André Luis do Prado (Guararema, 7 de junho de 1969) é um analista de sistemas e político brasileiro, filiado ao Partido Liberal (PL). É deputado estadual por São Paulo desde 2011 e presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) desde março de 2023, tendo sido reeleito para a presidência em 2025.
Antes de ingressar na política estadual, foi vereador, vice-prefeito, secretário municipal de Saúde e prefeito de Guararema. Em 2026, tornou-se candidato ao Senado Federal por São Paulo pelo PL.
Trajetória política
Política municipal em Guararema Formado em Análise de Sistemas pela Universidade de Mogi das Cruzes, Prado iniciou sua carreira política em 1992, quando foi eleito vereador de Guararema. Foi reeleito em 1996 e presidiu a Câmara Municipal. Em 2000, foi eleito vice-prefeito na chapa de Conceição Alvino e, durante o mandato, exerceu também a função de secretário municipal de Saúde.
Em 2004, foi eleito prefeito de Guararema pelo então Partido Liberal (PL), exercendo o mandato entre 2005 e 2008. O PL se fundiu com o Partido de Reedificação da Ordem Nacional (Prona) em 2006, dando origem ao Partido da República (PR), que em 2019 voltou a adotar o nome Partido Liberal.
Deputado estadual Em 2009, Prado foi escolhido para presidir o Conselho Político estadual do PR, com a atribuição de reorganizar as bases partidárias no estado e preparar sua candidatura à Assembleia Legislativa. Nas eleições de 2010, foi eleito deputado estadual com 86.346 votos. Sua candidatura integrou a coligação proporcional Somos Mais São Paulo, formada por PR, PRB, PT e PTdoB.
Em março de 2011, tornou-se líder do PR na Alesp; naquele momento, era o único deputado estadual da legenda na Casa. Foi reeleito em 2014, 2018 e 2022, alcançando o quarto mandato consecutivo.
Levantamento da Agência O Globo publicado pela Exame em 2023 apontou que, dos 206 projetos de lei apresentados por Prado durante seus primeiros doze anos na Alesp, 184 tratavam de denominação de vias, criação de datas comemorativas ou classificações turísticas. Entre suas proposições que se tornaram lei está o Projeto de Lei nº 942/2011, convertido na Lei estadual nº 15.301/2014, que proibiu a fabricação, venda e comercialização de armas de fogo de brinquedo no estado.
Articulações partidárias entre 2010 e 2014 Na eleição presidencial de 2010, o PR integrou formalmente a coligação Para o Brasil Seguir Mudando, encabeçada por Dilma Rousseff (PT). A composição registrada no Tribunal Superior Eleitoral reunia PT, PRB, PDT, PMDB, PTN, PSC, PR, PTC, PSB e PCdoB. No mesmo pleito, a própria candidatura de Prado a deputado estadual estava numa coligação proporcional que incluía o PT.
Em 2012, durante as negociações para a eleição municipal de São Paulo, Prado participou das articulações do PR com partidos adversários do PT. Segundo a Folha de S.Paulo, uma reunião entre o presidente nacional do PR, Valdemar Costa Neto, e o então governador Geraldo Alckmin para discutir possível apoio do partido a José Serra foi solicitada por Prado em nome de Valdemar. Dias depois, Prado participou, ao lado de Valdemar e outros dirigentes do PR, de reunião com Fernando Haddad (PT), na qual a direção partidária manifestou resistência a apoiar o candidato petista.
Em 2014, Prado e o então presidente estadual do PR, José Tadeu Candelária, assumiram as negociações da legenda em São Paulo. Em maio, ambos mantinham conversas sobre uma composição com Alckmin, enquanto as negociações com o PT haviam esfriado. No mês seguinte, porém, o PR paulista decidiu integrar a aliança de Alexandre Padilha (PT) ao governo do estado. Na disputa presidencial do mesmo ano, o PR integrou a coligação Com a Força do Povo, que lançou Dilma Rousseff à reeleição, ao lado de PT, PMDB, PSD, PP, PROS, PDT, PCdoB e PRB.
Relação com Valdemar Costa Neto Prado é filiado à legenda comandada nacionalmente por Valdemar Costa Neto desde o início de sua carreira política, em 1992, e passou a ocupar funções de direção na estrutura estadual do partido a partir de 2009. Em perfis publicados em 2024 e 2025, a Folha de S.Paulo o descreveu como braço direito, pupilo e um dos aliados mais fiéis de Valdemar em São Paulo.
A relação também aparece em episódios de articulação partidária. Além da negociação de 2012 solicitada por Prado em nome de Valdemar, durante o segundo turno das eleições estaduais de 2022 Valdemar pediu publicamente a Tarcísio de Freitas que apoiasse Prado para a presidência da Alesp, segundo a Folha.
Em fevereiro de 2026, a Alesp concedeu a Valdemar o Colar de Honra ao Mérito Legislativo do Estado de São Paulo em cerimônia organizada por iniciativa de Prado. No evento, Prado afirmou que Valdemar teve participação no início de sua vida pública em 1992 e manifestou gratidão pela relação política construída desde então.
Presidência da Assembleia Legislativa Em 15 de março de 2023, Prado foi eleito presidente da Alesp para o biênio 2023–2025, com 89 votos, contra cinco recebidos por Carlos Giannazi (PSOL). Sua eleição reuniu apoio de partidos da base governista e da oposição; o primeiro-secretário eleito na mesma Mesa foi Teonilio Barba, do PT, e o segundo-secretário, Rogério Nogueira, do PSDB.
Privatização da Sabesp Prado presidiu a Alesp durante a tramitação do projeto que autorizou a desestatização da Sabesp, prioridade do governo Tarcísio. Em 6 de dezembro de 2023, durante a sessão de votação, houve confronto entre manifestantes contrários ao projeto e a Polícia Militar nas dependências da Assembleia. Prado suspendeu a sessão, e as galerias foram esvaziadas. Os trabalhos foram posteriormente retomados; deputados da oposição não participaram da votação final, e o projeto foi aprovado por 62 votos a um.
Mudança constitucional e reeleição Em 2024, a Assembleia aprovou uma alteração na Constituição paulista que permitiu a reeleição dos membros da Mesa Diretora para um segundo mandato consecutivo no mesmo cargo, vedando apenas uma terceira recondução consecutiva. A Emenda Constitucional nº 54 foi promulgada em 29 de outubro de 2024 com Prado na presidência da Casa.
A mudança abriu caminho para a recondução de Prado. Segundo a Folha de S.Paulo, a proposta foi aprovada por aclamação em pouco mais de um minuto após acordo entre as bancadas, com manifestação contrária do PSOL. Parlamentares críticos, tanto à esquerda como à direita, também acusavam a Alesp sob sua presidência de atuar com excessiva proximidade ao Executivo estadual. Prado rejeitou essa avaliação e afirmou que a Assembleia mantinha independência em relação ao governo e que a mudança sobre a Mesa havia sido discutida durante cerca de seis meses.
Em 15 de março de 2025, Prado foi reeleito presidente por 88 votos; Paula da Bancada Feminista (PSOL) recebeu quatro votos.
Eleições de 2026 Em 2026, Prado registrou candidatura ao Senado por São Paulo pelo PL, com o número 222, tendo Fernando Godoy e Rute Costa como primeiro e segundo suplentes.
Em setembro, a Justiça Eleitoral determinou a suspensão e proibiu a reexibição de uma inserção televisiva de sua campanha que utilizava reiteradamente a imagem, o nome e o slogan de Tarcísio de Freitas. Em decisão liminar, a juíza auxiliar da propaganda eleitoral entendeu que a participação do governador ultrapassava o limite de 25% do tempo permitido a apoiadores nas peças de propaganda e fixou multa de R$ 10 mil por eventual reexibição. A assessoria de Prado informou que ele não se pronunciaria sobre a decisão.
Controvérsias
Contrato de locação de veículos em Guararema Em junho de 2007, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) julgou irregulares a Concorrência nº 007/2005 e o contrato de R$ 1.127.068,53 firmado pela Prefeitura de Guararema com a Júlio Simões Transportes e Serviços Ltda. para locação de veículos e gestão da manutenção da frota. Prado, então prefeito, havia homologado a licitação e assinado o contrato. A Segunda Câmara do tribunal aplicou-lhe multa de 300 Unidades Fiscais do Estado de São Paulo (Ufesp).
Em setembro de 2008, o Plenário do TCE-SP deu provimento parcial ao recurso da Prefeitura e de Prado. O tribunal afastou parte das falhas consideradas formais ou esclarecidas e revogou a multa, mas manteve, nos demais pontos, a decisão que havia julgado irregulares a concorrência e o contrato.
Contrato de transporte escolar Outro processo do TCE-SP envolveu contrato da Prefeitura de Guararema com a Cooper Ativa Cooperativa de Trabalho dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Cargas e Passageiros para transporte de alunos da Apae, do ensino fundamental e da educação infantil. A Segunda Câmara julgou irregulares a concorrência e o contrato, considerou ilegais os atos de despesa e aplicou a Prado multa de 100 Ufesp; a decisão foi confirmada em grau de recurso. Em 2017, o Plenário não conheceu da ação rescisória apresentada por Prado, por considerar que ele não tinha legitimidade para propô-la.
Publicidade municipal e ação de improbidade O TCE-SP também considerou irregulares atos relativos a um contrato da Prefeitura com a Regional Propaganda e Marketing Ltda. para serviços de publicidade e marketing. Em fevereiro de 2014, o Plenário negou recurso da Prefeitura e de Prado contra decisão que havia julgado irregulares o quarto, quinto, sexto e sétimo termos de rerratificação; o tribunal registrou ainda que a concorrência, o contrato e aditamentos anteriores já haviam sido considerados irregulares.
Em ação judicial de improbidade relacionada à renovação de contratos de publicidade originados na administração municipal anterior, Prado foi condenado em primeira instância. A condenação foi posteriormente anulada em recurso.
Nomeação de Renato Bolsonaro Entre 2013 e 2016, Renato Bolsonaro, irmão de Jair Bolsonaro, ocupou cargo de assessor especial parlamentar no gabinete de Prado na Alesp, com remuneração mensal superior a R$ 17 mil. Em abril de 2016, reportagem do SBT Brasil afirmou que Renato não comparecia regularmente à Assembleia e trabalhava em seus estabelecimentos comerciais em Miracatu. Ele foi exonerado do cargo no mesmo dia em que a reportagem foi exibida.
Prado negou que Renato fosse funcionário fantasma e afirmou que o assessor exercia atividades políticas na região do Vale do Ribeira, sem necessidade de permanecer diariamente na sede da Assembleia. O caso foi analisado pelo Ministério Público de São Paulo e arquivado em 2017. Segundo reportagens posteriores, o promotor responsável concluiu que a ausência física de Renato na Alesp não impedia o exercício das funções inerentes ao cargo; não houve acusação formal contra ele.
Referências
Ligações externas
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