Robert Baldwin (York, Canadá Superior, 12 de maio de 1804 — Toronto, Canadá Oeste, 9 de dezembro de 1858) foi um advogado e político canadense que, junto com seu parceiro político Louis-Hippolyte La Fontaine, liderou o primeiro ministério responsável do Canadá. O "governo responsável" marcou a independência democrática do país, sem uma revolução, embora não sem violência. Esta conquista incluiu também a introdução do governo municipal, a introdução de um sistema jurídico moderno e do sistema de júri canadense e a abolição da prisão por dívidas. Baldwin também se destacou por ter resistido a uma tradição de décadas de terrorismo da Ordem de Orange de reformas políticas na colônia, que chegou a incendiar os edifícios do Parlamento em Montreal em 1849.

Família thumb|esquerda|Augusta Elizabeth Baldwin O avô de Robert Baldwin, também chamado Robert Baldwin ("Robert, o Emigrante") mudou-se da Irlanda para o Canadá Superior em 1799. Seu pai era William Warren Baldwin (25 de abril de 1775 – 8 de janeiro de 1844).

A família Baldwin era proeminente. Robert Baldwin tinha entre seus primos influentes membros da província, tais como o bispo anglicano Maurice Baldwin, o prefeito de Toronto, Robert Baldwin Sullivan e o líder irlandês-católico Connell James Baldwin. A família Russell-Willcocks-Baldwin formou um "compacto" de elite muito parecido com a família liderada por John Beverley Robinson, contra quem eles rivalizaram.

Robert Baldwin, advogado em York (atual Toronto), casou-se com sua prima Augusta Elizabeth Sullivan, filha de Daniel Sullivan, em 3 de maio de 1827. O casal teve quatro filhos, dois homens e duas mulheres. Augusta Elizabeth morreu em 11 de janeiro de 1836. Robert Baldwin morreu em 9 de dezembro de 1858.

Robert Baldwin é avô de Frederick Walker Baldwin, um pioneiro da aviação canadense e parceiro do famoso inventor Alexander Graham Bell. Robert Baldwin é também avô de Robert Baldwin Ross, jornalista e crítico de arte nascido na França, e executor literário de Oscar Wilde.

Princípios políticos thumb|esquerda|Estátua de Robert Baldwin por Alfred Laliberté em frente ao Edifício do Parlamento de Quebec.

Primeiros princípios Os princípios políticos de Baldwin devem ser vistos no contexto do "Partido do País" do século XVIII, uma coligação flexível de parlamentares cuja influência também foi sentida na Revolução Americana e na política jacksoniana subsequente. O Partido do País incorporou um humanismo cívico inspirado nas antigas concepções gregas e romanas de cidadania e no valor de uma participação política altruísta para o bem público; os poucos egoístas que colocaram seus interesses pessoais à frente do bem público ameaçaram o compromisso moral de todos os cidadãos com a participação política. O humanismo cívico do Partido do País rejeitou a ideologia comercial do partido real da "Corte". O Partido do País tinha uma ênfase republicana que buscava preservar o poder de um parlamento democrático contra as invasões da coroa durante a vasta expansão da administração do Estado, o crédito público e as revoluções financeiras e comerciais do final do século XVIII e início do século XIX. Foi semelhante às concepções americanas de "republicanismo cívico", que se desenvolveram após a revolução entre os democratas jacksonianos, assim como no movimento cartista da Grã-Bretanha no final da década de 1830.

Governo responsável O conceito de "governo responsável" foi atribuído ao Dr. William W. Baldwin e ao seu filho, Robert. Embora a ideia da responsabilidade ministerial colonial para um parlamento colonial tenha sido apregoada desde o final do século XVIII, os Baldwins foram os primeiros a implementar com sucesso o princípio. O significado da frase evoluiu ao longo do tempo. Em uma petição de 1828 do Canadá Superior ao Parlamento britânico sobre os males coloniais, foi uma afirmação de que o Ato Constitucional de 1791 era um tratado entre o Parlamento britânico e os povos coloniais, e não poderia ser arbitrariamente alterado por uma ou outra parte. Em 1836, quando Baldwin convenceu os membros do Conselho Executivo a renunciarem devido à recusa do vice-governador Francis Bond Head de consultá-los sobre as nomeações administrativas, não significava responsabilidade ministerial para a Assembleia eleita (os Conselheiros Executivos não eram ministros), mas a obrigação da Coroa de consultar esse Conselho. A sutiliza da frase aponta para o seu verdadeiro objetivo, "soberania por sigilo", sem rebelião. Só depois das Rebeliões de 1837 e da implementação do Relatório Durham, foi que o Conselho Executivo se tornou um gabinete de ministros que eram chefes de departamentos e a frase "governo responsável" passou a significar sua responsabilidade para com a Assembleia eleita, não a nomeada pelo governador.

Governo municipal O governo municipal no Canadá Superior estava sob o controle de magistrados nomeados, que se encontravam em tribunais para administrar as leis dentro de um distrito. Algumas cidades, como Toronto, foram incorporadas por atos especiais da legislatura. Após a União dos Canadás, o novo governador, Charles Edward Poulett Thomson, encabeçou a aprovação da Lei dos Conselhos Distritais que transferiu o governo municipal para os conselhos distritais. Seu projeto de lei permitia dois conselheiros eleitos de cada município, mas o administrador, o escrivão e o tesoureiro eram nomeados pelo governo. Isso permitiu então um forte controle administrativo e a continuação de nomeações de patrocínio governamental. O projeto de Poulett Thomson atendia às maiores preocupações em limitar a participação popular sob a tutela de um executivo forte. Baldwin foi um dos poucos reformistas que se opuseram à Lei do Conselho Distrital; ele considerou sua substituição pela Lei Baldwin de 1849, uma das suas maiores realizações. A Lei Baldwin tornou o governo municipal verdadeiramente democrático e não uma extensão do controle central da Coroa. Ele delegou autoridade para os governos municipais para que eles pudessem aumentar os impostos e criar normas gerais. Estabeleceu também uma hierarquia de tipos de governos municipais, começando no topo com as cidades e continuando com vilas e finalmente aldeias. Este sistema deveria prevalecer nos próximos 150 anos.

Carreira política Robert Baldwin não era um político natural. Ele foi descrito como melancólico, e desconfortável em público. Realizou discursos em um estilo sussurrante e paralisante. Embora eleito em 1830 como membro da Assembleia Legislativa pela cidade de York em uma eleição parcial, foi derrotado nas eleições gerais no final desse ano. Apesar deste começo desfavorável, sua adesão ao princípio e seu destemor diante da violência eleitoral da Ordem de Orange ganhou-lhe a lealdade dos eleitores no período pós-rebelião.

Rebelião de 1837 thumb|esquerda|John George Lambton, 1º Conde de Durham Depois de perder sua cadeira na eleição de 1830, Baldwin retirou-se para sua prática jurídica privada até a morte de sua esposa, em decorrência de uma cesariana em 1836. Não participou do movimento da União Política da década de 1830. Duas semanas após a morte de Eliza Baldwin, Sir Francis Bond Head (1793–1875) chegou como o novo vice-governador, para resolver as queixas da reforma. Ele procurou e nomeou os reformadores Baldwin, John Dunn e John Rolph para o Conselho Executivo, três membros da Family Compact, ou "Pacto Familiar", um termo utilizado pelos historiadores para um pequeno grupo fechado de homens que exerceram a maior parte do poder político, econômico e judicial no Canadá Superior (atual Ontário) de 1810 até a década de 1840. A condição de Baldwin para se juntar ao Conselho Executivo foi um compromisso verbal feito por Bond Head para o governo responsável. Bond Head mais tarde se recusou a confirmar por escrito o acordo, então Baldwin renunciou dentro de um mês e convenceu os outros conselheiros, reformista e tory, a renunciar junto com ele. Isso convenceu Bond Head de que os reformadores eram incontroláveis. Convocou uma eleição imediata, na qual ele, como vice-governador, entrou na disputa eleitoral e com o uso da violência empregada na votação pela Ordem de Orange, expurgou os reformadores da Assembleia Legislativa.

Baldwin viajou para a Grã-Bretanha em 1836 para falar com o secretário colonial, Lorde Glenelg, mas este se recusou a recebê-lo. Baldwin então escreveu a Glenelg, que "se for o desejo da Pátria Mãe manter a colônia ... só poderá ser feito ou pela força, ou com o consentimento do povo. Considero que a Grã-Bretanha não deseja exercer um Governo da Espada". Ele ofereceu o remédio - governo responsável - mas foi rejeitado e a colônia iniciou uma rebelião.

Embora fosse um reformador moderado, Robert Baldwin desaprovou veementemente a rebelião de 1837–1838 e em função de seus pontos de vista, prestou alegadamente uma defesa inexpressiva de Peter Matthews, que foi executado por seu papel na rebelião. Baldwin serviu como intermediário, com John Rolph, entre os rebeldes e o vice-governador, levando uma bandeira de trégua ao campo rebelde no norte de Toronto, em 5 de dezembro de 1837, mas não conseguiu evitar um confronto armado. Ele e seu pai William recomendaram a Lorde Durham, que sugerisse um governo responsável para o governo britânico.

União dos Canadás thumb|O Templo dos Filhos da Paz, em Sharon. Em resposta ao Relatório Durham, o governo britânico nomeou governador Charles Edward Poulett Thomson (mais tarde Lorde Sydenham) com duas tarefas principais. Em primeiro lugar, ele deveria enfraquecer o voto dos franco-canadenses no Canadá Inferior através da união das províncias dos Canadás Superior e Inferior e fortalecer um Conselho Executivo. Em segundo lugar, deveria fortalecer o governo britânico, impondo um novo sistema de conselhos distritais de controle central, que tomaria grande parte da competência legislativa da Assembleia eleita, deixando pouco para se fazer, além de aprovar os orçamentos do governador. Ambas as reformas fortaleceriam o estado central e enfraqueceria o poder legislativo (canadense).

Sydenham reformou o Conselho Executivo, nomeando entre seus membros ministros do governo pela primeira vez (ou seja, a Regra do Gabinete). Ele tentou pedir o apoio dos reformistas nomeando Baldwin como Procurador-Geral em 1840. Para seguir seu próprio princípio de governo responsável, Baldwin precisava buscar eleições para que ele, um ministro do governo, pudesse ser responsável perante a assembleia eleita e não à Coroa.

Os tumultos da Ordem de Orange durante as eleições cívicas de Toronto, em janeiro de 1841, convenceram Baldwin de que ele nunca ganharia uma eleição naquela cidade. Devido a isso, buscou se candidatar às eleições nos isolados distritos eleitorais de Hastings, Ontário e 4th York. Os Filhos da Paz, uma seita quaker do Canadá Superior sob a liderança de David Willson, desempenharam um papel importante no movimento reformista pré-rebelião, conseguiu eleger Baldwin em 4th York e ele tornou-se assim, o primeiro membro a ser eleito para o Parlamento Unido. Mais tarde, foi também eleito por Hastings.

Baldwin e La Fontaine thumbnail|esquerda|Louis-Hippolyte La Fontaine, "Pai do Governo responsável".