Miguel Andresen de Sousa Tavares (Porto, 25 de junho de 1950Nome que consta dos cadernos de recenseamento eleitoral da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (resultados de pesquisa de "Miguel Andresen de Sousa Tavares", data de nascimento "19500625").“De olhos bem abertos”: breve evocação de Sophia de Mello Breyner Andresen, grande entrevista a Miguel Sousa Tavares, 29.10.2019“O Porto devia ter um grande guarda-redes, um Rui Patrício”, Entrevista de Miguel Sousa Tavares ao Observador - 09.03.2018) é um jornalista, editor, escritor e comentador político português.

Um dos mais destacados colunistas e comentadores de assuntos políticos portugueses — em exercício, atualmente, no Expresso e na TVI — as suas opiniões e, acima de tudo, a sua maneira de comunicar é, muitas vezes, polémica.

É um habitual crítico da utilização de redes sociais, que descreveu como "instrumentos do Diabo", do Acordo Ortográfico, da legislação restritiva do tabaco, de várias greves em Portugal, da privatização da TAP, das posições do partido Pessoas-Animais-Natureza e das Forças Armadas PortuguesasMIGUEL SOUSA TAVARES VS FORÇAS ARMADAS — FERREIRA, João José Brandão, Associação de Oficias das Forças Armadas (AOFA), consultado em 27 de dezembro de 2019..

Biografia

Infância e juventude Jornalista, cronista e escritor, Miguel Sousa Tavares nasceu na cidade do Porto, filho de duas figuras particularmente conhecidas pela sua intervenção cívica — o advogado e jornalista Francisco Sousa Tavares e a escritora Sophia de Mello Breyner Andresen.

À exceção do período em que, durante a sua infância, viveu com os tios em Jazente, no concelho de Amarante, Miguel Sousa Tavares cresceu em Lisboa.

Estudou brevemente no Colégio de São João de Brito, de padres jesuítas, e, em seguida, na Escola Secundária Gil Vicente.

Posteriormente, licenciou-se em Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, embora alimentasse o objetivo de se dedicar ao jornalismo e não de exercer uma profissão jurídica.

Percurso profissional no jornalismo Miguel Sousa Tavares inciaria, contudo, a sua vida profissional como advogado, após breves experiências em funções públicas — em 1974, no período da revolução do 25 de abril de 1974 integrou, como jurista, o Serviço de Coordenação da Extinção da PIDE/DGS e LP; entre 1976 e 1977, durante os I e II Governos Constitucionais, integrou como adjunto o Gabinete do então Ministro da Educação, Mário Sottomayor Cardia.

Durante quase duas décadas foi advogado, integrando o escritório do seu pai, Francisco Sousa Tavares. Na década de 1990 optaria exclusivamente pela atividade jornalística.

Os primeiros passos de Miguel Sousa Tavares na comunicação social ocorreram ainda na década de 1970, na imprensa escrita. Já em 1978 ingressava como jornalista na RTP.

Cerca de uma década depois, em 1987, estreava-se como apresentador na mesma estação, com um programa da sua responsabilidade, Face a face, em que entrevistava figuras da cultura e da política portuguesa. Antes disso, também surgiu na moderação de debates, como os das eleições presidenciais de 1986.

Em 1989 Sousa Tavares participou na fundação da revista semanal Grande Reportagem. Seria diretor dessa publicação durante dez anos; primeiro da versão trimestral, entre 1990 e 1991, subsequentemente da versão mensal, iniciada em outubro de 1991, abandonando o cargo no ano de 1999.

Antes, em 1989, ainda fora escolhido para diretor da revista Sábado, fundada por Pedro Santana Lopes e Rui Gomes da Silva, mas abandonara o cargo ao fim de alguns meses, devido à instabilidade interna da revista.

Ingressando na SIC, na década de 1990, apresentaria no novo canal privado, Terça à Noite, um debate com António Barreto e Pacheco Pereira, emitido de 1993 a 1995, ao mesmo tempo que, em 1994, conduziu uma séria de 20 entrevistas a diferentes personalidades portuguesas em 20 anos, uma série que assinalava os 20 anos do 25 de abril de 1974, com protagonistas da história portuguesa recente.

De 1995 a 1998 apresentou ainda na SIC, com Margarida Marante, o programa sobre atualidade política Crossfire.

Chegou também, na década de 1990, e por um curto período, a apresentar, aos domingos, o Jornal da Noite.

Em 1998 Sousa Tavares terá sido convidado para o cargo de diretor-geral da RTP, que afirma ter recusado.

Em 1999 o jornalista trocaria a SIC pela TVI, onde se iniciou na análise da atualidade política, no programa Em Legítima Defesa, um debate com Paula Teixeira da Cruz, sob moderação de Pedro Rolo Duarte.

A partir de 2000, na mesma estação, viria a marcar presença assídua às terças-feiras no Jornal Nacional, na análise à atualidade nacional e internacional.

Já em 2010 regressava à SIC, com Sinais de Fogo, um programa semanal de comentário político. De 2011 a 2018 foi comentador residente, na mesma estação, às terças-feiras, no Jornal da Noite.

Em 2021 anunciou a sua despedida da televisão; contudo, a despedida não seria definitiva, já que regressaria como comentador político da TVI, em .

Recebeu o Prémio de Jornalismo e Comunicação Victor Cunha Rego, em 2007.

Atividade literária A par do jornalismo, Miguel Sousa Tavares revelou-se na escrita, quer como cronista quer como romancista. Das suas incursões literárias resultam assim compilações de crónicas (sobretudo acerca de política e viagens), romances, livros de contos e uma história infantil.

O seu romance Equador, editado em 2003, foi um best-seller, superando os 250 mil exemplares apenas em Portugal, e acabando traduzido em mais de uma dezena de línguas estrangeiras. Rio das Flores, o seu romance seguinte, lançado em 2007, teve uma primeira tiragem de 100 mil exemplares.

Desde os anos 1990 que também publica assiduamente crónicas em jornais. Começou em 1990, no Público, onde assinou uma coluna semanal durante 12 anos consecutivos, até 2002. Entretanto, estendeu a sua colaboração ao desportivo A Bola, à revista Máxima e ao informativo online Diário Digital.

Há cerca de duas décadas, é colunista semanal do jornal Expresso, mantendo-se igualmente em A Bola, onde se evidencia como adepto do Futebol Clube do Porto.

Ativismo político Não sendo filiado em nenhum partido político, ao contrário dos seus pais — Francisco Sousa Tavares foi do Partido Popular Monárquico e, mais tarde, deputado pelo Partido Socialista à Assembleia da República, saindo depois e passando para o Partido Social Democrata — foi Ministro num governo da AD —, e Sophia foi deputada pelo Partido Socialista na Assembleia Constituinte — Miguel Sousa Tavares participou alguns movimentos cívicos, em ocasiões esporádicas.

Em 1998, na oposição à regionalização administrativa, integrou a direção do Movimento Portugal Único, defensor do «não» no referendo lançado pelo governo de António Guterres sob proposta de Marcelo Rebelo de Sousa.

Em 2009 foi uma das principais vozes na contestação ao prolongamento do terminal de contentores de Alcântara, numa concessão polémica do executivo camarário de António Costa à construtora Mota Engil, quando esta tinha como administrador o também socialista Jorge Coelho.

Polémicas Investimento no Grupo Espírito Santo Miguel Sousa Tavares investiu no Grupo Espírito Santo cerca de dois milhões de euros em unidades de participação do fundo ES Liquidez, num total de cinco movimentos bancários feitos ao longo do ano de 2013.

Sousa Tavares não sabia. “Nunca, com o meu conhecimento ou autorização, fui investidor de produtos do BES e do GES”.

Direitos dos fumadores Sousa Tavares é fumador e defende militantemente os direitos dos fumadores. Nessa qualidade tem defendido, por exemplo, que todos os aviões deviam ter obrigatoriamente lugares para fumadores.

Aquando da implementação da nova lei do tabaco em Portugal, que proíbe veementemente o fumo em estabelecimentos com menos de 100 metros quadrados, Sousa Tavares fez questão de referir que considera incoerente e incompreensível que o Governo se oponha desta forma ao tabaco em locais como prisões, e ao mesmo tempo, ofereça condições para que os reclusos se injectem, referindo que esta lei é um atentado à liberdade e aos direitos dos fumadores.

Afirmou que a lei antitabaco faz lembrar "os primeiros decretos antijudeus da Alemanha nazi" e "o fumo nos restaurantes, que o Governo quer limitar, incomoda muitíssimo menos do que o barulho das crianças - e a estas não há quem lhes corte o pio." Deixou assim bem claro que faz questão de deixar de frequentar locais onde não seja permitido fumar.

Corridas de touros Miguel Sousa Tavares, aquando da abolição das touradas na Catalunha pelo governo regional, referiu no jornal da noite da SIC, quando questionado se em Portugal se poderia adotar este caminho, "que este é o caminho da estupidez". Para MST o "que está em causa é uma questão de liberdade, e em Democracia as minorias são respeitadas", referindo ainda que "só vai a uma tourada quem quer".

MST considera que a aversão às touradas se deve a uma imaturidade democrática e a uma carência de cultura, referindo que a maioria da população desconhece as origens da tourada e seus meandros, e que grandes pintores espanhóis pintaram touradas, desde Goya, Salvador Dali e Picasso.

Refere ainda que levada ao extremo, a abolição das touradas conduz à extinção dos touros de morte, pois são animais criados especificamente para este efeito.

Quando questionado sobre a violência do espetáculo tauromáquico, que choca várias pessoas, afirma que "os combates de boxe, quando saem de lá todos a sangrar, também chocam muita gente" e "as corridas de automóveis onde podem morrer condutores e espectadores também chocam" e que não é por isso que são banidos.

Acordo Ortográfico Miguel Sousa Tavares é um conhecido opositor ao Acordo Ortográfico de 1990, tendo os seus livros no Brasil sido grafados e impressos com a ortografia europeia do português antes do dito acordo.

Acusado de plágio Sousa Tavares venceu o processo em que foi acusado pelo blogue anónimo freedomtocopy de plágio literário em Equador. O autor do blogue criou este espaço unicamente para fazer aquela acusação, tendo esta sido categoricamente refutada por Sousa Tavares, assim como os críticos que se dedicaram à análise das obras. Com efeito, o autor de tal especulação sugeria que logo os primeiros parágrafos das obras são semelhantes, algo que facilmente se pode comprovar ser falso ao comparar ambas as obras.

Segundo Sousa Tavares, "um dos suspeitos é bloguista do Bloco de Esquerda que gosta de pôr coisas anónimas, por uma questão de traumas pessoais, e o outro é um escritor falhado e invejoso, cuja produção literária consiste em destruir os outros".

O livro em questão chama-se no original Cette nuit la liberté, de Dominique Lapierre e Larry Collins, e foi lido por 35 milhões de leitores, segundo informação da editora Pocket.

Outras opiniões