Abel Acácio de Almeida Botelho (Tabuaço, Tabuaço, 23 de setembro de 1854 – Buenos Aires, 24 de abril? de 1917)"Abel, filho legitimo de Luiz Carlos d'Almeida Botelho, natural de Viseu, Freguesia da Sé e de D. Maria Preciosa d'Azevedo Botelho, desta Freguesia, nepto paterno de Christovão Antonio d'Almeida e Costa da Freguesia de Monsanto, Bispado de Castello Branco e de D. Helena Joaquina da Fonseca da Freguesia de Castello Bom, Bispado de Pinhel e materno de Bento d'Azevedo Leitão desta Freguesia, e de D. Maria Bernarda da Freguesia de Fonte arcada, deste Bispado, foi por mim solemnemente baptizado no dia vinte um de Novembro de mil oito centos cincoenta e quatro, tendo nascido a vinte e tres de Septembro do mesmo anno supra; foram Padrinhos seus avós maternos Bento d'Azevedo Leitão e D. Maria Bernarda e testemunhas o Rd.º P.e Antonio Vaz Pereira e o Rd.º P.e Manoel Ribeiro da Fonseca; e para constar fiz este assento que assignamos, O Abb.e Antonio Soares Martinho, P.e Ant.º Vaz Ferr. e P.e Manoel Rib.º da Fon.ca ..." (Fonte: Livro de Baptismos da Freguesia de Tabuaço, concelho de Tabuaço, Ano de 1854, Cx. 14, n.º 3, fl. 91 v.º) in Abel Botelho - Um Assento de Baptismo. Página visitada em 03-01-2014 foi um coronel do Estado-Maior do Exército, escritor, político e diplomata português. Representante em Portugal do realismo extremo, conhecido como Naturalismo, escreveu, entre outros, o O Barão de Lavos e O Livro de Alda, os dois primeiros títulos da série Patologia Social.

Biografia Abel Botelho nasceu em Tabuaço, Tabuaço, pequena vila da Beira Alta, a 23 de setembro de 1854, e faleceu em Buenos Aires, como ministro da Primeira República Portuguesa, em 1917. Frequentou o Colégio Militar. Iniciando-se na carreira das armas como simples soldado raso, foi galgando os mais altos postos do Exército, tendo chegado a coronel. Entre outras funções, exerceu a chefia do Estado-Maior da Primeira Divisão Militar (Lisboa). Pertenceu a várias agremiações (Academia das Ciências, Associação dos Jornalistas e Escritores Portugueses, de Lisboa e do Porto, Associação da Imprensa, Sociedade Geográfica de Lisboa, etc.), e foi como um dos delegados dessa última agremiação que esteve em São Paulo, em 1910, por ocasião de um congresso de Geografia. Em 1911 é nomeado ministro da República (embaixador) em Buenos Aires, onde falece em 1917, cargo de grande importância pois a Argentina foi o primeiro país a reconhecer a República Portuguesa após a instauração republicana em 1910.

A sua carreira literária começou em 1885, com um livro de versos chamado Lira Insubmissa.

No ano seguinte, lança Germano, drama em cinco actos, em verso. Proposta à direcção do Teatro Nacional, esta peça foi recusada. Originou-se uma polémica, por causa do artigo que Abel Botelho dirigiu aos responsáveis pela sua não-aceitação. Daí em diante escreverá outras peças de teatro: Jacunda (comédia em três actos; 1895), Claudina (estudo duma neurótica; comédia em três actos, representada no Teatro do Príncipe Real de Lisboa, na festa artística da actriz Lucinda Simões, a 18 de março de 1890), Vencidos da Vida (peça satírica, representada a 23 de março de 1892 no Teatro do Ginásio; três actos), Parnaso (peça lírica, em verso, em um acto, escrita para a récita de estudantes, em benefício da Caixa de Socorros a Estudantes Pobres, realizada no Teatro de São Carlos, em 3 de maio de 1894), Fruta do Tempo (comédia, escrita para a actriz Lucinda Simões; 1904). Sendo de assunto em geral escabroso, delicado, como pedia o Naturalismo, essas peças causavam agitação, especialmente Imaculável, que terminou em arruaças e apupos, e Vencidos da Vida, que não pôde prosseguir em cena pelo que continha de crítica ao grupo literário com o mesmo nome, e por ser considerada imoral, criando-se uma polémica entre Abel Botelho e os responsáveis pela proibição.

Em 1891, Abel Botelho inicia o estudo da sociedade portuguesa na série "Patologia Social", que deveria ser o exame exigente e científico dos males gerais que infestavam Portugal, sobretudo Lisboa, capital e centro urbano de maior prestígio. O primeiro é O Barão de Lavos (1891), supostamente o primeiro romance em português com um enredo homossexual. Seguiu-se-lhe O Livro de Alda (1898), Amanhã (1901), o primeiro romance em português de sempre com um enredo em torno da classe operária e do anarquismo. Posteriormente escreve Fatal Dilema (1907), Próspero Fortuna (1910). Além desses, deixou mais três romances: Sem Remédio… (1900), Os Lázaros (1904), e Amor Crioulo (incompleto e póstumo; seu título anterior era Idílio Triste; 1919) e o livro de contos Mulheres da Beira (1898; anteriormente publicados no Diário de Notícias, entre 1895 e 1896, e que serviu de inspiração para o filme homónimo de 1921). Também colabora em diversas publicações periódicas, nomeadamente nas revistas Brasil-Portugal (1899-1914), Serões (1901-1911), Azulejos (1907-1909) e Atlântida (1915-1920).

Vida pessoal Abel Botelho casou-se, a 18 de Maio de 1881, com Virgínia de Alcântara Pinto Guedes de Vasconcelos, natural de Lamego, onde pertencia a uma família abastada e cujo pai era coronel do Estado-Maior. O casal não teve filhos.

Curiosidades A ele se ficou a dever o projeto gráfico da bandeira da República Portuguesa, em que o verde representa a esperança e o vermelho o sangue derramado pelo povo nas muitas guerras travadas. Fez parte da Maçonaria, tendo sido iniciado no Grande Oriente Lusitano Unido em 1910, por comunicação, sob o nome simbólico de Spinosa.

Obras

Poesia Lira Insubmissa (1885)

Teatro Germano (1886) Claudina (1890) Os Vencidos da Vida (1892) Jucunda (1895) A Imaculável (1897) Fruta do Tempo (1904)

Ficção O Barão de Lavos (romance, série Patologia Social #1, 1891) (edição digital) O Livro de Alda (romance, série Patologia Social #2, 1898) Mulheres da Beira (contos, 1898) Sem Remédio (romance, 1900) Amanhã (romance, série Patologia Social #3, 1901) Os Lázaros (romance, 1904) (edição digital) Fatal Dilema (romance, série Patologia Social #4, 1907) Próspero Fortuna (romance, série Patologia Social #5, 1910) Amor Crioulo (romance incompleto, edição póstuma, 1913)

Ligações externas

Pathologia social: O barão de lavos, Porto, 1898, na Biblioteca Nacional de Portugal

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