The New Yorker é uma revista dos Estados Unidos dedicada a jornalismo, comentários, crítica, ensaios, ficção, sátira, cartuns e poesia. Foi fundada em 21 de fevereiro de 1925 por Harold Ross e sua esposa, Jane Grant, repórter do The New York Times. Ao lado do empresário Raoul H. Fleischmann, eles criaram a F-R Publishing Company e instalaram o primeiro escritório da revista em Manhattan. Ross permaneceu como editor até morrer, em 1951, e definiu o tom e os padrões editoriais da publicação. Entre esses padrões estava uma ampla operação de verificação de fatos.

Embora suas resenhas e listas de eventos se concentrassem muitas vezes na atividade cultural de Nova Iorque, The New Yorker passou a publicar ensaios extensos, jornalismo literário, ficção e humor para leitores dos Estados Unidos e de outros países. Entre os autores publicados pela revista estão Truman Capote, Vladimir Nabokov e Alice Munro. No fim do século XX e início do XXI, a revista adaptou-se ao meio digital sem abandonar a edição impressa. Seu arquivo passou a ficar disponível pela Internet e foi criada uma versão digital da publicação. David Remnick é editor de The New Yorker desde 1998.

The New Yorker publica 47 edições por ano, cinco delas cobrindo períodos de duas semanas. Suas capas são ilustradas e muitas tratam de acontecimentos ou temas de sua época. Entre elas está View of the World from 9th Avenue. A revista publica comentários sobre cultura popular e aspectos excêntricos da cultura dos Estados Unidos, contos e resenhas literárias, reportagens investigativas sobre política e questões sociais e cartuns de um único quadro. Seu processo editorial mantém verificação de fatos e revisão de texto detalhadas. Em um estudo do Pew Research Center de 2012, The New Yorker, The Atlantic e Harper's Magazine tiveram as maiores proporções de leitores com formação universitária entre os principais veículos de comunicação pesquisados nos Estados Unidos. Desde 2014, primeiro ano em que revistas puderam concorrer ao Prêmio Pulitzer, a publicação recebeu onze prêmios.

Visão geral e história thumb|direita|Capa da edição de 30 de maio de 1925, ilustrada por Ilonka Karasz, colaboradora frequente das capas de The New Yorker

The New Yorker foi fundada por Harold Ross (1892–1951) e sua esposa Jane Grant (1892–1972), repórter do New York Times, e estreou em 21 de fevereiro de 1925. Ross queria criar uma revista de humor sofisticado que se diferenciasse de publicações que ele julgava antiquadas ou simplórias, como Judge, onde havia trabalhado, e a antiga Life. Ross associou-se ao empresário Raoul H. Fleischmann, fundador da General Baking Company, para criar a F-R Publishing Company. Os primeiros escritórios da revista funcionavam no número 25 da West 45th Street, em Manhattan. Ross editou a publicação até morrer, em 1951. Nos primeiros anos, quando sua sobrevivência financeira nem sempre estava garantida, a revista cultivou uma imagem cosmopolita e sofisticada. Em um prospecto de 1925, Ross escreveu: "Ela anunciou que não é editada para a velha senhora de Dubuque".

A revista manteve o humor, mas logo abriu amplo espaço para ficção, ensaios e jornalismo de tom sério. Pouco depois do fim da Segunda Guerra Mundial, o ensaio Hiroshima, de John Hersey, ocupou uma edição inteira. The New Yorker publicou contos de muitos escritores dos séculos XX e XXI, entre eles Ann Beattie, Sally Benson, Maeve Brennan, Truman Capote, Rachel Carson, John Cheever, Roald Dahl, Mavis Gallant, Geoffrey Hellman, Ernest Hemingway, Stephen King, Ruth McKenney, John McNulty, Joseph Mitchell, Lorrie Moore, Alice Munro, Haruki Murakami, Vladimir Nabokov, John O'Hara, Dorothy Parker, S. J. Perelman, Philip Roth, George Saunders, J. D. Salinger, Irwin Shaw, James Thurber, John Updike, Eudora Welty e E. B. White. A publicação de "The Lottery", de Shirley Jackson, gerou mais correspondência de leitores do que qualquer outro conto publicado pela revista.

Os textos de não ficção, que costumam ocupar a maior parte de uma edição, abordam assuntos bastante diferentes entre si. Já trataram, por exemplo, do evangelista Creflo Dollar, das diferentes formas pelas quais os seres humanos percebem a passagem do tempo e da síndrome de Münchhausen por procuração.

A publicação conserva práticas editoriais próprias. Na seção Profiles, publicou perfis de pessoas como Ernest Hemingway, Henry R. Luce, Marlon Brando, o restaurateur de Hollywood Michael Romanoff, o mágico Ricky Jay e os matemáticos David e Gregory Chudnovsky. Outras seções antigas são "Goings on About Town", uma relação de eventos culturais e de entretenimento em Nova Iorque, e "The Talk of the Town", um folhetim ou conjunto de textos curtos, muitas vezes formado por vinhetas humorísticas, excêntricas ou fantasiosas sobre a cidade. Mais recentemente, "The Talk of the Town" costuma começar com um comentário de assunto sério. Por muitos anos, recortes de jornais com erros engraçados, duplos sentidos involuntários ou metáforas mal misturadas, sob o título "Block That Metaphor", foram usados para preencher espaços, acompanhados de uma réplica espirituosa. A revista não publica um expediente com uma lista completa de editores e funcionários. Apesar das mudanças, manteve durante décadas muitos elementos de sua tipografia, diagramação, capas e ilustrações. A Advance Publications, empresa de mídia pertencente a Samuel Irving Newhouse Jr., comprou a revista em 1985 por US$ 200 milhões, quando ela faturava menos de US$ 6 milhões por ano.

Ross foi sucedido por William Shawn, editor de 1951 a 1987. Vieram depois Robert Gottlieb, entre 1987 e 1992, e Tina Brown, entre 1992 e 1998. David Remnick sucedeu Brown em julho de 1998.

Entre os autores de não ficção que começaram a escrever para a revista durante o período de Shawn estavam Dwight Macdonald, Kenneth Tynan e Hannah Arendt. A reportagem de Arendt intitulada Eichmann em Jerusalém saiu primeiro na revista e depois foi publicada em livro.

O período de Tina Brown gerou mais controvérsia do que os de Gottlieb e até de Shawn. Brown tinha grande exposição pública, enquanto Shawn era extremamente tímido e introvertido, e ela alterou uma revista cuja aparência havia mudado pouco durante cerca de meio século. Introduziu cores nas páginas editoriais, anos antes de The New York Times, e passou a usar fotografias, reduziu a quantidade de texto por página e adotou uma diagramação mais moderna. Também ampliou a cobertura de acontecimentos recentes, celebridades e magnatas empresariais. Pequenos textos foram espalhados pela seção "Goings on About Town", entre eles uma coluna mais ousada sobre a vida noturna de Manhattan.

Desde o fim da década de 1990, The New Yorker usa a Internet para publicar material recente e de arquivo. Seu site oferece parte do conteúdo da edição em circulação, além de material exclusivo para a web. Assinantes podem acessar on-line a edição completa e o arquivo das edições anteriores, apresentadas com a aparência que tinham originalmente em papel. Os cartuns também podem ser comprados pela Internet. Em 2014, a revista abriu temporariamente seu arquivo on-line, ampliou seus planos para o site e lançou um modelo de assinatura com barreira de pagamento. Nicholas Thompson, então editor da versão digital, disse: "O que estamos tentando fazer é criar um site que seja para a Internet o que a revista é para todas as outras revistas". O arquivo integral foi digitalizado em 2025, durante os projetos editoriais do centenário da revista.

A equipe editorial da revista sindicalizou-se em 2018. A The New Yorker Union assinou sua primeira convenção coletiva de trabalho em 2021.

Revistas semelhantes e recepção O formato de The New Yorker inspirou revistas como The Brooklynite, publicada de 1926 a 1930, The Chicagoan, de 1926 a 1935, e a parisiense The Boulevardier, de 1927 a 1932.

Kurt Vonnegut afirmou que a revista funcionava como um meio eficaz de apresentar literatura moderna a um público amplo. Tom Wolfe escreveu: "O estilo New Yorker era de uma subestimação vagarosa e sinuosa, espirituosa quando estava em modo humorístico, tautológica e litótica quando séria, constantemente ampliada, qualificada, esboçada, matizada e rematizada, até que as páginas cinza-claras da revista se tornassem triunfos do alto barroco da oração relativa e do modificador apositivo".Wolfe, Tom. "Foreword: Murderous Gutter Journalism". Em Hooking Up. Nova Iorque: Farrar Straus Giroux, 2000.

Joseph Rosenblum, ao resenhar About Town, de Ben Yagoda, uma história da revista entre 1925 e 1985, escreveu: "The New Yorker realmente criou seu próprio universo. Como escreveu a Yagoda um leitor de longa data, era um lugar 'onde Peter DeVries ... estava eternamente erguendo uma taça de Piesporter, onde Niccolò Tucci, de paletó de jantar de veludo cor de ameixa, flertava em italiano com Muriel Spark, onde Nabokov bebia um Porto castanho de uma taça prismática, enquanto uma borboleta Vanessa atalanta pousava em seu dedo mínimo, e onde John Updike tropeçava nos sapatos suíços do mestre, desculpando-se com charme'".

Apoios em eleições presidenciais dos Estados Unidos Em 1 de novembro de 2004, a revista apoiou pela primeira vez um candidato à presidência dos Estados Unidos. Escolheu o democrata John Kerry em vez do presidente republicano George W. Bush.

Ano Candidato apoiado Resultado Outro candidato principal Referência 2004 John Kerry Derrota George W. Bush 2008 Barack Obama Eleito John McCain 2012 Barack Obama Eleito Mitt Romney 2016 Hillary Clinton Derrota Donald Trump 2020 Joe Biden Eleito Donald Trump 2024 Kamala Harris Derrota Donald Trump

Cartuns The New Yorker publica cartuns, normalmente piadas visuais de um único quadro, desde sua primeira edição, em 1925. Por muitos anos, seu editor de cartuns foi Lee Lorenz, que começou a desenhar profissionalmente em 1956 e tornou-se colaborador contratado da revista em 1958. Depois de trabalhar como editor de arte entre 1973 e 1993, quando foi substituído por Françoise Mouly, Lorenz permaneceu editor de cartuns até 1998. Seu livro The Art of the New Yorker: 1925–1995, publicado pela Knopf em 1995, foi o primeiro levantamento abrangente da produção gráfica da revista. Em 1998, Robert Mankoff assumiu a edição de cartuns e organizou pelo menos catorze coletâneas de desenhos de The New Yorker. Mankoff também costumava escrever um pequeno texto para cada livro sobre o processo de criação ou a escolha dos cartuns publicados. Ele deixou a revista em 2017.

Entre os desenhistas publicados pela revista estão Charles Addams, Peter Arno, Charles Barsotti, George Booth, Roz Chast, Tom Cheney, Sam Cobean, Leo Cullum, Richard Decker, Pia Guerra, J. B. Handelsman, Helen E. Hokinson, Pete Holmes, Ed Koren, Reginald Marsh, Mary Petty, George Price, Charles Saxon, Burr Shafer, Otto Soglow, William Steig, Saul Steinberg, James Stevenson, James Thurber e Gahan Wilson.

Muitos dos primeiros cartunistas da revista não escreviam as legendas de seus próprios desenhos. Em The Years with Ross, Thurber relata as reuniões semanais de arte em que os cartuns enviados na semana anterior eram levados da sala de correspondência para que Ross, os editores e alguns redatores os examinassem. Parte era rejeitada ou devolvida aos artistas para mudanças. Outros desenhos eram aceitos e recebiam legendas criadas pela equipe. Alguns artistas contratavam seus próprios redatores. Hokinson contratou James Reid Parker em 1931. Brendan Gill contou em Here at The New Yorker que, no início da década de 1940, a qualidade dos desenhos enviados à revista pareceu melhorar. Mais tarde, descobriu-se que o office boy, o adolescente Truman Capote, vinha trabalhando por conta própria como uma espécie de editor de arte, deixando no fundo da mesa os trabalhos de que não gostava.Gill, Brendan. Here at The New Yorker. Nova Iorque: Berkley Medallion Press, 1976, p. 341.