Fabio Francisco da Silva (Rio de Janeiro, 19 de maio de 1976) é um radialista, empresário e político brasileiro, filiado ao União Brasil. Está no sexto mandato como deputado estadual do Rio de Janeiro, cargo que ocupa desde 2003. Em 2024, foi cassado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder religioso, mas foi absolvido em recurso em 2025.

É apresentador, diretor e sócio na Rádio Melodia.

Biografia e carreira Fabio Silva começou sua carreira profissional como office boy aos 15 anos de idade. Trabalhou como como radialista ao lado do pai, Francisco Silva, que foi deputado federal por três mandatos e comprou a Rádio Melodia em 1986. Formou-se em direito pela Universidade Veiga de Almeida, e é pós-graduado em administração de empresas pela FGV.

Apresenta dois programas na Melodia, da qual também é diretor e sócio. É evangélico, ligado à Igreja Batista.

Carreira política

2002–2010 Em 2002, foi eleito deputado estadual no Rio de Janeiro pelo PPB (atual Progressistas), com votos. Em fevereiro de 2003, foi eleito terceiro vice-presidente da Mesa da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ).

Em 2006, foi reeleito deputado estadual pelo PMDB com votos.

Por volta de 2007, o Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu a cassação do deputado por abuso de poder político, o que foi negado em segunda instância pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que determinou que o MPE tinha perdido o prazo para pedir a cassação. O Tribunal negaria também recursos contra outros deputados fluminenses acusados, incluindo Wilson Cabral (PSB), Alcebíades Sabino (PSC) e Domingos Brazão (PMDB).

Durante a campanha para as eleições de 2010, concorrendo pelo PR (atual PL), Fábio lançou um "santinho" eleitoral no formato e aparência de um cartão de crédito. Feito de plástico e com o nome de "Votocard Gold", o santinho pedia votos para a reeleição dele e para os candidatos que apoiava a outros cargos (Eduardo Cunha, Jorge Picciani, Sérgio Cabral e Dilma Rousseff). Abaixo dos nomes no verso, estava a frase: "Esta é a ordem de votação. Use o seu crédito e cobre depois o resultado"; na frente, a inscrição dizia: "O limite do seu cartão será do tamanho do país que você quer". O MPE abriu investigação para averiguar possível crime eleitoral na suposta insinuação de vantagem financeira pelo voto naqueles candidatos. No pleito, Fábio foi reeleito com votos.

2011–2018 Em 2011, filiou-se ao recém-criado PSD. Em 2013, retornou ao PMDB, partido do então governador Sérgio Cabral, que alcançou assim a maior bancada da ALERJ.

Em 2014, apresentou um projeto de lei que criava o "Dia do Orgulho Heterossexual". Na justificativa da proposta, argumentou: "Num momento em que se discute muito o direito de minorias, não podemos deixar pessoas comuns desguarnecidas, discriminadas, apenas por terem orgulho de serem heterossexuais". Na época, respondia a outro processo por abuso de poder e propaganda irregular, este no Tribunal Superior Eleitoral. O projeto foi arquivado. Meses depois, foi reeleito deputado estadual com votos.

Em abril de 2015, em polêmica votação, foi um dos parlamentares a votar a favor da nomeação de Domingos Brazão para o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, nomeação esta muito criticada na época. Um projeto seu no mesmo ano, que também acabou arquivado, previa multa de até 270 mil reais para quem fizesse sátira com elementos religiosos, inclusive em charges.

Na Operação Lava Jato, a delação premiada do lobista Fernando Baiano apontou Altair Alves Pinto como o intermediário da propina destinada a Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados. Altair era funcionário parlamentar de Fábio desde 2003. Em entrevista a O Globo, quando perguntando sobre as denúncias, respondeu que não responderia pelos atos de um assessor: "Uma coisa é denúncia. Outra coisa são os fatos comprovados, não é verdade? Vamos esperar os fatos acontecerem. Cada um responde pelos seus. Eu não respondo nem pelos atos dos meus familiares. Jamais vou responder pelos atos de um assessor."

Em 2016, Fábio Silva concorreu a prefeito de Seropédica. A Folha de S.Paulo noticiou que, com a queda de Cunha, Fábio não teve apoio financeiro do PMDB-RJ. Seu principal opositor era o ex-prefeito Anabal Barbosa, do PDT. Durante um comício a favor de Anabal, Carlos Lupi, presidente do PDT, atacou diretamente Fábio por sua relação com Cunha: "Anabal, não se incomode com gente pequena e rasteira. Essa gente que estava lá em Brasília, puxando o saco do presidente da Câmara, que foi cassado por corrupção, não tem moral para falar do Anabal." Anabal foi eleito com 84,53% dos votos. Em segundo lugar, Fábio recebeu votos (15,47% dos válidos).

Foi um dos 41 deputados a votar a favor da privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (CEDAE), em fevereiro de 2017. Em junho de 2017, a ALERJ aprovou um projeto seu para dar prioridade a instituições religiosas na tramitação de processos administrativos ou judiciais. Segundo Fábio, as igrejas e templos já realizam muitos trabalhos sociais e funcionam assim como um braço do Estado; no plenário, disse também o projeto era "laico" aberto a emendas. Em entrevista à Folha após a aprovação, Fábio defendeu o projeto: "Ele trata inclusive da questão da intolerância religiosa, pois em muitos municípios processos administrativos acabam sendo engavetados por serem de determinadas denominações". Em agosto, gerou controvérsia ao tentar incluir por uma emenda templos religiosos em um projeto para estabelecer uma tarifa social de água para escolas de samba e clubes de bairro.

Em novembro de 2017, votou pela revogação da prisão dos deputados Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, denunciados na Operação Cadeia Velha, acusados de integrar esquema criminoso que contava com a participação de agentes públicos dos poderes Executivo e do Legislativo, inclusive do Tribunal de Contas, e de grandes empresários da construção civil e do setor de transporte.

Nas eleições de 2018, o jornal O Globo divulgou que Cunha estava zangado com Fábio. O deputado não havia apoiado a campanha de Danielle Cunha, filha de Cunha, e sim a de Sóstenes Cavalcante (DEM), deputado federal ligado ao pastor Silas Malafaia. Da cadeia, Cunha escreveu uma carta a correligionários, na qual escreve: "Apesar da ingratidão, oro a Deus para que continue abençoando Fábio Silva, filho de Francisco Silva, e que ele possa se reeleger deputado estadual." Cunha também diz que, se vivo, o pai de Fábio não concordaria com a atitude do filho. No pleito, Fábio foi reeleito deputado estadual pelo DEM com votos.

2019–presente Em março de 2019, um projeto de sua autoria para garantir aos policiais que capturarem um criminoso procurado o direito de receber a recompensa oferecida pelo Disque Denúncia, foi aprovado na ALERJ e sancionado pelo governador Wilson Witzel. Em agosto do mesmo ano, a assembleia aprovou outro projeto seu para permitir aos diretores de escolas públicas cederem-nas para encontros religiosos.

Quando ALERJ decidiu aceitar o pedido de impeachment de Witzel, em 2021, Fábio comentou sobre a má relação do governador com o legislativo: "Havia um muro de Berlim entre o Palácio [das Laranjeiras, residência do governador fluminense] e a Casa".

Em 2022, foi reeleito pelo União Brasil com votos.

Em fevereiro de 2024, Fábio votou a favor do fim do afastamento da deputada Lucinha, que havia sido afastada do cargo pelo Tribunal de Justiça do estado, acusada de possuir ligações com milicianos.

Em dezembro de 2025, votou a favor da soltura de Rodrigo Bacellar, então presidente afastado da ALERJ, acusado de vazar a operação que prendeu o então deputado estadual TH Joias, associado à facção criminosa Comando Vermelho.

Cassação Em fevereiro de 2024, o TRE-RJ cassou o mandato de Fábio por abuso de poder religioso nas eleições de 2022. O Ministério Público Eleitoral o acusou de realizar festivais gospel com intuito eleitoral, “assemelhados a showmícios", utilizando sua condição de apresentador e sócio da Rádio Melodia para promover sua candidatura. Fábio participou de eventos do "Culto da Melodia" em Campo Grande e Itaguaí, onde teria feito discurso politico no púlpito e distribuído material de campanha. Na sua decisão, o desembargador Henrique Carlos Figueira apontou que ficou tipificado o abuso de poder com "o desvirtuamento de santuário e apropriação como espaço privado de autoridade e influência eleitoral". Fábio foi declarado inelegível até 2030, mas seguiu no exercício do mandato pois cabia recurso.

Em recurso julgado em junho do mesmo ano, o TRE-RJ manteve a cassação, restando ao deputado apenas recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em novembro de 2025, o TSE o absolveu, afastando as penalidades e mantendo seu mandato.

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