miniaturadaimagem|Paulo Gavarni, Le Flâneur, 1842 Flâneur (), do substantivo francês flâneur, significa "errante", "vadio", "caminhante" ou "observador". Flânerie é o ato de passear. Flâneur é um quase-sinônimo de 'boulevardier'''.
O flâneur era, antes de tudo, um tipo literário do século XIX, na França, essencial para qualquer imagem das ruas de Paris. A palavra carregava um conjunto rico de significados correlatos: o homem do lazer, o malandro, o explorador urbano, o conhecedor da rua. Foi Walter Benjamin, baseando-se na poesia de Charles Baudelaire, que fez dessa figura um objeto de interesse acadêmico no século XX, como um emblemático arquétipo da experiência moderna.Gregory Shaya, "The Flâneur, the Badaud, and the Making of a Mass Public in France, circa 1860–1910", American Historical Review 109 (2004), par 10. Seguindo Benjamin, o flâneur tornou-se um símbolo importante para estudiosos, artistas e escritores.
Etimologia miniaturadaimagem|Charles Baudelaire Os termos associados à flânerie datam do séculos XVI ou XVII, denotando passear ou vagabundear, em marcha lenta, muitas vezes, com a conotação de gastar tempo. Mas foi no século XIX que um rico conjunto de significados e definições que cercam a noção do flâneur foi criado.Turcot, Laurent (2008). Le promeneur à Paris au XVIIIe siècle. Paris: Gallimard. pp. 10–43. ISBN 2070783669.
O flâneur foi definido em um longo artigo no Grand dictionnaire universel du XIXe siècle (no 8º volume, 1872). Lá, o flâneur foi descrito em termos ambivalentes, tanto como curiosidade quanto preguiça, e apresentou-se uma taxonomia de flânerie: flâneurs das avenidas, dos parques, das arcadas, de cafés, além dos flâneurs estúpidos e inteligentes."Grand dictionnaire universel", vol. 8, v. flâneur e flânerie.
Depois disso, o termo assumiu um rico conjunto de significados. Sainte-Beuve escreveu que flâner "é o oposto de não fazer nada". Honoré de Balzac descreveu a flânerie como "a gastronomia do olho".Flâneurs and the "Gastronomy of the Eye" em Future Lab Anaïs Bazin, escreveu que "o único, o verdadeiro soberano de Paris é o flâneur". Victor Fournel, no Ce qu'on voit dans les rues de Paris (O que se vê nas ruas de Paris, 1867), dedicou um capítulo à "arte da flânerie". Para Fournel, não havia nada de preguiça flânerie. Era, sim, uma maneira de compreender a rica variedade da paisagem da cidade.Victor Fournel, Ce qu'on voit dans les rues de Paris, p. 268.
Na década de 1860, no meio da reconstrução de Paris, sob Napoleão III e o Barão Haussmann, Charles Baudelaire apresentou um memorável retrato do flâneur como o artista-poeta da metrópole moderna:Baseando-se em Fournel e em sua análise da poesia de Baudelaire, Walter Benjamin descreveu o flâneur como a figura essencial do espectador urbano moderno, um detetive amador e investigador da cidade. Mais do que isso, seu flâneur era um sinal da alienação da cidade e do capitalismo. Para Benjamin, o flâneur'' , conheceu o seu fim com o triunfo do capitalismo de consumo.Walter Benjamin, Charles Baudelaire: A Lyric Poet in the Era of High Capitalism.
Referências
Categoria:Palavras, frases e expressões em francês Categoria:Comportamento humano Categoria:Psicogeografia