Gloria Marie Steinem (Toledo, 25 de março de 1934 – Nova Iorque, 2 de setembro de 2026) foi uma jornalista e ativista de movimentos sociais norte-americana, que emergiu como uma líder reconhecida a nível nacional da segunda vaga do feminismo nos Estados Unidos no final da década de 1960 e início da década de 1970, e que foi particularmente popular nas décadas de 1980 e início de 1990.
Steinem foi colunista da revista New York e cofundadora da revista Ms. Em 1969, publicou um artigo intitulado "After Black Power, Women's Liberation" que lhe trouxe a atenção nacional e a posicionou como uma líder feminista. Em 1971, cofundou o National Women's Political Caucus, que oferece formação e apoio a mulheres que procuram cargos eletivos e nomeados no governo. Também em 1971, cofundou a Women’s Action Alliance, que, até 1997, prestou apoio a uma rede de ativistas feministas e trabalhou para promover causas e legislação feministas. Na década de 1990, Steinem ajudou a estabelecer o Dia de Levar as Nossas Filhas para o Trabalho, uma ocasião para as jovens raparigas aprenderem sobre futuras oportunidades de carreira. Em 2005, Steinem, Jane Fonda e Robin Morgan cofundaram o Women's Media Center, uma organização que "trabalha para tornar as mulheres visíveis e poderosas nos média.
Biografia alt=Gloria Steinem discursa em uma conferência de mulheres na Biblioteca LBJ, Estados Unidos, em 1975.|miniatura|345x345px|Gloria Steinem discursa em uma conferência de mulheres na Biblioteca LBJ, Estados Unidos, em 1975
Foi a única jornalista que conseguiu se infiltrar nos bares da Playboy, como garçonete (também conhecidas como "coelhinhas"), sem que descobrissem sua real profissão. O artigo contando a experiência revela a situação degradante das moças, que precisavam passar uma aura de sofisticação mas raramente recebiam o salário prometido na publicidade dos clubes, eram estimuladas a sair com clientes vip, além de precisar passar por situações que violavam os direitos trabalhistas, como exame ginecológico admissional (desnecessário para a profissão de garçonete) e não receberem o uniforme completo. Além disso, as roupas eram desconfortáveis, muito apertadas, com barbatanas de aço machucando as costelas, e elas trabalhavam muitas horas seguidas em pé, usando saltos extremamente altos.
Gloria Steinem criou e editou a revista feminista Ms. Dentre seus inúmeros artigos, destacam-se "E se os homens menstruassem?" e "A verdadeira Linda Lovelace".
No Brasil, foi publicado o livro Memórias da Transgressão, uma coletânea de artigos publicados ao longo de vinte anos de carreira. Também foi lançado em 1992, pela Editora Objetiva, o livro A Revolução Interior - Um Livro de Autoestima, uma das suas obras mais lida nos EUA.
Em 2021, foi distinguida com o Prémio Princesa das Astúrias para a Comunicação e Humanidades.
No dia 3 de setembro de 2026, a Fundação Gloria Steinem informou em uma publicação nas redes sociais que ela "faleceu pacificamente em sua casa na cidade de Nova Iorque, cercada por alguns dos muitos que a amavam". A causa da morte não foi divulgada.
Controvérsia Numa revelação que deixou muitos perplexos, a figura icônica do feminismo americano revelou-se uma agente da CIA, cuja missão era eliminar a discussão da luta de classes do movimento feminista, concentrando toda a atividade exclusivamente nas questões de gênero. Esta descoberta surpreendente põe em cheque a independência de um dos movimentos sociais mais influentes do século XX.
Recrutada na década de 1950, Steinem passou dois anos na Índia como Chester Bowles Asian Fellow. Ao retornar aos Estados Unidos, ela se envolveu no envio de estudantes americanos ao exterior para interromper os Festivais Mundiais da Juventude organizados pela União Soviética. A agência de inteligência dos EUA recrutou estadunidenses para participar de festivais de jovens comunistas em Viena e Helsinque em 1959 e 1962 através de uma organização que tinha a CIA por trás de suas atividades, o Independent Research Service. O apoio do grupo foi exposto pela primeira vez em 1967 na Ramparts, depois no The Washington Post e no The New York Times.
No artigo "A Friend of the Devil," da New Yorker, menciona-se como a CIA financiou e criou organizações estudantis para influenciar a opinião pública e promover ideais pró-ocidentais durante a Guerra Fria. Essas organizações frequentemente se apresentavam como independentes, mas recebiam apoio financeiro e logístico da CIA para contrapor a influência soviética em movimentos juvenis e intelectuais ao redor do mundo. A ideia era usar esses grupos para promover a democracia liberal e combater o comunismo em países estratégicos.
Neste contexto, o seu papel mais significativo de Gloria Steinem foi infiltrar-se no movimento feminista, utilizando a sua posição como redatora da revista de moda Esquire para promover questões relacionadas com a violação dos direitos das mulheres, com ajuda ocasional da CIA como meio de enfraquecer vertentes feministas ligadas ao marxismo, seguindo um padrão que perdura desde a Guerra Fria e se intensificou com o fim da União Soviética.
Prêmios e reconhecimentos Alguns dos reconhecimentos por seu trabalho são:
Prêmio Penney-Missouri Journalism Prêmio Primeira Página e Clarion, National Magazine, Estados Unidos Prêmio Lifetime Achievement em Jornalismo da Sociedade dos Profissional de Jornalismo Prêmio Sociedade de Escritores das Nações Unidas 1993 - National Woman´s Hall of Fame, Estados Unidos 2016 - Medalha da Liberdade, entregue pelo presidente Barack Obama, Estados Unidos 2021 - Prêmio Princesa das Astúrias para Comunicação e Humanidades, Espanha 2023 - 100 mulheres mais inspiradoras do mundo pela BBC
Livros The Thousand Indias (1957) The Beach Book (1963), Nova York: Viking Press. Outrageous Acts and Everyday Rebellions (1983), Nova York: Holt, Rinehart, and Winston. Marilyn: Norma Jean (1986), com George Barris, Nova York: Holt. Revolution from Within (1992), Boston: Little, Brown. Moving beyond Words (1993), Nova York: Simon & Schuster. Doing Sixty & Seventy (2006), San Francisco: Elders Academy Press. As if Women Matter: The Essential Gloria Steinem Reader (2014), co-escrito com Ruchira Gupta. My Life on the Road (2015), New York: Random House. The Truth Will Set You Free, But First It Will Piss You Off! (2015), ilustrado por Samantha Dion Baker. Nova York: Random House. My Life on the Road (2016), Nova York: Random House.
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