Quinto Fábio Máximo (275 –; ) foi um político da gente Fábia da República Romana eleito cônsul por cinco vezes, em 233, 228, 215, 214 e com Mânio Pompônio Matão, Espúrio Carvílio Máximo Ruga, Tibério Semprônio Graco (suf.), Marco Cláudio Marcelo e Quinto Fúlvio Flaco respectivamente. Além disso, foi nomeado ditador em duas ocasiões, em 221 e . Era neto de de Quinto Fábio Máximo Gurges, cônsul em , e pai de Quinto Fábio Máximo, cônsul em 213 a.C.. Além de seu agnome "Verrucosus" ("verrugoso"), provavelmente uma referência à sua aparência, era conhecido também como "Cunctator" ("Protelador", "o que adia" ou "o que se prepara para o dia da batalha"), uma referência à sua tática para combater Aníbal durante a Segunda Guerra Púnica.

Período entre guerras Primeiro consulado () É bastante provável que Fábio tenha participado da Primeira Guerra Púnica (264-), mas não se sabe em que função. Além de seu desejável teor estratégico sobre a determinação de condições importantes para Roma, teve também a sua colação sobre o valor de seu transbordo causado pelo ímpeto necessário para resguardar suas estratégias enquanto ordenava suas tropas. Mas, terminada a guerra, sua ascensão foi bastante rápida. Em , foi eleito cônsul com Mânio Pompônio Matão. Enquanto seu colega lutava na Sardenha, Fábio obteve um triunfo sobre os lígures e, em agradecimento, dedicou o Templo da Honra e da Virtude.Cícero, De natura deorum|II, 23.

Censor () Foi eleito censor em com Marco Semprônio Tuditano.Cícero, Bruto, 18.

Segundo consulado () Em , foi eleito novamente, desta vez com Espúrio Carvílio Máximo Ruga, ano em que, segundo CíceroCícero, Cato, 4 não opôs resistência, assim como o seu colega, à Lex Flaminia, a lei agrária do tribuno da plebe Caio Flamínio que propunha para a divisão das terras da Gália Cisalpina. Políbio Políbio , ii 21 porém, data a lei agrária de Caio Flamínio quatro anos antes, no consulado de Marco Emílio Lépido ().

Primeira ditadura () Em , foi nomeado ditador comitiorum habendorum causa para convocar a Assembleia das centúrias na ausência dos cônsules. Seu mestre da cavalaria (magister equitum) foi Caio Flamínio.

Segunda Guerra Púnica

Em , antes do início da guerra, Fábio foi um dos embaixadores enviados a Cartago para exigir o ressarcimento pelo ataque a Sagunto.

Segunda ditadura ()

Em , logo depois da derrota na Batalha do Lago Trasimeno,Políbio III, 83-84. Fábio foi nomeado ditador novamentePolíbio III, 87.6.Lívio, Ab Urbe Condita Epit. 22.6. ou, mais corretamente, um "proditador", pois não foi oficialmente nomeado por um cônsul. A partir daí, como a guerra contra Aníbal era puramente defensiva, Fábio tornou-se a pessoa mais importante em Roma. Apesar de não ser o mais habilidoso dos generais, Fábio, mais do que todos os seus contemporâneos, entendia a tática e a geniosidade de Aníbal e situação complicada pela qual passava a República Romana. CíceroCícero, De re publica|I, 1. afirmou que Fábio "enervou a Guerra Púnica" (

Ficou famosa uma ocasião na qual Fábio encurralou Aníbal em um dos vales entre Cales e Volturno, principalmente pela forma como os cartagineses conseguiram escapar, amarrando tochas acesas em chifres de bois e fazendo-os correr morro abaixo, atraindo a atenção dos romanos.Políbio III, 90 - 94.

thumb|upright=1.5|Rota da invasão de Aníbal (em verde), o principal adversário de Fábio Máximo na Segunda Guerra Púnica

Contudo, em Roma e no exército, a prudência de Fábio acabou sendo interpretada de modo errado. Os romanos chegaram a suspeitar de que ele estaria prolongando a guerra propositalmente para se manter no comando, por covardia, inépcia ou até mesmo traição, depois que Aníbal passou a queimar todas as propriedades pelas quais passava, exceto as de Fábio, justamente para criar suspeita sobre seu principal adversário. Posteriormente, o próprio Fábio doou a produção destas mesmas propriedades para resgatar prisioneiros romanos.Lívio, Ab Urbe Condita Epit. 22.9. Na época, apenas Aníbal apreciava a tática de Fábio.

Finalmente, o seu mestre da cavalaria, Marco Minúcio Rufo,Políbio III, 87, 9. à frente de seus opositores, e o Senado, irritado com a devastação da Campânia, se aliaram à plebe, impaciente com a guerra que se prolongava, para condenar a política do ditador. Minúcio, durante uma breve ausência de Fábio do acampamento, conseguiu uma pequena vitória sobre as forças de Aníbal.Políbio III, 101 - 102. Um tribuno da plebe, Marco Metílio, apresentou uma proposta de lei para dividir o comando em partes iguais entre o ditador e o mestre da cavalaria, que foi rapidamente aceita pelo Senado e pelas assembleias tribais. Pela primeira vez, havia dois ditadores em Roma,Políbio III, 103, 1-8. mas, ao invés de alternar o comando dia a dia, como era o costume entre os cônsules, Fábio preferiu dividir o exército em dois.Políbio III, 103, 7-8. Aníbal tratou de aproveitar rapidamente da situação e atraiu Rufo para uma emboscada.Políbio III, 104. Na Batalha de Gerônio, as forças de Rufo só não foram destruídasPolíbio III, 105, 1-4. por que Fábio atacou a retaguarda cartaginesa com suas forças, salvando os romanos de mais um desastre. Arrependido e agradecido, Rufo renunciou ao cargo logo em seguida.Políbio III, 105, 5-11. Conta-se que Aníbal, vendo Fábio descendo a colina, teria dito: "a nuvem que costumava observar do alto do monte finalmente se transformou numa chuva tempestuosa".

Rufo, precipitado, mas honesto, não aceita nenhum outro comandoLívio, Ab Urbe Condita Epit. 22.7. enquanto Fábio, obedientemente, deixa o cargo depois de seis meses como mandava a lei,Políbio III, 106, 1. deixando um bom exemplo aos cônsules do ano seguinte. Lúcio Emílio Paulo foi seu seguidor, mas Caio Terêncio Varrão ignorou seu exemplo e juntou o povo através das assembleias populares para conseguir apoio para o seu plano de abandonar a estratégia fabiana e atacar Aníbal diretamente. A precipitação de Varrão não surpreendeu Fábio, mas quando ele soube o tamanho do exército arregimentado por Varrão ( soldados), ficou muito preocupado. Ao contrário das perdas de Minúcio, uma derrota decisiva de Varrão tinha o potencial esgotar os recursos da República. Fábio advertiu Emílio, urgindo-o a não deixar Varrão atacar diretamente Aníbal: "Lembre-se, deves temer não apenas Aníbal, mas também Varrão!". Segundo Plutarco, Paulo respondeu que temia mais os votos em Roma do que o exército de Aníbal.

Quando as notícias chegaram a Roma sobre a desastrosa derrota de Varrão e Paulo na Batalha de Canas, o Senado e o povo de Roma se voltaram a Fábio em busca de orientação. Antes um fracassado, agora Fábio era considerado tão sábio quanto os deuses e ele fez questão de andar pelas ruas de Roma para tentar confortar seus concidadãos. Sem seu apoio, é provável que o Senado não tivesse tido coragem sequer para se reunir, tantos foram os seus membros mortos na batalha. Fábio postou guardas nas portas da cidade para evitar que cidadãos assustados demais fugissem e mandou regulamentar os funerais, organizando horários e ordenando que cada família realizasse suas cerimônias de forma mais privada possível e no espaço de um mês. Depois disto, a cidade toda foi ritualmente purificada para livrar Roma da culpa pela derrota.Lívio, Ab Urbe Condita Epit. XXII 55 Apesar do desastre, Fábio estava entre os primeiros a agradecerem Varrão, que sobreviveu ao desastre, por não ter desistido da República, e as medidas defensivas que o Senado adotou naquele momento desesperado foram depois atribuídas a ele.

Depois da ditadura (216–) Depois do inverno de , as condições do conflito mudaram e Aníbal estava acampado em Cápua. Apesar de ainda uma figura influente, Fábio não era mais o mais influente dos romanos. Foi eleito pontífice em Lívio, Ab Urbe Condita XXIII, 21.7. (ele já era membro do Colégio de Áugures, posição que ocupou por 62 anos)Lívio, Ab Urbe Condita XXX, 26. e, na época, se ocupou da manutenção do Templo de Vênus Ericina (e foi nomeado duúnviro),Lívio, Ab Urbe Condita XXIII, 30.13 e 31.9. substituindo as vagas causadas pelo conflito no Senado entre romanos e latinos.

Terceiro e quarto consulados (215–)

Em , foi eleito cônsul sufecto depois que Marco Cláudio Marcelo renunciou.Lívio, Ab Urbe Condita XXIII, 31.12-14. Fábio e seu colega, Tibério Semprônio Graco, dividiram entre si o exército romano. Fábio ficou encarregado das forças em Teano Sidicino, que estava antes sob o comando do ditador Marco Júnio Pera enquanto Graco assumiu os volões (volones), escravos e mais de sócios.Lívio, Ab Urbe Condita XXIII, 32.1. Imediatamente Fábio passou a devastar a Campânia e iniciou um cerco de Cápua.

No ano seguinte, foi eleito novamente, desta vez com Marco Cláudio Marcelo.Lívio, Ab Urbe Condita XXIV, 9.3. Durante seu mandato, comandou uma incursão em Sâmnio e conquistou Casilino.

Campanhas na Itália Em , Fábio atuou como legado de seu filho, Quinto Fábio Máximo,Lívio, Ab Urbe Condita XXIV, 44.10. eleito cônsul naquele ano.Lívio, Ab Urbe Condita XXIV, 43.5. De acordo com Plutarco, foi para homenagear seu pai que os romanos fizeram de seu filho cônsul.Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Fábio, 24.1 [online] Durante seu consulado, seu pai, ou por causa da idade ou para testá-lo, se dirigiu a ele montado a cavalo, mas o cônsul enviou um lictor ao pai, mandando que ele viesse a pé, caso tivesse algum assunto oficial para tratar Todos ficaram ofendidos com este comando, e, pelo silêncio, mostraram ao filho que este tratamento era indigno da sua posição, mas o pai, quase correndo, foi até o filho e o abraçou, dizendo que ele estava certo em pensamento e ato, porque ele compreendia a grandeza do cargo que o povo havia dado a ele, e que este era o espírito que havia feito a grandeza de Roma, em que pais e filhos são menos importantes que o bem comum.Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Fábio, 24.2

Dois anos depois, quando Aníbal decidiu marchar a Roma, abandonando o cerco de Cápua, conta-se que Quinto Fúlvio Flaco escreveu imediatamente ao Senado para informar sobre as intenções do general cartaginês. Houve uma grande comoção entre os senadores que consideraram a situação crítica o suficiente para que fosse convocada uma Assembleia geral. Alguns, como Públio Cornélio Cipião Asina, propuseram que se convocassem de volta à Roma todos os comandantes e seus exércitos com o objetivo de defender a capital, abandonando assim o cerco em Cápua. Outros, por outro lado, como Fábio Máximo, consideraram vergonhoso abandonar Cápua por causa do medo que provocava os movimentos de Aníbal:Lívio, Ab Urbe Condita XXVI, 8.1-3.

Em , Tito Mânlio Torquato era o ex-censor mais idoso entre os senadores, o que tradicionalmente lhe valeria a honra de ser nomeado príncipe do senado. Porém, o censor Públio Semprônio Tuditano, responsável pela nomeação, acreditava que esta honra devia recair sobre o senador que mais merecesse a distinção, que era Fábio Máximo, censor em . Seu colega, Marco Cornélio Cetego, tentou nomear Torquato, mas a opinião de Semprônio prevaleceu e Fábio Máximo foi nomeado.

Quinto consulado () thumb|upright=1|Elogio a Fábio Máximo em Florença

Perto do final de , Lívio conta que, depois de uma grande disputa entre o ditador Quinto Fúlvio Flaco e dois tribunos da plebe sobre a inelegibilidade de um ditador nomeado para conduzir as eleições por "evidente conflito de interesses". Como a discussão já se estendia além do prazo legal, foi firmado um acordo entre o ditador e os tribunos pelo qual seria aceita a decisão final do Senado. Como acreditava-se que o momento era particularmente crítico para o Estado, o Senado decidiu que a res publica deveria ser governada por anciãos e generais de capacidade comprovada. Por isso, foi aceita a eleição de Fúlvio Flaco, pela quarta vez, e Fábio Máximo, pela quinta.Lívio, Ab Urbe Condita XXVII, 6.9-11. Reconquista de Taranto ()