Djamila Taís Ribeiro dos Santos (São Paulo, 1 de agosto de 1980) é uma professora, filósofa, escritora, feminista negra, acadêmica e ativista do movimento negro no Brasil e internacionalmente, com forte presença nas redes sociais. Escreve semanalmente no jornal Folha de S.Paulo e já foi colunista da revista CartaCapital. Em 2023, foi laureada com o Prêmio Franco-Alemão de Direitos Humanos e, no mesmo ano, foi a primeira brasileira a falar no Dia em Memória da Abolição da Escravidão e o Comércio Transatlântico de Escravizados, na Assembleia Geral das Nações Unidas. Ela também foi incluída na lista da BBC das 100 mulheres mais influentes e inspiradoras do mundo. Ainda, desde 2022, ocupa a cadeira número 28 da Academia Paulista de Letras.
Ribeiro tem presença ativa no mercado editorial, seus livros já venderam mais de 1 milhão de cópias e é criadora e coordenadora do Selo Sueli Carneiro da Editora Jandaia e da Coleção Feminismos Plurais. Seus livros foram traduzidos para diversos idiomas como o Italiano, Francês e Inglês. É uma autora reconhecida para os temas de gênero e feminismo negro.
Em 2022, fundou o Espaço Feminismos Plurais, instituto sem fins lucrativos em São Paulo que oferece serviços gratuitos para mulheres. Em 2024, foi professora convidada para lecionar durante um semestre da Universidade de Nova Iorque (NYU).. Desde 2025, é professora convidada do Massachusetts Institute of Technology (MIT), sendo a primeira brasileira da história a integrar o programa Dr. Martin Luther King Jr. para professores convidados.
Biografia Djamila é a caçula das quatro crianças de Joaquim José Ribeiro dos Santos e Erani Benedita dos Santos Ribeiro. O pai era estivador, ativista do movimento negro e um dos fundadores do Partido Comunista (PC) na Baixada Santista. Sua mãe trabalhava como empregada doméstica e foi quem a iniciou no Candomblé, quando tinha 8 anos. O seu nome significa “beleza” em suaíli, língua falada no leste da África. Seu pai foi quem escolheu os nomes das filhas, Djamila e Dara, sendo inspirado por edições do Jornegro, um jornal pertencente à militância negra. Anos depois, ela escolheria do mesmo jornal o nome da sua filha, Thulane, que significa "a pacífica" também em suaíli.
Djamila conviveu muito de sua infância com a avó Antônia. Ela também era do Candomblé e atuava como benzedeira. É considerada pela filósofa como a figura responsável por seu caminho espiritual. A avó faleceu em 1993, quando Djamila tinha 13 anos. O relacionamento de afeto inspirou a autora a direcionar seu livro mais autobiográfico a ela, em Cartas para minha avó.
Iniciou o contato com a militância ainda na infância. Uma das grandes influências foi o pai, um homem que, mesmo com pouco estudo formal, era culto. Aos 19 anos se envolveu com a Casa de Cultura da Mulher Negra, uma organização não governamental santista, fundada por Alzira Rufino, que passou a ser referência feminista para Djamila.
Joaquim e Erani se separaram durante a adolescência de Djamila. Durante esse período, enquanto a mãe lutava contra o câncer pela segunda vez, Djamila foi trabalhar numa barraca de pastel para ajudar nas despesas da casa, apesar da resistências do pais. Logo em seguida, passou no curso de Jornalismo em uma universidade privada e passou a trabalhar como assistente de limpeza em uma empresa para pagar o curso.
Em maio de 2001, sua mãe faleceu por decorrência do câncer no rim, quando Djamila tinha 20 anos. No ano seguinte, seu pai foi diagnosticado com mieloma múltiplo, uma espécie de câncer de medula que não tem cura, e faleceu quando ela tinha 21 anos.
Nos anos que se seguiram, Djamila estudou jornalismo até engravidar de Thulane, aos 24 anos, quando abandonou a faculdade para se dedicar à família. Retomou os estudos sob protestos do esposo e de outros familiares, pois ela deixava a filha de 3 anos em escolinha em período integral para fazer a faculdade em Guarulhos, a três horas de distância de Santos. Graduou-se em Filosofia pela Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Paulo em 2012, e tornou-se mestra em Filosofia Política na mesma instituição, em 2015, com ênfase em teoria feminista.
Djamila começou a escrever no Blogueiras Negras, portal que discute assuntos caros às feministas negras na internet. Em 2014, deu uma entrevista a respeito do projeto para o jornalista Pedro Bial, no programa Na Moral, e ganhou visibilidade nacional. Passa a utilizar a internet como plataforma para discutir feminismo negro, racismo e filosofia com grande apelo ao público brasileiro. Foi colunista online da CartaCapital e Revista AzMina ao mesmo tempo que fortalecia sua presença no ambiente digital. Acredita que é importante apropriar a internet como uma ferramenta na militância das mulheres negras, já que, segundo Djamila, a "mídia hegemônica" costuma invisibilizá-las.
Escreveu o prefácio do livro Mulheres, Raça e Classe da filósofa negra e feminista Angela Davis, obra inédita no Brasil, e que foi traduzida e lançada em setembro de 2015. Participa constantemente de eventos, documentários e outras ações que envolvam debates de raça e gênero.
Em maio de 2016, foi nomeada secretária-adjunta de Direitos Humanos e Cidadania da cidade de São Paulo durante a gestão do prefeito Fernando Haddad.
Em 2017, apresentou-se no programa de televisão Entrevista, no Canal Futura, e se tornou a mentora intelectual (junto com a filósofa Márcia Tiburi) de um grupo de atrizes, diretoras e roteiristas da TV Globo, interessadas em estudar as bases do feminismo. Neste ano, também termina seu relacionamento de 13 anos. miniaturadaimagem|Apresentação no TedX São Paulo Publica seu primeiro livro de sucesso nacional O que é lugar de fala? pela editora Letramento, em 2017, estreando a coleção Feminismos Plurais, da qual é coordenadora. A obra foi finalista do Prêmio Jabuti 2018 na categoria Humanidades. Deu a palestra “Precisamos romper com os silêncios” no TEDX São Paulo em 2017 falando sobre inclusão social e justiça.
Em 2018, torna-se membro do Conselho Deliberativo do Instituto Vladimir Herzog. Entre 7 e 14 de outubro daquele ano, visitou a Noruega a convite do governo Norueguês para conhecer as políticas de equidade de gênero do país.
Em 2018, a ensaísta prolífica Djamila Ribeiro foi um dos 51 autores, oriundos de 25 países, convidados para contribuir para Os papéis da liberdade ("The Freedom Papers"). Ao longo de sua trajetória, recebeu algumas premiações, como Trip Transformadores, em 2017, Melhor Colunista no Troféu Mulher Imprensa, em 2018, e Prêmio Dandara dos Palmares.
Quem tem medo do feminismo negro? é seu segundo livro, que foi publicado pela Companhia das Letras.
Foi escolhida como Personalidade do Amanhã pelo governo francês em 2019. Djamila foi capa da Revista Gol, Revista Claudia, colunista da Carta Capital e Revista Elle Brasil. Em 2019, publica Pequeno Manual Antirracista também pela editora Companhia das Letras, e Lugar de Fala pela Pólen, e faz 174 eventos pelo país falando sobre questões de gênero e raça.
Ministrou aulas sobre feminismo para um grupo de atrizes e diretoras da TV Globo na residência de Camila Pitanga, no Rio de Janeiro. Além disso, prestou consultoria para programas da emissora, incluindo Amor & Sexo, apresentado por Fernanda Lima, e Saia Justa, do GNT.. Fez consultoria de conteúdo para a marca Avon, entre outras empresas e instituições. É idealizadora e coordenadora do Selo Sueli Carneiro.
Foi capa da edição Mulheres de Sucesso da Forbes Brasil em fevereiro de 2021. Em 2021, publica um livro com histórias de sua vida, intitulado Cartas para minha avó, pela Companhia das Letras. Foi eleita para a Academia Paulista de Letras, em maio de 2022, por votação expressiva. Ocupa a cadeira de número 28, posto antes ocupado pela escritora Lygia Fagundes Telles, que faleceu em 3 abril de 2022 aos 98 anos.
Vida acadêmica Djamila Ribeiro concluiu sua graduação em Filosofia na Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Unifesp, em 2012, e obteve seu mestrado em Filosofia Política na mesma instituição em 2015, focando em teoria feminista. Desde 2020, ela faz parte do corpo docente do curso de Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Antes de se dedicar à Filosofia, Djamila iniciou um curso de jornalismo, que interrompeu em 2005. Atualmente (em 2025), ela também contribui como colunista para a Folha de S.Paulo e já escreveu para a CartaCapital, Blogueiras Negras e Revista AzMina, além de coordenar a coleção Feminismos Plurais.
Fundou o Selo Sueli Carneiro, dedicado à publicação de livros de autores negros a preços acessíveis. Como coordenadora da plataforma Feminismos Plurais, ela promove o ensino de temas críticos para a sociedade brasileira. Em 2022, Djamila desenvolveu e ministrou o curso gratuito Jornalismo Contra-Hegemônico: reflexões para um novo presente no YouTube, uma iniciativa realizada em parceria com o YouTube Brasil, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Feminismos Plurais e a produção executiva da Casé Fala. O curso inclui dez episódios".
Em 2024, Djamila Ribeiro foi convidada pela Universidade de Nova Iorque para ocupar, por um semestre, a Andrés Bello Chair para professores convidados. Durante esse período, residiu em Nova Iorque e realizou uma turnê de lançamento da edição em língua inglesa de Lugar de Fala, publicada como Where We Stand pela Yale University Press.
Antes da publicação em inglês, Ribeiro já tinha obras traduzidas e publicadas em francês, espanhol, italiano e alemão, além de ter participado de eventos literários em mais de uma dezena de países. Na França, por exemplo, suas obras ultrapassaram a marca de 15 mil exemplares vendidos. Em entrevistas e artigos, a autora destaca que apenas cerca de 3% do mercado editorial dos Estados Unidos corresponde a traduções, o que torna o ingresso de autoras estrangeiras de não ficção particularmente restrito. Esse dado também é analisado por Ribeiro em textos acadêmicos e jornalísticos, nos quais discute as assimetrias no mercado editorial internacional como expressão de relações coloniais persistentes.
Segundo entrevistas concedidas por Ribeiro, o convite para a publicação pela Yale University Press ocorreu após a editora Abbie Storch tomar contato com uma reportagem do The New York Times que destacava Djamila Ribeiro como uma das autoras negras brasileiras que vinham transformando a cena literária do país.
A edição em inglês inclui uma introdução voltada ao público estadunidense e prefácio da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. O texto de apresentação resultou de uma aproximação entre as autoras iniciada quando Ribeiro mediou, a convite de Adichie, uma mesa pública da escritora no Maracanãzinho. Após o encontro, Adichie manifestou interesse em acompanhar o trabalho de Ribeiro e aceitou escrever o prefácio da obra.
A turnê contou com o acompanhamento de uma equipe documentarista dirigida por Nicole Gullane e incluiu eventos em universidades como Yale, Harvard, Rutgers, University of Georgia, Spelman College, San Diego State University (SDSU) e UCLA além de atividades em livrarias, como a Politics and Prose, em Washington, cujo lançamento contou com a presença e abertura da embaixadora brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti, e na Feira Literária do Brooklyn.
Em 2025, Ribeiro retornou aos Estados Unidos como a primeira pessoa brasileira a integrar o programa Dr. Martin Luther King Jr. Visiting Professors do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Sua candidatura foi apresentada por Joaquín Terrones e contou com o apoio de três departamentos distintos da instituição. O semestre letivo teve início em 2026, quando passou a ministrar a disciplina Feminismos do Sul Global.miniaturadaimagem|Djamila Ribeiro participa de assinatura de pacto antirracista pela candidata Manuela D´Ávila, na Praça do Tambor, em Porto Alegre
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