Conjunto das Antigas Instalações da Escola Politécnica é um agrupamento de prédios que costumava abrigar a primeira instituição de ensino superior de engenharia, arquitetura, tecnologia e ciências exatas do Brasil, entre o final do século XIX e 1960. Fundada em 1894, no bairro do Bom Retiro, o seu intuito era formar profissionais em ambas as áreas para auxiliar no processo de desenvolvimento da urbanização e industrialização da cidade de São Paulo.
O complexo é composto de seis prédios, os quais são tombados pelo Condephaat e fazem parte do Patrimônio Histórico do estado de São Paulo. São eles os edifícios Paula Souza, Ramos de Azevedo, Hipólito Pujol, Oscar Machado, Rodolfo Santiago e o Antigo Laboratório de Hidromecânica. Todos se encontram em uma mesma quadra, a qual situa-se em frente à estação Tiradentes do metrô e é cercada pela Praça Coronel Fernando Prestes, Avenida Tiradentes, Rua Afonso Pena e Rua dos Bandeirantes.
Atualmente, nessas edificações, funcionam quatro diferentes instituições: a Faculdade de Tecnologia de São Paulo (FATEC), o Centro Paula Souza (CPS), o Arquivo Histórico de São Paulo (AHSP) e a Escola Técnica Estadual de São Paulo (ETESP).
Os prédios foram erguidos em diferentes momentos, em um período entre 1899 e 1944, por diferentes arquitetos. O mais importante deles - e que realizou o maior número de obras do aglomerado - foi Ramos de Azevedo.
História No final do século XIX, São Paulo estava dando os primeiros passos no seu processo de urbanização. Inspirado por ideais progressistas pós Proclamação da República e para ajudar com a construção civil, tornou-se necessário o advento de uma instituição de ensino superior, na área de engenharia, especialmente projetada para suprir as carências de desenvolvimento urbano da cidade. Assim, em 15 de fevereiro de 1894, a Escola Politécnica de São Paulo é fundada, durante o governo de Bernardino José de Campos Júnior.
O primeiro edifício a pertencer à escola foi o Palacete do Marquês de Três Rios, construído em 1860, e que foi deixado pelo próprio Joaquim Egídio de Sousa Aranha, após sua morte. O prédio foi adaptado para a acomodação de atividades acadêmicas, mas foi demolido em 1929.
Inicialmente a instituição contava com os cursos de Engenharia Industrial, Engenharia Agrícola, Engenharia Civil e Artes Mecânicas. A escola também foi a pioneira em aulas de Astronomia – as quais, mais tarde, tornaram-se o Instituto de Astrofísica e Geofísica da Universidade de São Paulo –, Arquitetura, Belas Artes, Física, Química e Zootecnia, os quais, em seguida, tornaram-se cursos superiores independentes, já na Universidade de São Paulo.
miniatura|direita|Retrato do arquiteto Ramos de Azevedo Com o decorrer dos anos, as necessidades urbanas da cidade continuaram a aumentar e o curso também ascendeu em número de estudantes e professores. Para acompanhar o ritmo de crescimento, foi preciso ampliar a área da instituição. Assim, em 1899, o Edifício Paula Souza foi construído com o auxílio e coordenação do arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo. O local passou a abrigar laboratórios de pesquisa, auditórios, oficinas didáticas e parte da administração.
Mais tarde, outros edifícios também foram construídos para ampliar a área da instituição. Ao lado do Edifício Paula Souza, foram erguidos dois pavilhões, um de cada lado do prédio. O do flanco direito refugiava as oficinas de carpintaria e o da esquerda abrigava o Gabinete de Resistência dos Materiais da escola. Este último transformou-se no Laboratório de Ensaio dos Materiais (LEM) e, mais tarde, no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), o qual cresceu e veio a se separar da Escola Politécnica, tornando-se uma instituição ligada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação de São Paulo.
O próximo grande edifício a ser erguido para as atividades da Escola Politécnica foi o Ramos de Azevedo, em 1920, seguido pelo Laboratório de Hidromecânica, em 1926. No ano de 1938, os edifícios Oscar Machado e Hipólito Pujol foram levantados, este segundo no lugar do Instituto de Pesquisas Tecnológicas. Já o Edifício Rodolfo Santiago foi construído em 1944.
Da antiga Escola Politécnica saíram grandes nomes da engenharia e ciência brasileiras, entre eles Adolfo Lutz, Vital Brazil, Luiz de Anhaia Mello, Luiz Cintra do Prado e Telêmaco Van Langendock.
Em 1934, a Universidade de São Paulo foi criada com a finalidade de conectar diferentes áreas da educação acadêmica. Dessa forma, em uma iniciativa do governo estadual, a Escola Politécnica passou a fazer parte da USP. Foi somente em 1960, porém, que a escola começou a ser transferida permanentemente para a Cidade Universitária, onde se situa até hoje. Os primeiros departamentos a serem transferidos foram os de matemática e desenho e, o último, já em 1973, de engenharia civil.
A partir da década de 1970, passou a funcionar no local, ocupando inicialmente o Edifício Paula Souza e, mais tarde, o Rodolfo Santiago, a Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Os cursos iniciais oferecidos foram os de Construção Civil, Hidráulica, Construção de Edifícios e Mecânica.
Edifício Paula Souza miniatura|esquerda|Fachada do Edifício Paula Souza Inaugurado em janeiro de 1899, o Edifício Paula Souza foi o primeiro prédio erguido especialmente para a Escola Politécnica, portanto é o mais antigo de todo o conjunto. Arquitetado pelo escritório do arquiteto Ramos de Azevedo, o seu intuito inicial era abrigar os laboratórios gerais da Politécnica. A edificação recebeu esse nome como uma forma de homenagear o primeiro diretor da Escola Politécnica, Antônio Francisco de Paula Sousa.
Após a transferência da instituição para a Cidade Universitária, o prédio passou a abrigar o Centro Paula Souza, uma instituição de ensino voltada à educação na área de tecnologia. Em 2013, porém, a administração central da entidade foi transferida para a Rua dos Andradas, número 140.
Edifício Ramos de Azevedo e o Antigo Laboratório de Hidromecânica miniatura|direita|Fachada do Edifício Ramos de Azevedo Inaugurado em 14 de abril de 1920, o Edifício Ramos de Azevedo foi inicialmente projetado para abrigar o Laboratório de Mecânica e o Gabinete de Eletrotécnica da Escola Politécnica.
Após a saída da Escola Politécnica para a Cidade Universitária, o prédio ficou parcialmente abandonado durante a década de 1970, só sendo ocupado, em parte, por uma parcela das atividades do Instituto de Eletrotécnica da USP e pelo Paço da Memória de São Paulo. Em 1987, foi adquiro pela Prefeitura de São Paulo com o intuito de abrigar o acervo do Arquivo Histórico Municipal Washington Luís. O local, porém, só foi ocupado pelo arquivo em 1999 e reaberto ao público no dia 20 de janeiro de 2000. Em 2010, passou a atender pelo nome de Arquivo Histórico de São Paulo.
O prédio do Laboratório de Hidromecânica foi construído em 1926. De 1948 a 1980, foi usado pelo Curso Politécnico, com o intuito de preparar os estudantes interessados a ingressar na Escola Politécnica.
Edifícios Hipólito Pujol e Oscar Machado miniatura|esquerda|Fachada do Edifício Hipólito Pujol Em 1938, foram construídos os edifícios Hipólito Pujol e Oscar Machado. O primeiro foi erguido no lugar onde, anteriormente, situava-se o pavilhão esquerdo do Edifício Paula Souza, espaço que abrigava o Laboratório de Ensaio de Materiais da Escola Politécnica e o Gabinete de Resistência, percursos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).
Edifício Rodolfo Santiago miniatura|direita|Fachada do Edifício Rodolfo Santiago O Edifício Rodolfo Santiago foi construído em 1944, no mesmo lugar que costumava ficar o antigo Palacete do Marquês de Três Rios e um pavilhão de carpintaria.
O prédio do Três Rios foi demolido em 1929, mas sua estrutura já estava parcialmente comprometida desde 1924, quando foi atingido por tiros de canhão, granadas e balas, durante a Revolução de 1924, que teve conflitos no entorno do Regimento da Força Pública, atual Batalhão Tobias de Aguiar.
Assim que construído, o Edifício Rodolfo Santiago começou a atuar como biblioteca e como o departamento de Física e de Matemática. Em 1946, tornou-se o principal prédio acadêmico da Escola Politécnica, uma vez que o Edifício Paula Souza assumiu atividades mais administrativas.
Em 1970, após a transferência da Escola Politécnica para a Cidade Universitária, passou a acolher as atividades da FATEC- SP.
Arquitetura
Edifício Paula Souza Com 1295 metros quadrados, a estrutura do Edifício Paula Souza dispõe de três andares. Apresentando 37 metros, a sua fachada exibe um estilo arquitetônico eclético, com desenhos salientes nas pontas e paredes abobadadas. No primeiro andar, há o emprego de colunas dóricas, e, no segundo, jônicas. A estrutura é de alvenaria sobre pedra e concreto.
A disposição dos espaços de toda a edificação foi projetada para uma máxima eficiência nas atividades acadêmicas ligadas à área da ciência, no uso de laboratórios e das salas de aula e oficinas.
Edifício Ramos de Azevedo e Antigo Laboratório de Hidromecânica Também arquitetado pelo escritório de Ramos de Azevedo, o edifício de nome Ramos de Azevedo foi construído com características do estilo arquitetônico eclético, assim como o Edifício Paula Souza. Além disso, conta com dois pavimentos e um porão.
O primeiro andar era ocupado por instrumentos mecânicos, além de contar com uma galeria de máquinas. No térreo, ficavam as salas de aula e de reuniões e um anfiteatro. Em 1920, um compartimento feito para projetar imagens de cinema foi construído, modificando parte do projeto estrutural original.
miniatura|esquerda|Vitral com a figura do arquiteto A arquitetura do prédio passou por duas modificações e restauros. Primeiramente, em 1990 e, depois, em 2007 e 2008. Na mais nova, elementos e detalhes da fachada foram recuperados e pisos e rampas de acesso foram planejadamente instalados para auxiliar na acessibilidade da edificação. A fachada principal do edifício conta com a figura da deusa da engenharia, Minerva.
Projetados pela Casa Conrado, os vitrais do Edifício Ramos de Azevedo representam as alegorias do Engenheiro e do Arquiteto. Do lado esquerdo do prédio, o vitral ilustra um engenheiro debruçado sobre uma mesa, com um compasso na mão. No direito, um arquiteto cercado por colunas e sentado sobre um capitel estuda um projeto de arquitetura.
O subsolo do edifício conta com tijolos aparentes, paredes abobadadas e passagens em arco.
O antigo Laboratório de Hidromecânica, atual Anexo do Arquivo Histórico, se assemelha a um galpão com um longo vão livre e com aberturas verticais, janelas em arco e esquadrias - estas características de construções do período final do século XIX. Contém um porão, piso único e telhado com telhas de cerâmica francesas. Apesar dessas características, o seu estilo é sóbrio e apenas funcional. Documentos antigos apontam que, originalmente, sua estrutura era mais comprida, com mais três vãos. Em 2007, o edifício passou por um processo de restauro que continuou uma primeira tentativa de recuperação arquitetônica, de 1993. Nesta segunda investida, a intenção era reparar as fachadas do edifício, assim como melhorar a acessibilidade do prédio, com novos pisos e rampas de acesso.
Edifício Rodolfo Santiago miniatura|direita|Deusa Minerva gravada na lateral do Edifício Rodolfo Santiago O prédio mais novo do conjunto da antiga Politécnica foi planejado pelo arquiteto José Maria da Silva Neves. A fachada frontal da edificação mede 36 metros e, a lateral, 43,5 metros.
Destaca-se, esculpidas nas laterais da edificação, as figuras de deusa romana das artes e da sabedoria, Minerva. A figura da divindade encontra-se esculpida no prédio por ser considerada o símbolo da Engenharia.
Relevância cultural