O golpe de Estado na Tunísia em 1987 envolveu a deposição não violenta do presidente da Tunísia, Habib Bourguiba, em 7 de novembro de 1987, e sua substituição como presidente pelo seu primeiro-ministro recém-nomeado, Zine El Abidine Ben Ali. A ação foi justificada por referência aos problemas de saúde de Bourgiba e ao Artigo 57 da Constituição do país. Relatórios posteriores surgiram indicando que os serviços de inteligência italianos estariam envolvidos no planejamento.
Eventos Durante a noite de 6 de novembro de 1987 um grupo de sete médicos assinaram um relatório médico atestando a incapacidade mental de Bourguiba. O jornalista político Mezri Haddad resumiu o relatório da seguinte forma:
Em justificação ao golpe Zine El Abidine Ben Ali invocou o Artigo 57 da constituição, quando assumiu o poder. Ascendeu rapidamente, portanto, não apenas como presidente constitucional, mas também como comandante-em-chefe do exército. Os jornalistas Nicolas Beau e Jean-Pierre Tuquoi resumiram as circunstâncias nas quais foram obtidos os pareceres médicos necessários:
No dia seguinte, o novo presidente dirigiu-se à nação na Radio Tunis. Ele homenageou os enormes sacrifícios que seu predecessor fez, apoiados por homens corajosos, em seu serviço à libertação e ao desenvolvimento da Tunísia. Ao mesmo tempo, Ben Ali aproveitou a oportunidade para fazer uma declaração: "Nos tempos em que vivemos, já não se pode mais tolerar presidências vitalícias ou a sucessão automática do chefe de Estado, sob um sistema do qual as pessoas são excluídas. O nosso povo merece uma política moderna, baseada num sistema genuinamente multipartidário que incorpore uma pluralidade de organizações de massas". A ação foi posteriormente justificada pelo fato de que os movimentos fundamentalistas estavam preparando seu próprio golpe de Estado e haviam preparado uma lista de alvos de assassinato em conexão com seus planos. Michael Collins Dunn, Renaissance or radicalism ? Political islam. The case of Tunisia's al-Nahda, éd. International Estimate, Washington D.C., 1992
Consequências Ben Ali assumiu o controle do Partido Socialista Destouriano, rebatizou-o e transformou-o no Reagrupamento Constitucional Democrático. As eleições prometidas ocorreram em 1989 e foram vencidas pelo novo partido. Em princípio, Ben Ali seguiu políticas semelhantes as de Bourgiba, posicionando-se como o sucessor espiritual de seu predecessor destituído. Ele permaneceu no poder por 23 anos, até 2011, quando foi deposto na Revolução Tunisiana.
Ce jour-là : le 7 novembre 1987, le coup d’État « médical » de Ben Ali - Jeune Afrique
Notas
Categoria:História da Tunísia Categoria:Política da Tunísia 1987 Categoria:Conflitos em 1987