Emma Thompson DBE (Londres, 15 de abril de 1959) é uma atriz, roteirista e diretora britânica. Citada como uma das melhores atrizes britânicas da sua geração, ela é conhecida por suas representações de mulheres reticentes em dramas de épocas e adaptações literárias, frequentemente atuando personagens altivos ou matronais com um senso de ironia.

Nascida em Paddington, Londres, filha do ator britânico Eric Thompson e da atriz escocesa Phyllida Law, Emma foi educada na Camden School for Girls e Newnham College, University of Cambridge, onde ela tornou-se o primeiro membro feminino da trupe Footlights. Depois de aparecer em muitos programas de comédia, ela alcançou a fama em 1987 em duas séries de TV da BBC, Tutti Frutti e Fortunes of War, ganhando o prêmio BAFTA de melhor atriz por seu trabalho em ambos. Seu primeiro papel em filmes foi a antagônica Jeff Goldblum em 1989, na comédia romântica The Tall Guy, e no começo da década de 1990 ela frequentemente colaborou com seu então marido Kenneth Branagh, ator e diretor, aparecendo juntos nos palcos em A Midsummer Night's Dream e King Lear e em filmes como Dead Again (1991), Peter's Friends (1992) e Much Ado About Nothing (1993).

Da sua extensa carreira, destacam-se os filmes Howard's End (1992), The Remains of the Day (1993), In the Name of the Father (1993), Sense and Sensibility (1995), Love Actually (2003), a saga Harry Potter (2004-2011), Nanny McPhee (2005), Saving Mr. Banks (2013) e Beauty and the Beast (2017).

Venceu dois Óscares, o primeiro em 1993 na categoria de Melhor Atriz por Howard's End, e o segundo em 1996 na categoria de Melhor Argumento Adaptado por Sense and Sensibility, filme pelo qual também recebeu uma nomeação para Melhor Atriz. Em 1994 esteve nomeada em duas categorias: Melhor Atriz Secundária por In the Name of the Father e Melhor Atriz por The Remains of the Day.

Primeiros anos e educação Emma Thompson nasceu em Paddington, no oeste de Londres. É filha dos atores Eric Thompson e de Phyllida Law e cresceu em West Hampstead, no norte de Londres. Atualmente vive na mesma rua. Emma também passou muito tempo na Escócia enquanto crescia em visitas aos avós e tio que lá viviam.

Em 1970, começou a estudar na Camden School for Girls, uma escola exclusivamente feminina. Depois de terminar o ensino secundário, ingressou na Newham College da Universidade de Cambridge, onde estudou Inglês. Emma atribui a escolha deste curso à sua paixão por palavras e literatura, muito influenciada pelo seu pai.

Na universidade, conheceu Martin Bergman, um ator que a introduziu no Footlights, um grupo de comédia o qual Martin presidia e no qual conheceu Hugh Laurie, com quem viria a ter uma curta relação, e Stephen Fry. Os dois tornaram-se seus amigos de longa data. Stephen Fry afirmou que "não havia dúvida de que a Emma ia longe. A nossa alcunha para ela era Emma, a talentosa". Em 1980, Emma foi escolhida para vice-presidente do Footlights e co-encenou a primeira revista exclusivamente feminina do grupo: Woman's Hour. No ano seguinte, o grupo venceu o prémio Perrier no Festival Fringe de Edimburgo pelo seu espetáculo de comédia The Cellar Tapes..

O pai de Emma morreu de uma hemorragia cerebral em 1982, com 52 anos de idade. A atriz comentou que a sua morte "quebrou [a família] aos pedaços" e "nem consigo descrever o quanto magoa não o ter aqui". Ela acrescentou: "mas ao mesmo tempo, é possível que, se ele ainda estivesse vivo, eu nunca tivesse o espaço ou a coragem para fazer o que fiz até aqui... Recebi uma herança de espaço. E poder".

Carreira Primeiros trabalhos miniatura|ADC Theatre, na Universidade de Cambridge, onde Thompson começou a representar com o grupo de teatro Footlights.

Depois de terminar a universidade, Emma começou a chamar a atenção nas suas peças. Em 1984, o Channel Four abordou Emma para atuar e escrever uma comédia especial na televisão. Ela começou a escrever e decidiu chamar de Sexually Transmitted, mas o nome não deu muito certo então ficou como Up For Grabs. A comédia não foi bem recebida por causa das inúmeras referências a sexo.

A BBC decidiu contratá-la para escrever comédias para seu canal. Na mesma época, Emma foi escalada para dançar, cantar e atuar em um teatro. A peça, uma versão do musical Me and My Girl, foi um sucesso e ficou em cartaz por sete anos, mas Emma participou na mesma apenas durante 16 meses. A BBC pediu-lhe para estrelar como Suzi Kettles em uma série de televisão, Tutti Frutti. O show e especialmente sua personagem foram um sucesso. No mesmo ano, o diretor de Fortunes of War escalou-a para um drama. Nos sets de filmagem ela conheceu seu futuro marido Kenneth Branagh. Ambos os trabalhos e os desempenhos de Emma foram elogiados pela crítica e, em 1988, ela recebeu o prémio Bafta de Melhor Atriz de televisão pelos dois trabalhos.

No ano seguinte, escreveu e estrelou o programa de variedades Thompson na BBC. O programa incluía sketches e números musicais onde participavam atores convidados, mas foi um fracasso com a crítica e cancelado ao fim de apenas 6 episódios.

Emma voltou a trabalhar com Kenneth Branagh, com quem já namorava, em 1989 na peça Look Back in Anger, com encenação de Judi Dench. Alguns meses depois da apresentação em palco, o casal retomou os seus papéis para a versão televisiva da peça. Ainda no mesmo ano, os dois voltaram a trabalhar juntos no filme Henry V, uma adaptação ao cinema da famosa peça de William Shakespeare dirigida e protagonizada por Branagh e onde Thompson desempenha o papel de Princess Katherine. O filme recebeu críticas bastante positivas e foi nomeado para três Óscares em 1990.

Sucesso internacional miniatura|esquerda|Kenneth Branagh foi o primeiro marido de Emma Thompson

Thompson e Branagh foram considerados pelo escritor e crítico James Monaco os líderes da "investida cinematográfica britânica" da década de 1990. Emma continuou a trabalhar com a obra de William Shakespeare nesta nova década, tendo participado nas suas encenações de Kenneth Branagh de A Midsummer Night's Dream e King Lear.

Emma regressou ao cinema em 1991, no papel da "aristocrata frívola", Condessa d'Antan, em Impromptu, com Judy Davis e Hugh Grant. Emma foi nomeada para os Independent Spirit Awards, na categoria de Melhor Atriz Secundária, por este papel. Ainda nesse ano, Emma voltou a trabalhar com Kenneth Branagh no filme Dead Again, dirigido pelo próprio. No filme, Emma desempenha o papel de uma mulher que se esqueceu da sua identidade. No início de 1992, Emma participou num episódio da sitcom Cheers, no papel da primeira mulher da personagem Fraiser Crane.

A carreira de Emma atingiu novos patamares quando ela participou no filme Howard's End, com Anthony Hopkins e Vanessa Redgrave em 1992. Baseado no romance homónimo de E. M. Forster, o filme explora o sistema social de classes na Era Eduardiana na Inglaterra. Emma desempenha o papel de Margaret Schlegel, uma mulher idealista, inteligente e progressista que entra em contacto com uma família profundamente conservadora. Emma perseguiu ativamente este papel, chegando mesmo a escrever uma carta ao realizador James Ivory, que concordou em conceder-lhe a audição que acabou por lhe dar o papel. Segundo o crítico Vincent Canby, o filme permitiu que Emma "se afirmasse individualmente", para além da sua associação com Kenneth Branagh. Depois da estreia do filme, o crítico Roger Ebert escreveu que Emma estava "soberba no papel principal: tranquila, irónica, perspicaz, com um interior feito de aço". Howard's End recebeu críticas excelentes e foi considerado um sucesso surpreendente. Recebeu nove indicações ao Óscar e ganhou três deles: Melhor Atriz (Emma Thompson), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Direção de Arte.

Nos seus dois filmes seguintes, Emma voltou a trabalhar com Kenneth Branagh. Em Peter's Friends (1992), o casal juntou-se a Stephen Fry, Hugh Laurie, Imelda Staunton e Tony Slattery para interpretar um grupo de ex-alunos da Universidade de Cambridge que se reúne dez anos após o fim do curso. A comédia recebeu críticas positivas e Desson Howe do The Washington Post escreveu que Emma Thompson é a melhor parte do filme, "mesmo com uma personagem uni-dimensional, ela esbanja graça e um sentido de tragicomédia hábil". O seu filme seguinte foi Much Ado About Nothing, dirigido por Keneth Branagh. O casal protagonizou o filme nos papéis de Beatrice e Benedick num elenco que também incluía Denzel Washington, Keanu Reeves e Michael Keaton. O desempenho de Emma recebeu crítica muito positivas e ela foi nomeada na categoria de Melhor Atriz nos Independent Spirit Awards.

Emma reuniu-se com o realizador James Ivory e o ator Anthony Hopkins no filme The Remains of the Day, lançado em 1993. Baseado no romance homónimo de Kazuo Ishiguro sobre uma empregada doméstica e um mordomo britânicos durante os anos entre as guerras mundiais, a história é aclamada pelo seu estudo da solidão e da repressão. Emma interessou-se particularmente pela "deformidade que a serventia provoca às pessoas", visto que a sua avó trabalhara como empregada doméstica e tinha sacrificado muito. Emma considera este filme uma das melhores experiências da sua carreira e "uma obra-prima de emoções contidas". The Remains of the Day foi um sucesso comercial e com a crítica, tendo recebido oito nomeações para os Óscares, incluíndo nas categorias de Melhor Filme e Melhor Atriz: sendo esta a segunda nomeação de Emma Thompson.

No mesmo ano em que foi nomeada na categoria de Melhor Atriz Principal por The Remains of the Day, Emma recebeu uma nomeação na categoria de Melhor Atriz Secundária pelo seu desempenho em In the Name of the Father, sendo apenas uma de oito pessoas que conseguiram duas nomeações para os Óscares no mesmo ano. In the Name of the Father, protagonizado por Daniel Day-Lewis, foi também nomeado na categoria de Melhor Filme.

Sense and Sensibility e papéis em Hollywood miniaturadaimagem|Saltram House, a casa que serviu de Norland Park rm Sense and Sensibility (1995) Em 1994, Emma teve o seu primeiro papel num filme de Hollywood como Dr. Diana Reddin na comédia Junior, que protagonizou com Arnold Schwarzenegger e Danny DeVito. O filme recebeu críticas maioritariamente negativas, mas teve algum sucesso nas bilheteiras, rendendo um total de 108 milhões de dólares em todo o mundo.

Em 1993, Emma terminou de escrever o roteiro de Sense and Sensibility, no qual trabalhou durante cinco anos.Thompson, Emma (1995). "The Diaries". In Doran, Lindsay; Thompson, Emma. Sense and Sensibility: The Screenplay and Diaries. Bloomsbury. p. 208. ISBN 1-55704-782-0. Emma é uma admiradora da obra de Jane Austen e foi contratada para escrever o filme graças aos sketches históricos que escreveu para o seu programa, Thompson. Para além de escrever o filme, Emma quis interpretar o papel da irmã solteira Elinor Dashwood, apesar de, com 35 anos, ser 16 anos mais velha do que a personagem do livro. Quando as filmagens começaram, em 1995, Emma tinha-se separado recentemente do marido, Kenneth Branagh, e passava por um período de depressão. Foi nesta altura que ela conheceu o ator Greg Wise, que interpreta o papel de John Willoughby e os dois começaram a namorar.

Realizado por Ang Lee e com um elenco que inclui Kate Winslet, Gemma Jones e Hugh Grant, Sense and Sensibility é considerada a adaptação mais popular e autêntica da obra de Jane Austen da década de 1990. O filme foi bastante bem recebido pela crítica e foi um dos maiores sucessos de bilheteira de carreira de Emma. Shelly Frome escreveu que Emma demonstrou "uma grande afinidade com o estilo e sagacidade de Jane Austen".

Emma recebeu a sua terceira nomeação para o Óscar de Melhor Atriz pelo filme e recebeu o prémio na categoria de Melhor Argumento Adaptado, o que faz dela a única pessoa a vencer Óscares nas categorias de Melhor Atriz e Melhor Argumento. Emma venceu ainda o seu segundo prémio BAFTA de Melhor Atriz e um Globo de Ouro de Melhor Argumento pelo seu trabalho no filme.