Prettos é uma dupla de samba brasileira formada em São Paulo, em 2014, pelos irmãos Magnu Sousá e Maurílio de Oliveira. O duo foi formalizado logo após a dissolução do grupo musical Quinteto em Branco e Preto, no qual os irmãos permaneceram em atividade primária por 18 anos. Ainda integrando o Quinteto, foram vencedores do 24.º Prêmio da Música Brasileira (2013) em um feito estatístico inédito na premiação: concorreram na mesma categoria com dois álbuns por eles produzidos, Quinteto (2012) e Comunidade Samba da Vela (2012).
Os irmãos Oliveira acumulam mais de três décadas de atuação ininterrupta na música brasileira. Ao longo de suas trajetórias, operaram como instrumentistas, arranjadores e parceiros de palco de diversos artistas históricos do samba e da MPB, incluindo Beth Carvalho, Maria Rita, João Nogueira, Nelson Sargento, Monarco, Paulinho da Viola e Diogo Nogueira.
Como compositores, possuem obras fonográficas registradas por intérpretes de projeção nacional. Maria Rita gravou "No meio do salão"; Beth Carvalho gravou "Melhor pra nós dois" e "A comunidade chora"; e Alcione registrou faixas como "Xequeré", "Primo do Jazz" e "Laguidibá". A dupla também assinou a produção executiva e musical do 46.º álbum de Jair Rodrigues, intitulado Jair Rodrigues em Branco e Preto.
Origens e formação Magnu Sousá e Maurílio de Oliveira nasceram em uma família com ligações diretas ao ambiente musical. O pai, Gilberto Alves de Souza (conhecido pelo nome artístico Xique-Xique), atuou como músico, ritmista e compositor. A mãe, Antonia Barbosa de Oliveira (Tonia Xique), trabalhou profissionalmente como cantora de estúdio na cidade de São Paulo, tendo gravado um disco compacto em 1978. O contato inicial dos irmãos com os instrumentos de percussão e com o gênero do samba deu-se no núcleo familiar.
Carreira artística
A profissionalização da dupla ocorreu no final da década de 1990. Em 1996, durante uma apresentação no bar Boca da Noite, histórico reduto de samba e MPB em São Paulo, os irmãos conheceram a cantora Beth Carvalho. Esse contato resultou na formação do grupo original da dupla, inicialmente sugerido por Carvalho como "Quinteto Café com Leite" e posteriormente rebatizado por ela, em 1999, como Quinteto em Branco e Preto. A partir do ano 2000, os irmãos passaram a atuar profissionalmente como músicos de apoio da cantora em turnês nacionais e internacionais.
Na condição de integrantes do Quinteto e músicos de apoio, Magnu e Maurílio acumularam vasta rodagem internacional. Acompanhando Beth Carvalho, apresentaram-se no festival Arts Alive na África do Sul (2000), no Festival Latino Americano na Itália (2007) e em apresentações nos Estados Unidos, incluindo São Francisco, Los Angeles e Chicago. Também acompanharam a cantora e o compositor baiano Riachão em show na Cité de la Musique, em Paris (2005). A dupla integrou a programação do prestigiado Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, nas edições de 2005, 2007 e 2012. Em projetos paralelos, participaram do Festival Peru-Brasil, em 2012, e realizaram apresentações no Equador em 2013.
No âmbito institucional e cultural do samba paulista, Magnu e Maurílio foram fundadores, em 17 de julho de 2000, da Comunidade Samba da Vela, movimento de resistência focado na revelação de novos compositores no estado, cuja importância historiográfica foi registrada no livro Batuqueiros da Pauliceia, do baluarte Osvaldinho da Cuíca. Em dezembro de 2013, assumiram a direção artística do ato solene no Theatro Municipal de São Paulo que oficializou o samba paulistano como Patrimônio Cultural Imaterial.
Em 2016, com a fundação oficial do duo Prettos, idealizaram o espetáculo Pelo Telefone - na Linha do Tempo do Samba, em homenagem ao centenário do registro fonográfico do gênero. No mesmo período, integraram a turnê nacional do projeto O Século do Samba, ao lado de Leci Brandão, Monarco e Jards Macalé. Em 2018, assinaram a direção musical do espetáculo Obrigado Clementina, idealizado pelo rapper Emicida em tributo a Clementina de Jesus.
No Carnaval de São Paulo, a dupla desfilou como convidada pela escola de samba Mocidade Alegre nos anos de 2022 e 2023, integrando a agremiação no ano em que esta conquistou seu 11º título do Grupo Especial com o enredo sobre o samurai Yasuke.
Em 2023, celebrando 10 anos de carreira, os Prettos realizaram a gravação de um DVD especial, reunindo repertório autoral e releituras que sintetizam a trajetória da dupla e consolidam sua identidade artística no cenário do samba. Ainda em 2023, lançaram o álbum Prettos no Pagode, projeto de regravações dedicado à valorização do samba e do pagode produzidos na década de 1980. O trabalho resgata repertórios marcantes do período, reafirmando a conexão da dupla com a tradição do gênero e sua contribuição para a preservação e difusão dessa vertente na música brasileira contemporânea.
Em 2024, os Prettos assinaram a direção musical das trilhas do podcast Sambas Contados, idealizado e apresentado por Emicida. No projeto, a cada episódio, a dupla desenvolveu trilhas que homenagearam diferentes artistas e momentos da história do samba, contribuindo para a construção sonora da narrativa e para a valorização do gênero junto ao público contemporâneo.
Magnu Sousá, em 2024, tornou-se membro votante da Academia Latina da Gravação, instituição responsável pelo Latin Grammy Awards. A partir de então, passou a integrar o corpo de profissionais responsáveis pela seleção de indicados e vencedores da premiação, consolidando seu reconhecimento como agente ativo na cena musical e na valorização do samba contemporâneo.
No mesmo ano de 2024, a dupla lançou o álbum Um Brinde ao Mestre Cartola, projeto que prestou homenagem à obra de Cartola, um dos maiores nomes da história do samba. O projeto celebrou os 50 anos do álbum de estreia de Cartola (1974), articulando o lançamento de um novo álbum e a realização de um espetáculo da dupla Prettos (Magnu Sousá e Maurílio de Oliveira). O trabalho revisitou clássicos do compositor com novas leituras, reafirmando a influência estética e poética de Cartola na formação artística da dupla e estabelecendo um diálogo entre gerações dentro do gênero.
Já em 2025, realizaram o espetáculo Cartola Vive, em parceria com a Orquestra Municipal de Santos (OSMS), sob regência do maestro Luís Gustavo Petri, em apresentação que uniu a linguagem do samba à música de concerto. O concerto destacou a permanência e atualidade da obra de Cartola, ampliou sua execução para formações orquestrais e alcançou novos públicos.
Ainda em 2025, os Prettos foram convidados a participar do projeto Sambabook Beth Carvalho, iniciativa multiplataforma idealizada pela produtora Musickeria que homenageou a trajetória da cantora, reunindo artistas de diferentes gerações em releituras de seu repertório. Na ocasião, a dupla interpretou a canção Não Quero Saber Mais Dela, de Sombrinha e Almir Guineto. Ainda no mesmo período, participaram da turnê de lançamento do projeto, com apresentações em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Paraíba, Paraná, Ceará.
No mesmo ano 2025, os Prettos realizaram uma turnê pela França, integrando a programação oficial do Ano do Brasil na França. No mesmo período, apresentaram-se no Studio de l’Ermitage, em Paris, dentro do festival Samba Nomade, em espetáculo dedicado à obra de Cartola, em homenagem aos 50 anos de seu álbum de estreia (1974). A turnê incluiu ainda apresentações em cidades como Lyon, Nantes e Biarritz, onde participaram da programação do Festival Biarritz Amérique Latine, em concerto dedicado ao repertório de Cartola.
Lançaram também em 2025 o álbum O Show Deve Continuar, título que remete ao clássico homônimo consagrado no repertório do samba. O projeto reforça o compromisso da dupla com a continuidade e renovação do gênero, reunindo releituras e interpretações que dialogam com a tradição, ao mesmo tempo em que reafirmam sua identidade artística no cenário contemporâneo.
No ano de 2026, o duo Prettos fundou o Bloco Quintal dos Prettos, ampliando sua atuação para o Carnaval de rua de São Paulo. Comandado pelos irmãos Magnu Sousá e Maurílio de Oliveira, com direção executiva de Margareth Valentim, o desfile de estreia ocorreu no dia 8 de fevereiro, no entorno do Parque Ibirapuera, reunindo público ao som de repertório tradicional do samba, pagode e outras vertentes da música popular brasileira. A apresentação contou com as participações de Emicida e Maria Rita, reforçando o diálogo entre diferentes gerações e vertentes da música brasileira e consolidando o projeto como uma das expressões contemporâneas do gênero na cidade.
Quintal dos Prettos Em 2018, Magnu Sousá, Maurílio de Oliveira e Margareth Valentim idealizaram e fundaram o projeto cultural "Quintal dos Prettos". O evento ocorre mensalmente (no primeiro domingo de cada mês) no Espaço Maria Zélia, em São Paulo. O formato tem como premissa sociológica a reconstituição da atmosfera das rodas de samba acústicas tradicionais, predominantes na década de 1980 — período marcado pela ascensão do bloco Cacique de Ramos e do grupo Fundo de Quintal. O evento é realizado sem o uso de microfones ou amplificação sonora para os cantores, com duração de quatro horas ininterruptas, e foca no repertório clássico do gênero para reforçar a valorização da identidade cultural afro-brasileira.
O projeto foi institucionalmente apadrinhado por Beth Carvalho, artista com quem a dupla manteve restrita colaboração por anos, tendo acompanhado a cantora em sua última apresentação pública, ocorrida na Oktoberfest Rio em outubro de 2018.
Em 2019, antes do período da pandemia de COVID-19, o projeto realizou a gravação de seu primeiro registro audiovisual, o DVD Quintal dos Prettos ao Vivo, na Vila Maria Zélia, em São Paulo. A gravação contou com as participações de Salgadinho, Arlindinho, Maria Rita, Emicida e Fred Camacho, reunindo diferentes gerações do samba e do pagode em um registro que buscou traduzir para o audiovisual a experiência da roda de samba ao vivo.
Em abril de 2025, o Quintal comemorou seu sétimo aniversário em uma edição que reuniu aproximadamente 3 mil pessoas. O evento contou com a participação de artistas como Péricles e Gloria Groove, sediando o lançamento oficial de uma campanha promocional do serviço de streaming Spotify voltada à difusão do gênero musical em plataformas digitais.
Ainda em 2025, o Quintal dos Prettos expandiu sua atuação para a Baixada Santista com a realização de edições em São Vicente. A iniciativa alcançou sua terceira edição no município, passando a ocorrer de forma trimestral, ampliando a circulação territorial do projeto e consolidando sua presença também fora da capital paulista.
Em abril de 2025, o Quintal comemorou seu sétimo aniversário em uma edição que reuniu aproximadamente 3 mil pessoas. O evento contou com a participação de artistas como Péricles e Gloria Groove, sediando o lançamento oficial de uma campanha promocional do serviço de streaming Spotify voltada à difusão do gênero musical em plataformas digitais.
No ano de 2026, o álbum Quintal dos Prettos ao Vivo recebeu certificação de Platina ao ultrapassar a marca de 50 milhões de execuções nas plataformas digitais. A certificação foi entregue pelo rapper Emicida, que, no mesmo período, gravou no local o clipe da faixa Us Memo Preto Zica, reforçando a relevância do Quintal dos Prettos como espaço de encontro, produção e difusão do samba e da música negra contemporânea. O reconhecimento consolida o alcance do projeto e evidencia a força do Quintal dos Prettos como ambiente que conecta tradição, performance ao vivo e audiência digital em larga escala.
Discografia com o Quinteto em Branco e Preto