A história dos Estados Unidos entre 1964 e 1991 é marcado primariamente por dois eventos: pela continuidade e fortalecimento dos movimentos dos direitos civis e do feminismo, onde afro-americanos e mulheres passaram a lutar pelos seus direitos na sociedade americana; e pela continuação e termo da Guerra Fria, entre os Estados Unidos e a União Soviética.

Durante este período, a influência e o número de intervenções dos Estados Unidos em eventos internacionais aumentou drasticamente, fazendo com que em diversos países um sentimento antiamericano surgisse e se desenvolvesse. Este aumento da influência e da política de intervencionismo americano em assuntos e eventos internacionais também é uma das causas do surgimento de organizações terroristas, que passaram a atacar cada vez mais alvos americanos.

Economicamente, a era de prosperidade e de grande crescimento econômico, que caracterizou o período 1945-1964, terminara. A era 1964-1991 foi marcado por diversas recessões econômicas, que intercalaram-se com alguns períodos de grande crescimento econômico. O país também passou a sofrer com a concorrência de outros países, tais como o Japão ou os países da União Europeia - tanto no mercado internacional quanto no próprio mercado doméstico.

Demograficamente, o período 1964-1991 é marcado pela queda da imigração de europeus nos Estados Unidos, e pelo início da grande imigração de hispânicos e de asiáticos, que passaram a causar grandes mudanças na demografia do país. Este período também é marcado pelo início do grande crescimento populacional do Sun Belt, que compreende todos os Estados do sul do país. Tanto a imigração hispânico e asiática quanto o crescimento populacional do Sun Belt continuam até os dias atuais.

Direitos civis O assassinato do Presidente John F. Kennedy em novembro de 1963 mudou o ambiente político do país. O novo Presidente do país, Lyndon B. Johnson, capitalizou-se nesta situação, usando uma combinação da situação política no país e sua própria determinação política para continuar com a agenda de Kennedy; mais notavelmente, o Ato dos Direitos Civis de 1964.

O Ato teve um impacto imediato. Após meses da aprovação do Ato em 6 de agosto de 1965, mais de 250 mil afro-americanos registraram-se como eleitores. Em quatro anos, o número de eleitores registrados no Sul do país havia dobrado. Em 1965, o Mississippi tinha a maior percentagem de afro-americanos que votaram em eleições, de 74%, e liderou o país no número de líderes afro-americanos eleitos. Em 1969, esta percentagem era de 92,1% no Tennessee. 77,9% no Arkansas e de 73,1% no Texas.

Eleições presidenciais de 1964 250px|right|thumb|Colégio eleitoral americano nas eleições presidenciais americanas de 1964.

Nas eleições presidenciais americanas de 1964, o democrata Lyndon Johnson posicionou-se como um político moderado, em contraste ao seu principal oponente, o republicano Barry Goldwater, que durante a campanha eleitoral posicionara-se como um extremista. A campanha eleitoral das eleições de 1964 são famosas pela propaganda da "Pequena Menina Margarida", que mostrava uma pequena menina coletando pétalas de uma margarida em um campo, contando as pétalas, que então seguia-se a um contador de lançamento e uma explosão nuclear. Esta propaganda foram uma resposta à propostas de Goldwater em utilizar artefatos nucleares no Vietnã.

Johnson venceu facilmente as eleições presidenciais americanas de 1964, tendo obtendo 61,05% do voto popular, a maior percentagem registrada na história das eleições presidenciais americanas desde as eleições de 1824. Porém, a perda do apoio do eleitorado dos Estados do Sul - cuja população branca havia apoiado os democratas por um século, desde o final da Guerra Civil Americana, justamente por causa da abolição da escravidão por parte de Abraham Lincoln, um republicano, e que em sua maior parte não apoiaram a aprovação dos Ato de Direitos Civis em 1964 - significou o fim da dominação política dos democratas no Sul.

Até 1964, a união política de trabalhadores de sindicatos, minorias, liberais e brancos sulistas, a Liga do New Deal, permitira aos democratas a controlarem o governo americano durante os próximos 30 anos, até que o tema controverso de direitos civis dividiu os brancos sulistas conservadores do resto do Partido.

Guerra contra a pobreza e a Grande Sociedade Muitos programas de assistência para indivíduos e famílias, incluindo um sistema de saúde público, que passou a cobrir muitos dos custos médicos de idosos, foram criados e aprovados durante a década de 1960, primariamente durante o termo de ofício de Johnson, que estendeu-se de 1963 até 1969, que o próprio chamou de "Guerra contra a Pobreza". Embora alguns destes programas tivessem encontrado dificuldades financeiras durante a década de 1990, e diversas reformas tenham sido propostas, estes programas continuaram a ter o forte apoio de ambos os maiores partidos políticos americanos. Além disso, os programas de saúde pública passaram a também fornecer ajuda médica para famílias de baixa renda. Durante a década de 1960, o governo federal passou a fornecer "vale-comidas" para que famílias de baixa renda obtivessem comida, e o governo federal, juntamente com os governos estaduais do país, passaram a fornecer ajuda financeira a pais de baixa renda com filhos.

Guerra do Vietnã

250px|miniaturadaimagem|O presidente americano Lyndon B. Johnson com o primeiro-ministro, Nguyễn Cao Kỳ (a direita na foto), e o presidente Nguyễn Văn Thiệu (a esquerda), ambos do Vietnã do Sul. Resolução do Golfo de Tonkin e a Ofensiva de Tet Em muitas maneiras a Guerra do Vietnã foi um sucessor direto da Guerra da Indochina, que havia sido uma guerra entre a França - que lutara para manter o controle de sua colônia, a Indochina, contra forças separatistas, de cunho comunista. Após que as forças vietnamitas comunistas, lideradas por Ho Chi Minh, derrotaram o exército colonial francês em 1954, a Indochina tornou-se independente, e foi dividida em duas partes, o Vietnã do Norte, de cunho comunista, e o Vietnã do Sul, de cunho capitalista.

As eleições de 1956, que poderiam ter reunificado o país, foram canceladas porque líderes no Vietnã do Sul e seus aliados americanos temiam que as eleições seriam vencidas por Ho Chi Minh. Em resposta, a Frente Nacional de Liberação foi criada, como um movimento guerrilheiro no Vietnã do Sul, para a convocação de trabalhadores e agricultores sul-vietnamitas para lutarem contra o governo sul-vietnamita.

O envolvimento americano na guerra gradualmente aumentou, embora a guerra nunca teve uma declaração formal de guerra. A Resolução do Golfo de Tonkin deu grande suporte a Johnson para a escalação americana na guerra. Tropas americanas foram continuamente enviados ao Vietnã, e as baixas americanas passaram a gradualmente aumentarem daí em diante.

O movimento anti-guerra De início, a opinião pública americana era em grande parte a favor da guerra, até a Ofensiva de Tet por parte das guerrilhas vietnamitas, em 1968, no Vietnã do Sul, destruiu muito deste suporte pela guerra. Enquanto isto, um movimento de oposição à guerra passou a surgir nos Estados Unidos, especialmente em certos campi de faculdades. Algumas pessoas nos Estados Unidos opuseram-se à guerra por causas morais enquanto outros eram contra porque a guerra era injustificada.

O movimento contra o envolvimento americano no Vietnã passou a crescer rapidamente, durante uma onda de ativismo político de esquerda improcedente do parte da população estudantil americana, especialmente por parte da chegada de uma nova geração, composta por jovens pessoas - frutos da explosão demográfica que ocorrera após a Segunda Guerra Mundial - com mais de 18 anos de idade. A grande maioria - se não todos - dos integrantes da nova geração nunca estiveram expostos à guerra, uma vez que a Segunda Guerra Mundial terminara em 1945 e a Guerra da Coreia terminara em 1953. Além disso, a Guerra do Vietnã foi a primeira guerra a receber grande cobertura por parte da imprensa - a guerra foi chamada de "primeira guerra televisionada". A guerra também recebeu grande oposição por parte de esquerdistas.

As crises de 1968 e a ascensão de Richard Nixon Em 1968, ano de eleições presidenciais americanas, Johnson iniciou sua campanha pela reeleição. Um membro de seu próprio partido, Eugene McCarthy, tornou-se concorrente de Johnson pela nominação para candidato a presidente do Partido Democrata. McCarthy era contra o envolvimento americano no Vietnã. McCarthy não venceu a primeira eleição partidária de Nova Hampshire, mas seus resultados eram surpreendentemente bons, em relação contra um incumbente. O golpe resultante para a campanha de Johnson, juntamente com outros resultados, levaram a Johnson a fazer um anúncio surpresa em 31 de março, na televisão, onde ele disse que ele não concorreria à reeleição. Johnson também anunciou neste discurso as primeiras negociações americanas para um tratado de paz com o Vietnã.

Aproveitando-se pela oportunidade gerada pela retirada de Johnson pela corrida presidencial, Robert F. Kennedy também decidiu concorrer à nominação, sendo contra a Guerra do Vietnã. O Vice-Presidente de Johnson, Hubert Humphrey, também decidiu concorrer à nominação, prometendo continuar a suportar o governo sul-vietnamita. Robert Kennedy seria assassinado no verão de 1968, e McCarthy foi incapaz de conseguir o apoio de uma maioria de seu partido - especialmente entre a elite partidária. Humphrey venceu a nominação do Partido Democrata, e concorreu contra Richard Nixon nas eleições presidenciais americanas de 1968. Nixon apelou para o que ele chamou de "maioria silenciosa" dos americanos moderados que não gostavam da contracultura hippie. Nixon também prometeu "paz com honra" através de seu "plano secreto" para terminar o envolvimento dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. Ele também propôs a Doutrina Nixon, para o estabelecimento de uma estratégia que daria o controle da guerra para os vietnamitas. Nixon venceu as eleições, e tornou-se Presidente do país em 20 de janeiro de 1969.

Nixon e o Vietnã Nixon descobriria durante os primeiros meses como Presidente dos Estados Unidos que a retirada das tropas americanas do Vietnã, embora uma opção popular dentro do país, era muito mais fácil de ser prometida do que ser realizada. Nixon, ao tentar balancear suas preocupações com a habilidade do Vietnã do Sul em defender-se sozinha, com a crescente pressão do Congresso dos Estados Unidos para remover as tropas do Vietnã, bem como a crescente inclinação do Legislativo americano em reduzir unilateralmente e eventualmente cortar as verbas americanas para os sul-vietnamitas, foi forçado a gastar grandes quantidades de esforço e de capital político. Ao mesmo tempo, Nixon tornou-se uma isca para muito da hostilidade pública quando à guerra no Vietnã.

A moralidade do conflito continuou a ser uma preocupação, e incidentes tais como o Massacre de My Lai erodia cada vez mais o suporte da população americana pela guerra, e levou à crescente pressão do governo americano em forçar o Vietnã do Sul a responsabilizar-se pela guerra. Ao final desta guerra 1,5 milhão de vietnamitas morreram, e cerca de 58 mil soldados americanos também morreram. Baixas causadas pelo Khmer Rouge no Camboja eram ainda maiores. Alguns dizem que a desestabilização da Guerra do Vietnã foi um dos fatores que levaram à ascensão do Khmer Rouge no Camboja. Enquanto isto, a nível nacional, o Escândalo de Watergate tornoi-se um grande problema para Nixon.

O pouco suporte que o Vietnã do Sul recebia dos Estados Unidos, durante as etapas finais do envolvimento americano na guerra, eram em sua maior parte drenados por oficiais sul-vietnamitas corruptos. Os Estados Unidos decidiram retirar todas as suas tropas no Vietnã em 1973, e dois anos depois, o Vietnã do Norte já tinha o controle de todo o país.

Inflação, Détente, e a administração de Nixon Desemprego e inflação