Evaristo de Antoni (Caxias do Sul, 1895 — Caxias do Sul, 23 de junho de 1954) foi um industrial brasileiro.

Era neto do imigrante italiano Antonio de Antoni, que chegou ao Brasil em 1889 vindo de Vicenza, nos primórdios da colonização italiana no Rio Grande do Sul, radicando-se na Colônia Caxias com seu filho Alessandro, onde em 1894 fundaram uma oficina mecânica. A empresa oferecia serviços de metalurgia e fundição, muito requisitados na difícil época de instalação dos colonos, construía e reparava maquinários e equipamentos, e foi a primeira fábrica a produzir carretas na região, prosperando rapidamente.Hunoff, Roberto. "Caxias perde parte de sua história automotiva" . AutoData, 29/02/2008 Alessandro ganhou reputação por sua inventividade, foi o criador de uma trilhadeira que recebeu medalha de ouro na Exposição Agropecuária de Porto Alegre de 1912, e seria chamado de "um artista de mérito"."Mais um padrão de gloria". Cidade de Caxias, 30/05/1912

Em 12 de novembro de 1913 Alessandro faleceu, quando desenvolvia planos para uma grande expansão na empresa."Alexandre de Antoni". O Brazil, 15/11/1913 Tendo apenas 18 anos de idade, Evaristo assumiu os negócios sob a razão social de Oficina Mecânica e Agrícola de Evaristo de Antoni & Cia., sendo o responsável pela materialização dos altos sonhos paternos. Em 1908 iniciou a produção das primeiras trilhadeiras inteiramente brasileiras, em 1912 a empresa transferiu-se para novas e mais amplas instalações, onde, passando por novas transformações, prosperaria por mais de 90 anos. Em 1916 suas máquinas, balanças e carros receberam medalha de ouro na Exposição Agro-Industrial de Caxias."A Exposição". O Brazil, 11/03/1916 Em 1925 já havia conquistado uma posição de destaque na economia regional, recebendo um bom espaço no álbum comemorativo dos 50 anos da imigração publicado pelo Governo do Estado e o Consulado da Itália. Neste período na região colonial, e muito fortemente em Caxias, cristalizava-se uma identidade coletiva orgulhosa de suas façanhas e virtudes, reais ou pretensas, e também de suas raízes italianas, e assim não admira que tenha sido descrito no dito álbum em tom grandiloquente:

"Evaristo de Antoni é a personificação típica daquela engenhosidade multiforme e da fecunda operosidade cuja força tem origem no dinamismo evolutivo incoercível da raça, e que caracteriza assim tão estupendamente tantos dos nossos compatriotas, todos tão cheios de qualidades, todos sem escola, mas que se fizeram mestres em tantos ofícios e artes. De tal modo Evaristo de Antoni criou uma fama que ultrapassa os confins do estado, onde seu estabelecimento não tem concorrentes. Das carretas e carros de campanha, das colheitadeiras às balanças, dos diversos maquinários para o beneficiamento de madeira aos artefatos de fundição de toda espécie, tudo representa o tenaz e admirável esforço de trabalho e de engenho de um homem: o diretor-proprietário Evaristo de Antoni".Cichero, Lorenzo (org). Cinquantenario della Colonizzazione Italiana nel Rio Grande del Sud, 1875-1925, vol. II. Comitato pro Cinquantenario [Governo do Estado do Rio Grande do Sul / Consulado da Itália], 1925, pp. 41-44

Evaristo foi também membro e conselheiro da Associação de Cultivadores de Viníferas,"Associação de Viticultores". A Época, 08/10/1939 sócio da Companhia Siderúrgica do Brasil,"Companhia Siderúrgica do Brasil". O Momento, 21/09/1942 membro da comissão organizadora da Festa da Uva de 1934,"Aproxima-se a Festa da Uva". O Momento, 15/01/1934 e mantinha um serviço de carros de aluguel."Tabela de preços para carros de aluguel". A Época, 09/07/1939

Faleceu em 1954 em sua empresa, enquanto trabalhava."Necrologia". Jornal do Dia, 29/06/1954 Deixava-a na condição de uma das principais da cidade."Mérito Metalúrgico Gigia Bandera 2014 - Rogério Luís de Antoni". Assessoria de Comunicação do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul, 03/11/2014 Gozando de "gerais simpatias" na comunidade, e sendo "vastamente relacionado","Faleceu ontem o snr. Evaristo de Antoni". A Época, 24/06/1954 seu sepultamento atraiu uma multidão de admiradores. Seu obituário louvou sua dedicação à Capela de Santa Catarina, à qual devotara constante colaboração, sendo um dos promotores da criação da paróquia a partir do antigo curato, além de ser regente do coro da Capela, e foi salientado seu papel de primeiro plano na consolidação do conceito da empresa familiar em todo o estado. Foi casado com Amélia d'Agostini, deixando os filhos Alexandre, Ludovina, Maria, Armando, Dante, Aldo, Nair, Elsa e Francisco."Evaristo de Antoni". A Época, 27/06/1954 Seu nome batizou uma escola e uma rua em Caxias.

Com o seu desaparecimento a empresa familiar foi reorganizada como a EDA, concentrando-se na produção de trilhadeiras, arados, grades, semeadeiras, plantadeiras e máquinas vinícolas. Na década de 1990 marcava presença internacional. Mais tarde, com nova reorganização, tornou-se a Dueville, especializada em fundidos para o mercado de autopeças, eletro-ferragem, tratores e implementos para transporte, com 80% da produção exportada para os Estados Unidos, e que foi extinta em 2008, tendo seu prédio histórico demolido. Em seu lugar surgiu a Fundifar, sediada em Farroupilha, voltada para a reciclagem, uma das maiores reaproveitadoras de ferro na região de Caxias do Sul."Empresas de Caxias apostam em reciclagem e transformam sucata de ferro em filão de mercado". Pioneiro, 19/11/2015

Ver também

História de Caxias do Sul

Ligações externas Página oficial da Fundifar

Categoria:Brasileiros de ascendência italiana Categoria:Empresários do Rio Grande do Sul Categoria:História de Caxias do Sul Categoria:Naturais de Caxias do Sul