thumb|200px|Charles Darwin conjeturou ca a barba masculina era produto da seleção sexual em tempos pré-históricos. A seleção sexual nos humanos se refere à influência do conceito de seleção sexual, introduzida por Charles Darwin e Alfred R. Wallace, na espécie humana. Além de introduzirem os conceitos da ancestralidade comum dos organismos vivos e o mecanismo de seleção natural pelo qual a evolução ocorre, Darwin e Wallace também se propõem a explicar como esses processos naturais ocorrem nos humanos.Darwin, C. (1872). The origin of species by means of natural selection: or, the preservation of favoured races in the struggle for life and the descent of man and selection in relation to sex. Modern Library. No livro, A descendência do homem, e seleção relativa ao sexo, Darwin argumenta como os processos biológicos para os humanos são próximos aos dos outros animais, desde as substâncias químicas e estruturais do corpo, aos eventos que se relacionam à reprodução, por exemplo a corte, nascimento, cuidado parental e, particularmente, as diferenças físicas e psicológicas entre homens e mulheres.
Já foi sugerido que o cérebro humano é um produto da seleção sexual, i.e. também que foi desenvolvido como um elemento sexual para cortejar tanto quanto para a sobrevivência, e que isso já foi exposto por Ronald Fisher no modelo de Fisher.Fisher, R.A. (1930) The Genetical Theory of Natural Selection. ISBN 0-19-850440-3Andersson, M. and Simmons, L.W. (2006) Sexual selection and mate choice. Trends, Ecology and Evolution (21) 296:302Edwards, A.W.F. (2000) Perspectives: Anecdotal, Historial and Critical Commentaries on Genetics. The Genetics Society of America (154) 1419:1426Andersson, M. (1994) Sexual selection. ISBN 0-691-00057-3Gayon, J. (2010) Sexual selection: Another Darwinian process. Comptes Rendus Biologies (333) 134:144 Fisher também argumenta que, as condições para o desenvolvimento da seleção sexual em humanos são mais favoráveis devido a fatores como a prevalência da monogamia - de modo que a escolha do parceiro é mais importante que em outras espécies.
Hipóteses gerais
Várias características anatômicas e comportamentais têm sido usadas como exemplo de seleção sexual nos humanos. Algumas hipóteses acerca da evolução do cérebro humano argumentam que é um traço sexualmente escolhido, porque não confere demasiada força física em relação ao seu alto custo de manutenção (um quarto a um quinto da energia e do oxigénio consumido por um humano). Além do tamanho do crânio ser tido com um sinal de inteligência, também argumenta-se que esse aumento seja um caso de neotenia, a qual foi sexualmente selecionada. No geral, o papel da seleção sexual na evolução humana não pode ser estabelecido definitivamente, pois as características podem resultar de um equilíbrio entre pressões competitivas seletivas, algumas envolvendo a seleção sexual, outras a seleção natural e outras a pleiotropia. Nas palavras de Richard Dawkins:thumb|right|Richard Dawkins "Quando se repara numa característica de um animal, e se pergunta qual seu valor na sobrevivência, pode-se estar fazendo pergunta errada. Pode ser que as características notadas não sejam as que importam. Ela pode, ao invés, ter se alastrado ao longo da evolução juntamente a outra característica à qual está pleiotropicalmente ligada."Richard Dawkins (2009). The Greatest Show on Earth: The Evidence for Evolution. Free Press. ISBN 1416594787, ISBN 978-1416594789.
O antropólogo alemão Ferdinand Fellmann propôs uma forma modificada da seleção sexual, chamada "seleção emocional", como o centro de onde depende a evolução emocional humana. A vantagem na sobrevivência é devida ao talento humano em relações a longo-prazo, as quais permitem-lhes ter sentimentos acerca de sentimentos: a origem da consciência humana.
Hipótese da seleção sexual de Darwin Charles Darwin descreveu a seleção sexual como sendo dependente na "vantagem que alguns indivíduos têm sobre outros do mesmo sexo e espécie, somente a respeito da reprodução". Darwin apercebeu-se de que a seleção sexual tem dois tipos e concluiu que ambos estão presentes nos humanos: "A luta sexual tem dois tipos; num é entre indivíduos do mesmo sexo, de maneira a excitar ou fascinar os do sexo oposto, geralmente fêmeas, as quais não continuam passivas, mas escolhido os parceiros mais condizentes".thumb|200px|Mulher e homem coissã (desenho de 1900). A mulher mostra esteatopigia.|esquerdaCharles Darwin conjeturou que a barba masculina, como a falta de pelos corporais nos humanos comparado com todos os outros mamíferos, era resultado da seleção sexual. Ele pensou que desde que os corpos das fêmeas têm menos pelos, a perda de pelo é devida à seleção sexual das fêmeas numa altura pré-histórica quando os machos tinham imenso poder seletivo, e que afetou os machos devido à correlação genética entre os sexos. Ele também considerou que a seleção sexual em parceria com a seleção natural foram fatores significativos na diferenciação geográfica na aparência humana de alguns grupos isolados, porque ele não achou que a seleção natural sozinha pudesse dar um resposta satisfatória. Mesmo não explicitamente, a sua observação ca nas mulheres coissã "a parte posterior do corpo é projetada duma maneira maravilhosa" (conhecida como esteatopigia) implica a seleção sexual nesta característica. No The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex, Darwin viu muitos traços físicos que variam pelo mundo como sendo insignificantes para a sobrevivênciaThe races of man differ from each other, and from their nearest allies, in certain characters which are of no service to them in their daily habits of life, and which it is extremely probable would have been modified through sexual selection. (Darwin, 1936 , p. 908). tendo concluído que alguma influência da seleção sexual era precisa para explicar a sua presença. Ele notou que a variação nestas características nas várias populações mundiais significa que o critério de escolha de parceiro poderia ter sido bastante diferente se o foco fosse similar, e ele próprio duvidou disso, citandoDarwin, C. (1936) . The Descent of Man and Selection in Relation to Sex. reprint of 2nd ed., The Modern Library, New York: Random House. relatório indicando que as ideias da formosura não variam, de facto, muito arredor da Terra.
Hipótese de Geoffrey Miller thumb|200px|Homo habilis - Reconstrução/aproximação facial forense Geoffrey Miller, explorando algumas ideias amplamente negligenciadas de Darwin acerca do comportamento humano, chegou à conclusão que muitas condutas humanas não estavam expressivamente ligadas a benefícios de sobrevivência, tais como o humor, a música, a arte visual, algumas formas de altruísmo, criatividade verbal ou o facto da maioria dos humanos terem um vocabulário muito maior do que é preciso para sobreviver,Geoffrey Miller, The Mating Mind, p.111; published 2001 Miller (2000) propôs que esta aparente redundância é devida aos indivíduos usando o vocabulário para mostrar a sua inteligência, e por conseguinte a sua "capacidade", a possíveis parceiros. Isto já foi testado experimentalmente, e parece que os machos fazem maior uso de palavras de baixo uso (mais inusuais) numa atitude romântica do que numa situação similar não-romântica, sugerindo que o vocabulário é usado como demonstração sexual (Rosenberg & Tunney, 2008). Todas estas qualidades são consideradas adaptações para acasalamento que foram favorecidas pela seleção sexual.
Nessa visão, muitas características humanas podem ser consideradas dependentes da seleção sexual como parte do conceito estendido de fenótipo descrito por Richard Dawkins em 1982 no seu livro The Extended Phenotype, que descreve estes acessórios como traços sexualmente escolhidos.Miller G. (2000). The mating mind: how sexual choice shaped the evolution of human nature, London, Heineman, ISBN 0-434-00741-2 (also Doubleday, ISBN 0-385-49516-1).thumb|200px|A cauda de um pavão em voo, exemplo clássico dum modelo de Fisher.
Miller é crítico das teorias que implicam que a cultura humana surgiu por acidente ou como um produto da evolução humana. Ele acredita que a cultura humana surgiu através da seleção sexual como traços escolhidos desta maneira. Durante a evolução humana, pelos menos duas vezes, o cérebro do hominídeo cresceu rapidamente num curto período de tempo sucedido por um período de pausa neste processo. O primeiro período de expansão cerebral aconteceu há dois milhões e meio de anos, quando o Homo habilis começou a usar ferramentas de pedra. O segundo período teve lugar há 50000 anos, quando apareceu o Homo sapiens arcaico. Miller argumenta que o crescimento rápido do cérebro poderia ter acontecido por um ciclo de realimentação positiva resultando no modelo de Fisher selecionando cérebros maiores. Tor Nørretranders, em The Generous Man conjetura como a inteligência, a musicalidade, as habilidades artísticas e sociais e a linguagem podem ter resultado do princípio do handicap, análogo à cauda do pavão, o exemplo típico desse princípio. Outra hipótese propõe que a inteligência humana é um indicador de acasalamento que mostra saúde e força perante parasitas e patógenos que são anuladores das capacidades cognitivas humanas.
Dimorfismo sexual
miniaturadaimagem|241x241px|Desenho que mostra o dimorfismo sexual entre a mulher e o homem. Mostra também as diferenças entre ambos sexos a respeito dos pelos corporais. Os homens geralmente têm mais pelos que as mulheres, e Darwin achava que falta de pêlos estava ligada à seleção sexual; porém, muitas outras explicações têm sido apresentadas para explicar a perda de pelo nos humanos, uma delas é que a perda de pelos corporais teve lugar para facilitar a transpiração.Jablonski, N. G. (2006). Skin: a natural history. Berkeley, CA: University of California Press. p. PP13. Esta ideia está estreitamente relacionada com a que sugere a necessidade de melhor fotoproteção e faz parte das explicações mais aceitadas pela comunidade científica sobre a evolução dos traços relacionados à pigmentação.
Indicando que um traço provém da seleção sexual pode ser difícil de provar através de métodos correlacionais, como as características podem resultar de diferentes pressões seletivas, algumas envolvendo seleção sexual, outras seleção natural, algumas podem ser acidentais e devido à pleiotropia. Por exemplo, primatas monógamos são conhecidos por exibir pequeno dimorfismo sexual como machos altos com grande caninos; porém, machos fortes com bocas fortes podem fornecer proteção contra predadores e podem ser maiores por esse motivo, mais do que para ganhar confrontações por fêmeas. Machos e fêmeas ao diferir de tamanho podem usar a altura para especializar-se, e aproveitar melhor os recursos, por exemplo, diferentes tipos de comida enquanto deixando de lado a competição entre cada um; além disso, o tamanho corporal pode ser útil para evitar predadores e pode servir para proteger o parceiro. Isto é, de longe, mais complicado pela consideração que quanto maior corpo, o esqueleto do mamífero torna-se muito mais robusto e massivo.Evolution and Human Behavior: Darwinian Perspectives on Human Nature, by John Cartwright. Sabendo isto, o níveis de dimorfismo sexual são vistos como uma marca da seleção sexual. Alguns estudos mostram que os primeiros homininae eram muito dimórficos e que esta tendência se reduziu ao longo da evolução humana, sugerindo que os humanos se tornaram mais monógamos. Pelo contrário, os gorilas que vivem em haréns mostram um dimorfismo sexual muito maior (ver: homininae).Principles of Human Evolution, by Roger Lewin, Robert Foley. centro|miniaturadaimagem|205x205px|Gorila Um estudo demonstrou que, há uma tendência evolutiva para os homens com frontes mais curtas, sugerindo que este traço pode ter sido causado pela seleção sexual. Possivelmente, devido à preferência das mulheres por homens masculinos porém não agressivos.
Anatomia sexual thumb|right|250px|Os seios humanos, muito diferentes do dos outros primatas.