thumb|upright=1.2|direita|alt= Detalhe de um livro iluminado, com três figuras mostradas falando, um monge à esquerda, um cavaleiro em armadura no meio e um camponês com uma pá à direita. A imagem é acentuada em azuis ricos.|O inglês medieval considerou sua economia como compreendendo três grupos - o clero da igreja cristã, que rezou; Os cavaleiros, que lutaram; E os camponeses, que trabalhavam a terra
Também se aplicava na Inglaterra, a estrutura típica da sociedade medieval, composta por três segmentos: o clero, que rezava; os cavaleiros, que lutaram; e os camponeses que exerciam as atividades produtivas.Bartlett, Robert. (2000) "England under the Norman and Angevin Kings", 1075–1225. Oxford: Oxford University Press. Durante a Baixa Idade Média, a economia da Inglaterra passou por uma fase de crescimento, mas, também, enfrentou uma crise aguda, que resultou em mudanças políticas e econômicas significativas.
Nesse período (Baixa Idade Média), a produção econômica das cidades e a extração mineral se desenvolveu.Homer, Ronald F. (2010) "Tin, Lead and Pewter," in Blair and Ramsay (eds) 2001. No final da Idade Média, a Inglaterra tinha um governo fraco (quando comparado ao período posterior), supervisionando uma economia dominada por fazendas arrendadas pela nobreza e com uma próspera comunidade de comerciantes e corporações de ofício.
Durante os séculos XII e XIII ocorreu um enorme desenvolvimento da economia da Inglaterra, correlacionado a um grande crescimento populacional que saltou de de 1,5 milhão, em 1086, época da criação do Domesday Book (censo britânico da época), para entre 4 e 5 milhões em 1300.
Nesse período, houve um aumento considerável das terras dedicadas à produção de alimentos de lã agricultura e à produção de lã (ovinocultura), inclusive para a exportação, havendo, em contrapartida, uma redução das florestas reais.
No início do século XIV, a economia da Inglaterra ainda era predominantemente agrícola, com os direitos dos grandes proprietários de terras e os deveres dos servos cada vez mais consagrados na lei inglesa.
Muitas centenas de novas cidades, algumas delas planejadas, surgiram em toda a Inglaterra, impulsionando a criação de guildas, feiras e outras importantes instituições medievais. Os descendentes dos financistas judeus que vieram para Inglaterra com Guilherme, o Conquistador, desempenharam um papel significativo no crescimento da economia, juntamente com as novas ordens religiosas como os cistercienses e os agostinianos que se tornaram importantes atores no comércio de lã para o continente europeu.Hillaby, Joe. (2003) "Jewish Colonisation in the Twelfth Century," in Skinner (ed) 2003.
Também houve um crescimento na mineração, com um substancial aumento na produção de prata no século XII, o que elevou a disponibilidade de moeda.Blanchard, Ian. (2002) "Lothian and Beyond: the Economy of the "English Empire" of David I," in Britnell and Hatcher (eds) 2002.
No final do século XIII, o crescimento econômico começou a encontrar dificuldades, devido a uma combinação de superpopulação, escassez de terras e solos esgotados.Jordan, William Chester. (1997) "The Great Famine: Northern Europe in the Early Fourteenth Century". Princeton: Princeton University Press.Bailey, Mark. (1996) "Population and Economic Resources," in Given-Wilson (ed) 1996.Aberth, John. (2001) "From the Brink of the Apocalypse: Confronting Famine, War, Plague and Death in the Later Middle Ages". London: Routledge.Cantor, Leonard. (1982a) "Introduction: the English Medieval Landscape," in Cantor (ed) 1982.
A Grande Fome de 1315-17 abalou severamente a economia inglesa e o crescimento populacional cessou; em 1348, ocorreu o primeiro surto da Peste Negra, que matou cerca de metade da população inglesa, com grandes consequências econômicas: o setor agrícola encolheu, com salários mais altos, preços mais baixos e lucros cada vez menores, levando ao fim final do antigo sistema de obrigações feudais e o advento do moderno sistema de aluguel de terras em troca de valores monetários pré-fixados.
A Revolta dos Camponeses de 1381 abalou a antiga ordem feudal e limitou consideravelmente os níveis de tributação real durante um século.Jones, Dan. (2010) "Summer of Blood: The Peasants' Revolt of 1381". Londres: Harper.
No decorrer do século XV, ocorreu um crescimento da indústria têxtil e se consolidou uma classe de mercadores ingleses com importante atuação no mercado internacional, sendo tais fenômenos mais relevantes em Londres e no sudoeste da Inglaterra, que alcançavam maior prosperidade econômica do que as cidades do leste da Inglaterra.Hodgett, Gerald. (2006) "A Social and Economic History of Medieval Europe". Abingdon, UK: Routledge. Tais fenômenos, juntamente com os progressos tecnológicos na metalurgia e na construção naval, representaram o fim da economia medieval e o início dainício do período moderno na economia inglesa.Geddes, Jane. (2001) "Iron" in Blair and Ramsay (eds) 2001.
Invasão e início do período normando (1066–1100)
Em 1066, Guilherme, o Conquistador invadiu a Inglaterra e derrotou o Rei Haroldo II na Batalha de Hastings, dando início a uma época na qual a Inglaterra foi governada por uma dinastia de origem normanda.
Entre o inverno de 1069 e 1070, ocorreram outras operações militares conhecidas como o "Massacre do Norte", na qual foi derrotada uma tentativa de restabelecimento da Casa de Wessex, apoiada pelo Rei Sueno II da Dinamarca, e que consolidou o autoridade da dinastia normanda por todo o norte da Inglaterra.
O sistema de governo do Rei Guilherme I era amplamente feudal, pois o direito de possuir terras estava ligado ao serviço ao Rei. Pode-se dizer que a invasão normanda pouco fez para alterar a natureza da economia inglesa.Dyer, Christopher. (2009) Making a Living in the Middle Ages: The People of Britain, 850 – 1520. London: Yale University Press.
A maior parte dos danos causados na invasão normanda ocorreram no norte e no oeste da Inglaterra, sendo que, em 1086, alguns lugares dessas regiões eram descritos como: "terras devastadas". Muitas das principais características do sistema agrícola e financeiro inglês permaneceram em vigor nas décadas imediatamente após a conquista normanda.
Agricultura
A agricultura formava a maior parte da economia inglesa na época da invasão normanda. Vinte anos após a invasão, 35% da Inglaterra estava coberta por terras cultivadas, 25% por pastos, 15% por florestas e os 25% restantes eram predominantemente pântanos.
O trigo era a cultura mais importante, mas o cultivo de centeio, de cevada e de aveia também era relevante.
Nas partes mais férteis do país, como o Vale do Tâmisa, as Terras Médias e o leste da Inglaterra, também havia cultivo de plantas leguminosas.
Ovelhas, gado, bois e porcos eram criados em propriedades inglesas, mas maioria desses animais era muito menor do que os equivalentes modernos.
Sistema senhorial
thumb|right|alt=A map in ink and colour wash, showing an archetypal medieval village in the centre with numerous field divided into strips radiating out across the view.|O sistema de campo aberto era adotado em muitas comunidades inglesas medievais
No século anterior à invasão normanda, as grandes propriedades da Inglaterra, que pertenciam ao Rei, aos bispos, aos mosteiros e aos nobres; foram lentamente desfeitas como consequência de heranças, testamentos, acordos de casamento ou compras de igrejas. Maior parte da pequena nobreza proprietária de terras vivia e administrava suas próprias propriedades.
Antes da época normanda já existia um processo de abandono das aldeias isoladas para a formação de aldeias maiores. Essas novas aldeias adotaram um sistema de campo aberto no qual os campos eram divididos em pequenas faixas de terra, de propriedade individual, com culturas alternadas; florestas locais e outras terras comuns.
As terras agrícolas de um feudo eram divididas entre alguns terrenos que o senhor feudal administrava e cultivava diretamente, e a maioria dos terrenos que eram cultivados por camponeses que pagavam aluguel ao proprietário, com dinheiro, com parte da produção ou por meio do trabalho nos terrenos do senhor feudal.
Cerca de 6.000 moinhos de água com potência e eficiência variadas estavam em operação para moer farinha, liberando mão de obra camponesa para outras tarefas mais produtivas.
Nessa época, a economia inglesa já não era mais uma economia de subsistência e boa parte das colheitas eram colocadas à venda nas primeiras cidades inglesas.
Essa situação não se alterou significativamente após a conquista normanda. Após a conquista, o Rei Guilherme, distribuiu grandes extensões de terra para a elite normanda, criando vastas propriedades em algumas áreas, particularmente ao longo da fronteira galesa e em Sussex. Nos anos seguintes à invasão normanda, a maior mudança foi a rápida redução do número de escravos. Embora se deva considerar que, no século anterior à invasão normanda, já tivesse ocorrido uma redução do número de escravos, como resultado da pressão econômica e religiosa.
Por outro lado, a aristocracia normanda provou ser uma dura proprietária de terras. Os camponeses anglo-saxões mais ricos, anteriormente mais independentes, viram-se rapidamente afundando na hierarquia econômica, aumentando o número de trabalhadores não livres, ou servos, que eram sujeitos à proibição de deixar o feudo e buscar empregos alternativos.Douglas, David Charles. (1962) "William the Conqueror: the Norman Impact upon England". Berkeley: University of California Press. Os nobres anglo-saxões, que sobreviveram à invasão normanda, foram rapidamente assimilados pela elite normanda ou esmagados economicamente.
Criação das florestas
Os normandos também estabeleceram as florestas reais. Nos tempos anglo-saxões havia matas especiais para caça chamadas "fenos", mas as florestas normandas eram muito maiores e apoiadas por mandato legal. As novas florestas não eram necessariamente densamente arborizadas, mas eram definidas por sua proteção e exploração pela coroa. As florestas normandas estavam sujeitas à jurisdição real especial; a lei florestal era "dura e arbitrária, uma questão puramente da vontade do rei".
Esperava-se que as florestas fornecessem ao Rei áreas de caça, matérias-primas, bens e dinheiro.Huscroft, Richard. (2005) "Ruling England, 1042–1217". Harlow, UK: Pearson. As receitas de aluguéis e multas florestais tornaram-se extremamente significativas e a madeira florestal foi usada para castelos e construção de navios reais. Diversas florestas tiveram um papel fundamental na mineração, como, por exemplo, a mineração de ferro na Floresta de Dean e a mineração de chumbo na Floresta de Pico Alto. Vários outros grupos se relacionam economicamente com as florestas; muitos mosteiros tinham direitos especiais em florestas específicas, por exemplo, para caça ou corte de árvores. As florestas reais foram acompanhadas pela rápida criação de parques e áreas de caça de propriedade nobres locais.Cantor, Leonard. (1982b) "Forests, Chases, Parks and Warrens." in Cantor (ed) 1982.
Comércio, manufatura e cidades
Embora principalmente rural, a Inglaterra tinha várias cidades antigas e economicamente importantes em 1066 (ano da invasão normanda), principalmente na porção leste, como, por exemplo: Londres, Iorque, Winchester, Lincoln, Norwich, Ipswich e Thetford. Grande parte desse comércio era com a França, os Países Baixos e a Alemanha, mas o nordeste da Inglaterra negociava com parceiros tão distantes quanto a Suécia. Antes da invasão normanda, já ocorriam importações de tecidos.Sutton, Anne. F. (2005) The Mercery of London: Trade, Goods and People, 1130–1578. Aldershot, UK: Ashgate.
Algumas cidades, como Iorque, sofreram com o saque normando durante as lutas contra a tentativa de restaurar restaurar a Casa de Wessex, entre 1069 e 1070. Outras cidades sofreram com a demolição generalizada de casas para dar lugar a novas fortificações, como foi o caso de Lincoln.