O Partido Social-Democrata da Alemanha (em alemão: Sozialdemokratische Partei Deutschlands, SPD) é um partido político alemão. O SPD é um dos partidos dominadores da cena política alemã, tem uma história centenária. É o segundo partido alemão mais antigo ainda em funcionamento, tendo completado em 2015 cento e quarenta anos de existência, sendo fundado em 1875 como a fusão da ADAV (fundada em 1863) e SDAP (fundada em 1869). Foi um dos primeiros partidos de influência marxista do mundo e como um dos primeiros partidos Social-Democrata do mundo.

Nas eleições de 1912 ganhou a pluralidade dos votos pela primeira vez na história. Durante a Primeira Guerra Mundial o partido foi divido entre uma corrente pró-guerra e o Partido Social Democrata Independente, anti-guerra, do qual alguns membros formaram o Partido Comunista da Alemanha (KPD). Após a guerra, o SPD desempenhou um papel central na Revolução Alemã de 1918-1919 e foi responsável pela fundação da República de Weimar.

Foi impiedosamente perseguido durante o Terceiro Reich (1933-1945) e na antiga Alemanha Oriental foi obrigado pelas forças de ocupação soviéticas a se fundir com seus rivais, os comunistas do KPD, para formar o Partido Socialista Unificado da Alemanha (SED). Na Alemanha Ocidental o SPD se tornou um dos dois grandes partidos, juntamente com o seu maior rival CDU/CSU, o partido democrata-cristão alemão. Em 1959 o partido assinou o Programa de Godesberg que abandonou o seu compromisso com o marxismo, tornando-se um grande partido de centro-esquerda. É filiado à Aliança Progressista. Eleitoralmente forte junto à população alemã de confissão luterana e nas regiões norte e leste da Alemanha.

História Inícios Oficialmente, nasceu no ano de 1875, sob o nome de Partido Socialista dos Trabalhadores da Alemanha (em alemão: Sozialistische Arbeiterpartei Deutschlands, SAP). Contudo, devido ao facto de resultar da fusão de duas organizações, a sua história pode recuar alguns anos.

Em 1863 emergia na Alemanha a social-democracia. Nesse ano, Ferdinand Lassalle (1825-1864) fundava o Allgemeiner Deutscher Arbeiterverein (ADAV, Associação Geral dos Trabalhadores Alemães), em Leipzig.

A 7 de agosto de 1869, August Bebel e Wilhelm Liebknecht fundaram o SDAP (Partido Operário Social-Democrata), em Eisenach, com a meta de abolir o Estado de classes e implantar um "Estado livre popular".

Em 1875, estes dois grupos, ADAV e SDAP, viriam a juntar-se, formando o Partido Socialista dos Trabalhadores da Alemanha (em alemão: Sozialistische Arbeiterpartei Deutschlands, SAP).

Em 1890, o partido transformou-se para Partido Social Democrata da Alemanha (SPD). Era um partido de orientação marxista, revolucionário, anticlerical e pacifista. O partido viria a manter uma orientação marxista até final dos anos 50 do século XX.

Karl Marx era crítico às ideias de Lassalle que surgiam no programa de unificação dos partidos em 1875 durante o Congresso de Gotha (cujo principal autor foi o marxista Liebknecht), principalmente sobre a "lei de bronze do salário" e a subvenção estatal a que o partido se submetia; no mesmo ano, escreveu suas glosas marginais ao programa do partido, no qual considerava um retrocesso recorrer a ideias, segundo ele, já ultrapassadas na teoria. Mesmo com suas diferenças ideológicas, Marx não foi contra a unificação dos partidos por considerar que "Cada passo do movimento real é mais importante que uma dúzia de programas". Sua Crítica ao Programa de Gotha só viria a público quinze anos mais tarde, ao ser publicada por Friedrich Engels em 1891 na Die Neue Zeit.

O ano de 1878 marcou o início de uma fase atribulada na vida das organizações políticas sociais-democratas. Otto von Bismarck, Chanceler da Alemanha, conservador, aproveita duas tentativas de assassinato contra o Guilherme II da Alemanha para eliminar adversários; na sequência destes atentados, faz aprovar diversas leis "anti-socialistas", apesar de nunca se ter provado qualquer ligação destes com os acontecimentos. Até 1890 a clandestinidade é o campo onde se movem os activistas partidários de esquerda.

Por essa altura, o SPD conseguira atrair a simpatia de um vasto número de apoiantes; nas eleições desse ano é o partido mais votado, com 19,7% dos votos; em 1912 esses números aumentam para os 34,8%. Entre esta data e os anos 30 o SPD estará ligado a importantes mudanças sócio-políticas no país. A 12 de novembro de 1918, o Governo revolucionário social democrata aprovou o direito de voto das mulheres; em Novembro desse mesmo ano um militante do partido, Friedrich Ebert, é eleito primeiro presidente da República de Weimar.

A ascensão dos nazis na Alemanha trouxe grandes perturbações; o SPD foi das únicas vozes que se levantou contra o totalitarismo hitleriano e sofreu as consequências dessa atitude. Muitos dos seus membros foram presos, torturados e mortos. Nos cerca de 12 anos compreendidos entre 1933 e 1945, a história do partido e da social-democracia caracterizou-se pela emigração, clandestinidade e resistência. Depois da guerra, o SPD surgiu com um papel de primeira grandeza na reconstrução do país e a sua linha de actuação, claramente oposta à dos comunistas, começa a esboçar o seu posicionamento futuro. À sua frente estão líderes de grande capacidade, marcantes na sua História; entre eles, destacam-se homens como Kurt Schumacher (o secretário-geral), Egon Franke, Erich Ollenhauer, Fritz Heine.

Pós-guerra Em 1946, a ruptura com o Leste foi inevitável após os comunistas, no Poder, terem ordenado a prisão de cerca de cinco mil membros do SPD. Outros militantes do partido acabaram por se juntar aos seus camaradas do Ocidente, onde participaram activamente no processo de criação e desenvolvimento da República Federal da Alemanha. Nas primeiras eleições para o Bundestag (o novo Parlamento da República), o SPD consegue 29,2 % dos votos; é o maior partido da oposição, exercendo essa função de forma construtiva.

A partir de 1959, depois de alguns anos em que a Alemanha viveu um período de grave agitação social (registando-se um importante levantamento operário em 1953), ao adoptar o chamado Programa Godesberg, o partido "abre-se ao povo", dirigindo-se a uma camada mais vasta do eleitorado, incluindo grupos cristãos; a orientação socialista e socializante era posta de parte e a social-democracia era agora a palavra de ordem. O partido aceitou a economia de mercado, embora defendesse uma intervenção do Estado para manter a ordem e o bem-estar geral.

Em 1969, a política conservadora cristalizara. Pela primeira vez na história da República Federal, o SPD ganhou as eleições; Willy Brandt é nomeado chanceler, cargo que ocupará até 1974, altura em que é substituído pelo também social-democrata Helmut Schmidt. As políticas seguidas por estes dois chanceleres, num compromisso entre a economia de mercado e o Estado-providência, dinamizaram o país; a Alemanha modernizou-se e tornou-se um modelo seguido por outras nações.

De 1982 em diante, a Alemanha virou à direita. O SPD voltou à oposição e conheceu uma fase de relativo apagamento, emergindo algumas disputas e sucedendo-se os líderes. A reunificação da Alemanha após a queda do muro de Berlim em 1989 levou à fundação, a 7 de outubro (logo, ainda na ilegalidade), do Partido Social Democrata na moribunda República Democrática Alemã. A união dos partidos dos dois lados da Alemanha será entusiasticamente saudada por Willy Brandt e conduzida pelo novo líder Björn Engholm. Depois de vários anos em combate político contra os governos da União Democrata-Cristã (CDU) de Helmut Kohl, o SPD, com Gerhard Schröder, chegou ao Governo.

Ficou no poder de 1918 a 1920, de 1928 a 1930, de 1969 a 1982 e de 1998 a 2005. O actual presidente é Sigmar Gabriel.

Elegeu três presidentes da Alemanha: Friedrich Ebert (1919-1925), Gustav Heinemann (1969-1974) e Johannes Rau (1999-2004).

Resultados Eleitorais

Eleições legislativas Império Alemão +DataCI.Votos%+/-Deputados+/-Status18774.º493 300Oposição18785.º437 1001,53Oposição18817.º312 0001,53Oposição18845.º550 0003,612Oposição18875.º763 1000,413Oposição18901.º1 427 3009,624Oposição18931.º1 786 7003,69Oposição18981.º2 107 1003,912Oposição19031.º3 010 8004,525Oposição19071.º3 259 0002,738Oposição19121.º4 250 4005,867Oposição República de Weimar DataCI.Votos%+/-Deputados+/-Status19191.º11 509 048Governo19201.º6 104 39816,257Governo05/19241.º6 008 9051,22Oposição12/19241.º7 881 0415,531Oposição19281.º9 152 9793,822Governo19301.º8 575 2445,310Oposição07/19322.º7 959 7122,910Oposição11/19322.º7 251 6901,212Oposição19332.º7 181 6291,91Oposição República Federal da Alemanha DataLíderM. UninominalM. ProporcionalDeputados+/-StatusCI.Votos%+/-CI.Votos%+/-1949Kurt Schumacher1.º6 934 975Oposição1953Erich Ollenhauer2.º8 131 2572.º7 944 9430,431Oposição1957Erich Ollenhauer2.º9 651 6692,52.º11 875 3393,019Oposição1961Willy Brandt1.º11 672 0574,51.º11 427 3554,422Oposição1965Willy Brandt1.º12 998 4743,61.º12 813 1863,114Governo1969Willy Brandt1.º14 402 3743,91.º14 065 7163,120Governo1972Willy Brandt1.º18 228 2394,91.º17 175 1693,15Governo1976Helmut Schmidt1.º16 471 3215,21.º16 099 0193,218Governo1980Helmut Schmidt1.º16 808 8610,81.º16 260 6770,34Governo1983Hans-Jochen Vogel2.º15 686 0334,11.º14 865 8074,726Oposição1987Johannes Rau1.º14 787 9531,21.º14 025 7631,29Oposição1990Oskar Lafontaine2.º16 279 9804,02.º15 545 3660,346Oposição1994Rudolf Scharping1.º17 966 8133,11.º17 140 3540,313Oposição1998Gerhard Schröder1.º21 535 8935,51.º20 181 2694,543Governo2002Gerhard Schröder1.º20 059 9671,91.º18 484 5602,447Governo2005Gerhard Schröder1.º18 129 1003,51.º16 194 6654,329Governo2009Frank-Walter Steinmeier2.º12 079 75810,52.º9 988 84311,276Oposição2013Peer Steinbrück2.º12 843 4581,52.º11 247 2832,747Governo2017Martin Schulz2.º11 426 6134,82.º9 538 3675,240Governo2021Olaf Scholz1.º12 234 6901,81.º11 955 4345,253Governo2025Olaf Scholz3.º9 934 6146.33.º8 148 2841086—

Eleições europeias DataCI.Votos%+/-Deputados+/-19791.º11 370 04519842.º9 296 4173,4119891.º10 525 7280,1219941.º11 389 6975,11019992.º8 307 0851,5720042.º5 547 9719,21020092.º5 472 5660,720142.º7 999 9556,4420193.º5 914 95311,41120243.º5 548 5281,92

Eleições regionais

Baden-Württemberg +DataCI.Votos%+/-Deputados+/-Status19522.º765 032Governo19562.º942 7320,92Governo19602.º1 040 9116,48Oposição19642.º1 350 3142,03Oposição19682.º1 124 6968,310Governo19722.º1 784 4168,68Oposição19762.º1 510 0124,34Oposição19802.º1 468 8730,71Oposição19842.º1 507 0880,21Oposição19882.º1 562 6780,31Oposição19922.º1 454 4772,74Governo19962.º1 199 1234,37Oposição20012.º1 508 3588,26Oposição20062.º996 2078,17Oposição20113.º1 152 5942,12Governo20164.º679 72710,417Oposição

Baixa Saxônia +DataCI.Votos%+/-Deputados+/-Status19471.º1 066 380Governo19511.º1 123 1999,71Governo19551.º1 181 9631,55Oposição19591.º1 356 4854,36Governo19631.º1 608 9275,48Governo19671.º1 538 7761,87Governo19701.º1 792 9433,29Governo19742.º1 852 7973,28Governo19782.º1 723 6380,95Oposição19822.º1 526 3465,79Oposição19862.º1 807 1575,63Oposição19901.º1 865 2672,15Governo19941.º1 880 6230,16Governo19981.º2 068 4773,62Governo20032.º1 330 15614,520Oposição20082.º1 035 8943,115Oposição20132.º1 165 4192,31Governo20171.º1 413 9904,36Governo

Baviera +DataCI.Votos%+/-Deputados+/-Status06/19462.º786 045Governo12/19462.º871 7600,23Oposição19501.º2 588 5490,69Governo19542.º2 733 9460,12Governo19582.º2 839 9002,83Oposição19622.º3 465 1684,415Oposição19662.º3 768 9730,5Oposição19702.º3 742 7602,59Oposição19742.º3 409 1263,16Oposição19782.º3 599 4791,21Oposição19822.º3 876 9700,56Oposição19862.º3 119 1244,410Oposição19902.º2 882 0081,53Oposição19942.º3 506 6204,112Oposição19982.º3 501 9001,33Oposição20032.º2 012 2659,126Oposição20082.º1 972 4371,02Oposição20132.º2 437 4012,03Oposição20185.º634 05810,920Oposição

Berlim