Slash fiction (em português, literalmente, 'ficção de barra', em alusão ao sinal gráfico / usado entre os nomes de personagens) é um subgênero de fanfic que se concentra na atração interpessoal e as relações sexuais entre personagens fictícios do mesmo sexo.Bacon-Smith, Camille. "Spock Among the Women." New York Times Sunday Book Review, November 16, 1986.
Embora o termo tenha sido, originalmente, aplicado apenas a histórias cuja trama principal envolvia relacionamento sexual explícito entre personagens masculinos (também conhecidas como m/m slash), passou posteriormente a designar qualquer fanfic em que há relações entre personagens do mesmo sexo. Muitos fãs distinguem slash com personagens femininos como um subgênero separado, também referido como femslash, f/f ou saffic. Os personagens geralmente não estão envolvidos em tais relações no seu universo ficcional., Crítica e recepção A slash fiction tem recebido mais atenção da academia do que outros gêneros de fanfic.Laura, Marcus; Peter Nicholls (2004). The Cambridge history of twentieth-century English literature. Cambridge University Press. p. 799. ISBN 978-0-521-82077-6. A slash foi objeto de vários estudos notáveis, no início de 1990, como parte do movimento de estudos culturais, no âmbito das humanidades. A maioria deles, como é característico dos estudos culturais, aborda a slash a partir de uma perspectiva etnográfica e se concentra principalmente nos escritores do subgênero e nas comunidades que se formam em torno delea.Allington, Daniel (March 2007). "How Come Most People Don't See It?": Slashing the Lord of the Rings". Social Semiotics. 17 (1): 43–62. doi:10.1080/10350330601124650. Alguns estudos, como o da antropóloga italiana Mirna Ciconi, concentram-se na análise textual da slash fiction em si.
A slash foi muitas vezes ignorada pelos teóricos queer. No entanto, tem sido descrita como importante para a comunidade LGBT e para a formação de identidades queer, por representar uma resistência à expectativa de heterossexualidade compulsória.
A escritora Joanna Russ, lésbica assumida, está entre os primeiros grandes escritores de ficção científica a transformar slash e suas implicações culturais em literatura séria.Francis, Conseula and Piepmeier, Alison. "Interview: Joanna Russ" ''Journal of Popular Romance Studies'' #1.2; March 31, 2011. Jprstudies.org. Retrieved on 17 October 2011.
Definição e ambiguidade miniaturadaimagem|197x197px|O nome slash fiction deriva da barra (slash) utilizada para separar os dois nomes de um par romântico. O termo slash fiction tem várias ambiguidades. Dada a falta de relacionamentos homossexuais canônicas na mídia, inicialmente, alguns viram a slash como sendo exclusivamente algo fora do cânone. Essas pessoas consideravam que o termo slash fiction só se aplicava quando o relacionamento descrito não fazia parte do cânone, e que fanfic sobre relações homossexuais canônicas não seriam, portanto, slash. O recente surgimento de personagens abertamente gays e bissexuais no cinema e na TV, tais como Willow e Tara na série Buffy the Vampire Slayer, os personagens de Queer as Folk, Jack Harkness em Doctor Who, e numerosos personagens de Torchwood,<ref>Sarah Nathan (September 2006) "Dr Ooh gets four gay pals", The Sun", Retrieved 2006-10-06. "GAY Doctor Who star John Barrowman gets four BISEXUAL assistants in raunchy BBC3 spin-off Torchwood."</ref> alimentou essa discussão. Mantida a definição anteriormente citada, essas histórias ficariam sem um rótulo conveniente; portanto essa distinção não tem sido amplamente adotada.
Nos últimos anos, dada a crescente popularidade da slash fiction na Internet, alguns usam o termo de maneira genérica, para designar qualquer fan fiction erótica, sejam sobre relações heterossexuais ou homossexuais. Isso tem causado preocupação para outros autores de slash que acreditam que, embora o subgênero possa ser erótico, não é assim por definição, e definir todas as fanfics eróticas como slash resulta em distanciá-la da fanfic homo-romântica, livre para todas as idades. Além disso, os jornalistas que escrevem sobre o fenômeno fan fiction, parecem geralmente acreditar que toda fanfic é slash ou pelo menos tem um caráter erótico.Dery, Mark. Glossary. Flame Wars: The Discourse of Cyber Culture. North Carolina: Duke UP, 1994.Viegener, Matias. "The Only Haircut That Makes Sense Anymore." Queer Looks: Lesbian & Gay Experimental Media. Routledge, New York: 1993.Dundas, Zach, "Hobbits Gone Wrong." In Willamette Week, July 14, 2004. Tais definições não fazem distinção entre slash erótico e o slash romântico, ou entre slash, het (que aborda principalmente relacionamentos heterossexuais) e gen'' (que não tem um foco romântico). A própria barra ("slash", /), quando colocada entre os nomes dos personagens, acabou por tornar-se uma etiqueta abreviada para um relacionamento romântico, independentemente se o par é heterossexual ou homossexual, romântico ou erótico.
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