Mother! é um filme estadunidense de terror psicológico e suspense escrito e dirigido por Darren Aronofsky. É estrelado por Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Michelle Pfeiffer e Ed Harris. O longa foi selecionado para competir ao Leão de Ouro no Festival Internacional de Cinema de Veneza, sendo lançado nos Estados Unidos em 15 de setembro de 2017, pela Paramount Pictures, e no dia 21 do mesmo mês no Brasil e em Portugal. A trama segue uma jovem cuja vida tranquila com o marido em sua casa de campo é interrompida pela chegada de um casal misterioso.
O filme foi geralmente bem recebido pelos críticos de cinema, mas não agradou parte do público. Apesar da recepção positiva, suas alegorias bíblicas e a representação da violência provocaram algumas controvérsias, com Kyle Smith, do National Review, chamando-o de "uma versão bíblica de porno de tortura".
Enredo Ele (Javier Bardem) coloca um grande objeto cristalizado em um pedestal. A estrutura que ele está muda de uma casa queimada para uma casa recém-renovada. Mãe (Jennifer Lawrence) se forma em uma cama, pensando em voz alta onde Ele, seu marido, está. Um aclamado autor lutando com o bloqueio de escritor, as questões criativas d'Ele começam a ter um impacto na existência tranquila que a Mãe criou para o lar. Ela começa a ver coisas ao redor da casa que a perturbam, incluindo a visualização de um coração batendo nas paredes da casa.
Um dia, Man (Ed Harris) aparece na casa, pedindo um quarto. Ele concorda prontamente, e Mãe, relutantemente, segue o exemplo. Durante sua permanência, Man experimenta ataques de tosse prolongados. Mãe testemunha que Ele ajuda o Homem enquanto ele se agacha no banheiro e vê uma nova ferida na área da costela antes que seu marido a cubra com a mão. No dia seguinte, a esposa de Man, a Mulher (Michelle Pfeiffer), também chega para ficar. Mãe começa a se tornar cada vez mais frustrada com seus convidados, enquanto Ele implora para deixá-los ficar, argumentando que isso faz com que a casa se sinta viva com ele. Ele também diz a Mãe que os convidados são fãs de seu trabalho e que o convidado está morrendo e queria encontrá-lo antes de morrer. No entanto, quando Homem e Mulher acidentalmente quebram e destroem o objeto cristalizado, Ele e a Mãe tomam a decisão de expulsá-los.
Enquanto se preparava para sair, os dois filhos do casal (Domhnall Gleeson e Brian Gleeson) chegam e começam a lutar pelo testamento que seu pai deixou. O Filho mais velho, que não ficará com nada, fere mortalmente o Irmão mais novo, e aparentemente foge, enquanto Ele, Homem e Mulher levam o filho ferido para obter ajuda. À medida que a Mãe torna-se cada vez mais paranoica depois que foi deixada sozinha na casa, o Filho mais velho volta, mas sai rapidamente, levando a carteira do Homem. Ao retornar, Ele informa à Mãe que o filho morreu e foi enterrado. Dezenas de pessoas começam a chegar na casa para uma vigília para o filho morto. Mais e mais pessoas chegam e se comportam de uma maneira que incomodam Mãe; ela fica mais irritada e, eventualmente, surta quando o encanamento se quebra e começa a inundar a casa. Ela expulsa a todos. Irritada com Ele por permitir que tantas pessoas entraram na casa, ela o repreende e depois os dois tem relações sexuais.
Na manhã seguinte, Mãe anuncia que está grávida. A notícia o deixa exaltado e o inspira a terminar seu trabalho. Alguns meses depois, Mãe prepara-se para a chegada de seu filho e lê a peça mais nova de Ele, que é tão bonita que a leva às lágrimas. Após a publicação, ele vende imediatamente todas as cópias. Em comemoração, a mãe prepara o jantar para ele quando um grupo de fãs chega à casa. Enquanto ela cuida da casa, mais fãs chegam e começam a entrar na casa para usar o banheiro. Mais chegam e o comportamento passa a ser roubar os pertences da casa como lembranças e perturbar o meio ambiente. Mãe cada vez mais desorientada faz seu caminho em torno da casa, pois cada quarto passa pelo caos. A editora dele (Kristen Wiig) participa da loucura, executando alguns de seus fãs com disparos. Homens militares com armas chegam para ajudar a Mãe, mas um culto de fãs dedicados se forma em torno dele; eles começam a se envolver em rituais.
A mãe entra no trabalho de parto e encontra seu marido, que a leva ao quarto, onde ela dá à luz. O estrago exterior diminui quando Ele diz a Mãe que a grande multidão quer ver o bebê. Recusando, ela se aperta firmemente para o filho. Quando ela adormece, no entanto, ele leva o bebê para a multidão, que o agarra e quebra o pescoço. Devastada, a mãe se dirige para a frente da multidão, onde ela vê o cadáver vilipendiado de seu filho e testemunha a multidão comer sua carne. Furioso com eles, ela os chama de assassinos e começa a esfaqueá-los com um pedaço de vidro quebrado. Eles a imobilizam, começam a agredi-la e atiram até que Ele intervem e interrompe. Mãe escapa do alcance da multidão e se dirige à adega, onde está o tanque de óleo do forno. Apesar dos apelos de seu marido, Mãe incendia o fogo, destruindo a multidão, a casa e alguns dos jardins e árvores circundantes.
Tanto a Mãe quanto eles sobreviveram, mas a Mãe é queimada horrivelmente enquanto Ele é ileso. Ele pede-lhe um último desejo: o amor que ela deixou para ele, e ela concorda em dar-lhe. Ele então abre o peito dela, arrancando o coração no processo. Ao esmagar o coração, um grande objeto cristalizado é revelado. Ele coloca o objeto em um pedestal. Mais uma vez, a casa muda de uma casca queimada para uma casa recém-renovada. Uma nova Mãe se forma em uma cama e acorda, perguntando em voz alta onde Ele está.
Produção Em 13 de outubro de 2015, a revista Variety noticiou que Darren Aronofsky estava preparando o seu próximo projeto sem título com base em um roteiro próprio, e Jennifer Lawrence estava negociando sua participação no filme. O projeto ainda não estava vinculado a nenhum estúdio, mas provavelmente iria para a New Regency sob seu acordo de preferência com Aronofsky. Em 11 de janeiro de 2016, foi anunciado que a Paramount Pictures lançaria o filme, enquanto Javier Bardem estava negociando para estrelar junto a Lawrence. Domhnall Gleeson, Michelle Pfeiffer, Ed Harris e Brian Gleeson foram adicionados ao elenco em abril de 2016.
Em 25 de maio de 2016, foi revelado que o filme iniciaria as filmagens em junho do mesmo ano em Montreal. As filmagens começaram em 13 de junho de 2016 e foram concluídas em 28 de agosto de 2016.
Em 11 de outubro de 2016, foi noticiado que o compositor de A Teoria de Tudo e Arrival, Jóhann Jóhannsson, ficará a cargo da trilha sonora do filme. Este será o primeiro filme de Aronofsky sem o envolvimento do compositor Clint Mansell.
Em 27 de outubro de 2016, revelou-se que o título do filme é Mother!. Em março de 2017, foi revelado que Kristen Wiig se juntou ao elenco.
Temas e análises miniaturadaimagem|Lawrence afirmou que o cenário é baseado no Jardim do Éden. Em uma entrevista com The Daily Telegraph, Jennifer Lawrence disse que o filme é uma alegoria: "Ele retrata a violação e tormento da Mãe Terra [...] Eu a represento, Javier Bardem, cujo personagem é poeta, representa uma forma de Deus, um criador, Michelle Pfeiffer é Eva e Ed Harris é Adão; há Caim e Abel, interpretados pelos irmãos Domhnall e Brian Gleeson, respectivamente, e o cenário às vezes se assemelha ao Jardim do Éden".
Em relação ao título, Darren Aronofsky disse que o ponto de exclamação "reflete o espírito do filme" e corresponde a um "ponto de exclamação" do final. O diretor discutiu a minusculização incomum do título em um evento ao Reddit, dizendo: "Para descobrir por que o 'm' está minúsculo, leia os créditos finais e procure a letra que não está minúscula. Pergunte-se qual é o outro nome para esse personagem? Os nomes dos personagens são todos mostrados em minúsculas, exceto 'Ele'."
O isqueiro que aparece durante todo o filme tem o Wendehorn, um símbolo que se acredita representar "a cooperação entre as leis eternas da natureza, as quais trabalham em sintonia umas com as outras". Um dos elementos inexplicáveis da obra é o pó amarelo o qual Mãe dissolve em um copo de água e toma. O The Daily Beast sugere é uma referência ao conto O Papel de Parede Amarelo, de Charlotte Perkins Gilman.
Cenário e personagens no contexto bíblico A casa pode ser uma metáfora para a Terra. E, como é dito explicitamente no final, a Mãe é a casa, e portanto, a natureza. Ela está ali para cuidar daquele cosmos. E se doar, ao tentar, fracassando, limpar a bagunça dos humanos – estes carregados com interesses distintos, brigas e confusão.
Javier Barden é Deus. A figura dele é retratada por Aronofsky como vaidoso, também dito explicitamente. A ausência de criação na obra poética é a causa/consequência dele não procurar Mãe para o sexo. A partir do momento que ele consegue conceber a obra prima, logo a engravida, concebendo vida. Antes deste arco, quem povoa a casa seriam Adão e Eva, com os filhos Caim e Abel – o signo de irmão matando irmão é bem óbvio, tal qual o de Eva (Pfeiffer) sedenta pelo fruto proibido – a joia do início do filme – e rompendo-o ou então a referência à costela de Adão. esquerda|miniaturadaimagem|No momento do filme em que Ele expulsa o homem e a mulher de seu "escritório sagrado", é uma alusão a expulsão de Adão e Eva do Jardim do Éden.Lucas Albuquerque, do site Razão de aspecto, fez a seguinte análise: que o primeiro humano que a mãe vê (após Adão, Eva, Caim e Abel) é um negro — lembrando que o mais antigo fóssil encontrado foi na África. Há também pessoas de diferentes etnias paquerando, o que denota a mistura das populações nos continentes. No começo as pessoas respeitam um pouco mais a natureza. Ela pede para eles descerem da pia que não estava chumbada e eles não só o fazem como pedem desculpas. Em seguida, ela repete o pedido, eles saem a contragosto. Até que desobedecem por completo destruindo o local. Então, a Mãe Natureza pede para que eles sejam expulsos – o que seria o primeiro "fim do mundo" com a inundação da Arca de Noé – e a obra divina tem que ser feita do zero.
Deus precisa da natureza para gerar vida. E precisa de gente para idolatrá-lo, mesmo que às custas da natureza. Fica evidente que aquela destruição não foi a primeira e nem será última ocasionada por ele: "na minha infância esta casa foi destruída. E ela [Mãe] a está reconstruindo sozinha". No final, depois da morte da personagem, que cedeu o próprio coração à ca(u)sa – como entrega o poster. Ver-se uma nova figura feminina que dá o tom cíclico a criação/destruição divina. Sozinho com a Mãe natureza, ele a engravida. Deus sente-se inspirado com a chegada de seu primeiro filho e escreve um novo poema (novas escrituras) que, assim que lançado, é aclamado pelo povo - que mais uma vez invade sua casa para o desespero da mãe natureza. No meio do caos, ela dá a luz a criança (Jesus), que após um momento de descuido da mãe, é levada por Deus para o povo. Seu único filho é morto pela humanidade (eles acabam bebendo seu sangue e comendo seu corpo – e que condiz com a crucificação do salvador) e, mesmo assim, recebem o perdão. Eventualmente, o caos é tão grande e o homem destrói tanto a casa (mundo) que só resta a mãe natureza a aniquilação de tudo – o apocalipse.
A casa ainda pode ser vista como uma metáfora para inferno, purgatório e paraíso, ao mesmo tempo. Deus quer que aquele lugar seja o paraíso, mas falha. A natureza tenta também curar qualquer mácula, e claro se consome por completo. A fila para entrar na casa e os poucos que são escolhidos também marcam a comparação. O purgatório é entendível pela associação com o julgamento que a todo instante alguém faz de outro personagem, limpeza (purificação) e indecisão/inércia dos personagens que por vezes não sabem para onde ir. O inferno visto pelo caos da guerra, atrocidades e, claro, principalmente pelos outros. A integração dos três ambientes, em um provocativo diálogo com a trindade, diz muito do propósito aqui.
Outras interpretações
Figura feminina na sociedade