USA Today Co., Inc., anteriormente conhecida como Gannett (pronúncia em inglês: /ɡəˈnɛt/), é uma holding norte-americana de mídia com sede em Nova Iorque. É a maior editora de jornais dos Estados Unidos quando medida pela circulação diária total.

A USA Today Co. é proprietária do jornal de circulação nacional USA Today, além de jornais locais como Detroit Free Press, The Indianapolis Star, The Cincinnati Enquirer, The Columbus Dispatch, The Florida Times-Union, de Jacksonville, The Tallahassee Democrat, de Tallahassee, The Tennessean, de Nashville, The Daily News Journal, de Murfreesboro, The Courier-Journal, de Louisville, Democrat and Chronicle, de Rochester, The Des Moines Register, El Paso Times, The Arizona Republic, de Phoenix, The News-Press, de Fort Myers, Milwaukee Journal Sentinel, Argus Leader, The Pueblo Chieftain, Redding Record Searchlight, de Redding, Reno Gazette-Journal, de Reno, e Great Falls Tribune.

Em 2015, a Gannett foi dividida em duas empresas de capital aberto, uma voltada a jornais e publicação e outra à radiodifusão. A empresa de radiodifusão adotou o nome Tegna e possui cerca de 68 emissoras de televisão. A empresa jornalística herdou o nome Gannett. A divisão foi estruturada de modo que a Tegna fosse a sucessora jurídica da antiga Gannett, enquanto a nova Gannett surgiu como uma empresa derivada.

Em 2018, a Gannett e outras 90 empresas da Fortune 500 "pagaram uma alíquota federal efetiva de imposto de 0% ou menos" em decorrência da Tax Cuts and Jobs Act de 2017, do então presidente Donald Trump.

Em novembro de 2019, o New Media Investment Group adquiriu a Gannett e incorporou à empresa sua subsidiária GateHouse Media, criando a maior editora de jornais dos Estados Unidos, que adotou o nome Gannett. Mike Reed foi nomeado diretor-executivo.

Em 4 de novembro de 2025, a empresa anunciou que mudaria o nome Gannett para USA Today Co. A mudança de marca entrou em vigor em 18 de novembro de 2025, e as ações passaram a ser negociadas sob o código "TDAY".

História

1906–1983

A Gannett Company, Inc. foi formada em 1923 por Frank Gannett, em Rochester, como expansão do Elmira Gazette, negócio jornalístico que ele havia iniciado em Elmira, em 1906. Gannett, de orientação conservadora, ficou rico e conhecido ao comprar pequenos jornais de propriedade independente e reuni-los em uma grande cadeia, tendência do século XX que ajudou o setor jornalístico a permanecer financeiramente viável.

Em abril de 1957, Paul Miller sucedeu Frank Gannett como presidente e diretor-executivo, quando o grupo tinha 19 jornais em quatro estados, nenhum deles na Flórida. Depois de tentativas repetidas e malsucedidas de entrar no mercado da Flórida, Miller voltou sua atenção ao Condado de Brevard. Ele conversou com Marie Holderman, proprietária e editora do Cocoa Tribune, e apresentou seu plano para um jornal diário matutino no condado. Holderman não se interessou. Nos anos seguintes, representantes da Gannett tentaram negociar uma compra, sem sucesso.

No fim da década de 1950, Al Neuharth era editor-chefe assistente do Miami Herald e conheceu Marie Holderman. Em 1963, Miller o contratou para administrar o Democrat and Chronicle, em Rochester. Dois anos depois, Neuharth pediu a Miller a oportunidade de tentar convencer Holderman.

Na reunião, Neuharth elogiou o Tribune, mas disse a Holderman que ela não tinha os recursos necessários para vencer uma disputa competitiva. Holderman foi convidada a Rochester para conversar com executivos da Gannett. O avião corporativo da empresa levou quatro pessoas da Flórida a Nova Iorque.

John Pound, editor-chefe, acompanhou Holderman e duas netas dela na viagem, em maio de 1965. Convencida da determinação da Gannett e então com 81 anos, Holderman decidiu vender, e Pound disse aos executivos que eles queriam US$ 1,9 milhão pela empresa. Neuharth respondeu: "Dissemos que era um preço justo e certamente pagamos a ela mais do que esperava receber."

Em 1966, Neuharth assumiu o comando da Gannett Florida. Alguns meses depois, a família Hudson, de Titusville, decidiu vender o Star Advocate à Gannett por US$ 1 milhão.

Neuharth lançou o Today em Cocoa, jornal que mais tarde se tornou o Florida Today. Em junho de 1966, havia 33.000 assinaturas pagas, bem acima da meta de 20.000 até o fim do ano. O jornal tornou-se lucrativo em 1968, após apenas 33 meses.

Al Neuharth sucedeu Miller em 1973.

Em 1978, a Gannett adquiriu a Combined Communications Corp., operadora de dois grandes jornais diários, Oakland Tribune e The Cincinnati Enquirer, sete emissoras de televisão, 13 estações de rádio e uma divisão de publicidade exterior, por US$ 370 milhões. A divisão de publicidade exterior passou a se chamar Gannett Outdoor e depois foi adquirida pela Outdoor Systems, antes uma divisão da 3M. A Outdoor Systems foi vendida à Infinity Broadcasting, que depois passou a fazer parte da Viacom e integrou a CBS Corporation até 2014, quando a CBS Outdoor tornou-se independente e adotou o nome Outfront Media.

Em 1979, a Gannett comprou da DuPont o The News Journal, de Wilmington, e adquiriu The Tennessean, de Nashville, quando a cadeia já havia crescido para 79 jornais.Elizabeth M. Neiva, "Chain Building: The Consolidation of the American Newspaper Industry, 1955-80", Business and Economic History, 24(1), outono de 1995. Arquivado em 19 de junho de 2012. Em 1981, a Gannett associou-se aos apresentadores Robert MacNeil e Jim Lehrer para criar a produtora MacNeil/Lehrer-Gannett Productions. A parceria com a Gannett terminou em junho de 1986. Em 1982, a unidade de radiodifusão associou-se à Telepictures Corporation para lançar o programa Newscope.

A Gannett anunciou em 20 de abril de 1982 o lançamento do jornal nacional USA Today, que começou a circular em 15 de setembro de 1982 nas regiões metropolitanas de Baltimore e Washington, D.C.. O preço nas bancas era de US$ 0,25, equivalentes a US$ 0,83 em 2025.

O jornal mais antigo da Gannett é o Berrow's Worcester Journal, de Worcester, Inglaterra, fundado em 1690. Nos Estados Unidos, os jornais mais antigos ainda em circulação são o Poughkeepsie Journal, fundado em Poughkeepsie em 1785, e o The Leaf-Chronicle, fundado em Clarksville em 1808.

1984–2013

Em 1984, John Curley foi nomeado presidente e diretor de operações. Em 1985, tornou-se diretor-executivo e permaneceu na presidência.

A empresa manteve sua sede em Rochester até 1986, quando a transferiu para o Condado de Arlington, na Virgínia. O antigo prédio da sede, o Gannett Building, foi inscrito no Registro Nacional de Lugares Históricos em 1985.

Em 1986, a Gannett e o ex-diretor-executivo da NBC Grant Tinker criaram a GTG Entertainment, produtora de televisão instalada no The Culver Studios, em Culver City, que produziu a primeira temporada de Baywatch e a versão televisiva de curta duração do USA Today, intitulada USA Today: The Television Show. A empresa foi encerrada em 1990.

Em 1994, a empresa assumiu da Post-Newsweek Television a produção de Inside Washington. Em 2004, a WJLA-TV e a Allbritton Communications passaram a produzi-lo.

Douglas H. McCorkindale sucedeu Curley como diretor-executivo em 2000 e como presidente do conselho em 2001. Nesse mesmo ano, a empresa transferiu sua sede para Tysons Corner, subúrbio de Washington, D.C..

A partir de 2005, no News-Press de Fort Myers, a Gannett foi uma das primeiras empresas a adotar o conceito de mojo, abreviação em inglês de mobile multimedia journalists. Eram repórteres que inicialmente trabalhavam fora das redações convencionais, circulavam por suas comunidades e produziam notícias hiperlocais em diferentes formatos, com texto e fotografias para as edições impressa e online, além de áudio e vídeo para o site do News-Press. A prática se espalhou pela cadeia.

Em 2010, a Gannett aumentou salários e bônus de executivos. Bob Dickey, presidente da divisão de jornais dos Estados Unidos, por exemplo, recebeu US$ 3,4 milhões em 2010, ante US$ 1,9 milhão no ano anterior. No ano seguinte, a empresa demitiu 700 funcionários nos Estados Unidos para reduzir custos. No memorando que anunciou as demissões, Dickey escreveu: "Embora tenhamos buscado muitas formas de reduzir custos, lamento informar que não conseguiremos evitar demissões."

Em 7 de março de 2011, a Gannett substituiu o logotipo estilizado com a letra "G", usado desde a década de 1970 e adotado pelas emissoras de televisão da empresa em identificações corporativas e locais com diferentes animações, e adotou um novo slogan: "It's all within reach."David Lieberman, "Gannett launches corporate branding campaign", USA Today, 4 de março de 2011.

Em fevereiro de 2012, a Gannett anunciou que implantaria um sistema de acesso pago nos sites de todos os seus jornais diários. O acesso de não assinantes seria limitado a cinco a quinze artigos por mês, conforme o jornal. O site do USA Today seria o único com acesso irrestrito.Jeff Bercovici, "Gannett Building Paywalls Around All Its Papers Except USA Today", Forbes, 22 de fevereiro de 2012.

Em 24 de março de 2012, a empresa anunciou que aplicaria medidas disciplinares a 25 funcionários de Wisconsin que haviam assinado a petição de revogação do mandato do governador Scott Walker. A empresa afirmou que essa participação pública aberta em um processo político violava seu código de ética jornalística e que a principal responsabilidade dos jornalistas era manter a credibilidade e a confiança pública neles próprios e na organização.

Em 21 de agosto de 2012, a Gannett adquiriu a Blinq Media.

Por volta da primeira semana de outubro de 2012, a Gannett entrou em uma disputa com a Dish Network sobre taxas de compensação e o recurso AutoHop da Dish, que permitia pular comerciais nos gravadores digitais Hopper. A Gannett exigiu que a Dish desativasse o AutoHop sob o argumento de que o recurso afetava as receitas de publicidade de suas emissoras de televisão. A empresa ameaçou retirar todas as suas emissoras da Dish caso a disputa passasse de 7 de outubro sem um acordo. As duas partes chegaram a um acordo depois de prorrogarem o prazo por algumas horas.

Aquisição da Belo Corporation, 2013

Em 13 de junho de 2013, a Gannett anunciou planos de comprar a Belo Corporation, de Dallas, por US$ 1,5 bilhão e assumir suas dívidas. A compra acrescentaria 20 emissoras ao portfólio da Gannett e transformaria a empresa na quarta maior rede de televisão dos Estados Unidos, com 43 emissoras. A operação gerou objeções por conflitos de propriedade em mercados onde Belo e Gannett tinham emissoras de televisão e jornais. Também houve críticas ao uso da Sander Media, LLC, empresa de terceiros do ex-executivo da Belo Jack Sander, como licenciada para comprar emissoras que seriam operadas pelo proprietário de uma concorrente no mesmo mercado, além de preocupações com uma eventual consolidação futura das operações de propriedades da Gannett e da Belo em mercados onde as duas tinham emissoras ou com possível conluio entre emissoras da Gannett e da Sander em negociações de retransmissão. Grupos contrários à concentração da mídia, como a Free Press, e operadoras de televisão por assinatura, como Time Warner Cable e DirecTV, pediram que a Comissão Federal de Comunicações bloqueasse a aquisição.

Em 16 de dezembro de 2013, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou que Gannett, Belo e Sander teriam de vender a emissora KMOV, de St. Louis, a um terceiro aprovado pelo governo e impedido de celebrar acordos com a Gannett, para preservar plenamente a concorrência nas vendas de publicidade com a KSDK, pertencente à Gannett. A operação foi aprovada pela Comissão Federal de Comunicações em 20 de dezembro e concluída em 23 de dezembro."Gannett Completes Its Acquisition of Belo", TVNewsCheck, consultado em 23 de dezembro de 2013. Em 28 de fevereiro de 2014, a Meredith Corporation assumiu formalmente o controle integral da KMOV.

Aquisição de emissoras da London Broadcasting Company, 2014