O leão [feminino: leoa] (nome científico: Panthera leo) é uma espécie de mamífero carnívoro do gênero Panthera e da família Felidae. A espécie é atualmente encontrada na África subsaariana e na Ásia, com uma única população remanescente em perigo, no Parque Nacional da Floresta de Gir, Gujarat, Índia. Foi extinto na África do Norte e no Sudoeste Asiático em tempos históricos, e até o Pleistoceno Superior, há cerca de anos, era o mais difundido grande mamífero terrestre depois dos humanos, sendo encontrado na maior parte da África, em muito da Eurásia, da Europa Ocidental à Índia, e na América, do Yukon ao México. É um dos quatro grandes felinos, com alguns machos excedendo 250 quilogramas em peso, sendo o segundo maior felino recente depois do tigre.
Existem outros animais comumente referidos como "leão" mas pertencem a outros gêneros ou outras classificações de mamíferos, plantas ou criaturas de mitos e lendas: leão marinho (um pinípede), Leão marsupial (um marsupial), leão da Nemeia (uma criatura da mitologia grega), Mico leão (um primata), dente de leão (Uma Flor). Também sem relação, outras espécies de animais, plantas e criaturas que, às vezes, são chamadas de "leão" são: Onça parda (conhecido em algumas regiões como leão da montanha ou leão baio), Leão de judá, quimera (metade mulher, metade leão, metade cobra, metade bode, metade dragão), Mantícora (corpo de leão, asas de dragão ou morcego, dentes de tubarão e cauda de escorpião), Peixe leão (um peixe) e a boca de leão.
A pelagem é unicolor de coloração castanha, e os machos apresentam uma juba característica. Uma das características mais marcantes da espécie é a presença de um tufo de pelos pretos na cauda, que também possui uma espora. Habita preferencialmente as savanas e pastagens abertas, mas pode ser encontrado em regiões mais arbustivas. É um animal sociável que vive em grupos que consiste das leoas e suas crias, o macho dominante e alguns machos jovens que ainda não alcançaram a maturidade sexual. A dieta consiste principalmente de grandes ungulados e possuem hábitos noturnos e crepusculares, descansando e dormindo na maior parte do dia. Leões vivem por volta de 10-14 anos na natureza, enquanto em cativeiro eles podem viver por até 30 anos. Alguns animais desenvolveram o hábito de atacar e devorar humanos, ficando conhecidos como "devoradores de homens".
A espécie está classificada como vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), e sofreu um declínio populacional de 30-50% nas últimas duas décadas no território africano. Na Ásia, o leão está confinado a uma única área protegida e sua população é estável, mas está classificado como em perigo, já que a população não passa de 891 animais. Entre as ameaças, a perda de habitat e os conflitos com humanos são as principais razões de preocupação na sua conservação. Por centenas de anos, o leão tem sido usado como símbolo de bravura e nobreza em diversas civilizações e culturas da Europa, Ásia e África. Está amplamente representado em esculturas, pinturas, bandeiras nacionais, brasões, e em filmes e na literatura contemporâneos.
Etimologia esquerda|miniaturadaimagem|Um leão no parque em Okonjima, na Namíbia. Nas línguas românicas, o nome do leão deriva do latim leo; cf. Grécia antiga λέων (leão). Na língua hebraica, a palavra lavi (לביא) também está relacionada a essa etimologia, bem como o rw do Egito Antigo.. As in other ancient scripts, in Ancient Egyptian only the consonants are written. No distinction was made between 'l' and 'r'. A designação científica, Panthera leo, talvez seja derivada do grego pan- ("todos") e ther ("besta"), mas talvez seja essa uma etimologia mais popular do que acadêmica. Sob origem da Ásia Oriental, Panthera leo pode significar "o animal amarelado ", ou até "branco-amarelo".
Nomenclatura e taxonomia esquerda|miniaturadaimagem|Um leão no Parque Nacional Masai Mara. O leão foi descrito no século XVIII por Carolus Linnaeus, em seu Systema Naturae, como Felis leo. Nos séculos XVIII e XIX, a maioria dos naturalistas e pesquisadores seguiram a nomenclatura originalmente proposta. Em 1816, Lorenz Oken propôs a definição genérica Panthera (originalmente como subgênero de Felis), assim como a Leo e Tigris. Algumas autoridades consideraram o Panthera como inválido por razões técnicas de nomenclatura e preferiram usar o termo genérico Leo. Em 1956, a Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica rejeitou a obra de Oken, Lehrbuch der Naturgeschichte, para fins de nomenclatura zoológica. Na década de 1960 e 1970, a questão sobre a validade do gênero Panthera foi questionada junto a Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica, que em 1985 decidiu pela conservação do termo genérico Panthera.
Subespécies miniaturadaimagem|Uma leoa no Parque Nacional Etosha, na Namíbia. Nos séculos XIX e XX vários tipos nomenclaturais de leão foram descritos e propostos como subespécies, com cerca de uma dúzia reconhecida como taxa válida até 2017. Entre 2008 e 2016, os avaliadores da Lista Vermelha da IUCN usaram apenas dois nomes subespecíficos: Panthera leo leo para populações de leões africanos e Panthera leo persica para a população de leões asiáticos. Em 2017, a Cat Classification Task Force do Cat Specialist Group revisou a taxonomia dos leões e reconhece duas subespécies com base nos resultados de vários estudos filogeográficos sobre a evolução dos leões, a saber:
Panthera leo leo (Linnaeus, 1758) - a subespécie inclui o leão asiático, o extinto regionalmente Leão-do-atlas e as populações de leões nas partes oeste e norte da África Central. Os sinônimos incluem Panthera leo persica (Meyer, 1826), Panthera leo senegalensis (Meyer, 1826), Panthera leo kamptzi (Matschie, 1900) e Panthera leo azandica (Allen, 1924). Vários autores se referiram a ele como 'leão do norte' e 'subespécie do norte'. Panthera leo melanochaita (Smith, 1842) - inclui o extinto leão do Cabo as populações extintas de leões nas regiões da África Oriental e Austral. Os sinônimos incluem Panthera leo somaliensis (Noack 1891), Panthera leo massaica (Neumann, 1900), Panthera leo sabakiensis (Lönnberg, 1910), Panthera leo bleyenberghi (Lönnberg, 1914), Panthera leo roosevelti (Heller, 1914), Panthera leo nyanzae (Heller, 1914), Panthera leo hollisteri (Allen, 1924), Panthera leo krugeri (Roberts, 1929), Panthera leo maculatus(Pocock,1937), Panthera leo vernayi (Roberts, 1948) e Panthera leo webbiensis (Zukowsky, 1964). Tem sido referido como 'subespécie do sul' e 'leão do sul'.
Amostras de leões de algumas partes do Planalto da Etiópia agrupam-se geneticamente com as de Camarões e Chade, enquanto leões de outras áreas da Etiópia agrupam-se com amostras da África Oriental. Os pesquisadores, portanto, presumem que a Etiópia é uma zona de contato entre as duas subespécies. Dados de todo o genoma de uma amostra histórica de leões nascidos na natureza do Sudão mostraram que se agrupou com P. l. leo em filogenias baseadas em mtDNA, mas com uma alta afinidade para P. l. melanochaita. Este resultado sugere que a posição taxonômica dos leões na África Central pode requerer revisão.
Táxons fósseis thumb|Vermelho Panthera leo spelaeaAzul Panthera leo atroxVerde Panthera leo leo e Panthera leo melanochaitaDistribuição máxima das subspécies extantes de leão e seus parentes extintosno final do Pleistoceno
Várias formas pleistocênicas de leões foram descritas na Eurásia e América do Norte: Felis leo fossilis por Wilhelm von Reichenau em 1906 a partir de restos fósseis do Pleistoceno Médio da Europa; Felis spelaea por Georg August Goldfuss em 1810 a partir de restos fósseis do Pleistoceno Superior da Europa, e posteriormente encontrado por toda Eurásia; Felis atrox por Joseph Leidy em 1853 a partir de restos fósseis do Pleistoceno Superior da América do Norte; e Panthera spelaea vereshchagini por Gennady Baryshnikov e Gennady Boeskorov em 2001 a partir de restos fósseis do Pleistoceno Superior da Beríngia. Análise filogenética revela a ocorrência de apenas três clados distintos: o leão moderno, o leão-das-cavernas da Eurásia e Beríngia, e o leão-das-cavernas-americano, que forma uma população separada ao sul das geleiras pleistocênicas. O táxon vereschchagini se mostrou indistinguível do spelaea através da análise genética de DNA antigo, sendo considerado como sinônimo do leão-das-cavernas-europeu.
As formas pleistocênicas são geralmente classificadas como sendo subespécies do leão moderno, entretanto, alguns zoologistas as consideram como espécies distintas com base nas características craniais e dentárias. Todas as formas pleistocênicas são referidas ao gênero Panthera, mas não há consenso quanto ao reconhecimento das formas como espécies distintas ou então como subespécies do Panthera leo. A análise morfológica comparativa, principalmente de caracteres dentários, das formas pleistocênicas e holocênicas resultaram no reconhecimento de duas linhagens evolucionárias básicas dentro de um único táxon específico: o grupo spelaea, contendo as formas fossilis, spelaea e atrox; e o grupo leo, com duas subespécies atuais. Análises moleculares baseadas no DNA mitocondrial demonstraram que o spelaea e leo podem ser considerados como clados irmãos, ou então que o spelaea e atrox seriam mais relacionados entre si e que constituiriam um clado irmão com o leo. A análise cladística com caracteres osteológicos e dentários indica que o atrox e possivelmente o spelaea não pertençam a linhagem do leão, representando grupos sucessivos do leão + leopardo.
Registro fóssil O registro fóssil mais antigo atribuído ao Panthera leo provém da Garganta de Olduvai, na Tanzânia, e está datado do Pleistoceno Inferior (cerca de 1,5 milhões de anos). Um registro proveniente de Laetoli, na Tanzânia, e datado de 3,5 milhões de anos, era atribuído ao P. leo, entretanto, essa identificação é incerta, e outras interpretações demonstraram que os restos fósseis pertencem a uma espécie mais primitiva dentro do gênero Panthera. Alguns registros do Plio-Pleistoceno na África do Sul, encontrados nas cavernas em Kromdraai, Swartkrans e Sterkfontein, são atribuídos ao P. leo. Entretanto, o status taxonômico do material das cavernas de Sterkfontein é incerto, e os materiais de Kromdraai e Swartkrans aparentam ser de um animal mais robusto que o leão moderno.
Acredita-se que o P. leo tenha evoluído na África há entre 1 milhão e anos. Migrando para fora do continente africano durante o Pleistoceno Médio (800 - 100 kyr) para a Europa e Ásia, e posteriormente colonizando toda a região Holártica. O leão foi o mamífero terrestre de grande porte mais difundido durante o Pleistoceno Superior (100–10 kyr), com uma distribuição que incluia a África, a maior parte da Eurásia e a América do Norte. A presença na América do Sul, foi atribuída a restos fósseis encontrados no Peru assinalados ao Panthera atrox, entretanto, o material foi reexaminado e atribuído à Panthera onca.SEYMOUR, K. (2010). The late Pleistocene fossil vertebrates from the Talara tar seeps, Peru, and Corralito, Ecuador, with particular reference to the Carnivora. X Congreso Argentino de Paleontología y Bioestratigrafía-VII Congreso Latinoamericano de Paleontología.
Na Europa, aparece no registro fóssil pela primeira vez há cerca de anos, com a cronoespécie fossilis em Isérnia La Pineta, na Itália. A partir deste táxon deriva o chamado leão-das-cavernas (Panthera leo spelea/Panthera spelea), que aparece há cerca de anos. Na América do Norte o registro mais antigo data do estágio Sangamoniano. Os leões pleistocênicos foram extintos no norte da Eurásia e da América do Norte no final da última era glacial, há cerca de anos; podendo a extinção ser secundária as extinções pleistocênicas da megafauna.
Distribuição geográfica e habitat thumb|Na África, a savana com arborização escassa é o habitat preferencial da espécie