fazia parte do Oceano, o grande mar ou rio que circundava todas as terras, mencionado na literatura mitológica da Grécia Antiga, como a Ilíada e a Odisseia. Isso contrastava com os mares fechados bem conhecidos pelos gregos, o Mediterrâneo e o mar Negro. Acreditava-se que o grande oceano se estendia ao redor da África, o que deu origem ao termo oceano Etíope, derivado da Etiópia antiga, aplicado ao Atlântico Sul até meados do século XIX.
Durante a Era dos Descobrimentos, o Atlântico também era conhecido pelos cartógrafos ingleses como Grande Oceano Ocidental.
thumb|O Atlântico visto da costa da ilha de Clare, na Irlanda, em 1981 The pond ("a lagoa") é um termo humorístico frequentemente empregado por falantes britânicos e norte-americanos em referência ao norte do oceano Atlântico, como exemplo de meiose, uma forma de subestimação irônica. É usado sobretudo em expressões como "deste lado da lagoa", "do outro lado da lagoa" ou "através da lagoa", enfatizando a ligação e a separação entre a Grã-Bretanha e suas antigas colônias, em vez de se referir ao oceano propriamente dito. O termo data de 1640, aparecendo pela primeira vez impresso em um panfleto publicado durante o reinado de Carlos I e reproduzido em 1869 na obra de Nehemiah Wallington, Historical Notices of Events Occurring Chiefly in The Reign of Charles I, na qual "great Pond" é empregado em referência ao oceano Atlântico por Francis Windebank, secretário de Estado de Carlos I.
Extensão e dados
A Organização Hidrográfica Internacional (OHI) definiu os limites dos oceanos e mares em 1953, mas algumas dessas definições foram revistas desde então e algumas não são reconhecidas por diversas autoridades, instituições e países, como o The World Factbook, por exemplo. Consequentemente, a extensão e o número de oceanos e mares variam.
O oceano Atlântico é limitado a oeste pelas Américas do Norte e do Sul. Liga-se ao oceano Ártico por meio do mar do Labrador, do estreito da Dinamarca, do mar da Gronelândia, do mar da Noruega e do mar de Barents, com a divisão setentrional passando pela Islândia e por Svalbard. A leste, os limites do oceano propriamente dito são a Europa e a África: o estreito de Gibraltar, onde se conecta ao mar Mediterrâneo — um de seus mares marginais — e, por sua vez, ao mar Negro, ambos também em contato com a Ásia.
No sudeste, o Atlântico funde-se com o oceano Índico. O meridiano 20° E, que segue para o sul do cabo das Agulhas até a Antártida, define sua fronteira. Na definição de 1953, estende-se ao sul até a Antártida, enquanto em mapas posteriores é limitado pelo oceano Antártico no paralelo 60° S.
O Atlântico possui costas irregulares, recortadas por numerosas baías, golfos e mares. Entre eles estão o mar Báltico, o mar Negro, o mar do Caribe, o estreito de Davis, o estreito da Dinamarca, parte da passagem de Drake, o golfo do México, o mar do Labrador, o mar Mediterrâneo, o mar do Norte, o mar da Noruega, quase todo o mar de Scotia e outros corpos d'água tributários. Incluindo esses mares marginais, a linha costeira do Atlântico mede 111 866 km, em comparação com 135 663 km no Pacífico.
Incluindo seus mares marginais, o Atlântico cobre uma área de 106 460 000 km², ou 23,5% do oceano global, e tem um volume de 310 410 900 km³, ou 23,3% do volume total dos oceanos da Terra. Excluindo os mares marginais, o Atlântico cobre 81 760 000 km² e possui um volume de 305 811 900 km³. O Atlântico Norte cobre 41 490 000 km² (11,5%) e o Atlântico Sul, 40 270 000 km² (11,1%). A profundidade média é de 3 646 m, e a máxima, no abismo Milwaukee, na fossa de Porto Rico, é de 8 376 m.
Batimetria thumb|Mapa em falsa cor da profundidade oceânica na bacia do Atlântico A batimetria do Atlântico é dominada por uma cordilheira submarina denominada Dorsal Mesoatlântica (DMA). Ela se estende de 87° N, ou 300 km ao sul do Polo Norte, até a subantártica ilha Bouvet, a 54° S. Entre as expedições de exploração da batimetria do Atlântico estão a expedição Challenger e a expedição alemã do Meteor; desde 2001, o Observatório da Terra Lamont–Doherty, da Universidade Columbia, e o Escritório Hidrográfico dos Estados Unidos realizam pesquisas no oceano.
Dorsal Mesoatlântica
A DMA divide longitudinalmente o Atlântico em duas metades, em cada uma das quais uma série de bacias é delimitada por dorsais secundárias transversais. A DMA eleva-se mais de 2 000 m ao longo da maior parte de sua extensão, mas é interrompida por falhas transformantes maiores em dois pontos: a fossa Romanche, perto do equador, e a zona de fratura Charlie-Gibbs, a 53° N. A DMA constitui uma barreira para as águas de fundo, mas nessas duas falhas transformantes as correntes de águas profundas podem passar de um lado para o outro.
A DMA eleva-se 2–3 km acima do fundo oceânico circundante, e seu vale de rifte é o limite divergente entre as placas norte-americana e eurasiática no Atlântico Norte e as placas sul-americana e africana no Atlântico Sul. A DMA produz vulcões basálticos em Eyjafjallajökull, na Islândia, e lavas em almofada no fundo oceânico. A profundidade da água no topo da dorsal é inferior a 2 700 m na maioria dos locais, enquanto o fundo da dorsal é três vezes mais profundo.
A DMA é cruzada por duas estruturas perpendiculares: a zona de fratura Açores–Gibraltar, limite entre as placas núbia e eurasiática, intercepta a DMA na junção tripla dos Açores, em ambos os lados da microplaca dos Açores, perto de 40° N. Um limite muito mais impreciso e sem nome, entre as placas norte-americana e sul-americana, cruza a DMA próximo ou imediatamente ao norte da zona de fratura Fifteen-Twenty, aproximadamente a 16° N.
Na década de 1870, a expedição Challenger descobriu partes do que hoje é conhecido como Dorsal Mesoatlântica: O restante da dorsal foi descoberto na década de 1920 pela expedição alemã do Meteor, usando equipamento de ecossondagem. A exploração da DMA na década de 1950 levou à aceitação geral da expansão do fundo oceânico e da tectônica de placas.
A maior parte da DMA permanece submersa, mas, onde alcança a superfície, formou ilhas vulcânicas. Embora nove delas tenham sido coletivamente indicadas como Patrimônio Mundial por seu valor geológico, quatro são consideradas de "Valor Universal Excepcional" com base em critérios culturais e naturais: Þingvellir, na Islândia; a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, em Portugal; Gough e Inacessível, no Reino Unido; e as Ilhas Atlânticas Brasileiras: reservas de Fernando de Noronha e do Atol das Rocas, no Brasil.
Fundo oceânico
As plataformas continentais do Atlântico são largas ao largo da Terra Nova, do extremo sul da América do Sul e do nordeste da Europa. No Atlântico ocidental, plataformas carbonatadas dominam grandes áreas, como o planalto Blake e a elevação Bermuda. O Atlântico é circundado por margens passivas, exceto em alguns locais onde margens ativas formam profundas fossas oceânicas: a fossa de Porto Rico (profundidade máxima de 8 376 m) no Atlântico ocidental e a fossa Sandwich do Sul (8 264 m) no Atlântico Sul. Há numerosos cânions submarinos ao largo do nordeste da América do Norte, da Europa ocidental e do noroeste da África. Alguns desses cânions prolongam-se pelas elevações continentais e avançam pelas planícies abissais como canais de águas profundas.
Em 1922 ocorreu um momento histórico na cartografia e na oceanografia. O USS Stewart utilizou um medidor acústico de profundidade da Marinha para traçar um mapa contínuo do leito do Atlântico. O método exigia poucas suposições, pois o princípio do sonar é direto: pulsos são enviados pela embarcação, refletem no fundo oceânico e retornam ao navio. Acredita-se que o fundo oceânico profundo seja relativamente plano, com fossas ocasionais, planícies abissais, fossas, montes submarinos, bacias, planaltos, cânions e alguns guyots. Diversas plataformas ao longo das margens continentais constituem cerca de 11% da topografia de fundo, com poucos canais profundos atravessando a elevação continental.
A profundidade média entre 60° N e 60° S é de 3 730 m, próxima da média do oceano global, com profundidade modal entre 4 000–5 000 m.
No Atlântico Sul, a cadeia de Walvis e a Elevação do Rio Grande formam barreiras às correntes oceânicas. O abismo Laurenciano localiza-se ao largo da costa leste do Canadá.
Características da água