Pastel de nata é uma popular especialidade da doçaria portuguesa, de inspiração conventual. Terá sido criado pelos monges jerónimos no Mosteiro de Santa Maria de Belém e possui origem certificada. A receita original é denominada Pastel de Belém, produzida exclusivamente na Fábrica dos Pastéis de Belém, em Lisboa, e tem como base ingredientes como ovo, leite, açúcar, limão e canela.
A receita ganhou diversas versões em Portugal e em outros países e territórios, como Brasil, Macau, Hong Kong, Singapura e Taiwan, sendo difundida globalmente.
Em 2011, o Pastel de Belém foi eleito uma das 7 Maravilhas da Gastronomia de Portugal. Em 2023, as duas principais versões do doce lideravam o ranking de avaliações na seção "pastelaria" do site TasteAtlas.
Historial miniatura|240px|Exterior da Fábrica dos Pastéis de Belém, em Lisboa (Portugal)
Segundo informação prestada ao jornal O Globo de Lisboa de 8 de julho de 1983 por João Manuel Ramalho Pereira, sócio da pastelaria naquela época, citada pelo diplomata brasileiro Dário Moreira de Castro Alves, na sua obra "Era Lisboa e Chovia", o negócio teria sido fundado em 1837 por Domingos Rafael Alves, comerciante e mestre confeiteiro, que tendo montado no Brasil um negócio de extração de açúcar, teria tido que voltar para Portugal por motivos de saúde da sua mulher. O comerciante teria fundado uma refinaria de açúcar onde hoje está loja dos pastéis de Belém, tendo para isso contratado um antigo cozinheiro dos monges jerónimos, extintos em 1834 após a revolução liberal de 1820, e consequente extinção das ordens religiosas. O cozinheiro teria trazido com ele o segredo dos pastéis, que passaram a ser confeccionados e vendidos naquele local a partir de 1837. Efetivamente documenta-se um Domingos Rafael Alves, morador na freguesia de Belém, que em 1841 faz uma avultada doação de 1$200 reis por ocasião das grandes cheias do Tejo que naquele ano assolaram a região do Ribatejo. No entanto, o primeiro indício documental relacionado à fábrica dos pastéis apenas surge em 1879, quando Domingos Rafael Alves compra, por escritura, o segredo da receita a José Vicente da Silva Pinto, seu afilhado, pelo preço de 100$000 reis. A fábrica passou depois para o seu filho Mário Benjamim Ramos Alves, que em 1920 a trespassou a uma sociedade. Nos anos 1940, Leonilde Clarinha, antepassada dos actuais proprietários, herdou o negócio do sogro, passando a administrá-lo com o marido.
Desde 2009, o concurso "O Melhor Pastel de Nata" elege a melhor versão do tradicional doce entre as versões produzidas pelas confeitarias, pastelarias, cafés e restaurantes da Área Metropolitana de Lisboa. Em 2023, a Confeitaria Glória, localizada em Amadora, foi a campeã.
Receita Um pastel de nata é tipicamente feito com leite, limão, canela, açúcar, ovos e massa folhada. Dependendo da receita, pode trocar-se o leite por natas, juntar farinha ou amido ou adicionar outros aromas. Começa-se por criar uma infusão com o leite e ovos, de forma a criar um creme. Este é levado a formas individuais forradas de massa folhada e vai tudo a um forno extremamente quente, de forma a cozinhar rapidamente e criar a característica crosta preta, creme suave e massa crocante.
Receitas precursoras Dentro da panóplia da pastelaria portuguesa, encontram-se receitas de pastelaria que se assemelham ao pastel de nata e que, por se julgarem mais antigas, se consideram suas possíveis precursoras. É o caso do bom-bocado, doce cuja versão clássica é em tudo semelhante ao pastel de nata, somente com a diferença de que é feito com massa quebrada e não com massa folhada.
Por seu turno, o bom-bocado terá como possível prógono culinário o «pastel de leite», mencionado no Livro de Cozinha da Infanta Dona Maria, dadas as semelhanças do seu formato e método de confecção, embora com recheio de leite cozido.
Difusão thumb|Pastéis de Nata de uma das inúmeras pastelarias especializadas nos 蛋挞 em Guangzhou (Cantão) China Como um doce português, o pastel de nata é também bastante comum no Brasil. Os pastéis de nata são muito populares na China, onde chegaram através de Macau, no tempo da presença portuguesa. Em chinês são chamados "dan ta" (蛋挞), significando "pastel de ovo". Empresas de fast food incluíram os "dan ta" na sua oferta de sobremesas, fazendo com que, desde finais da década de 1990, seja possível saborear pastéis de nata em países asiáticos, como o Camboja, Singapura, Malásia, Hong Kong e Taiwan.
Ver também Pastel de Tentúgal Pastel de Vouzela Pastel de Chaves Pastel de feijão
Ligações externas
Pastéis de Belém
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