Grandiosidade refere-se a um senso irrealista de superioridade — uma visão sustentada de que o próprio é melhor do que os outros e que faz com que o narcisista trate os restantes com desdém ou como se fossem inferiores — além de um senso de singularidade: a crença de que poucos outros têm qualquer coisa em comum consigo próprio e que só pode ser compreendido por poucos ou por pessoas muito especiais.Roger A. MacKinnon; Robert Michels; Peter J. Buckley (1/12/2008). A Entrevista Psiquiátrica na Prática Clínica - 2.ed. Artmed Editora. p. 165. ISBN 978-85-363-1481-5. "O senso exagerado de si mesmo, como ser singularmente especial, de raro talento e superior aos demais, é uma característica típica do paciente narcisista." Também ocorre no Transtorno de apego reativo. Indica a tendência a se julgar superior aos demais e a merecer um tratamento especial; concentração em si mesmo, presunção de direitos ou títulos, condescendência para consigo mesmo.Aureliano Pacciolla (23/5/2017). Psicologia contemporânea e Viktor Frankl: Fundamentos para uma psicoterapia existencial. Editora Cidade Nova. pp. 87–. ISBN 978-85-7821-172-1.
A grandiosidade está associada principalmente ao Transtorno de personalidade narcisista, mas também comumente se apresenta em episódios maníacos ou hipomaníacos do Transtorno bipolar.Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders Fourth edition, Text Revision (DSM-IV-TR) American Psychiatric Association (2000)
No narcisismo A grandiosidade patológica tem sido associada a um dos dois subtipos de Transtorno de personalidade narcisista (Gabbard, 1989) As características do subtipo narcisista grandioso (em oposição ao subtipo narcisista vulnerável) incluem:
Ser rotulados de “narcisista óbvio” Observada falta de visão sobre o impacto que têm sobre os outros Mais propensos a regular a autoestima através de autoaprimoramento evidente Negação de fraquezas Demandas intimidantes por direitos Raiva consistente por expectativas não atendidas Desvalorização de pessoas que ameaçam sua autoestima Diminuição da consciência da dissonância entre suas expectativas e realidade, juntamente com o impacto que isso tem nos relacionamentos Apresentação de fantasias grandiosas evidentes Conflito no ambiente geralmente experimentado como externo a esses indivíduos e não uma medida de suas próprias expectativas irrealistas
As diferenças entre os subtipos narcisistas grandiosos e narcisistas vulneráveis foram estudadas (Dickinson & Pincus, 2003): A descoberta geral confirma a teoria e a pesquisa do passado que sugerem que estes indivíduos [do subtipo grandioso] não têm conhecimento do impacto que têm sobre os outros e, portanto, têm uma visão irreal de si mesmos em relação aos outros (Gabbard, 1989, 1998; Kernberg, 1975 ; Kohut, 1971, 1977). Na verdade, essa falta de insight sobre o impacto sobre os outros é o que incitou Gabbard (1989) a alistar o rótulo "narcisistas inconscientes" para descrever sua apresentação social e distingui-los de seus colegas vulneráveis. Os indivíduos narcisistas grandiosos esperam a atenção imediata e incondicional do outro e são inconscientes do efeito que as suas demandas diretas de direito têm sobre os outros. E, em virtude de sua capacidade de manter o eu grandioso através do autoaperfeiçoamento, os indivíduos narcisistas grandiosos são menos suscetíveis do que seus pares vulneráveis às consequências emocionais crônicas das ameaças às expectativas (por exemplo, angústia, baixa autoestima, medo interpessoal) .
A seção de grandiosidade da Entrevista de Diagnóstico para Narcisismo (Diagnostic Interview for Narcissism, DIN) (Segunda edição) é a seguinte:Gunderson J, Ronningstam E, Bodkin A The diagnostic interview for narcissistic patients Archives of General Psychiatry, 47, 676-680 (1990)
A pessoa exagera talentos, capacidade e realizações de forma não realista. A pessoa acredita em sua invulnerabilidade ou não reconhece suas limitações. A pessoa tem fantasias grandiosas. A pessoa acredita que ele / ela não precisa de outras pessoas. A pessoa super-examina e rebaixa outras pessoas, projetos, declarações ou sonhos de forma pouco realista. A pessoa considera-se como única ou especial quando comparada com outras pessoas. A pessoa considera-se como geralmente superior a outras pessoas. A pessoa se comporta autocentrada e / ou autorreferencialmente. A pessoa se comporta de uma maneira jactante ou pretensiosa. Em mania Na mania, a grandiosidade é tipicamente mais proativa e agressiva do que no narcisismo. O personagem maníaco pode se orgulhar de realizações futurasErving Goffman, Relations in Public (Penguin 1972) p. 421 ou exagerar suas qualidades pessoais.Goffman, p. 413 & n Eles também podem começar empreendimentos irrealisticamente ambiciosos.Robin Skynner/John Cleese, Families and how to survive them (London 1994) p. 168-9
Na psicopatia A grandiosidade aparece no Fator 1 Faceta 1: Interpessoal no teste Psychopathy Checklist—revised (PCL-R).
Reality-testing
É feita uma distinção entre indivíduos que exibem grandiosidade, o que inclui um grau de insight em seus pensamentos irrealistas (eles sabem que seu comportamento é considerado incomum), em contraste com aqueles que experimentam delírios de grandeza, que não possuem essa capacidade para testes de realidade. Alguns indivíduos podem fazer a transição entre esses dois estados, com idéias grandiosas desenvolvendo inicialmente como "devaneios" que o paciente reconhece como falsos, mas que, posteriormente, podem se transformar em delírios completos que o paciente se convence refletirem a realidade.Otto Fenichel, The Psychoanalytic Theory of Neurosis (London 1946) p. 444 and p. 421
Psicanálise e self grandioso
Otto Kernberg viu o self não saudável e grandioso como fundindo sentimentos infantis de especialidade, ideais pessoais e fantasias de um pai ou mãe ideais.Otto F. Kernberg, Borderline Conditions and Pathological Narcissism (London 1990) p. 265
Heinz Kohut viu o self grandioso como uma parte normal do processo de desenvolvimento, apenas patológico quando as partes grandiosas e humildes do self tornaram-se decisivamente divididas.Josephine Klein, Our Need for Others (London 1994) p. 222 As recomendações de Kohut para lidar com o paciente com um self grandioso desordenado foram tolerar e assim reintegrar a grandiosidade com o self realista.Allen M. Siegal, Heinz Kohut and the psychology of the Self (1996) p. 95
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