As relações entre Espanha e México são as relações diplomáticas bilaterais estabelecidas entre os Estados Unidos Mexicanos e o Reino de Espanha. Assim como os demais países da América Latina, o México estabeleceu sua independência da Espanha no século XIX, mantendo relações cooperativas, fortes e positivas entre si, no entanto. Ambas as nações integram o G20, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento, a Organização dos Estados Ibero-americanos e a Organização das Nações Unidas, dentre outros organismos internacionais.
Comparações entre os países Reino de Espanha Estados Unidos MexicanosData de formação População46 439 864 habitantes (29º)121 005 815 habitantes (11º)Área505 990 km²1 964 375 km²Densidade populacional92 hab/km²57 hab/km²CapitalMadridCidade do MéxicoMaiores cidadesMadrid (4 213 669 hab.)Barcelona (1 621 537 hab.)Valência (814 208 hab.)Cidade do México (8 851 080 hab.)Ecatepec de Morelos (1 655 015 hab.)Guadalajara (1 495 182 hab.)Tipo de EstadoMonarquia constitucional parlamentarista unitáriaRepública constitucional federal presidencialistaChefe de Estado atualRei Filipe VI Presidente Claudia SheinbaumChefe de governo atualPresidente Pedro SánchezLegislaturaCortes GeraisCongresso da UniãoIdioma oficialEspanhol PIB (nominal)1,1 trilhão (14º)1,1 trilhão (15º)MoedaEuroPeso mexicano
História Conquista A partir de 1518, o explorador espanhol Hernán Cortés liderou uma expedição ao que hoje é o território mexicano, fundando cidades como Veracruz ao longo de seu trajeto. Tenochtitlán, então capital do Império Asteca, foi conquistada pelos espanhóis e tlaxcaltecas em 1521. A cidade foi reconstruída sucessivamente para apresentar Cidade do México como capital do novo Vice-Reino da Nova Espanha. O vice-reino possuía uma hierarquia social baseada em raça, com os crioulos no topo e com maiores direitos civis, até que as "Leis das Índias" foram estabelecidas em todo o território americano do Império Espanhol. Da mesma forma, foram reconhecidos os direitos da nobreza asteca, que viveu e co-governou com os espanhóis durante o vice-reino.Ots Capdequí, José María (1968). Historia del Derecho español en América y del Derecho indiano. Madrid: Aguilar. ISBN 978-84-03-25044-4.
Independência do México O fim do século XVIII e início do século XIX testemunhou a ascensão do sentimento de resolução política e social entre os colonos mexicanos em meio ao grande movimento de independência vivenciado por todas as colônias europeias na América. Após a ocupação do México pelas tropas francesas de Napoleão Bonaparte em 1808, o discurso separatista mexicano ganhou força diante da imagem propagada de um Reino de Espanha enfraquecido. Em 1810, o padre Miguel Hidalgo preferiu o notório "Grito de Dolores" e sua subsequente execução por tropas espanholas deflagraram o movimento de independência mexicana. Após mais de uma década de intenso conflito armado, a Espanha reconheceu a independência do México através do Tratado de Córdoba de 1821, dando início ao Primeiro Império Mexicano.
Pós-independência thumb|right|230px|Somente através do Tratado de Santa María-Calatrava (1836), a Espanha reconheceu a "soberania e independência" dos mexicanos. Espanha e México formalizaram suas relações bilaterais em 26 de dezembro de 1836, quinze anos após a declaração de independência mexicana. Durante as primeiras décadas, as relações entre os países foram tensas devido à não aceitação da independência mexicana por camadas da política espanhola e pelas eventuais tentativas de "Reconquista" do território mexicano.
Na primeira década seguinte à independência, a Espanha se recusou a reconhecer a vitória mexicana na Guerra da Independência, o que foi visto como uma potencial ameaça de novos conflitos pelo governo de Guadalupe Victoria. A Coroa espanhola, de fato, buscou retomar o controle do México nas batalhas de Mariel e Tampico em 1828 e 1829, respectivamente. Nesta última, a Espanha sofreu severas derrotas e acabou por reconhecer a independência mexicana através do Tratado de Santa María–Calatrava em 29 de dezembro de 1836.
Em 1862, num ponto alto de tensão diplomática, o general Juan Prim comandou um exército expedicionário ao México quando Espanha, Grã-Bretanha e França exigiram indenizações ao governo de Benito Juárez. Prim, no entanto, era simpático ao governo liberal mexicano e recusou colaborar com os interesses franceses e acabou por recuar suas tropas.
Era moderna Durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), o México forneceu armamentos e abrigo para refugiados políticos espanhóis. Ao longo do conflito que devastou a Espanha, voluntários mexicanos se uniram ao lado republicano contra Francisco Franco. Em 1939, quando Franco decisivamente tomou o poder, o México reduziu as relações diplomáticas entre os dois países. Após a guerra, milhares de refugiados espanhóis e o antigo cônsul em Marselha, Gilberto Bosques Saldívar, emitiu diversos vistos aos refugiados espanhóis.
Visitas de alto nível miniatura|O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, e o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, na Cidade do México; janeiro de 2019. Visitas de alto nível do México à Espanha José López Portillo (1977) Miguel de la Madrid (1985) Carlos Salinas de Gortari (1992) Ernesto Zedillo (1996, 2000) Vicente Fox (2001, 2002, 2005, 2006) Felipe Calderón (2007, 2008, 2010, 2012) Enrique Peña Nieto (2014, 2018) Claudia Sheinbaum (2026)
Visitas de alto nível da Espanha ao México Adolfo Suárez (1977) Rei João Carlos I (1978, 1990, 1991, 1993, 1997, 2002) Leopoldo Calvo-Sotelo (1981) Rainha Sofia (1983, 1985, 2000) Felipe González (1985, 1987) Filipe, Príncipe das Astúrias (1991, 2000, 2004, 2006, 2008, 2012) José María Aznar (1996, 2001, 2002, 2003) José Luis Rodríguez Zapatero (2004, 2007) Mariano Rajoy (2012, 2014) Rei Filipe VI (2014, 2015, 2018) Pedro Sánchez (2019)
Relações comerciais Em 1997, o México assinou um acordo comercial com a União Europeia, da qual a Espanha é membro. Em 2023, o fluxo comercial derivado do tratado entre ambas as nações ultrapassou a marca de 10 bilhões de dólares. As principais exportações mexicanas à Espanha são: petróleo, medicamentos, álcool, pesca e eletrônicos portáteis, entre outros; enquanto a Espanha exporta principalmente: veículos, peças automotivas e vinho. O México é atualmente o maior parceiro comercial da Espanha na América Latina e figura entre os vinte maiores em todo o globo.
Algumas empresas proeminentes espanholas operam em território mexicano, como: Banco Bilbao Vizcaya Argentaria, Grupo Santander, Telefónica e Zara. As empresas mexicanas com atividade na Espanha são: ALFA, Cemex e Grupo Bimbo.
Missões diplomáticas thumb|right|220px|Embaixada da Espanha na Cidade do México. thumb|right|220px|Embaixada do México em Madrid. da Espanha no México Cidade do México (Embaixada) Cidade do México (Consulado-Geral) Guadalajara (Consulado-Geral) Monterrei (Consulado-Geral) Acapulco (Consulado Honorário) Cancún (Consulado Honorário) León (Consulado Honorário) Mérida (Consulado Honorário) Morelia (Consulado Honorário) Oaxaca de Juárez (Consulado Honorário) Puebla de Zaragoza (Consulado Honorário) Querétaro (Consulado Honorário) San Luis Potosí (Consulado Honorário) Tlaxcala (Consulado Honorário) Tuxtla Gutiérrez (Consulado Honorário) Veracruz (Consulado Honorário)
do México na Espanha Madrid (Embaixada) Barcelona (Consulado-Geral) Múrcia (Consulado Honorário) Palma de Maiorca (Consulado) Santa Cruz de Tenerife (Consulado Honorário) Saragoça (Consulado Honorário) Sevilha (Consulado Honorário) Valência (Consulado Honorário) Valladolid (Consulado Honorário)
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