O atentado em Itumbiara em 2016 foi um ataque comandado por Gilberto Ferreira do Amaral, auxiliar da Secretaria Municipal de Saúde, contra o candidato à prefeitura daquele munícipio, José Gomes da Rocha, conhecido como Zé Gomes, ocorrido em 28 de setembro. Em consequência, Gomes foi assassinado, junto a um cabo da PM, que fazia a segurança da Vice-Governadoria e o próprio assassino. Dentre os feridos, estava o governador de Goiás em exercício, José Eliton. Conforme resultados da Operação Paranaíba da Polícia Civil do Estado de Goiás, o crime foi cometido devido a um surto de psicose elítica, descartando-se um crime político; todavia foi comprovado que houve planejamento.

Contexto

Alvo José Gomes da Rocha, nascido em 12 de abril de 1958, começou sua carreira política aos 18 anos, quando elegeu-se vereador de Itumbiara, em 1976. Elegeu-se como deputado federal pelo estado de Goiás, em 1988, e renovou o mandato entre 1992 e 2002. Após as quatro legislaturas na Câmara dos Deputados do Brasil, tendo exercido chefia regional da Campanha presidencial de Fernando Collor em 1989, como membro do Partido da Renovação Nacional. Em 2004 e 2008, foi eleito para a prefeitura de Itumbiara. Em 2013, quando deixou o Executivo municipal, foi nomeado para presidir a Saneago pelo governador Marconi Perillo. Três anos depois, entrou na disputa novamente pelo cargo de prefeito de Itumbiara. Gomes chegou a ser condenado por improbidade administrativa pelo Superior Tribunal de Justiça no período que presidiu a companhia de saneamento de Goiás, por má conduta com o erário público. Também foi alvo de processos por improbidade movidos pelo Ministério Público do Estado de Goiás, porém absolvido 2.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás.

Criminoso Gilberto Ferreira do Amaral (4 de fevereiro de 1963 — Itumbiara, 28 de setembro de 2016) era um servidor público da Secretaria Municipal de Saúde de Itumbiara desde 1998, quando foi admitido na função de pedreiro, passando a atuar como motorista.

No entanto, Amaral reclamava o pagamento de horas extras que o mesmo realizou entre 2009 e 2013, período em que Zé Gomes foi o prefeito do município e portanto, o chefe de Amaral. Gilberto havia entrado com uma ação trabalhista, porém Gomes se negou a pagar e a realizar qualquer tipo de acordo para encerrar a ação. A prefeitura perdeu a ação e foi condenada a indenizar Gilberto Ferreira do Amaral em aproximadamente R$12 mil reais, todavia, o Executivo itumbiarense protelou várias vezes o pagamento, levando o Tribunal de Contas do Estado de Goiás a bloquear os recursos do município. Amaral também estava insatisfeito com o valor que receberia, o que conforme investigações e testemunhas seria uma das causas do crime. Mais tarde, o inquérito da Polícia Civil concluiria que ele também sofreu um surto de psicose elítica. No momento do crime, ele portava uma Taurus PT 100 adulterada, com pentes carregados no bolso.

Crime

O atentado aconteceu quando Zé Gomes participava de uma carreata juntamente com o correligionário partidário e deputado federal, Jovair Arantes, José Eliton, o segurança e policial militar da governadoria, Cabo Vanilson e outros que estava na caminhonete.

Gilberto vinha numa pista contrária à da carreata, se aproximando do comício central de Gomes de modo que parece-se que o iria cumprimentar. Todavia ele sacou um revólver e disparou contra Zé Gomes, que subitamente, foi baleado e morto. Além do candidato a prefeito, foi morto também o Cabo Vanilson, que conseguiu neutralizar o próprio atirador.

Embora não fosse o alvo, o vice-governador de Goiás, José Eliton, que naquele dia ocupava a função de governador do Estado, em razão de viagem do titular, Marconi Perillo, aos EUA, também foi atingido com um tiro no abdômen.

Operação Paranaíba A Polícia Civil do Estado de Goiás designou uma força-tarefa a fim de apurar os fatos ocorridos durante o atentado. Denominou-se Operação Paranaíba, sendo composta por 13 delegados, 50 agentes e escrivães da PC-GO e coordenada pelo titular da Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH), Douglas Pedrosa.

Foi apurado que uma pistola Taurus PT 100 adulterada foi utilizada por Gilberto Ferreira do Amaral, que estava completamente municiado com carregador no bolso. Também foram ouvidos o prefeito eleito, que sucedeu a candidatura de Zé Gomes pelo PTB, Zé Antônio, funcionários da Prefeitura e testemunhas.

Também foi concluído que tratou-se de um homicídio premeditado, pois embora não houvesse motivação política, houve motivação pessoal e tratou-se ainda de um surto psicótico. Pouco antes de cometer o crime, Gilberto Ferreira do Amaral havia visto com um grupo de panfletários de santinhos e declarou que era muito "fácil matar um candidato". A Polícia Civil concluiu que Amaral se via perseguido e que acreditava que tal perseguição só cessaria se ele assassinasse Zé Gomes.

Reações, repercussões e consequência miniaturadaimagem|Marconi Perillo, governador de Goiás, durante coletiva de imprensa em 2015. : O governador de Goiás, Marconi Perillo, que estava nos Estados Unidos quando ocorreu o atentado, voltou à capital do estado, Goiânia. Em um anúncio oficial, disse estar em "choque" e completou:

esquerda|miniaturadaimagem|O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, dá entrevista depois de entregar dados dos doadores de campanha que aparecem como beneficiários do Bolsa Família ao ministro Osmar Terra, do Desenvolvimento Social e Agrário, além disso, tratou sobre o atentado em Itumbiara. : O Ministro do STF e então presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, repudiou o atentado, em coletiva de imprensa, declarando:

Mendes também solicitou ao então Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, para o envio de tropas das Forças Armadas do Brasil e da Polícia Federal para garantir a segurança de Itumbiara durante o período eleitoral, a fim de evitar novos episódios de violência política; Moraes acatou a solicitação.Moraes declarou acreditar que não se tratava de um crime político, mas sim de um crime passional, o que mais tarde, foi confirmado pelas investigações, mostrando que o atentado não ocorreu motivações políticas, mas sim devido um surto psicótico do ex-funcionário. esquerda|miniaturadaimagem|Amerigo Incalcaterra, delegado da ACNUDH para a América do Sul repudiou o atentado ocorrido em Itumbiara. : O escritório regional para a América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) condenou, no dia 30 de setembro de 2016, o Atentado. O representante sul-americano, Amerigo Incalcaterra, expressou solidariedade e ressaltou a necessidade de uma investigação bem articulada.

Por fim, o contexto da eleição municipal de Itumbiara em 2016 mudou completamente; já que liderava as pesquisas de intenções de voto. José Gomes da Rocha tentava retornar à prefeitura de Itumbiara, após ser condenado por improbidade administrativa pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), além do uso de máquina pública em privilégio de Júlio Cezar Vaz de Melo. Venceu o candidato correligionário de Gomes, Zé Antônio.

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