thumb|Candi Borobudur
thumb|Candi Prambanan
thumb|Candi Blandongan, um dos candis mais antigos, provavelmente do , em Batujaya, Java Ocidental
thumb|Candi Pawon, início do
Candi é a designação local dos templos hindus e budistas construídos sobretudo durante o período Zaman Hindu-Buddha (ou da indianização), entre os séculos IV e XV, na Indonésia.
O Grande Dicionário da Língua Indonésia define candi como um antigo edifício de pedra usado para cultos religiosos ou para guardar cinzas de reis e sacerdotes budistas e hindus. Os arqueólogos indonésios descrevem os candis como estruturas sagradas do passado hindu e budista, usadas para cerimónias e rituais religiosos na Indonésia. No entanto, o termo é também frequentemente aplicado a antigas estruturas seculares, como portões, ruínas urbanas, tanques e locais de banho, enquanto que os santuários que servem especificamente como túmulos são chamados cungkup.
Na arquitetura hindu do Bali, o termo candi refere-se a uma estrutura de pedra ou de tijolo com um santuário com uma só cela, com pórtico, entrada e escadas, encimado por um telhado piramidal, situado num pura (templo ou complexo religioso hindu). A maior parte dos candis balineses foram inspirados nos templos de Java Oriental e funcionam como santuário de uma divindade. Para os balineses, um candi não é necessariamente antigo, pois continuam a ser construídos ou reconstruídos candis nos puras, como é o caso do templo reconstruído em , na regência de de Java Oriental.
Na perspetiva budista contemporânea indonésia, candi refere-se a santuários antigos ou novos. Por exemplo, há várias viaras contemporâneas na Indonésia que contêm réplicas em tamanho real de templos budistas famosos ou são reconstruções de antigos templos, como as réplicas do Candi Pawon e das perwaras (pequenos templos) de . No budismo, o papel de um candi como santuário é por vezes intermutável com o de uma estupa, uma estrutura em abóbada para guardar relíquias budistas or cinzas de sacerdotes budistas, patronos ou benfeitores. Borobudur, e , por exemplo, são de facto estupas muito elaboradas.
Na língua indonésia moderna , a designação de candi é igualmente aplicada aos antigos templos do Camboja (como Angkor Wat), Vietname, Tailândia, Birmânia e Índia.
Terminologia
Na literatura de arte, o termo candi é geralmente aplicado a uma estrutura baseada no tipo de santuário indiano com uma só cela, encimado por uma torre piramidal e com um pórtico. Candi é o prefixo de muitos templos em forma de montanha da Indonésia, construídos como uma representação do mitológico monte Meru, a morada dos deuses e epítome do universo. No entanto, o termo candi é também aplicado a muitas estruturas não religiosas do mesmo período hindu e budista da Indonésia, como gopuras (portões), petirtaans (tanques) e alguns complexos habitacionais. Como exemplos de candis que não são templos podem apontar-se os portões de Bajang Ratu e Wringin Lawang de Majapait, o tanque de banhos Candi Tikus em e Jalatunda nas encostas do , ou restos de estruturas de habitação ou urbanas como Ratu Boko ou algumas ruínas de Trowulan.
É provável que em Java os templos se chamassem originalmente (), como acontece na , datada de , que menciona "Prasada Vajrasana Manjusrigrha" referindo-se ao templo de Sewu. O termo refere-se a uma oferenda sagrada ou sacramento hindu e está relacionado com o termo tailandês e cambojano prasat, que se refere à estrutura em forma de torre num templo.
Etimologia Na perspetiva hindu, acredita-se que o termo candi deriva de (ou ), uma das manifestações da deusa guerreira e da morte Durga. Isso sugere que na antiga Indonésia, os candis tinham funções mortuárias e estavam ligados à vida após a morte. A associação do nome candi, candika ou durga com os templos hindu-budistas é desconhecido na Índia e noutras partes do Sudeste Asiático fora da Indonésia, como o Camboja, Tailândia ou Birmânia.
Outra teoria, da perspetiva budistam sugere que o termo candi pode ser uma forma localizada da palavra páli cedi , que está relacionada com o termo tailandês chedi, sinónimo de estupa e pode também estar relacionado com o bodisatva .
Os historiadores sugerem que os antigos templos de Java eram também usados para guardar as cinzas de reis e membros da realeza que eram cremados, o que está de acordo com o conceito budista das estupas como estruturas para guardar relíquias budistas, que incluem cinzas e restos mortais de sacerdotes, reis budistas ou patronos do budismo. A estátua da divindade guardada na (câmara principal) do templo é frequentemente modelada a partir do rei morto e é considerada uma personificação divinizada do rei representado como Vixnu ou Xiva, de acordo com o conceito de devaraja. Um exemplo disso é a estátua de , rei de Kahuripan de Java Oriental do , que é retratado como Vixnu cavalgando Garuda no templo de Belahan.
Arquitetura A arquitetura dos candis segue as tradições da típica, baseadas no Vastu shastra. O desenho dos templos, especialmente em Java Central, incorpora uma planta de templo em forma de mandala e as típicos enormes coruchéus em forma de torre dos templos hindus. Os candis representam a montanha sagrada Meru, a morada dos deuses. Todo o templo é um modelo do universo hindu, segundo a cosmologia hindu e os níveis de Loka.
Elementos estruturais Na estrutura dos candis há uma hierarquia de zonas, que vão desde a menos sagrada até às mais sagradas. Na tradição indiana da arquitetura hindu-budista os elementos são arranjados em três partes, cada uma correspondente a um dos elementos cósmicos. A planta do templo segue a regra de alocação do espaço em três elementos, usualmente identificados como o pé (base), o corpo (centro) e a cabeça (telhado). As três zonas são arranjadas de acordo com uma hierarquia sagrada. cada um dos conceitos hindus e budistas tem os seus próprios termos, mas a essência desses conceitos é idêntica. Tanto a planta (horizontal) do complexo cmo a sua estrutura vertical consistem em três zonas: (ou no budismo), o domínio mais baixo dos comuns mortais, humanos, animais e também demónios, onde os humanos ainda estão ligados à luxúria, desejo e forma de vida não santa. O pátio exterior e a base de cada templo simboliza o Bhurloka. ( no budismo), o domínio intermédio, das pessoas santas, ríshis, ascetas e deuses menores, onde as pessoas começam a vislumbrar a luz da verdade. O pátio intermédio e o corpo de cada templo simboliza o Bhuvarloka. ( no budismo), o domínio mais elevado e mais sagrado dos deuses, também conhecido como svargaloka. O pátio interior e o telhado de cada templo simboliza o svarloka. Os telhados dos templos hindus são usualmente coroados com uma ratna (joia em ), uma vajra ou, em Java Oriental, por uma estrutura cúbica. O pináculo dos templos budistas era constituído por uma estupa ou dagoba.
Estilo O arqueólogo indonésio R. Soekmono classificou os estilos de candi em dois grupos principais: o de Java Central, que data sobretudo de antes de , e o de Java Oriental, posterior a , que inclui também os templos de Sumatra e do Bali. Caraterísticas dos candis Partes do templo Estilo de Java Central Estilo de Java Oriental Forma da estrutura Tendencialmente volumosa e pesada Tendencialmente esguia e alta Telhado Apresenta claramente secções em degrau, que geralmente consistem de três partes As partes múltiplas das secções em degrau formam uma estrutura mais suave Pináculo Estupa nos templos budistas; ratna ou vajra nos templos hindus Cúbico, sobretudo nos templos hindus; estruturas cilíndricas de tipo dagoba (estupa) em alguns templos budistas Ornamentos dos portais e nichos Estilo ; cabeça de Kala de boca aberta sem o maxilar inferior localizada no topo do portal, ligado a uma dupla Makara em cada um dos lados do portal Cabeça de Kala sorrindo sarcasticamente com a boca completa, com maxilar inferior, localizada no topo do portal; não existem Makaras. Relevos Muito salientes, com imagens em estilo naturalista Pouco salientes, com imagens estilizadas similares aos fantoches Wayang do Bali Desenho e localização do templo principal Mandala concêntrica, simétrica e formal, com o templo principal situado no centro do complexo e rodeado por templos perwara mais pequenos em filas regulares Linear e assimétrico, seguindo a topografia do local; o templo principal situa-se na parte mais traseira ou mais distante da entrada, frequentemente na parte mais alta do complexo; os templos perwara situam-se em frente ao templo principal Orientação Geralmente virados para leste Geralmente virados para oeste Materiais de construção Principalmente andesito Principalmente tijolo vermelho
Há exceções em relação materiais de construção, formas e localização a estes traços gerais de desenho. Por exemplo, os templos de , , , e pertencem ao grupo de Java Oriental mas são de andesito, como os de Java Central. As ruínas dos templos de Trowulan, em Java Central, como , e , são de tijolo. O grande templo de Prambanan, em Java Central, é alto e esguio como os de estilo de Java Oriental, mas o telhado é do estilo de Java Central. Há também casos em que a localização não corresponde ao estilo dominante, como por exemplo o , que apesar de situado em Malangue, Java Oriental, é do período (data do ) e estilo de Java Central.
Os complexos mais antigos do norte de Java Central, como os do planalto de Dieng, são mais pequenos e têm apenas vários templos com relevos mais simples, enquanto que os complexos posteriores, como o de Sewu, são mais grandiosos, com relevos mais elaborados e de planta concêntrica.
No período Majapait assistiu-se ao revivalismo de elementos megalíticos austronésios, com o pirâmides em degraus (punden berundak). Estes traços de desenho podem ser vistos nos candis de Sukuh e Ceto, no monte Lawu, na parte oriental de Java Central, e nos santuários em escada das encostas do monte Penanggungan, que se assemelham às pirâmides maias.
Materiais de construção thumb|upright|Blocos de andesito interligados formando um arco falso em Borobudur
thumb|upright|Templo de tijolo vermelho de , , perto de Probolinggo, Java Oriental
A maior parte dos candis em bom estado de conservação são feitos de andesito. Este facto deve-se principalmente à durabilidade da pedra comparativamente com os tijolos em relação ao clima tropical e chuvas torrenciais. No entanto, num certo período, especialmente durante a era Majapait, o tijolo vermelho foi muito usado como material de construção. Os materiais de construção mais usados na construção de templos na Indonésia são os seguintes:
Andesito — é uma rocha vulcânica de composição intermédia, com textura entre afanítica e porfiroide. A cor desta rocha de lava vai do cinzento claro ao cinzento escuro. O andesito é especialmente abundante na ilha vulcânica de Java e é explorado em algumas escarpas e pedreiras. Cada um dos blocos de andesito são talhados à medida, com técnicas de encravamento, para construir paredes e chãos de templos. As pedras de andesito são facilmente talhadas com cinzel, o que as torna adequadas para paredes e decorações em relevo. É comum que as paredes de andesito dos templos apresentem relevos elaborados e narrativos, como acontece em Borobudur e Prambanan. O andesito é também usado para esculpir estátuas de divindades e de Buda.