Comunicação de massa é entendida como a disseminação de informações por meio de jornais, revistas, livros, rádio, televisão, cinema e Internet, os quais formam um sistema denominado mídia. A comunicação de massa tem a característica de chegar a uma grande quantidade de receptores ao mesmo tempo, partindo de um único emissor. As sociedades receptoras geralmente são urbanas e complexas e passam por processos múltiplos e dinâmicos em que há um grande poder da mídia sobre seus habitantes.
A comunicação humana pode ser classificada de duas formas distintas, sendo desenvolvida em vários campos de naturezas diversas sejam elas: a comunicação em pequena escala e a comunicação de massa. Nos dois casos, o ser humano começou a lidar com ferramentas para auxiliar e tornar potente o processo de produzir, enviar e receber mensagens. Posteriormente, a tecnologia tornou-se aliada de tal comunicação humana, passando a participar da rotina da humanidade ao longo de seu desenvolvimento.
A comunicação de massas forma parte das ciências sociais e parte de um campo vasto de pesquisa a respeito da comunicação humana.
História
De um lado, há os adeptos da vertente econômica e filosófica da comunicação que afirmam que a comunicação em massa cresce diretamente relacionada ao desenvolvimento tecnológico. Do outro, existem os defensores de uma filosofia da comunicação mais humana. É basicamente na divisão entre essas duas filosofias que se situa o debate sobre a comunicação de massa.
A comunicação tem ocorrido ao longo de toda a existência humana, começando pelos símbolos, linguagem, escrita, entre outros. Na perspectiva tecnológica, com o aparecimento da imprensa de massa, o ritmo de comunicação tornou-se mais intenso. Posteriormente, o surgimento do telégrafo - embora não fosse propriamente um meio de comunicação de massa - possibilitou uma acumulação tecnológica que levaria aos veículos de massa eletrônicos. Embora os jornais existissem há muitos anos, foi a introdução do cinema e da rádio que introduziu o estudo académico da mídia como uma forma de comunicação.
Durante a primeira metade do século XX, o cinema se tornou uma forma de entretenimento familiar. Os primeiros filmes foram feitos no final dos anos 1800 e no início dos anos 1900. Seguidamente, em 1920, o rádio doméstico e, 20 anos depois, a televisão doméstica. A primeira estação de rádio oficial começou as operações em 2 de novembro de 1920, no topo do departamento da loja Honres, em Pittsburgh, Pensilvânia, Estados Unidos. Em meados do século, o rádio começou a se expandir nos Estados Unidos como um aparelho especificamente projetado para automóveis (som automotivo). Houve uma penetração múltipla em diferentes formas de rádios (ver: Era do Rádio). No início dos anos 1960, a televisão também começou a se expandir. Nos anos 1970, a televisão estava praticamente em todos os Estados Unidos; e começa a aparecer em outras partes do mundo. Depois, foram adicionados novos veículos, como TV a cabo, gravadores, videocassetes.
Enquanto que Wilson Dizard argumenta que:
«As atuais mudanças são a terceira grande transformação nas tecnologias da mídia de massa nos tempos modernos. A primeira aconteceu no século XIX, com a introdução das impressoras a vapor e do papel de jornal barato. O resultado foi a primeira mídia de massa verdadeira - os jornais 'baratos' e as editoras de livros e revistas em grandes escalas. A segunda transformação ocorreu com a introdução da transmissão por ondas eletromagnéticas - o rádio e a televisão. A terceira transformação na mídia de massa - que estamos presenciando agora - envolve uma transição para a produção, armazenagem e distribuição da informação e entretenimento estruturadas em computadores. Ela nos leva para o mundo dos computadores multimídia, compact discs, banco de dados portáteis, redes nacionais de fibras óticas, mensagens enviadas por fax de última geração, páginas de Web e outros serviços que não existiam há 20 anos.»
Alguns autores pensam que não foi com a introdução dos jornais que os estudos da comunicação de massa começaram, mas com o advento do rádio e cinema.
Certamente, a evolução de recursos na história recente significou um acréscimo do ritmo do comportamento comunicativo da maioria das pessoas da sociedade.
O termo comunicação em massa começou a ser usado na década de 1930; suas características já eram bem conhecidas na época e mudaram pouco desde então, inclusive considerando a evolução dos outros meios de comunicação o mesmo se tornou menos massivo.
A comunicação em massa foi analisada em paradigmas , segundo o teórico Kevin J. Pearce. O primeiro paradigma está relacionado com o paradigma do efeito do poder da mídia, vista assim entre décadas de 1920 a 1940. Nessa teoria, os investigadores consideravam que as audiências eram passivas e não críticas e a que mídia tinha (principalmente o rádio e a televisão) um impacto direto e imediato nas audiências. Um estúdio de larga escala foi desenvolvido nessa época conhecido como The Payne Fund Studies, que incluía uma série de 13 estúdios focados nos efeitos de filmes em pessoas novas. Os resultados indicavam que os filmes produziam um forte impacto nessa geração, mas algumas pesquisas posteriores demonstraram que houve erros metodológicos de forma que descartavam esses resultados.
O segundo paradigma, usualmente chamado de efeito minimalista ou paradigma de efeitos limitados, começou nos anos 1940 e terminou na década de 1970. Paul Lazarsfeld e colegas deles realizam estúdios para medir o impacto das eleições presidenciais; porém o resultado mostrava que as mídias de massas tiveram pouco impacto direto no comportamento de votação. Outra pesquisa de vários anos sobre os efeitos da televisão sobre as crianças mostrou que era complexo prever efeitos diretos nesse grupo, pois existem muitas outras variáveis que poderiam influenciar essa relação.
As mudanças na sociedade, especialmente o surgimento de tecnologias da comunicação na década de 1960, permitiu o advento do terceiro paradigma conhecido como paradigma de efeitos cumulativos. Os pesquisadores perceberam que os efeitos da mídia eram cumulativos e poderosos e já no eram visto como limitados ou diretos.
Comunicação e mídia de massa
A comunicação de massa e mídia de massa não são sinônimos. As mídias de massa são as tecnologias organizadas que tornam possível a comunicação de massa. Os mesmos mídias que transportam mensagens públicas para grandes públicos, para fins públicos, podem também transportar notícias pessoais, mensagens advogando causas, apelos de caridade, anúncios de emprego ou de casas vagas e muitos outros tipos de informação e de cultura. Nessa convergência entre tecnologia e comunicação de massa torna-se um ponto relevante, porquanto as fronteiras entre público e privado e as redes de grande escala e individuais estão cada vez mais indefinidas.
A mídia de massa era composta de oito indústrias tradicionais: livros, jornais, revistas (mídia impressa), gravações (indústria fonográfica), radiodifusão, filmes, televisão e internet (mídia eletrônica). Recentes avanços tecnológicos e mudanças sociais, no entanto, desafiam as definições tradicionais de comunicação de massa.
Embora a definição de comunicação de massa possa variar de fonte para fonte, a maioria das definições tem elementos semelhantes. Nesse sentido, pode definir-se como o processo pelo qual uma pessoa, um grupo de pessoas ou uma grande organização cria uma mensagem e a transmite através de algum tipo de meio para um grande público anônimo e heterogêneo. Na comunicação de massa, a fonte é tipicamente um comunicador profissional ou uma organização. A mensagem é tipicamente rápida e pública. A experiência de todos os dias com a comunicação de massas é variada, voluntária e marcada pela cultura e pelos requisitos da maneira de viver de cada um, assim como do ambiente social.
Por outro lado, autores como John B. Thomson, descreve como comunicação de massa a um conjunto interligado de fenômenos que emergiram historicamente por meio do desenvolvimento de instituições que procuravam explorar novas oportunidades para registrar, produzir, reproduzir e transmitir informação de conteúdo simbólico para uma pluralidade de destinatários. Nesta definição se podem destacar cinco características: os meios técnicos e institucionais de produção e difusão; a mercantilização de formas simbólicas; a dissociação estruturada entre a produção e recepção; o prolongamento da disponibilidade de produtos da mídia no tempo e no espaço; e a circulação pública das formas simbólicas mediadas.
O autor agrega que o termo "massa" não deve ser reduzido a uma questão de quantidade na audiência, mas no fato de que os produtos estão disponíveis para uma grande pluralidade de destinatários. O termo comunicação também pode resultar enganador, pois os implicados em uma comunicação de massa são diferentes dos que ocorrem em uma conversação ordinária. Na comunicação face a face existe uma interação entre os interlocutores. Na comunicação em massa o sentido é basicamente unilateral.
«As mensagens são produzidas por um grupo de indivíduos e transmitidas a outros em circunstâncias espaciais e temporais diferentes do contexto original.» - (John B. Thomson)
Algumas das características tradicionais da mídia são:
sua capacidade para atingir a uma população inteira de forma rápida e com a mesma informação, opiniões e entretenimento; o fascínio universal que elas possuem; a estimulação de medos e esperança em igual medida; a presumida relação com fontes de poder na sociedade; a suposição de grande impacto e influência.
Apesar de a comunicação autêntica ser a que se assenta sobre um esquema de relações simétricas — em uma paridade de condições entre emissor e receptor, na possibilidade de ouvir o outro e ser ouvido, como possibilidade mútua de entender-se —, os meios de comunicação de massa são veículos, sistemas de comunicação que vão em um único sentido (mesmo que disponham de vários feedbacks como índices de consumo ou de audiência e cartas dos leitores). Esta característica distingue-os da comunicação pessoal, na qual o comunicador conta com imediato e contínuo feedback da audiência, intencional ou não, e leva alguns teóricos da mídia a afirmar que aquilo que obtemos mediante os meios de comunicação de massa não é comunicação, pois esta é uma via de dois sentidos. Alguns autores denominam a mídia como veículos de massa, veículos de comunicação de massa ou meios técnicos de comunicação (referido aos elementos materiais pelos quais a informação e o conteúdo é transmitido).
Formação dos veículos de massa
Os sistemas de comunicação novos e antigos atuam paralelamente; um não se distingue do outro. Por exemplo, da mesma forma que existem sistemas socioeconômicos (como a agricultura e a indústria), há também os sistemas de comunicação. Em alguns povoados, por exemplo, a comunicação é primordialmente oral e pessoal, como tem sido durante muitos anos. Paulatinamente, a nova alternativa começa a atingir os povoados, livre de pressa. Existe certo tipo de carência de pessoas especializadas; de papel de imprensa com o qual se possa aumentar a cobertura jornalística e também de papel utilizado na edição de livros e revistas mais acessíveis aos recém alfabetizados. Há também ausência de receptores radiofônicos e transmissões radiofônicas, produção cinematográfica, por meio dos quais a informação possa vencer a barreira do analfabetismo e propiciar a vida moderna aos povoados.