A Batalha de Megido foi um combate travado no entre as forças egípcias do faraó e uma coalizão rebelde cananita liderada pelo rei de Cades.Cline 2000 p. 16-17 Esta é a mais antiga batalha com registros históricos fidedignos, ou seja, com fontes arqueológicas e histerográficas detalhadas, que é aceita e reconhecida pelos historiadores como autêntica. Foi também em Megido que o uso do arco composto foi registrado primeira vez.Trevor N. Dupuy, Evolution of Weapons and Warfare. Todos os detalhes desta batalha vêm de fontes egípcias primordialmente escritas em hieróglifos nas muralhas de Anais no Templo de Amom-Rá, em Carnaque, Tebas (agora Luxor), primordialmente pelo escrivão militar Tjaneni.Nelson, Harold Hayden (1913), The Battle of Megiddo, Universidade de Chicago; see also Keegan, John (1993), The History of Warfare. Key Porter Books. ISBN 1-55013-289-X

Os relatos dos egípcios colocam a data da batalha no 21.º dia do primeiro mês da terceira temporada do ano 23 do reinado do faraó Tutemés III. Estimativas colocam a data em 16 de abril de , de acordo com a cronologia média, embora algumas publicações coloquem a data desta batalha em ou em O motivo da rebelião teria sido a impaciência dos cananitas e seus aliados da interminável regência de Hatexepsute. O rei de Cades liderou então a maioria das tribos da Síria para lutar contra o Egito. Tutemés III agiu rápido, mobilizou suas tropas e se lançou contra as forças inimigas. A Batalha de Megido resultou numa importante vitória egípcia e acabou com a destruição da rebelião cananita, cujas forças remanescentes fugiram para a cidade de Megido.Cline 2000 p. 21 Foi seguido então por um prolongado cerco de sete meses que terminou na rendição final dos rebeldes. Outras cidades na região do vale de Jizreel também se submeteram a autoridade egípcia.Cline 2000 p. 22

Ao restabelecer o domínio egípcio na região do Levante, o faraó Tutemés III começou o reinado do novo Império Egípcio que alcançou sua máxima expansão territorial.Paul K. Davis (1999). 100 Decisive Battles from Ancient Times to the Present: The World’s Major Battles and How They Shaped History. Oxford: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-514366-9.

Anais de Tutemés III Essa batalha se tornou a primeira imagem clara da história militar por intermédio do escriba pessoal do faraó, Tjaneni.

Os anais descrevem, em detalhes, 14 campanhas lideradas pelo faraó no Levante, o saque obtido através de sua campanha, o tributo recebido de regiões conquistadas e, finalmente, oferendas a Amon-Rá. A sequência de representações indica a crença do Novo Reino sobre as interações dos deuses com a guerra: elogios e oferendas às divindades em troca de sua ajuda divina nos conflitos.

Além disso, os anais mostram os efeitos duradouros da batalha de Megido. Após a vitória de Tutemés e de suas campanhas bem-sucedidas no Levante durante os próximos 20 anos, a ascensão da influência do Egito na política externa e de sua evolução em potência imperialista são evidentes nos anais. Representações mostram a diplomacia internacional através da doação de presentes da Babilônia, do Império Hitita, e de outras regiões proeminentes e poderosas durante esse período.

Antecedentes Tutemés III foi filho e sucessor de Tutemés II (1492-1479 a.C.), mas quando seu pai morreu, ele tinha apenas três anos e, portanto, sua madrasta, Hatexepsute (1479-1458 a.C.), manteve o trono como regente. Logo depois de assumir essa posição, Hatexepsute rompeu com a tradição e assumiu o poder. Tutemés III passou a juventude na corte de Tebas, em treinamento militar, buscando o tipo de educação esperado para um príncipe do Império Novo.

Após seus primeiros anos como faraó, Hatexepsute não organizou grandes campanhas militares, mas manteve suas forças com o máximo de eficiência e, quando ele se mostrou capaz, promoveu Tutemés III a comandante das tropas. Ela era uma das monarcas mais poderosas, engenhosas e eficientes da história do Egito e, quando faleceu, deixou ao jovem príncipe um país próspero com uma força de combate bem organizada e altamente treinada. Tutemés III chegou ao trono no momento em que o Egito controlava grandes áreas do Levante. No início de seu reinado, porém, ele se viu diante de uma revolta na região baseada na atual Síria.

O principal inimigo do Egito era uma aliança das cidades-estado cananitas, liderada pelo Reino de Cades. Com a morte da rainha-faraó, Durusa, rei de Cades, tentou tirar proveito da desorganização causada pelo fim da corregência para afirmar seu poder na tentativa de livrar as tribos cananitas da influência egípcia. Na verdade, era bastante comum no mundo antigo os estados vassalos se rebelarem contra um novo governante a fim de aproveitar a transição do poder para conquistar independência. Dessa forma, Cades, Mitani e as outras cidades-estados cananitas, incluindo Megido, formaram um exército combinado sob a liderança de Durusa e embarcaram em uma operação militar contra Tutemés. As forças se reuniram no final de 1458 ou no início de 1457 a.C fora da fortaleza de Megido, a qual era estrategicamente vital, controlando a principal rota comercial entre o Egito e a Mesopotâmia, agora conhecida como Via Maris.

No entanto, devido à natureza do reino cananita, havia desunião crônica de comando. O Estado dos cananeus era dividido em muitos reinos e cidades-estados menores, sob reis ou príncipes que governavam suas próprias jurisdições e que forjavam acordos diplomáticos e comerciais entre si conforme as circunstâncias.

Marcha para Megido Tutemés III não perdeu tempo em mobilizar suas forças e marchar de Tebas em direção a Megido. Como muitos governantes antigos, Tutemés III assumiu o comando pessoal de suas forças. Reuniu um exército de dez a vinte mil homens, composto por infantaria e carros de guerra, na fortaleza fronteiriça de Tjaru.

Ao todo, o exército percorreu 241 km em 10 dias e descansou em Gaza antes de seguir para a cidade de Jeém, onde o faraó convocou um conselho de guerra. Havia três estradas que podiam-se tomar da cidade vizinha de Aruna para chegar a Megido: uma passagem estreita que exigiria que o exército marchasse em fila única e duas outras estradas mais amplas que permitiriam movimentos mais rápidos e fáceis. Os generais alegaram que tinham informações de que o inimigo os esperava no final do desfiladeiro estreito e, além disso, o progresso seria lento e difícil, com a vanguarda chegando ao local da batalha enquanto a retaguarda ainda estivesse em marcha.

Tutemés III ouviu os conselhos, mas os rejeitou. Segundo o registro de seu escriba militar Tjaneni, ele encorajou sua equipe sênior e todo o exército a marchar rapidamente pela estrada estreita e assegurou-lhes que ele próprio lideraria a vanguarda, dizendo: "Não deixarei meu exército vitorioso avançar à frente de minha majestade neste lugar!". Logo, as carruagens e as carroças foram desmontadas e transportadas, e os homens conduziram os cavalos em fila única pela passagem. Assim, escolhendo a mais direta, mas também a mais perigosa das três rotas disponíveis, Tutemés avançou sobre Aruna (atual Uádi Uara), atingindo o rio Quina ao sul de Megido após uma marcha de 24 dias sem encontrar oposição. A inteligência dos generais havia falhado.

Composição dos exércitos O exército das décima sétima e décima oitava dinastias do Egito era muito diferente das anteriores. Anteriormente, o armamento consistia em uma arma de ataque e um escudo pesado como defesa. Por sua vez, as novas dinastias adotaram novas armas e estratégias após a ocupação dos hicsos, e o papel dos militares na sociedade egípcia mudou. A duração e a complexidade das campanhas militares aumentaram e, com isso, o uso de recrutas se tornou impraticável. Sendo assim, o desenvolvimento de um exército profissional tornou-se necessário. A princípio, a nobreza assumiu o papel de oficiais e das carruagens de combate, com o rei lutando entre eles, geralmente em ordem estreita. Muitas tropas especializadas surgiriam, como sapadores com aríetes e escadas, escavadores de trincheiras, arqueiros núbios e tropas de choque cuxitas.

Como esse novo aparato militar não possuía as tradições arraigadas como as de outras instituições, era relativamente fácil para um soldado egípcio comum ascender na carreira. Por exemplo, um combatente talentoso ou corajoso poderia mobilizar-se entre outros segmentos da sociedade e assumir uma posição prestigiosa por causa de lotes de terra e escravos concedidos a ele pelo faraó. Isso, pois, resultou na evolução de uma nobreza e de um corpo de oficiais. Além do mais, outra consequência foi que vários comandantes do exército tornar-se-iam faraós, e muitos destes se cercaram de oficiais cuja lealdade e auto-sacrifício haviam sido testemunhados em batalha. Surgiu uma elite de guarda-costas reais, ora atraídos pelo exército egípcio, ora pelas tropas de elite dos povos conquistados, como os núbios.

Ademais, o crescente uso de milícias e de mercenários também caracterizou esse período. Tais unidades, consistindo principalmente de jônicos, carianos, judeus, arameus e fenícios, eram destacadas quando as forças regulares do exército eram consideradas não confiáveis. As tropas mercenárias eram comandadas por comandantes estrangeiros, geralmente de um grupo étnico diferente, mas ainda havia um sentimento de lealdade aos oficiais e uns aos outros, o que era, e ainda é, essencial para um exército no campo de batalha.

O exército cananita era formado principalmente por homens das classes altas, que começavam seu treinamento em uma idade muito jovem e provinham principalmente de famílias de guerreiros. Eles gozavam de muito prestígio e estavam bem armados com lança, espada e escudo, altamente habilidosos no uso dessas armas. Às vezes, eram treinados por seus pais, que geralmente eram soldados ou veteranos. Os oficiais de alto escalão, chamados moares, encontravam-se principalmente estacionados em fortificações no topo das colinas e eram chamados apenas para o combate real, normalmente atuando em um papel defensivo em nome do rei nos momentos de necessidade. Na maior parte das vezes, tanto unidades de infantaria quanto de bigas eram comandadas por oficiais de patente intermediária chamados muru-u.

A infantaria carregava lanças e era menos bem treinada que o corpo de oficiais. Por sua vez, os condutores das bigas usavam armaduras de bronze e dardos. Havia um corpo de elite chamado de "Bando Sagrado" o qual era fortemente blindado e que portava longas lanças e escudos redondos. Outrossim, eram assim chamados porque eles se dedicavam aos deuses e muitas vezes carregavam ilustrações estampadas com os símbolos dos deuses em batalha. Eles eram geralmente soldados de infantaria, embora alguns pareçam ter sido montados. Assim como eram treinados ferozmente, foram muito temidos por seus inimigos.

O rei também mantinha guarda-costas pessoais altamente treinados, chamados mara-u. Além disso, havia fileiras compostas por guerreiros tribais e mercenários aliados. Essas forças eram utilizadas de acordo com seus próprios talentos especializados e eram levadas à batalha por um oficial de alto escalão. Por fim, existiam os arqueiros, que geralmente eram dispostos em formações separadas e cerradas.

Tanto a infantaria egípcia quanto a cananita geralmente lutavam em formação compacta com espadas ou lanças. Nos dois exércitos, mercenários e infantaria tribal eram geralmente posicionadas na linha de frente para suportar o impacto do ataque inimigo. As bigas eram usadas em uma carga inicial contra as carruagens inimigas, e eram frequentemente colocadas no centro, embora em várias ocasiões já estiveram dispostas na frente do exército para serem usadas em uma carga frontal contra a infantaria inimiga. Arqueiros também eram colocados nos flancos, sendo usados ​​contra a infantaria, tanto durante o avanço inicial quanto no decorrer da luta corpo a corpo. Costumavam permanecer na retaguarda para atirar acima de seus próprios homens.

Batalha e cerco