A Batalha Naval do Riachuelo, ou simplesmente Batalha do Riachuelo, travou-se a às margens do arroio Riachuelo, um afluente do rio Paraná, na província de Corrientes, na Argentina. Foi evento decisivo e vitorioso, o marco da vitória brasileira na guerra sendo considerada pelos historiadores militares como uma das mais importantes batalhas da Guerra do Paraguai (1864-1870).

A data da batalha é definida como data magna da Marinha do Brasil.

O cenário A bacia do rio da Prata era estratégica para as comunicações entre o Oceano Atlântico e os contrafortes orientais da Cordilheira dos Andes. O transporte de pessoas, animais e de mercadorias era feito pelos rios, uma vez que quase não havia estradas até à segunda metade do século XX. O país que controlasse a navegação de seus rios, mas principalmente a sua foz, controlaria o interior do território e a sua economia.

O Paraguai não tinha uma saída direta para o mar, uma vez que a bacia estava em mãos da Argentina e do Uruguai, este último em constante disputa entre os interesses da República Argentina e do Império do Brasil. Por essa razão, as fortificações mais importantes do Paraguai tinham sido erguidas nas margens do baixo curso do rio Paraguai.

No início do conflito, as tropas paraguaias já haviam ocupado áreas da então Província do Mato Grosso (atual Estado do Mato Grosso do Sul), no Império do Brasil, e da República da Argentina. Se vencessem a batalha do Riachuelo, poderiam navegar livremente pelo rio Paraguai, descer o rio Paraná, conquistar Montevidéu no Uruguai e, de lá, ocupar a então Província do Rio Grande do Sul. Formar-se-ia assim o Grande Paraguai, que se abriria ao comércio atlântico com as demais nações.

Antecedentes da batalha thumb|220px|direita|Almirante Joaquim Marques Lisboa, o Marquês de Tamandaré. Coube ao Almirante Joaquim Marques Lisboa, Visconde de Tamandaré, depois Marquês de Tamandaré, o comando das Forças Navais do Brasil em Operações de Guerra contra o Governo do Paraguai. A Marinha do Brasil representava praticamente a totalidade do Poder Naval presente no teatro de operações. O Comando-Geral dos Exércitos Aliados era exercido pelo Presidente da República da Argentina, General Bartolomeu Mitre. As Forças Navais do Brasil não estavam subordinadas a ele, de acordo com o Tratado da Tríplice Aliança. A estratégia naval adotada pelos aliados foi o bloqueio. Os rios Paraná e Paraguai eram as artérias de comunicação com o Paraguai. As Forças Navais do Brasil foram organizadas em três Divisões - uma permaneceu no Rio da Prata e as outras duas subiram o Rio Paraná para efetivar o bloqueio.

Com o avanço das tropas paraguaias ao longo da margem esquerda do Paraná, na Província de Corrientes, Tamandaré resolveu designar seu Chefe do Estado-Maior o Chefe de Divisão (posto que correspondia a comodoro, ou almirante de uma estrela em outras Marinhas) Francisco Manuel Barroso da Silva, para comandar a força naval que estava rio acima. Barroso partiu de Montevidéu em 28 de abril de 1865, na Fragata Amazonas, e se juntou à força naval em Bela Vista. A primeira missão de Barroso foi um ataque à cidade de Corrientes, que estava ocupada pelos paraguaios. O desembarque ocorreu, com bom êxito, em 25 de maio. Não era possível manter a posse dessa cidade na retaguarda das tropas invasoras e foi preciso, logo depois, evacuá-la, mas o ataque deteve o avanço paraguaio para o sul, ao longo do Rio Paraná. Ficou evidente que a presença da força naval brasileira deixaria o flanco dos invasores sempre muito vulnerável. Era necessário destruí-la, e isso motivou Solano López a planejar a ação que levaria à Batalha Naval do Riachuelo.

Os combatentes A esquadra paraguaia, partindo de Humaitá na noite de 10, devia regular a sua marcha de modo a atingir a esquadra brasileira nas primeiras horas da madrugada de 11 de junho. Cada um dos navios paraguaios devia abordar um dos navios brasileiros. Se algum destes conseguisse repelir a abordagem, teria a sua retirada cortada por uma bateria previamente assestada no barranco sobre o canal Riachuelo, duas léguas abaixo da cidade de Corrientes. Ide e trazei-me os navios brasileiros! foram as palavras de Lopes quando terminou a proclamação que dirigiu à sua esquadra no momento da partida de Humaitá. A distância poderia ser percorrida em cinco ou seis horas, mas uma avaria no vapor Iberá não permitiu efetuar a surpresa antes do romper do dia, e só às 9 horas as duas esquadras se avistaram.MAIA, Prado. A Marinha de Guerra do Brasil na Colônia e no Império. José Olympio Ed. Rio: 1965

Império do Brasil A Força Naval Brasileira que bloqueava o rio Paraná estava fundeada ao lado do Chaco, a ao sul de Corrientes e fronteiro a um monumento denominado A Coluna, ereto na margem esquerda do rio. Era composta de 11 navios, mas no dia da batalha contava só com 9; outros dois: as canhoneiras Itajái e Ivaí encontravam-se destacadas em ponto distante rio abaixo. A força era formada pela 2ª e 3ª Divisões da Esquadra. A frota composta de nove navios de guerra estava armada com 59 bocas de fogo, levando a bordo fuzileiros navais e soldados do Exército Imperial. Somavam um total de homens. Seu comandante em chefe era o Almirante Francisco Manuel Barroso da Silva.

2ª Divisão Naval: Chefe de Divisão Almirante Francisco Manuel Barroso da Silva

Navio Casco Ton. Poder de fogo Potência Notas Comandante1 Fragata Amazonas (Capitânia)Aço Couraçado1050 t6(1 70 £ e 5 68 £)300 cvCapitão de FragataTeotônio Raimundo de Brito2 Corveta ParnaíbaMadeira Couraçado637 t7(1 70 £, 2 68 £ e 4 32 £)120 cvEncalhada.Foi Seriamente avariada.Capitão-TenenteAurélio Garcindo Fernandes de Sá3 Canhoeira MearimMadeira Couraçado415 t7(3 68 £ e 4 32 £)100 cvAlarmou a Armada ImperialPrimeiro-Tenente de MarinhaElisiário José Barbosa4 Canhoeira AraguariMadeira Couraçado400 t5(3 68 £ e 2 32 £)80 cvPrimeiro-Tenente de MarinhaAntônio Luís von Hoonholtz5 Canhoeira IguatemiMadeira400 t5(3 68 £ e 2 32 £)80 cvPrimeiro-Tenente de MarinhaJustino José de Macedo

3ª Divisão Naval: Comandante Capitão de Mar e Guerra José Secundino de Gomensoro

Navio Casco Ton. Poder de fogo Potência Notas Comandante6 Corveta JequitinhonhaMadeira637 t7(2 68 £ e 5 32 £)130 cvEncalhada.Destruída em combate no dia seguinte.Capitão-Tenente Joaquim José Pinto7 Corveta BelmonteAço Couraçado602 t8(1 70 £, 3 68 £ e 4 32 £)120 cvEncalhada.Foi Seriamente avariada.Primeiro-Tenente de MarinhaJoaquim Francisco de Abreu8 Canhoeira BeberibeMadeira560 t7(1 68 £ e 6 32 £)130 cvCapitão-TenenteJoaquim Bonifáco de Santana9 Canhoeira IpirangaMadeira325 t7(7 30 £)70 cvPrimeiro-Tenente de MarinhaÁlvaro Augusto de Carvalho

República do Paraguai A marinha paraguaia era composta de 8 navios armados com 38 bocas de fogo, contando ainda com sete baterias flutuantes "chatas" comandadas por tenentes de artilharia, montando cada uma um canhão de 68 libras. Estas "chatas" eram rebocadas ao campo de batalha por um navio à exceção do "Salto Oriental" Entre a tripulação figuravam 400 marinheiros entre os oito navios e outros 72 a bordo das chatas. Somando 472 marinheiros que foram agregados com quinhentos combatentes do 6º Batalhão de Infantaria a bordo. A esquadra guarani era comandada pelo Comodoro Pedro Ignácio Mezza. Foram posicionadas nas barrancas da Foz do Riachuelo 22 peças de artilharia e duas baterias à "Congreve" com atiradores do exército paraguaio que estavam posicionados em terra, comandados pelo Tenente-Coronel José María Bruguez. Dois outros navios da esquadra paraguaia não participaram do combate e ficaram fundeados águas acima do rio em razão de avarias, o Vapor Paraná, comandante Gutierres e o Vapor Yberá, sob comando do Tenente Pedro Victorino Gill, tivera problemas mecânicos e atrasou a chegada da frota paraguaia ao campo de batalha.

Navio Casco Ton. Poder de fogo Potência Notas Comandante1 Corveta Tacuarí (Capitânea)Aço730 t8(2 68 £ e 6 32 £)130 cvComodoroPedro Ignácio Meza2 Corveta ParaguaríAço627 t8(2 68 £ e 6 32 £)120 cvAfundou em combate.Primeiro-Tenente de MarinhaJosé M. Alonso3 Vapor YgureíMadeira548 t7(3 68 £ e 4 32 £)130 cvCapitão de CorvetaRemigio Cabral4 Vapor Marquês de OlindaMadeira300 t4(4 18 £)80 cvNeutralizado em combate e abordado.Posteriormente destruído.Tenente de NavioEzequiel Robles5 Vapor Salto OrientalFerro 255 t4(4 18 £)70 cvAfundou em combate.Alferes de MarinhaVicente Alcaraz6 Vapor YporáMadeira226 t4(4 32 £)80 cvCapitão de FragataDomingo Antônio Ortíz7 Vapor JejuyMadeira120 t3(3 18 £)60 cvAfundou em combate.Tenente de MarinhaAniceto López8 Vapor PirabebéFerro150 t1(1 8 £)60 cvCanhões ficaram indisponíveis.Tenente de MarinhaToribio Pereira9 Vapor RangelMadeira90 tDesarmado50 cvRebocado para ser utilizado como navio transportePrimeiro-TenentePedro Victorino Gill

A batalha

Na manhã de , domingo da Santíssima Trindade, por volta das 8h30m. após ter sido arriado o sinal de rancho, preparam-se as toldas do Amazonas e do Jequitinhonha para a celebração da Missa. Perto das 9h00m. a canhoneira Mearim, navio de vanguarda e de prontidão avançada, iça o sinal de Inimigo à vista, e logo após outro sinal: os navios avistados são em número de oito.. Barroso, a bordo da Fragata Amazonas, faz o primeiro sinal Preparar para o combate e depois Safa geral, Despertar os fogos das máquinas e a seguir: Suspender ou largar amarras por arinques e boias, ou até por mão, como melhor convier.

A primeira carga Às 9h 25 min, a esquadra brasileira está na formação em escarpa voltada águas acima. Barroso iça o sinal O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever, seguido de outro, com instruções de combate: Atacar e destruir o inimigo o mais de perto que puder. Os paraguaios descem o rio, perfilham-se com a esquadra brasileira, trocam-se tiros, duas chatas paraguaias são afundadas e um terceira avariada; o Jejuí, também atingido e seriamente avariado, vai abrigar-se na beira do Riachuelo para reparos. A esquadra paraguaia desce o rio, faz a volta um pouco abaixo do Riachuelo, torna águas acima e encosta-se na curva do Riachuelo a jusante das suas baterias de terra; as chatas, fundeadas e preparadas, aguardam a resposta brasileira. Descendo, a frota paraguaia se estira ao longo e perto da margem esquerda do Paraná, entre a boca do Riachuelo e a saliência do Rincão de La Graña, a jusante dos 22 canhões inimigos assestados em terra.

A segunda carga Às 10h50m - A esquadra brasileira começa a se mover águas abaixo na direção dos paraguaios, a Amazonas repete o sinal Atacar e destruir o inimigo o mais perto que puder. A Corveta Belmonte vai a frente e abre fogo às 11h20m, sofre com o fogo combinado dos navios e das baterias de terra, é fortemente fustigada, a água lhe invade o porão. Comunica à capitânia que as bombas não dão vazão e faz contramarcha, dirige-se ao banco mais próximo, na ilha Cabral e aí encalha para não ir a pique e se recuperar.

11h25m - A Amazonas investe na vanguarda e abre fogo contra as baterias inimigas e recebe a resposta a bala e metralha. Segue-lhe a Beberibe às 11h40m. abre fogo, seguem-lhe a Mearim pelo canal e a Araguari, esta repele uma tentativa de abordagem dos inimigos Taquari, Marquês de Olinda e Paraguari. Às 11h50m A Ipiranga investe pelo canal trocando tiros com a linha inimiga e consegue atravessar. Às 12h10m a esquadra brasileira concluíra a primeira passagem águas abaixo.