As mulheres na Alemanha Nazista estavam sujeitas às doutrinas do Nazismo pelo Partido Nazi (NSDAP), sendo excluídas da vida política activa da Alemanha, tal como dos corpos executivos e comissões executivas. Embora o Partido Nazista tivesse decretado que as "mulheres não podiam ser admitidas nem como executivas do partido, nem na Comissão Administrativa", tal não evitou que várias mulheres se tornassem membros do partido. A doutrina nazista dava ênfase ao papel do homem alemão, destacando as suas capacidades de combate e a camaradagem entre si.

As mulheres viviam num regime caracterizado por uma política confinada ao papel de esposa e mãe, e excluindo-as de todas as posições de responsabilidade, em particular nas esferas política e académica. As políticas nazistas contrastam fortemente com a evolução da emancipação durante a República de Weimar, sendo mesmo diferente da atitude patriarcal e conservadora do Império Alemão. O posicionamento das mulheres no centro de organizações-satélite do Partido Nazista, como a Bund Deutscher Mädel ou a NS-Frauenschaft, tinha o objectivo último de motivar a coesão da "comunidade do povo" (Volksgemeinschaft).

Em primeiro lugar, na doutrina nazista que dizia respeito às mulheres, estava a noção da maternidade e procriação para aquelas na idade fértil.Stephenson (2001). Women in Nazi Germany, p. 16. A mulher-modelo nazista não tinha uma carreira, mas era responsável pela educação dos seus filhos e pelo cuidar da casa. As mulheres apenas podiam ter formação no que dizia respeito às tarefas domésticas, e foram ficando, ao longo do tempo, restringidas de ensinar nas universidades, de profissões médicas e de assumir cargos em posições políticas dentro do NSDAP.Stephenson (2001). Women in Nazi Germany, pp. 17-20. Muitas restrições foram levantadas à medida que o esforço de guerra do regime assim o exigia. À excepção da Reichsführerin Gertrud Scholtz-Klink, mais nenhuma mulher teve permissão para ter funções oficiais, apesar de algumas excepções surgidas no regime, fosse pela proximidade a Adolf Hitler, como Magda Goebbels, ou por sobressaírem nas suas profissões como a realizadora cinematográfica Leni Riefenstahl ou a piloto-aviadora Hanna Reitsch.

Apesar de muitas mulheres terem tido um papel muito importante no centro do sistema nazista ou de terem ocupado lugares centrais nos campos de concentração nazistas,Lower (2013). Hitler's Furies: German Women in the Nazi Killing Fields, pp. 97-144. algumas entraram para resistência alemã, morrendo ao seu serviço, como Libertas Schulze-Boysen ou Sophie Scholl.

Antecedentes

Durante a República de Weimar, o estatuto das mulheres era um dos mais progressistas da Europa. A Constituição de Weimar, de 19 de Janeiro de 1919, proclamou o direito de voto (artigos 17 e 22), a igualdade dos sexos em questões civis (artigo 109), a não-discriminação contra as mulheres burocratas (artigo 128º), os direitos de maternidade (art. 19) e igualdade conjugal no casamento (artigo 119).Marie-Bénédicte Vincent, Histoire de la société allemande au XXe siècle. Tome I. Le premier XXe siècle. 1900–1949, Paris, 2011, p. 41 Clara Zetkin, líder proeminente do movimento feminista alemão, foi deputada no Reichstag de 1920 a 1933, tendo até presidido à assembleia no papel de Dean. Mas Weimar não representou um grande salto para a libertação das mulheres. As mulheres permaneceram pouco representadas no parlamento; a maternidade continuou a ser promovida como a função social mais importante da mulher; o aborto ainda era condenável (art. 218 do Código Penal); e as trabalhadoras não alcançaram progressos económicos significativos, como a igualdade salarial.Marie-Bénédicte Vincent, Histoire de la société allemande au XXe siècle. Tome I. Le premier XXe siècle. 1900–1949, Paris, 2011, p. 42 Com o surgimento do consumismo, as empresas e o governo tiveram uma necessidade crescente de trabalho; embora o trabalho se tornasse um caminho para a emancipação para as mulheres, eles eram frequentemente limitados a trabalho administrativo como secretárias ou funcionários de vendas, onde geralmente eram pagas entre 10% a 20% menos que os empregados do sexo masculino sob vários pretextos, como a alegação de que a compreensão das tarefas domésticas as libertariam de determinadas despesas domésticas. thumb|Mulher alemã a trabalhar como secretária em 1938.

Enquanto a maioria dos outros partidos da a República de Weimar apresentava candidatos femininos durante as eleições (e algumas foram eleitos), o Partido Nazista não. Em 1933, Joseph Goebbels justificou esta posição explicando que "é necessário deixar aos homens o que pertence aos homens". A Alemanha passou de 37 deputadas no Parlamento, num total de 577, para nenhuma, depois da eleição de Novembro de 1933.

Início do regime nazistas

O poder alcançado por Adolf Hitler como chanceler marcou o fim de numerosos direitos das mulheres, apesar de Hitler ter conseguido a sua ascensão social em parte graças à protecção de mulheres influentes.Fabrice d'Almeida, La Vie mondaine sous le nazisme, 2008, chapter "Naissance de la haute société nazie". No entanto, em termos de padrões de votação, uma maior proporção de eleitores masculinos apoiou o Partido Nazista em comparação com eleitores femininos.Richard F. Hamilton, Who voted for Hitler?, 2014. A socialização de Hitler em círculos afluentes e com socialites como a princesa Elsa Bruckmann, esposa do editor Hugo Bruckmann e Helene Bechstein, esposa do industrial Edwin Bechstein, Fabrice d'Almeida, La Vie mondaine sous le nazisme, 2008, pages 35 et 41. no início, trouxe ao Partido Nazista novas fontes de financiamento importantes. Por exemplo, Gertrud von Seidlitz, viúva de uma família nobre, doou 30 mil marcos ao partido em 1923;Fabrice d'Almeida, La Vie mondaine sous le nazisme, 2008, page 44. e Helene Bechstein, que tinha uma propriedade no Obersalzberg, facilitou a aquisição de Hitler da propriedade Wachenfeld.Sigmund (2000). Women of the Third Reich, p. 8.

Em 1935, durante um discurso no Congresso de Mulheres Nacional-Socialistas, Hitler declarou, no que diz respeito aos direitos das mulheres:

O facto de Hitler não ser sido casado e de representar um ideal masculino para muitos alemães levou à sua erotização na imaginação pública. Em Abril de 1923, um artigo apareceu no Münchener Post afirmando que "as mulheres adoram Hitler"; ele foi descrito como adaptando seus discursos para "os gostos das mulheres que, desde o início, contam entre seus mais fervorosos admiradores".Albert Zoller, Hitler privat, Düsseldorf, 1949. As mulheres também foram, por vezes, fundamentais para levar seus maridos para a esfera política nazistas, contribuindo, assim, para o recrutamento de novos membros do NSDAP.Sigmund (2000). Women of the Third Reich, pp. 8-9.

Numa sociedade que estava a começar a considerar as mulheres e os homens como iguais, as políticas nazistas constituíram um forte revés, forçando as mulheres a deixar a vida política. As políticas nazistas relativas às mulheres eram um aspecto dos seus esforços para impedir o que o novo regime via como a decadência da República de Weimar. Na sua perspectiva, o regime de Weimar, que eles achavam que tinha uma natureza judaica, parecia efeminada, tal como tolerante à homossexualidade – a verdadeira antítese da virilidade germânica.HOMENS E MULHERES FALANDO EM GENOCÍDIO: A EXPERIÊNCIAIMPERIALISTA ALEMÃ (1884-1945)

Heinrich Himmler declarou ao SS-Gruppenführer, em Fevereiro de 1937:

Oficialmente, o estatuto das mulheres passou de "direitos iguais" () para uma "equivalência" entre homens e mulheres(). O historiador Pierre Ayçoberry salienta que "esta ofensiva forneceu a dupla vantagem de agradar aos seus colegas masculinos preocupados com essa concorrência, e devolveu à vida privada mais de orgulhosas do seu sucesso, a maioria das quais eleitores que apoiaram a esquerda política". Esta política originou mal-estar entre os militantes do NSDAP, que estavam apreensivos com o facto de isso poder fazer mal aos membros femininos, um conjunto de associados necessários para postos futuros.

Restrições na entrada para o ensino universitário Em 1933, os programas escolares para as raparigas foram alterados, principalmente com o objectivo de as desencorajar de seguirem estudos universitários. Os cinco anos de aulas de latim e os três anos de ciências foram substituídos por cursos em língua alemã e formação em actividades domésticas. Esta mudança não teve resultados produtivos; por um lado, um número significativo de raparigas estava matriculadas em escolas de rapazes, enquanto que, por outro lado, as "restrições às inscrições" de 10% ao nível universitário eram geralmente ignoradas. Assim, as medidas apenas diminuíram as matrículas em escolas de medicina de 20% para 17%.

Algumas associações de mulheres, nomeadamente grupos comunistas e socialistas, foram banidas e, em alguns raros casos, os membros foram presos ou assassinados. Todas as associações foram convidadas a denunciar os membros judeus, como a União de Mulheres Protestantes, a Associação de Domicílio e Campo, a União da Sociedade Colonial das Mulheres Alemãs e a União da Rainha Louise. Mas, tal como começaram, a maioria das associações depressa de separou ou escolheram, por vontade própria, desaparecer, como a Bund Deutscher Frauenverein (BDF, Federação das Associações das Mulheres Alemãs), criada em 1894, e que se separou em 1933 para evitar ser controlada. Apenas uma associação de mulheres persistiu sob o regime (a associação de Gertrud Bäumer, Die Frau ou A Mulher), até 1944, mas colocada sob a tutela do ministro do Reich da Educação do Povo e da Propaganda, Joseph Goebbels. Rudolf Hess criou a Deutsches Frauenwerk a qual, com o ramo feminino do Partido Nazi, a NS-Frauenschaft, tinha como o objectivo de se tornar uma organização de massas para o regime.

Em 1936, uma lei baniu algumas posições de topo no sistema judicial para as mulheres (em especial a de juiz e a de procurador, com a intervenção pessoal de Hitler) e no campo médico. As mulheres médicas foram proibidas de exercer a sua profissão. Esta situação provocou problemas nas necessidades de saúde do país, e algumas foram chamadas para voltar ao trabalho. Também banida foi a Associação de Mulheres Médicas, a qual foi absorvida pela associação masculina.) Durante a República de Weimar, apenas 1% dos lugares universitários eram ocupados por mulheres. A 8 de Junho de 1937, um decreto estipulou que apenas os homens podiam ser nomeados para estes postos. Não obstante, em 21 de Fevereiro de 1938, "numa excepção única" no seguimento da influência de Gertrud Scholtz-Klink,Anna Maria Sigmund, Les femmes du IIIe Reich, 2004, page 180. uma mulher cientista, Margarete Gussow, obteve um lugar em astronomia. A matemática Ruth Moufang conseguiu obter o seu doutoramento, mas não pode leccionar e foi forçada a trabalhar na indústria nacional.Edited by Josiane Olff-Nathan, La science sous le Troisième Reich, éditions du Seuil, 1993, page 98. Emmy Noether, outra licenciada em Matemática, foi exonerada da sua função por causa da "lei alemã para a Restauração do Serviço Público" de 17 de Abril de 1933, por ter pertencido, nos anos 1920, ao Unabhängige Sozialdemokratische Partei Deutschlands (USPD) e ao Sozialdemokratische Partei Deutschlands (SPD). A investigadora física Lise Meitner, que dirigiu o Departamento de Física na Sociedade Kaiser Wilhelm, conseguiu manter-se nessa função até 1938 devido à sua nacionalidade austríaca, que terminou com a Anschluss); depois disso partiu para os Países Baixos, e depois para a Suécia. No campo científico, foram residuais as nomeações de mulheres; em 1942, as mulheres não tinham autorização para dirigir um instituto científico, apesar de nenhum homem se ter candidatado. A limitação da presença de mulheres na vida política foi total: não podiam ocupar nenhum lugar tanto no Reichstag, como nos parlamentos regionais ou concelhos municipais.