Substituição é um conceito fundamental em lógica. Uma substituição é uma transformação sintática em uma expressão formal. Aplicar uma substituição a uma expressão significa trocar uma variável ou símbolos por outras expressões. A expressão resultante é chamada de uma instância de substituição da expressão original
Lógica Proposicional
Definição Onde Ψ e Φ representam fórmulas da lógica proposicional, Ψ é uma instância de substituição de Φ se e somente se Ψ pode ser obtida de Φ ao se substituir formulas por símbolos em Φ, sempre trocando uma ocorrência do mesmo símbolo por uma ocorrência da mesma fórmula. Por exemplo:
(R → S) & (T → S) é uma instância de substituição de: P & Q
e
(A ↔ A) ↔ (A ↔ A) é uma instância de substituição de: (A ↔ A)
Em alguns sistemas de dedução para a lógica proposicional, uma nova expressão (uma proposição) pode ser introduzida numa linha de uma derivação se ela é uma instância de substituição de uma linha anterior da derivação (Hunter 1971, p. 118). É assim que novas linhas são introduzidas em alguns sistemas axiomáticos. Em sistemas que usam regras de transformação, uma regra pode incluir o uso de uma instância de substituição para propósitos de introduzir uma certa variável a uma derivação.
Na lógica de primeira ordem, toda fórmula proposicional fechada que pode ser derivada de uma fórmula proposicional aberta a por substituição é dita ser uma instância de substituição de a. Se a é uma formula proposicional fechada, dizemos que a própria a é sua única instância de substituição.
Tautologias Uma fórmula proposicional é uma tautologia se ela é verdadeira sob todas as valorações (ou interpretações) possíveis dos símbolos de seus predicados. Se Φ é uma tautologia, e Θ é uma instância de substituição de Φ, então Θ também é uma tautologia. Este fato implica a corretude da regra de dedução descrita na sessão anterior.
Lógica de Primeira Ordem
Na lógica de primeira ordem, uma substituição é um mapeamento total σ: V → T de variáveis a termos; a notação { x1 ↦ t1, ..., xk ↦ tk } alguns autores usam [ t1/x1, ..., tk/xk ] para denotar esta substituição, e.g. , here: p.682; se refere a uma substituição que mapeia cada variável xi para o termo correspondente ti, para i=1,...,k, e todas as outras variáveis a si mesmas; os xi devem ser distintos e disjuntos. Aplicando esta substituição a um termo t é escrito em notação pós-fixa como t { x1 ↦ t1, ..., xk ↦ tk }; que significa trocar (simultaneamente) todas as ocorrências de cada xi em t por ti. De um ponto de vista algebraico de termos, o conjunto T de termos é o termo algebraico livre sobre o conjunto V de variáveis, daqui para cada mapeamento σ: V → T existem um homomorfismo unico : T → T que está de acordo com σ em V ⊆ T; a aplicação definida acima de σ a um termo t é vista como aplicar a função ao argumento t. O resultado tσ de aplicar uma substituição σ a um termo t é chamada uma instância daquele termo t. Por exemplo, aplicando a substituição { x ↦ z, z ↦ h(a,y) } ao termo
| f( | z |, a,g( | x | ),y) | produz |- | f( | h(a,y) |, a,g( | z | ),y) | .
O domínio dom(σ) de uma substituição σ é comumente definido como o conjunto de variáveis realmente trocadas, ex.: dom(σ) = { x ∈ V | xσ ≠ x }. Uma substituição é chamada substituição básica se ela mapeia todas as variáveis do seu domínio para um termo sem variável, ex.: livre de variáveis, termos. A instância de substituição tσ de uma substituição básica é um termo básico se todas as variáveis de t estão no domínio de σ, ex.: se vars(t) ⊆ dom(σ). Uma substituição σ é chamada uma substituição linear se tσ é um termo linear para algum (e portanto todos) termo t contendo apenas as variáveis do domínio de σ, ex.: com vars(t) = dom(σ). Uma substituição σ é dita substituição plana se xσ é uma variável para cada variável x. Uma substituição σ é chamada de substituição de renomeação se ela é uma permutação no conjunto de todas as variáveis. Como todas permutações, uma substituição de renomeação σ sempre tem uma substituição inversa σ−1, tal que tσσ−1 = t = tσ−1σ para todo termo t. Contudo, não é possível definir uma inversa para uma substituição arbitrária.
Por exemplo, { x ↦ 2, y ↦ 3+4 } é uma substituição básica, { x ↦ x1, y ↦ y2+4 } é uma substituição não-básica e não-plana, porém linear, { x ↦ y2, y ↦ y2+4 } é não-linear e não-plana, { x ↦ y2, y ↦ y2 } é plana, mas não-linear, { x ↦ x1, y ↦ y2 } é tanto linear quanto plana, porém não renomeante, já que ela mapeia ambos y e y2 para y2; cada uma dessas substituições tem o conjunto {x,y} como seu domínio. Um exemplo de uma substituição de renomeação é { x ↦ x1, x1 ↦ y, y ↦ y2, y2 ↦ x }, se ela tem inversa { x ↦ y2, y2 ↦ y, y ↦ x1, x1 ↦ x }. A substituição planar { x ↦ z, y ↦ z } não pode ter uma inversa, já que por exemplo (x+y) { x ↦ z, y ↦ z } = z+z, e o termo posterior não pode ser transformado de volta para x+y, pois a informação sobre a origem de onde z decorre é perdida. A substituição básica { x ↦ 2 } não pode ter uma inversa devido a uma similar perda de informação ex.: em (x+2) { x ↦ 2 } = 2+2, mesmo que trocar constantes por variáveis tenha fosse permitido por algum tipo fictício de "substituição generalizada".
Duas substituições são consideradas iguais se elas mapeiam cada variável a termos resultando estruturalmente iguais, formalmente: σ = τ se xσ = xτ para toda variável x ∈ V. A composição de suas substituições σ = { x1 ↦ t1, ..., xk ↦ tk } e τ = { y1 ↦ u1, ..., yl ↦ ul } é obtida ao se remover da substituição { x1 ↦ t1τ, ..., xk ↦ tkτ, y1 ↦ u1, ..., yl ↦ ul } os pares yi ↦ ui para os quais yi ∈ { x1, ..., xk }. A composição de σ e τ é denotada por στ. Composição é uma operação associativa, e é compatível com a aplicação de substituições, ex.: (ρσ)τ = ρ(στ), w (tσ)τ = t(στ), respectivamente, para todas as substituições ρ, σ, τ, e todo termo t. A substituição identidade, que mapeia todas as variáveis a sí mesmas, é o elemento neutro na composição de substituições. Uma substituição σ é dita idempotente se σσ = σ, e portanto tσσ = tσ para todo termo t. A substituição { x1 ↦ t1, ..., xk ↦ tk } é idempotente se e somente se nenhuma das variáveis xi ocorre em qualquer ti. Composição de substituições não é comutativa, isto é, στ pode ser diferente de τσ, mesmo se σ e τ são idempotentes.; here: p.73-74; here: p.445-446
Por exemplo, { x ↦ 2, y ↦ 3+4 } é igual a { y ↦ 3+4, x ↦ 2 }, mas diferente de { x ↦ 2, y ↦ 7 }. A substituição { x ↦ y+y } é idempotente, ex.: ((x+y) {x↦y+y}) {x↦y+y} = ((y+y)+y) {x↦y+y} = (y+y)+y, enquanto que a substituição { x ↦ x+y } não é, ex.: ((x+y) {x↦x+y}) {x↦x+y} = ((x+y)+y) {x↦x+y} = ((x+y)+y)+y. Um exemplo de substituições não comutativas é { x ↦ y } { y ↦ z } = { x ↦ z, y ↦ z }, mas { y ↦ z} { x ↦ y} = { x ↦ y, y ↦ z }.
Ver também Propriedade de substituição em Igualdade Matemática Lógica de Primeira Ordem Regra da Substituição Universal Lambda calculus Semântica de Valor Verdade Unificação Metavariável Mutatis mutandis Regra de Troca
Notas
Referências Hunter, G. (1971). Metalogic: An Introduction to the Metatheory of Standard First Order Logic. University of California Press. ISBN 0-520-01822-2 Kleene, S. C. (1967). Mathematical Logic. Reprinted 2002, Dover. ISBN 0-486-42533-9
Ligações externas Substituição no nLab
Categoria:Lógica Categoria:Programação lógica Categoria:Conceitos