Victório Galli Filho (Rosana, 30 de abril de 1961) é um pastor evangélico, professor e político brasileiro, atualmente filiado ao Progressistas (PP).
Foi deputado federal por Mato Grosso, inicialmente como suplente e, entre 2015 e 2019, como titular, legislatura na qual presidiu a Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência e exerceu também a liderança do Partido Social Cristão (PSC) na Câmara dos Deputados.
Após deixar a Câmara, atuou em 2019 como assessor especial da Presidência da República na articulação do governo Jair Bolsonaro com o Legislativo. Nos anos seguintes, manteve atuação partidária em Mato Grosso, onde ocupou cargos de direção partidária e chegou a integrar, como suplente, uma chapa ao Senado na eleição suplementar de 2020. Voltou a disputar uma vaga de deputado federal nas eleições de 2022 e a de 2026.
Carreira política Victório Galli é pastor da igreja Assembleia de Deus.
Iniciou a carreira política ao se filiar ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) em 1985.
Mandatos por suplência Galli disputou uma vaga de deputado federal por Mato Grosso pelo PMDB nas eleições de 2006. Como suplente, exerceu o mandato entre 2 de outubro de 2007 e 27 de janeiro de 2008 e, novamente, entre 15 de julho e 14 de novembro de 2009.
Durante seu primeiro período na Câmara, Galli apresentou em dezembro de 2007 um projeto de lei (PL 2623/2007) destinado a alterar a legislação que reconhece Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. O texto propunha que ela passasse a ser designada "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos" e que a expressão "culto público e oficial" fosse substituída por "homenagem oficial", sem alteração do feriado de 12 de outubro. Segundo Galli, a proposta buscava adequar a lei ao caráter laico do Estado e havia sido sugerida por cidadãos não católicos. A Comissão de Educação e Cultura rejeitou o projeto, que foi arquivado em agosto de 2008.
Em outubro de 2007, Galli votou a favor de uma proposta do governo Lula que prorrogava a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
O deputado voltou a disputar uma vaga de deputado federal pelo PMDB em 2010 e assumiu novamente como suplente entre 5 de julho e 2 de novembro de 2012.
Durante seu mandato de suplência em 2012, apresentou um projeto de lei complementar que obrigaria profissionais com exposição regular no rádio ou na televisão a se afastarem dessas atividades um ano antes das eleições caso pretendessem concorrer a um cargo eletivo.
Nas eleições de 2014, já filiado ao Partido Social Cristão (PSC), foi diretamente eleito deputado federal pela coligação Coragem e Atitude pra Mudar, com votos. Durante a campanha, recebeu uma doação do candidato ao governo Pedro Taques, do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Segundo a Folha de S.Paulo, a aproximação entre PSC e PDT em Mato Grosso fora um acordo arquitetado por Pastor Everaldo, candidato presidencial do PSC naquele ano, para obter um palanque no estado.
Mandato titular No início do mandato, em março de 2015, Galli defendeu na tribuna da Câmara o fim da exibição do reality show Big Brother Brasil. Segundo ele, as cenas de sexo, agressões físicas, comportamento homossexual e outras imoralidades exibidas pelo programa "adentram nossos lares sufocando as famílias cristãs". Disse também que “quem quiser comprar em canais por assinaturas que compre, mas não podemos tolerar mais essa agressão à família brasileira”.
O deputado também se pronunciou sobre questões de interesse de Mato Grosso. Igualmente da tribuna da Câmara, criticou Mauro Mendes e Walace Guimarães, respectivamente os prefeitos de Cuiabá e Várzea Grande, por não cobrarem a conclusão das obras do VLT de Cuiabá e Várzea Grande. Criticou também como um todo o legado da infraestrutura da Copa do Mundo, obras afligidas por graves erros de execução e engenharia, incluindo a milionária Arena Pantanal. O deputado se opôs à realização do plebiscito proposto pelo governador Pedro Taques para decidir sobre a continuidade do projeto: "Milhões de reais já foram aplicados nas obras, inclusive na compra de trens. Mudar o projeto do VLT, hoje, para BRT é aumentar a dívida. A sociedade de Mato Grosso não merece isso." Após um pronunciamento seu, no qual denunciou o abandono e a deterioração dos 40 vagões do VLT, o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) abriu um processo para apurar possíveis prejuízos aos cofres públicos e as responsabilidades pela conservação dos veículos; o deputado estimou o desperdício do "dinheiro do trabalhador brasileiro" em quase meio milhões de reais.
Ainda em março de 2015, outra fala sua na tribuna repercutiu na imprensa. Ao criticar uma matéria da revista IstoÉ sobre a descoberta de fósseis relacionados à evolução humana, Galli rejeitou a explicação evolucionista para a origem do ser humano e defendeu uma interpretação criacionista, afirmando que "macacos continuam sendo macacos e o homem continua sendo homem".
Na semana anterior à votação do impeachment de Dilma Rousseff, Galli foi o último deputado a se pronunciar em uma sessão da comissão que discutia o parecer sobre a abertura do processo, encerrada durante a madrugada. Após ser ridicularizado nas redes sociais por ter cochilado durante a sessão, afirmou que o cansaço era normal dado o tardar da hora: "Estive por quase 24 horas sem dormir e praticamente sem comer à serviço do meu país, e virarei quantas noites forem necessárias para contribuir com a limpeza do Brasil". Em sua defesa, declarou ser "de carne e osso" e disse que não se envergonhava do episódio.
Em 17 de abril de 2016, votou a favor da admissibilidade do impeachment. Ao declarar o voto, fez referência à família, a Mato Grosso e ao "povo cristão" e relacionou seu apoio ao processo ao combate à corrupção. Citou também uma frase atribuída a Olavo de Carvalho, o qual alertara na década de 1990 que: "o PT [Partido dos Trabalhadores] daria PT [perda total] no Brasil".
No mês seguinte, em maio de 2016, foi eleito presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, posição que exerceu até março de 2017. Ao assumir a comissão, declarou que pretendia priorizar a acessibilidade das vias urbanas, a inserção das pessoas com deficiência no mercado de trabalho e o combate ao preconceito.
Ainda em 2016, Galli apresentou um projeto de lei que propunha qualificar como crime hediondo o homicídio de líderes eclesiásticos cristãos quando motivado pelo exercício de sua atividade religiosa. Em setembro, encaminhou ao governador Pedro Taques um pedido para que Mato Grosso deixasse de adotar o horário de verão. Galli citou o consumo de energia e a segurança de trabalhadores e estudantes que saíam de casa mais cedo como argumentos para a mudança e sugeriu, como alternativa, a realização de uma consulta popular.
Sua atuação em temas relacionados a religião, gênero e sexualidade foi posteriormente objeto de análise acadêmica. Um estudo publicado em 2022 sobre proposições apresentadas na Câmara entre 2012 e 2018 em reação à agenda de igualdade de gênero e diversidade sexual identificou os deputados Victório Galli e Diego Garcia como os parlamentares que mais assinaram proposições do conjunto analisado, com nove cada.
Em fevereiro de 2017, Galli tornou-se líder do PSC na Câmara. Ao apresentar as prioridades do partido, declarou apoio às reformas trabalhista e previdenciária propostas pelo governo de Michel Temer e afirmou que a legenda daria prioridade ao debate sobre o aborto e a projetos relacionados ao que denominava "defesa da família". No mês seguinte, durante o debate sobre uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) que pleiteava a descriminalização do aborto até a décima segunda semana de gestação, opôs-se à mudança por decisão judicial e defendeu que fossem ouvidas, entre outras entidades, a Frente Parlamentar Evangélica, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e conselhos da área médica.
Galli votou a favor da reforma trabalhista e pelo arquivamento das duas denúncias apresentadas contra Temer em 2017. Na votação da primeira denúncia, justificou seu voto mencionando, entre outros pontos, sua oposição à chamada ideologia de gênero nas escolas: "Pelo progresso do nosso país, pela nossa liberdade religiosa e pela não implantação da ideologia de gênero nas nossas escolas, meu voto é sim". Como líder do PSC, negou naquele período que o apoio da bancada ao governo estivesse condicionado à negociação de cargos ou emendas.
Em abril de 2018, Galli apresentou um projeto de lei que propunha alterar o Estatuto da Criança e do Adolescente para restringir a adoção a pessoas casadas ou em união estável formada por homem e mulher, excluindo, assim, pessoas solteiras e casais do mesmo sexo. Ao justificar a proposta, afirmou que crianças adotadas por casais homossexuais poderiam sofrer "insegurança emocional e psicológica".
PSL e eleições de 2018 Em 2018, Galli deixou o PSC e filiou-se ao Partido Social Liberal (PSL), do qual se tornou presidente em Mato Grosso. Na direção estadual da sigla, participou das articulações eleitorais em Mato Grosso e apoiou a candidatura presidencial de Jair Bolsonaro.
A definição da candidatura do PSL ao governo de Mato Grosso provocou divergências internas. Em junho, o ex-prefeito de Sorriso Dilceu Rossato, então pré-candidato do partido ao governo estadual, desistiu da disputa e criticou a condução de Galli à frente da sigla. Rossato afirmou que o deputado demonstrava maior preocupação com a própria reeleição do que com a eleição estadual. Galli negou ter provocado a desistência e atribuiu a decisão de Rossato à pressão exercida por outros integrantes do grupo político.
A disputa com Rossato voltou a público nos últimos dias da campanha. Em outubro, o ex-prefeito acusou Galli de ter pedido 2 milhões de reais em troca de apoio à sua pré-candidatura. Galli negou ter tratado de recursos com Rossato e classificou a candidatura do ex-prefeito como uma "farsa".
No plano nacional, durante as negociações nacionais para a composição da chapa presidencial do PSL, em julho, Galli afirmou que seu nome havia sido mencionado em uma reunião de dirigentes como uma das possibilidades para a vice-presidência caso a jurista Janaína Paschoal recusasse o convite. Disse estar "à disposição" do partido, mas a indicação não se concretizou. No mesmo período, a direção do PSL em Mato Grosso acertou apoio à reeleição de Pedro Taques, então no PSDB. Galli afirmou que a aliança estadual não impediria a campanha de Bolsonaro no estado e que o acordo assegurava espaço em seu palanque.
Durante a campanha presidencial em si, o projeto apresentado por Galli em 2007 sobre Nossa Senhora Aparecida voltou a ganhar repercussão após publicações nas redes sociais atribuírem falsamente sua autoria a Jair e seu filho Eduardo Bolsonaro.
Já para a eleição legislativa, Galli concorreu à reeleição para a Câmara e recebeu um total de votos, mas não foi eleito em razão do quociente eleitoral, apesar de ter obtido mais votos que dois candidatos eleitos. Seu filho, Elias Galli, que disputou uma vaga de deputado estadual, também não se elegeu, obtendo votos. A Gazeta Digital apresentou os dois resultados como uma demonstração dos limites do chamado "efeito Bolsonaro" sobre as candidaturas locais.
Carreira posterior Em fevereiro de 2019, Galli foi nomeado assessor especial da presidência da República, passando a atuar na articulação do governo de Jair Bolsonaro com a Câmara dos Deputados. O UOL especulava que o ex-deputado teria bom trânsito em especial com a bancada evangélica.