|} O Sistema Automático de Transporte Urbano de Oeiras (SATU, SATUO ou SATUOeiras) Estas três denominações podem ser constatadas em documentos emanados da (ou citados pela) própria Câmara Municipal de Oeiras: Uma procura efectuada a 2008.06.26 devolveu "SATU", "SATUO", e "SATUOeiras". foi um sistema de transporte urbano de passageiros — uma ferrovia tracionada por cabo, sem tripulação, instalada em Paço de Arcos, no concelho de Oeiras, em Portugal. Funcionou entre 2004 e 2015.
Foi inaugurado em 7 de junho de 2004 e percorria pouco mais de um quilómetro, ligando “Navegantes”, na estação ferroviária de Paço de Arcos (Linha de Cascais), a “Forum” — no Centro Comercial Oeiras Parque. Esteve previsto seu prolongamento para norte até à estação ferroviária de Agualva-Cacém (Linha de Sintra).
História thumb|left|Viaduto, carro e estação “Tapada”. Planeamento e construção O programa do SATU foi lançado durante a primeira presidência municipal de Isaltino Morais em Oeiras, tendo sido concluído durante o mandato de Teresa Zambujo, em 2004. Este resultou de uma parceria entre a Câmara Municipal Oeiras e a empresa Teixeira Duarte. Foi então criada a SATUOEIRAS - Sistema Automático de Transporte Urbano, E.M., detida a 51% pela Câmara Municipal de Oeiras sendo os restantes 49% detidos pela Teixeira Duarte. O investimento envolvido para a construção da 1.ª fase envolveu cerca de 23 milhões de euros.
Operação (2004-2015)
As vantagens do sistema não evitaram a formulação de críticas e processos judiciais por parte dos moradores do bairro da Tapada do Mocho, motivadas pelo ruído por este emitido, bem como pelo facto de a linha estar junto a janelas, rente a edifícios de habitação preexistentes, referindo também a sombra criada sobre os edifícios e a perda de vistas para o mar, e ainda a destruição de espaços verdes e praga de pombos que usam a estação como refúgio.Protestos dos moradores da Tapada do Mocho, RTP
Em 2007 os proveitos operacionais da SATUOEIRAS - Sistema Automático de Transporte Urbano, E.M. foram de 243 mil euros, registando-se um aumento de 19% no número de utentes e 14% nas receitas.
Os presidentes das câmaras municipais de Oeiras e de Sintra assinaram um protocolo de cooperação em julho de 2009, declarando que contam negociar com o Banco Europeu de Investimento, recorrer a fundos comunitários e solicitar apoio estatal para financiar a ligação dos dois concelhos pelo SATU. Segundo declarações ao Diário de Notícias:
Isaltino Morais arrisca que «a ligação ao Lagoas Park faz-se num ano e pouco e que havendo projectos e financiamento, em cinco ou seis anos chega ao Cacém». Já Fernando Seara diz esperar que o protocolo «tenha êxito nos próximos 10 anos».
Em 2010, noticiou-se que a Refer havia anteriomente estado interessada no projeto, que ligaria duas das suas estações, tendo mesmo reservado terrenos junto a — mas que este interesse entretanto esmorecera.Miguel : “O fiasco do Satu e a fuga para a frente da Câmara de Oeiras” Bloco Oeiras 2010.07.20
Encerramento thumb|upright|left|Carro e aspecto do trilho do SATUOeiras. Nos termos de legislação aprovada em 2012, as empresas municipais que apresentem prejuízos durante três anos consecutivos devem ser extintas: A 18 de outubro de 2014 foi anunciado que a empresa municipal SATUOeiras seria alvo de «dissolução oficiosa» por decisão do Ministério das Finanças de 29 de agosto desse ano, devido à «verificação de três das quatro situações de natureza financeira que implicam a dissolução obrigatória das empresas muncipais», inviabillizando, assim, a proposta e o financiamento do projecto de extensão da rede até à estação ferroviária do Cacém, aprovados pela Câmara de Oeiras a 25 de julho de 2013.
thumb|right|Carruagem do SATU, junto à estação “Navegantes”. Devido a prejuízos acumulados, a suspensão do serviço começou a ser equacionada em outubro de 2014 e a sua extinção foi anunciada em abril de 2015, com efeitos a partir de 31 de maio desse ano, data em que foi dissolvida a empresa municipal que operava o serviço.SATU de Oeiras fará a última viagem a 31 de Maio, Público, 9 de abril de 2015. Vista em 9 de abril de 2015. Os prejuízos acumulados, segundo a C.M.O., passaram à responsabilidade «do parceiro privado» (a Teixeira Duarte).
Não se sabe que destino será dado às infra-estruturas. Estas permanecem, mas estão trancadas, fechadas, e portanto, abandonadas, nomeadamente com «instalações abandonadas, vandalizadas, cabos de cobre retirados», à data de abril de 2018.
Possível reabertura No âmbito das eleições autárquicas de 2017, o autarca Paulo Vistas (em fim de mandato e recandidatando-se) declarou que reativar o SATU seria criar um «buraco sem fundo»;“Paulo Vistas alerta que reativar SATU é criar "buraco sem fundo"” 2017.09.26 já Isaltino Morais, que lançara o projeto em 2004 e viria a ser reeleito em outubro de 2017, afirmou em abril que, se fosse eleito, o SATU seria «mesmo para acabar de construir», pressupondo assim a reabertura.Patrícia Martins CARVALHO “"Se estivesse satisfeito com Paulo Vistas não me candidatava"” 2017.04.21 NoticiasAoMinuto.COM. (entrevista) Depois de eleito presidente da Câmara Municipal de Oeiras, em 2017, Isaltino Morais decidiu não reabrir o equipamento nos mesmos moldes daquele que chegou a existir entre 2004 e 2015, admitindo, em sua substituição, a criação de um sistema de metrobus (autocarros elétricos rápidos), no mesmo percurso, entre Paço de Arcos e o Cacém, tal como previsto no plano de transportes da Área Metropolitana de Lisboa, mas sem prazo previsto de concretização.OEIRAS VAI RECUPERAR SATU E TER METRO LIGEIRO, Olhares de Lisboa 07.08.2020Isaltino Morais: “O PDM pretende impedir que Oeiras continue a crescer”, Jornal Económico 27.08.2021
Em Março de 2024, a vereadora da mobilidade na Câmara Municipal de Oeiras, Joana Baptista, anunciou que a autarquia estava a planear a reabertura do SATU e ao seu prolongamento até aos concelhos vizinhos de Cascais e Sintra, e aos parques empresariais da Quinta da Fonte, Lagoas Park e Taguspark. De acordo com a vereadora, o sistema iria ser prolongado até à estação do Cacém, passando pelos três parques empresariais, ligando desta forma as linhas ferroviárias de Cascais e Sintra. Estas intervenções estavam integradas no programa de mobilidade urbana sustentável e de acessibilidade do concelho de Oeiras, no âmbito do qual foi igualmente planeada a instalação de uma rede de eléctricos modernos entre Algés e a Falagueira, no concelho da Amadora, e de um sistema de autocarros de trânsito rápido entre Queijas e Carnaxide.
Rede e expansões thumb|right|Carruagem e viaduto do SATUOeiras. A rede estendia-se desde o centro histórico de Paço de Arcos (Estação “Navegantes”) até ao centro comercial Oeiras Parque (Estação “Forum”) passando pelo bairro da Tapada do Mocho (Estação “Tapada”).
Uma 2.ª fase, prevista desde a construção, previa o prolongamento até ao Lagoas Park em Porto Salvo. Em sucessivos adiamentos e reformulações, este acrescento manteve-se sem alterações no projeto.
A 3.ª fase atingiria o TagusPark, com as estações intermédias de Penalvas (designada por Campo da Bola em versões anteriores do projeto), Ermida, Mercado, Leião, e Santa Bárbara.
A 4.ª fase, levaria a linha do SATU até ao Cacém, possibilitando assim ligação entre a Linha de Sintra e a Linha de Cascais — um objetivo último frequentemente ventilado desde o início do projeto. As novas estações intermédias seriam Católica e Casal do Cotão, a construir no prolongamento a partir do TagusPark. Esta fase contemplava, desde 2013, um ramal com término em São Marcos e uma estação intermédia, Cabanas, que se inseriria na linha principal à esquerda à saída da estação “Católica”, no sentido oriundo do Cacém.
Horário
O SATU funcionava todos os dias, das 08:00 às 00:30. A frequência máxima de passagem era de quatro minutos (com toda a frota de carruagens a circular ininterruptamente) mas nas horas de menos movimento as carruagens podem imobilizar-se passando a reagir por “chamada” (como um elevador) assim que fosse franqueada entrada a passageiros.
Características técnicas thumb|left|Viaduto que se estende até Paço de Arcos.
Circulavam duas cabinas não-motorizadas, sem tripulação, com capacidade para 106 passageiros cada, ligadas a um cabo sem-fim traccionado centralmente (motor eléctrico na estação-base, “Navegantes”) e apoiadas sobre um trilho de dois carris num leito instalado sobre um viaduto de betão, atingindo uma velocidade máxima de 40 km/h. A linha era de via única, cruzando-se as cabinas nas paragens (de ambos os lados da respectiva plataforma central), que eram antecedidas e precedidas de entroncamentos em "Y". Tecnicamente designado por um sistema APM (automatic people mover, transporte hectométrico), pode ser considerado como um teleférico sobre carris.
Bilhética thumb|right|Bilhete: frente, mostrando logótipo. thumb|right|Bilhete: verso, mostrando diagrama da linha (fases 1.ª e 2.ª). O título de transporte válido a bordo do SATU era exclusivo, não participando dos acordos respeitantes aos passes sociais da região de Lisboa.
Tarifário 1,15 € - bilhete de ida, válido no dia da aquisição. 1,65 € - bilhete de ida e volta, válido no dia da aquisição. 2,85 € - bilhete sem limite de viagens, válido no dia da aquisição. 6,15 € - bilhete de 10 viagens, válido por 90 dias (para utilização individual em diferido ou simultânea em grupo). 10,25 € - bilhete de 20 viagens, válido por 90 dias (idem).
Na primeira aquisição, ao valor da tarifa acrescia o custo do cartão recarregável (0,50 €): «O cartão é recarregável, não o deite fora!»
O tarifário do SATU assentava nos seguintes pressupostos:
Os bilhetes de ida, ida e volta e 1 dia eram mais apropriados para serem adquiridos por passageiros ocasionais, sendo estes utilizados quando se viaja no SATU uma única vez ou menos que 2 a 3 vezes por mês. Os bilhetes de 10 e 20 viagens eram mais apropriados para serem adquiridos por passageiros frequentes, sendo estes, utilizados quando se viaja no SATU pelo menos 1 ou 2 vezes por semana, ficando o custo unitário de cada viagem aproximadamente a 0,62 € e 0,51 € respectivamente.
Ver também Funiculares e elevadores de Portugal
Ligações externas Informações úteis sobre o SATU Regulamento de utilização (documento em .pdf)
Categoria:Transportes da Área Metropolitana de Lisboa Categoria:Transportes em Oeiras (Portugal) Categoria:Transportes no distrito de Lisboa Categoria:Oeiras (Portugal) Categoria:Empresas de transportes extintas de Portugal Categoria:Empresas fundadas em 2004 Categoria:Fundações em Portugal em 2004 Categoria:Empresas extintas em 2015 Categoria:Extinções em Portugal em 2015