thumb|250px|Emblema da Luftwaffe. A história operacional da Luftwaffe na Segunda Guerra Mundial é a história da aplicação do poder aéreo da Alemanha Nazi contra as forças armadas dos países com os quais esteve em conflito. A Luftwaffe era o ramo aéreo da Alemanha Nazi desde 1933 no papel e desde 1935 na prática. Antes de ser usada como um componente chave na Segunda Guerra Mundial, esta força aérea participou na Guerra Civil Espanhola, onde adquiriu experiência.

No dia 1 de Setembro de 1939, a Luftwaffe - juntamente com os outros ramos da Wehrmacht - atacou a Polónia e, três dias depois, o Reino Unido e a França declararam guerra à Alemanha. Além de estabelecer superioridade aérea e apoiar as tropas terrestres na invasão da Polónia, a Luftwaffe ainda tinha que se preocupar com a defesa do espaço aéreo alemão. Em 1940, os alemães lançaram-se pela Dinamarca e Noruega e, posteriormente, invadiram os Países Baixos e a França, tendo o poder aéreo alemão, em todos estes ataques, desempenhado um papel essencial para o sucesso das operações germânicas. A Luftwaffe havia sido desenvolvida como uma força aérea táctica e não estratégica, motivo pelo qual quando se deu a Batalha da Grã-Bretanha ela não ter conseguido ir ao encontro dos objectivos alemães. A Real Força Aérea (RAF) repeliu com sucesso a Luftwaffe.

Uma vez falhado o estabelecimento do poder aéreo alemão sobre as ilhas britânicas, a Luftwaffe foi empregue em outros teatros de guerra - nos Balcãs, no Mediterrâneo e no Norte de África - onde continuou a prestar apoio às operações terrestres e chegou mesmo a ser responsável pela conquista de diversos pontos, como na batalha da ilha de Creta. Em Junho de 1941, a Alemanha deu início à Operação Barbarossa, a invasão da União Soviética. Rapidamente, a Luftwaffe abriu caminho para as tropas terrestres, bombardeando posições inimigas e estabelecendo supremacia aérea, destruindo milhares de aeronaves soviéticas no solo e no ar. Apesar do sucesso alemão, a estratégia - gestão de recursos e prioridades de produção referentes à Luftwaffe - não foi feliz, o que levou a que o ramo aéreo alemão não visse suas aeronaves nem as suas tripulações serem repostas como seria de se esperar. Isto levou a que, apesar do sucesso e dos avanços alemães, a Luftwaffe começou a entrar em colapso quando se viu dependente de linhas de suprimento cada vez mais longas. Com a União Soviética a aumentar a produção de aeronaves e tripulações, e com a entrada dos Estados Unidos na guerra, a Luftwaffe começou a perder superioridade aérea.

Com os aliados a aplicarem uma economia de guerra, algo que a Alemanha empreendeu demasiado tarde, a Luftwaffe foi perdendo superioridade aérea na Frente Oriental e no Norte de África. Apesar de a Muralha do Atlântico continuar em pé, os aliados deram início a uma série de bombardeamentos estratégicos que levaram a Luftwaffe a ter que retirar aeronaves e tripulações das frentes de combate para defender o país. Em 1944, os aliados invadiram o norte de França através do desembarque nas praias da Normandia e, com os aliados já assentes na península itálica e com os soviéticos a avançarem em direcção à Alemanha, a Luftwaffe começou a sofrer cada vez mais baixas humanas e materiais. Apesar do uso de armas tecnologicamente avançadas, como o caça foguete Messerschmitt Me 163 e o primeiro caça a jacto operacional da história, o Messerschmitt Me 262, o emprego destas e de outras tecnologias foi negligenciado ou feito demasiado tarde. Assim, com o intenso bombardeamento das indústrias alemãs, o colapso da economia e o crescente número de baixas, nas últimas semanas de guerra a actuação da Luftwaffe foi quase nula até o cessar das hostilidades.

Regresso da Legião Condor miniaturadaimagem|Um bombardeiro alemão Heinkel He 111 em Espanha, em 1939.|250x250px Durante a Guerra Civil Espanhola, que havia começado em 1936, Francisco Franco solicitou apoio logístico e militar à Itália e à Alemanha. Os alemães responderam inicialmente com vinte aviões de transporte Junkers Ju 52 escoltados por seis aviões de caça Heinkel He 51. Estes aviões de transporte foram importantes no transporte das tropas de Franco de Marrocos para a Península Ibérica, transportando 25 militares totalmente equipados em cada voo, realizando cerca de quatro voos por dia, tendo acabado por transportar cerca de dez mil combatentes nacionalistas. Com Franco na península, os alemães decidiram aumentar o apoio aos nacionalistas, formando a Legião Condor, composta maioritariamente por militares da Luftwaffe e por centenas de aviões, incluindo bombardeiros convencionais e de mergulho, aviões de caça, de transporte e de reconhecimento aéreo. Ao longo de 1937 e de 1938 a intervenção aérea alemã consolidou-se.

esquerda|miniaturadaimagem|Um Bf 109 em Espanha com insígnias da Legião Condor.|250x250px No final de 1938 e início de 1939 o número de voluntários nacionalistas para se tornarem combatentes de componente aérea aumentou, e os pilotos da Luftwaffe começaram a treina-los. Gradualmente, a intervenção da Legião Condor foi diminuindo em número, porém continuando em importância. As últimas missões da legião tiveram lugar no dia 6 de Fevereiro de 1939, tendo as forças republicanas apresentado a rendição no dia 26 de Março. No mês seguinte, no dia 14 de Abril, foi criada uma condecoração específica para os combatentes da Legião Condor, a Cruz Espanhola. No dia 26 de Maio, militares da Legião Condor regressaram à Alemanha, onde foram recebidos com várias homenagens e recepcionados por Adolf Hitler e Hermann Göring com uma parada militar em Berlim. Durante o conflito espanhol, os alemães destruíram 386 aeronaves inimigas (313 em combate aéreo) e lançaram 21 mil toneladas de bombas, tendo perdido 72 aeronaves em combates e 226 militares. O Messerschmitt Bf 109 revelou-se como o melhor avião de caça da sua época e o Junkers Ju 87 demonstrou o seu poder de precisão e desmoralizante, particularmente após a adição de sirenes e apitos nos aviões e nas bombas. A Luftwaffe começava assim o ano de 1939 com um grupo de militares e pilotos altamente experientes, com técnicas e tácticas treinadas e com um bom grau de motivação. Estes factores ajudariam a força aérea alemã na primeira fase da Segunda Guerra Mundial que começaria meses mais tarde, providenciando à Alemanha Nazi a maior e mais poderosa força aérea da Europa.

Invasão da Polónia

miniaturadaimagem|250x250px|Bombardeiros de mergulho Junkers Ju 87 em formação, em Setembro de 1939. miniaturadaimagem|324x324px|Coluna polaca depois de um ataque aéreo. Meses antes do início oficial da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha Nazi já se preparava para uma eventual invasão da Polónia (Operação Fall Weiss) desde Abril de 1939. Na ideia do Oberkommando der Wehrmacht, caberia à Luftwaffe prestar apoio ar-terra às forças terrestres enquanto avançassem até à capital polaca, Varsóvia. De acordo com este plano, a Luftflotte 1 (comandada por Albert Kesselring) auxiliaria o Grupo Norte da Heer a atravessar o "corredor polaco", fazendo a ligação entre a Pomerânia e a Prússia Oriental, e a partir daqui seguir em direcção a Varsóvia; na zona sul, a Luftflotte 4 (comandada por Alexander Lohr) prestaria apoio ao Grupo Sul da Heer, que avançaria em direcção a norte, partindo a partir da Silésia e da Eslováquia. As missões de reconhecimento começaram em Julho, para que fossem identificados os principais aeródromos polacos. Nesta época, a Luftwaffe tinha cerca de aeronaves ao seu dispor, enquanto a Força Aérea da Polónia dispunha de apenas , na sua maioria biplanos obsoletos, em contraste com as modernas aeronaves alemãs que, muitas delas, já haviam sido testadas em batalha, durante a Guerra Civil Espanhola. Número de aeronaves da Luftwaffe em Setembro de 1939Bombardeiros (ex.: Do 17 e He 111)1 170Bombardeiros de mergulho (ex.: Ju 87)335Caças monomotores (ex.: Bf 109)1 125Caças bimotores (ex.: Bf 110)195Reconhecedores (ex.: Do 17 e Hs 126)620Hidroaviões (ex.: He 59, He 60 e He 115)205 No dia 1 de Setembro de 1939, as forças alemãs invadiram a Polónia, um acto que provocou o Reino Unido e a França a declararem guerra à Alemanha no dia 3 de Setembro, dando início à Segunda Guerra Mundial. A Luftwaffe começou a invasão com o bombardeamento da cidade polaca de Wieluń. Um elemento instrumental na Blitzkrieg, a Luftwaffe realizou um grande número de operações de apoio às forças terrestres e de bombardeamentos estratégicos. Duas grandes unidades aéreas foram destacadas para a invasão, a Luftflotte 1 equipada com 807 aeronaves, e a Luftflotte 4 equipada com 627 aeronaves. Além de 333 aeronaves de reconhecimento, 406 caças permaneceram em solo alemão como parte de um plano de defesa contra um eventual contra-ataque da Polónia.Hooton 2007 Vol 2, p. 85. O bombardeiro de mergulho Junkers Ju 87 Stuka levou a cabo a primeira missão da campanha, 20 minutos antes de a invasão ser oficialmente anunciada.Weal 1997, p. 20 Os bombardeiros realizaram a primeira vitória da guerra, quando o tenente Frank Neubert abateu um avião PZL P.11c da Polónia, que estava a ser pilotado pelo capitão Mieczysław Medwecki.Weal 1997, p. 22

esquerda|miniaturadaimagem|Heinkel He 111 a lançar uma bomba durante a campanha na Polónia.|250x250px A Luftwaffe procurou atingir os aviões inimigos que se encontravam no solo, ao mesmo tempo que atacava outros alvos terrestres em apoio ao avanço da Heer. Muitos pilotos polacos conseguiram descolar para interceptar os alemães, contudo, os seus aviões obsoletos não conseguiam competir contra os Messerschmitt Bf 109 que os atacavam. Desde cedo, os alemães descobriram que a Força Aérea da Polónia estava dispersa por uma série de aeródromos principais e secundários, o que dificultou as operações aéreas alemãs. As unidades de bombardeiros da Polónia ainda tentaram atacar as divisões panzer, abrandando o avanço dos alemães. Várias unidades, equipadas com bombardeiros PZL.37 Łoś, ficaram destruídas numa questão de dias. O caça-pesado Messerschmitt Bf 110 estava a provar ser mais capaz do que o esperado, escoltando formações de bombardeiros alemães e interceptando bombardeiros polacos, sendo que o Bf 110 foi a aeronave que mais bombardeiros polacos destruiu durante esta campanha, facto que agradou Hermann Göring, um fã dos caças-pesados bimotores.Weal 1999, p. 14–15

miniaturadaimagem|Um bombardeiro alemão a lançar bombas na cidade de Varsóvia.|357x357px Com um nível de sucesso satisfatório, Göring declarou no dia 3 de Setembro que a Luftwaffe havia alcançado superioridade aérea. Kesselring e Lohr comandavam as suas frotas aéreas para que se concentrassem nas linhas de suprimento e de comunicação; por exemplo, os ataques realizados entre os dias 2 e 5 de Setembro contra o sistema ferroviário polaco levaram ao colapso do serviço ferroviário. Ao mesmo tempo, realizavam-se ataques directos contra a infantaria polaca; a 13ª Divisão Polaca foi exterminada quase exclusivamente através de ataques aéreos. As unidades de caça da Polónia continuaram activas nos primeiros dias da invasão e conseguiram infligir algumas baixas à Luftwaffe, contudo, as formações de caças e caças-pesados aumentavam diariamente a intensidade de ataques ar-terra. Como resultado, muitos caças polacos foram abatidos aquando da descolagem, colocando-os em grande desvantagem. A superioridade aérea da Luftwaffe foi conseguida através do apoio aéreo próximo indirecto. Ao destruir as linhas de comunicações a Luftwaffe aumentou a velocidade de avanço, factor de interrompeu os sinais de aviso e alerta dos aeródromos polacos e causou o caos logístico às forças polacas. Com o passar dos dias, muitas unidades polacas ficaram com escassez de mantimentos, e 98 unidades bateram em retirada para a Roménia, que na altura ainda era um país neutro. Com uma força inicial de 397, no dia 14 de Setembro já só existiam 54, e a oposição aérea à Luftwaffe ficou virtualmente inexistente.E.R Hooton 2007 Vol. 1, p. 87