miniaturadaimagem|Manifesto do Grupo Ruptura. Grupo Ruptura foi um conjunto de artistas que marcou o início do movimento de arte concreta em São Paulo, no Brasil. Criado em 1952, era liderado por Waldemar Cordeiro (também seu maior teórico) e composto, inicialmente, por Geraldo de Barros, Luís Sacilotto, Lothar Charoux, Kazmer Féjer, Anatol Wladyslaw e Leopold Haar. Em seu manifesto, é proposta a “renovação dos valores essenciais das artes visuais” através das pesquisas geométricas, aproximando arte e indústria, e com o desligamento da tradição abstracionista passada. A estreia pública do grupo foi a exposição Ruptura, inaugurada em 9 de dezembro de 1952 no Museu de Arte Moderna de São Paulo.
A exposição de 1952 O convite de abertura anunciava a "exposição do grupo abstracionista Ruptura". O grupo entraria para a história como o primeiro de arte concreta no Brasil, e o manifesto lançado na ocasião não emprega a expressão em nenhum momento.
Aberta por doze dias na sala menor do museu, então instalado na rua Sete de Abril, no centro de São Paulo, a mostra foi inteiramente concebida pelos artistas. Segundo Rejane Cintrão e Ana Paula Nascimento, que a pesquisaram em 2002, o MAM limitou-se a ceder o espaço, à época destinado a artistas brasileiros, sem se encarregar da montagem nem do transporte.
Pouco sobrou. Nunca houve lista das obras expostas, e nem os arquivos do MAM nem os do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, que herdou seu acervo em 1963, guardam registro delas. O que se conhece vem de três fontes: fotografias publicadas pela imprensa, uma imagem que o pesquisador João Bandeira localizou em 2002 e o caderno de anotações de Luiz Sacilotto, que em 8 de dezembro desenhou os esboços das cinco obras que entregaria ao museu no dia seguinte.
Foi desse material que a curadoria da retrospectiva de 2022 reconstituiu o que pôde: contabilizou cerca de vinte e cinco obras e identificou sete. São elas Função diagonal, de Geraldo de Barros, Desenvolvimento óptico da espiral de Arquimedes, de Waldemar Cordeiro, e cinco de Luiz Sacilotto, Resultantes de elementos, Coordenadas com movimentos ondulatórios, Ritmos horizontais e verticais, Articulação complementária e Vibrações verticais, todas de 1952. Sandes estima o total em cerca de trinta, o que corresponderia a quase tudo que os artistas haviam produzido até ali.
A própria montagem era um argumento. Para a historiadora da arte Adele Nelson, ela procurou produzir uma impressão de unidade: as pinturas foram penduradas na mesma altura e alinhadas pela base, e a regularidade dos formatos reforçava a afinidade entre os expositores. A unidade, porém, era menos evidente nas obras que nas paredes, e as duas produções mais contrastantes do conjunto, as de Waldemar Cordeiro e Anatol Wladyslaw, ficaram lado a lado.
Nem toda a repercussão tratou a mostra pelo que ela propunha. Em 14 de dezembro de 1952 a Folha da Manhã publicou fotografias em que modelos posavam ao lado das pinturas, sob o título "Abstracionismo? Figurativismo ou arte concreta? Elegância em todo o caso".
No verso do manifesto distribuído na abertura, o grupo anunciava uma "grande mostra nacional de arte abstrata e concreta" para 5 de abril de 1953, em São Paulo, que não chegou a se realizar. A exposição não teve continuidade sob o nome Ruptura, mas os debates que abriu sobre abstração e arte concreta atravessaram a década.
Categoria:Grupos de artistas do Brasil Categoria:Pintura do Brasil