miniaturadaimagem|Mural assinado pelo artista urbano Styler, Lisboa, avenida Estados Unidos Gonçalo Pereira Ribeiro TelesDecreto de nomeação do Arq.º Gonçalo Pereira Ribeiro Teles, Dr. João Maurício Fernandes Salgueiro, Dr. Fernando Monteiro do Amaral, Eng.º José Ângelo Ferreira Correia, Prof. André Roberto Delaunay Gonçalves Pereira, Dr. José Manuel Menéres Sampaio Pimentel, Prof. Vitor Pereira Crespo, Dr. António José de Barros Queirós Martins, Dr. Luís Eduardo da Silva Barbosa, Dr. Basílio Adolfo Mendonça Horta da Franca, Eng.º Ricardo Manuel Simões Bayão Horta, Dr. Francisco António Lucas Pires e o Eng.º José Carlos Pinto Soromenho Viana Baptista para exercerem, respetivamente, os cargos de Ministros de Estado e da Qualidade de Vida, de Estado e das Finanças e Plano, Adjunto do Primeiro-Ministro, da Administração Interna, dos Negócios Estrangeiros, da Justiça e da Reforma Administrativa, da Educação e das Universidades, do Trabalho, dos Assuntos Sociais, da Agricultura, do Comércio e Pescas, da Indústria, Energia e Exportação, da Cultura e Coordenação Científica, da Habitação, Obras Públicas e Transportes, Presidência da República 04.09.1981 GCC • OSE • GCIH • GCL (Lisboa, 25 de maio de 1922 – Lisboa, 11 de novembro de 2020), conhecido como Gonçalo Ribeiro Telles, foi um arquiteto paisagista, ecologista e político português.

Foi Subsecretário de Estado do Ambiente nos I (Adelino da Palma Carlos), II e III (Vasco Gonçalves) Governos Provisórios e Secretário de Estado da mesma pasta no VI Governo Provisório (José Pinheiro de Azevedo) e do I Governo Constitucional (minoritário do PS, chefiado por Mario Soares). A seguir, no VIII Governo Constitucional (AD, chefiado por Francisco Pinto Balsemão), foi Ministro de Estado e da Qualidade de Vida, de 1981 a 1983.

Criou as zonas protegidas da Reserva Agrícola Nacional, da Reserva Ecológica Nacional e as bases do Plano Diretor Municipal.

Biografia Percurso académico e profissional Gonçalo Ribeiro Telles licenciou-se em Engenharia Agrónoma e terminou o Curso Livre de Arquitetura Paisagista, no Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa (ISA).

Iniciou a sua vida profissional nos serviços da Câmara Municipal de Lisboa, ao mesmo tempo que lecionava no ISA, tornando-se discípulo de Francisco Caldeira Cabral, pioneiro da arquitetura paisagista em Portugal. Com este professor, publicará o livro A Árvore em Portugal, obra de referência sobre as espécies arbóreas existentes no nosso País.

Na Câmara de Lisboa integrou, desde 1951 até 1953, a Repartição de Arborização e Jardinagem, passando em 1955 a arquiteto paisagista do Gabinete de Estudos de Urbanização da CML, dirigido pelo engenheiro Guimarães Lobato, onde permaneceu até 1960.

De 1971 a 1974 dirigiu, igualmente enquanto arquiteto paisagista, o Setor de Planeamento Biofísico e de Espaços Verdes do Fundo de Fomento da Habitação.

O projeto mais marcante da sua carreira é, provavelmente, o jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, que assinou com António Viana Barreto e que lhe valeu, ex aequo, o Prémio Valmor de 1975.

Mas, também na capital, merece destaque o conjunto de projetos que concebeu, entre 1998 a 2002, por solicitação da Câmara Municipal, das estruturas verdes principal e secundária da Área Metropolitana de Lisboa, que se encontram hoje em diferentes fases de implementação: o Vale de Alcântara e a Radial de Benfica, o Vale de Chelas, o Parque Periférico, o Corredor Verde de Monsanto e a Integração na Estrutura Verde Principal de Lisboa da Zona Ribeirinha Oriental e Ocidental.

Entre os seus restantes projetos, cabe ainda assinalar o espaço público do Bairro das Estacas, em Alvalade; os jardins da Capela de São Jerónimo, no Restelo; a cobertura vegetal da colina do Castelo de São Jorge; o Jardim Amália Rodrigues, junto ao Parque Eduardo VII, projetado em 1996.

Na qualidade de professor catedrático convidado, lecionou na Universidade de Évora, onde criou na década de 1990 as licenciaturas em Arquitetura Paisagista e em Engenharia Biofísica.

Em abril de 2013 foi galardoado com o Prémio Sir Geoffrey Jellicoe, a mais importante distinção internacional no âmbito da arquitetura paisagista.

Atividade política e pública Gonçalo Ribeiro Telles iniciou a sua intervenção pública como membro da Juventude Agrária e Rural Católica, estrutura juvenil ligada à Acção Católica Portuguesa.

Em 1945, participou na fundação do Centro Nacional de Cultura, da qual é hoje o associado número um, e ainda Presidente da Assembleia Geral, em cujas sessões acentuou a sua oposição ao regime de Salazar.

Com Francisco Sousa Tavares, fundou, em 1957, o Movimento dos Monárquicos Independentes, a que se seguiria o Movimento dos Monárquicos Populares.

Em 1958, manifestou o seu apoio à candidatura presidencial de Humberto Delgado.

Em 1959, encontra-se entre os signatários da Carta a Salazar sobre os serviços de repressão.Wikisource

Em 1967, aquando das cheias de Lisboa, impôs-se publicamente contra as políticas de urbanização vigentes.

Em 1969, integra a Comissão Eleitoral Monárquica, que se junta às listas da Acção Socialista Portuguesa, de Mário Soares, na coligação Comissão Eleitoral de Unidade Democrática (CEUD), liderada por Soares, para concorrer à Assembleia Nacional. Não seria eleito, tal como os restantes membros das listas da oposição democrática.

Em 1971, ajudou a fundar o movimento Convergência Monárquica, reunião de três movimentos da resistência monárquica: o Movimento Monárquico Popular, a Liga Popular Monárquica e a Renovação Portuguesa.Convergência Monárquica (1970), Antologia do Pensamento Político Português, por José Adelino Maltez, Centro de Estudos do Pensamento Político, Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa

Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, com Francisco Rolão Preto, Henrique Barrilaro Ruas, João Camossa de Saldanha, Augusto Ferreira do Amaral, Luís Coimbra, entre outros, fundou o Partido Popular Monárquico, a cujo Diretório presidiu. Foi Subsecretário de Estado do Ambiente nos I, II e III Governos Provisórios, e Secretário de Estado da mesma pasta, no I Governo Constitucional, chefiado por Mário Soares.

Em 1979, alia-se a Francisco Sá Carneiro na formação da Aliança Democrática. Nesta coligação foi eleito deputado à Assembleia da República, consecutivamente, nas legislativas de 1979, 1980 e 1983. Entre 1981 e 1983, integra o VIII Governo Constitucional, chefiado por Francisco Pinto Balsemão, como Ministro de Estado e da Qualidade de Vida, assumindo nessa qualidade um papel preponderante no estabelecimento de um regime sobre o uso da terra e o ordenamento do território, ao criar as zonas protegidas da Reserva Agrícola Nacional, da Reserva Ecológica Nacional e as bases do Plano Diretor Municipal.

Enquanto deputado na Assembleia da República teve responsabilidades nas propostas da Lei de Bases do Ambiente, da Lei da Regionalização, da Lei Condicionante da Plantação de Eucaliptos, da Lei dos Baldios, da Lei da Caça, e da Lei do Impacte Ambiental.FCG

Em 1984, após sair do governo, fundou o Movimento Alfacinha, com o qual se apresentou candidato à Câmara Municipal de Lisboa, conseguindo a eleição como vereador.

Em 1985, o PPM fez um acordo com o Partido Socialista e Ribeiro Telles regressa à Assembleia da República, agora como deputado eleito nas listas do PS.

Abandonou a presidência do PPMFalatório - Entrevista de Pedro Rolo Duarte a Gonçalo Ribeiro Telles em 1988 e o próprio partido em 1992, deixando fortes críticas ao rumo tomado pelo partido, voltado para o passado marcado por uma direita convencional.RTP Arquivo - Entrevista a Gonçalo Ribeiro Telles - O jornalista Hélder Antunes entrevista o arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, ex-presidente do PPM, sobre o partido e as razões do seu abandono.

Fundaria em 1993 o Movimento Partido da Terra, de que se afastou em 2007.

Em 1997 apoiou a candidatura encabeçada por João Soares a presidente da Câmara Municipal de Lisboa.Falatório - Entrevista de Pedro Rolo Duarte a Gonçalo Ribeiro Telles

Em 2010, integrou a Plataforma Cidadania e Casamento, estrutura que se manifestava publicamente contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, legalizado na altura em Portugal.

Em 2009 e 2013 apoiou a candidatura encabeçada por António Costa nas eleições autárquicas para o Município de Lisboa.

Em 2016, no festival de cinema IndieLisboa, foi apresentado o documentário A Vossa Terra - paisagens de Gonçalo Ribeiro Teles, do realizador João Mário Grilo.

Em 19 de julho de 2019, o partido Nós, Cidadãos! nomeou Gonçalo Ribeiro Telles seu Filiado Honorário n.º 1.Gonçalo Ribeiro Telles, Filiado Honorário n.º 1 do Nós, Cidadãos!, comunicado do Nós, Cidadãos!, Lisboa, 20 de julho de 2019 (consulta a 6 de Dezembro de 2021)

Condecorações A 31 de outubro de 1969, do Presidente Américo Tomás, o grau de Oficial da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, do Mérito Científico, Literário e Artístico A 6 de abril de 1988, do Presidente Mário Soares, a Grã-Cruz da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo A 10 de junho de 1990, do Presidente Mário Soares, a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade A 25 de maio de 2017, do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique

Ver também Paisagismo História da jardinagem Ordenamento do território

Ligações externas Realistas - Gonçalo Ribeiro Telles, Arquitecto Paisagista e Político, perfil de Ribeiro Telles num site monárquico, escrito por Mendo Castro Henriques. Gonçalo Ribeiro-Telles aos 95: um visionário utópico, por Vasco Rosa, Observador, 25 Maio 2017 Lisboa faz homenagem a Ribeiro Telles através de mural em Alvalade (Portuguese). Entrevista de Raquel Santos ao arquiteto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles sobre a sua carreira profissional, destacando alguns dos seus projetos mais representativos, e sobre a sua visão pessoal da arquitetura paisagista. Referências especiais para os trabalhos de melhoramento dos jardins da Fundação Gulbenkian, e para a exposição "A Utopia e os Pés na Terra" que assinala os seus 50 anos de atividade, nome da série: Entre Nós. RTP Int, Lisboa, 2003-06-03 00:30:00

Categoria:Naturais de Lisboa Categoria:Alunos do Instituto Superior de Agronomia Categoria:Arquitetos paisagistas Categoria:Oficiais da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada Categoria:Professores da Universidade Técnica de Lisboa Categoria:Professores da Universidade de Évora Categoria:Monárquicos de Portugal Categoria:Políticos do Partido Popular Monárquico Categoria:Líderes partidários de Portugal Categoria:Subsecretários de Estado de Portugal Categoria:Ministros de Portugal Categoria:Grã-Cruzes da Ordem Militar de Cristo Categoria:Grã-Cruzes da Ordem da Liberdade Categoria:Políticos de Portugal que mudaram de partido Categoria:Políticos do Partido da Terra Categoria:Políticos do Nós, Cidadãos! Categoria:Opositores da ditadura portuguesa Categoria:Grã-Cruzes da Ordem do Infante D. Henrique Categoria:Doutores honoris causa da Universidade de Évora Categoria:Arquitetos de Portugal do século XX Categoria:Arquitetos de Portugal do século XXI