miniaturadaimagem|250 px|Os insetos impactaram e continuam a impactar a sociedade de muitas maneiras. Os insetos na sociedade mundial marcam grande presença e destaque desde os tempos mais remotos da civilização humana. Registros arqueológicos apontam a influência dos insetos há milhares de anos, já na cultura do Antigo Egito. Desde então, a convivência do ser humano com os insetos abrangeu diferentes culturas em diferentes aspectos, seja no campo da religião, da medicina, da ciência, da gastronomia, da agricultura, da arte, da indústria e até mesmo do entretenimento.
Na religião, insetos já foram associados ou representados como deuses. Destaca-se nesse respeito o escaravelho-sagrado, um besouro que para os antigos egípcios era a representação do deus Khepri, além de ser considerado um símbolo direto do próprio conceito de reencarnação. Sua importância para os egípcios se manifestou na própria escrita hieroglífica, além de muitas jóias, ornamentos e estátuas que confeccionavam em dedicação e em referência a este inseto. Já o uso de insetos na alimentação humana, ou antropoentomofagia, também tem sido considerado uma atividade milenar e que é praticada até hoje em muitos países.
O interesse medicinal quanto aos insetos também é tão antigo quanto a sua presença na religião. Muitos insetos são peçonhetos, isto é, inoculadores de substâncias venenosas ou alérgicas. Outros insetos são transmissores de doenças. Essas características têm impactado na saúde do ser humano de tal modo que a elaboração de remédios ou antídotos contra a picada de insetos logo se tornou uma necessidade, tendo em vista que colocam a vida humana (ou até mesmo animal) em risco. Com isso, tão logo desenvolveu-se também a ciência responsável por estudar os insetos e seus hábitos, denominada Entomologia.
Com o desenvolvimento da entomologia, os insetos passaram a ganhar maior atenção na agricultura e na indústria, impactando fortemente a economia. O estudo das espécies consideradas pragas e que trazem prejuízos às plantações logo possibilitou medidas mais efetivas de combate, como a invenção de pesticidas e de agrotóxicos, ou mesmo o uso de outros insetos como forma de controle de pragas. Já na indústria, a produção de mel (apicultura) e a produção de seda são algumas das atividades de maior importância nesse respeito, trazendo benefícios econômicos a nível mundial.
Interesse cultural
Insetos na alimentação
esquerda|miniaturadaimagem|220x220px|No Brasil e em muitos outros países da América do Sul, existe a tradição indígena de se preparar abdomes de tanajuras (Atta sp.) e consumi-los como no caso da farofa de içá. Os insetos fazem parte da cadeia alimentar de muitas espécies de animais, mas também, estão incluídos como alimentos pelos seres humanos em muitas culturas, sejam antigas ou modernas. Dá-se o nome de entomofagia ao hábito de se utilizar insetos como alimentos. Há registros de insetos sendo utilizados como comida em praticamente todos os continentes, com exceção apenas de regiões onde os próprios insetos não são comuns, como a Antártida e outras zonas polares.
direita|miniaturadaimagem|220x220px|Chapulines, uma iguaria mexicana feita com gafanhotos. É amplamente conhecido que os insetos são ricos em proteínas. Algumas pesquisas têm indicado que, em comparação com a carne vermelha, chegam a ser muito mais protéicos. Outros pesquisadores, inclusive da ONU, têm sugerido que os insetos podem ser uma grande ajuda no combate a fome mundial, tendo em vista que a manutenção de insetos para consumo é relativamente de baixo custo, além do fato de que muitas espécies comestíveis se proliferam em grandes quantidades. Devido à sustentabilidade oferecida pela entomofagia, há até mesmo quem sugira a ideia de que os insetos serão o alimento do futuro.
Embora os benefícios da entomofagia sejam constatados, na maioria dos países, a entomofagia ainda é considerada um tabu. Muitas pessoas possuem certos preconceitos à ideia de se utilizar insetos como alimentos, seja por questões de fobias, nojo ou pela associação que estas fazem ao fato de que muitos insetos são também transmissores de doenças. Os defensores da entomofagia, no entanto, defendem que alimentar-se de insetos pode ser um hábito completamente seguro e saudável, ao passo que as condições de higiene na criação e preparo dos mesmos sejam observadas como em qualquer outro alimento industrializado ou não.
Insetos na religião Os hábitos de alguns insetos têm sido observados pelo homem há milhares de anos, e em alguns casos, lhes foram atribuídos significados espirituais ou representações religiosas. esquerda|miniaturadaimagem|150x150px|Hieróglifos egípcios retratando um escaravelho-sagrado. Na religião do Antigo Egito, por exemplo, besouros rola-bosta eram considerados sagrados. Uma determinada espécie de besouro rola-bosta representava o deus Khepri, associada ao renascimento, ou reencarnação. A divindade era responsável inclusive pelo "movimento solar" aparente que os egípcios observavam. A espécie é conhecida até hoje como escaravelho-sagrado e mesmo o seu nome científico, Scarabaeus sacer, faz referência a este fato, já que "sacer", em latim, significa "santo".
Como muitos besouros rola-bosta esses insetos, quando adultos, preparam bolinhas com as fezes de outros animais, como o gado. Em seguida, transportam essas bolinhas para um local adequado onde colocarão seus ovos dentro delas. As larvas desses besouros, quando nascem, se alimentam da própria bolinha de excremento preparada pelos seus progenitores e ali dentro se desenvolvem. Os antigos egípcios observavam os besouros adultos preparando essas bolinhas de excremento e logo após, morrerem. Tempos depois, observavam que novos besouros emergiam dessas bolinhas. Logo, desconhecendo o ciclo de vida natural desses insetos, deduziam que nesse processo, os besouros morriam e reencarnavam. Assim, o escaravelho-sagrado tornou-se símbolo da reencarnação.
direita|miniaturadaimagem|200x200px|Luva trançada com formigas-tucandeiras, usada nos rituais de passagem do Maués. Também no Brasil, insetos são relacionados por tribos indígenas a rituais de passagem. Na tribo dos Maués, os homens que chegam à puberdade são submetidos a um ritual onde precisam vestir luvas de palha trançadas com dezenas de formigas-tucandeiras vivas. Essas formigas, que pertencem ao gênero Paraponera, são consideradas as maiores espécies de formigas do mundo, bem como as de picada mais dolorosa conhecida pelo homem. A dor da picada é tão intensa que o nome popular dessas formigas na língua inglesa é bullet ant, literalmente "formiga bala", já que pessoas picadas pela formiga comparam a sensação ao serem picados à dor de ser baleado por um disparo de arma de fogo.
Na tribo Maué, cada índio precisa suportar usar essas luvas por cerca de 15 minutos, enquanto realiza uma dança ritualística acompanhado por outros índios. Durante esse período, o índio recebe dezenas de picadas das formigas, o que o faz terminar a dança extremamente debilitado. Entre os efeitos colaterais, o índio pode passar todo o resto do ritual com as mãos completamente inchadas, com vermelhidão nos olhos, câimbras e até mesmo febre. No entanto, para um Maué, o ritual é extremamente importante, servindo de prova de que o jovem capaz de suportar tamanha dor, está disposto a entrar na vida adulta.
Insetos na literatura esquerda|miniaturadaimagem|230x230px|Ilustração de "O gafanhoto e a formiga", por Milo Winter (1919). Ao longo dos séculos, os insetos têm chamado a atenção de muitos escritores e poetas, quer sejam representados como animais, de fato, quer sejam personagens antropomorfizados. Neste respeito, há uma ampla gama de contos e fábulas muito populares abrangendo os insetos de algum modo, sendo em alguns casos, até mesmo os personagens principais da obra.
Mesmo em manuscritos antigos, como os que compõem a Bíblia, alguns insetos são usados em passagens proverbiais com fins de encorajamento ao homem. Certa passagem bíblica menciona "Observe a formiga, preguiçoso, reflita nos caminhos dela e seja sábio!" (Provérbios 6:6), em referência ao fato de as formigas serem um exemplo para nós, por trabalharem incessantemente.
Uma fábula particularmente muito famosa tem como título O gafanhoto e a formiga (na versão original: a cigarra e a formiga) que faz parte das chamadas Fábulas de Esopo, escritas há milhares de anos na Grécia Antiga. Na fábula, onde os personagens principais são antropomorfizados, há diálogos entre uma formiga muito trabalhadora e um gafanhoto absolutamente despreocupado com o amanhã, vivendo apenas em prol de sua cantoria e indiferente à importância do trabalho da formiga em armazenar comida.
Após a passagem das estações e com a chegada do inverno, a formiga passa a dispor de grande quantidade de mantimentos, ao passo que o gafanhoto vê-se completamente sem recursos e diante da fome. O gafanhoto decide ir até a moradia da formiga para pedir ajuda, mas a formiga, a princípio, recusa-se a ajudá-lo, alegando que sua condição era merecida, já que não fez qualquer esforço em guardar mantimentos. Ao ver o gafanhoto à beira da morte, porém, a formiga se arrepende e decide compartilhar sua comida com o gafanhoto.
Insetos na arte direita|miniaturadaimagem|192x192px|Uma borboleta Morpho em meio a uma floresta do Brasil. Pintura de Martin Johnson Heade. Na pintura, há insetos que são praticamente indissociáveis de muitas paisagens típicas, sejam elas de flores, jardins, campos floridos, lagos, córregos, etc. Por isso, os insetos mais comuns em obras de arte que retratam certa serenidade do mundo natural costumam ser as borboletas e as libélulas. Neste respeito, muito conhecidos são os trabalhos do pintor holandês Otto Marseus van Schrieck (1613-1678), quase sempre retratando toda sorte de borboletas entre a flora e fauna, sob o estilo tipicamente naturalista do Século de Ouro dos Países Baixos. Outros artistas também muito conhecidos por seus trabalhos relacionados a insetos são Jan van Kessel (1626-1679) e Ernst Haeckel (1834-1919), sendo este último um grande pesquisador em Zoologia, autor da aclamada obra Kunstformen der Natur (Formas de Arte na Natureza), publicada em 1904.
Insetos na música direita|miniaturadaimagem|212x212px|Partitura para piano de Flight of the Bumblebee. Os insetos já serviram de inspiração para músicos consagrados do estilo clássico. Uma das composições clássicas mais conhecidas do mundo têm como inspiração justamente o voo de um inseto. Essa música foi composta por volta de 1899 ou 1900 por Nikolai Rimsky-Korsakov e leva como título "Flight of the Bumblebee", literalmente "voo do mamangaba", porém, costumeiramente traduzido para o português como "voo do besouro".
No Brasil, diversas cantigas de roda infantis fazem referências a insetos, dentre elas "A pulga e o percevejo" e "A barata diz que tem..." são as mais populares.
Insetos na educação direita|miniaturadaimagem|200x200px|Um museu dedicado aos insetos em Gifu, no Japão. Em muitas escolas e outras instituições de ensino, recorre-se aos insetos como forma de se estimular o interesse dos alunos pela vida animal. Insetos costumam ser o foco já que além de pequenos, são fáceis de serem capturados, mantidos, transportados e alimentados. Em muitos países, professores acompanham seus alunos em excursões para os campos onde os alunos são instruídos a apanhar o maior número de insetos possível, levando-os, posteriormente para a sala de aula, para que sejam estudados.
Existem também muitos museus dedicados apenas a insetos, onde os visitantes podem conhecer sua ampla variedade de espécies, bem como tomar conhecimento de sua importância e da necessidade de preservação dos biomas onde vivem. Museus desse tipo desempenham um papel importante na conscientização ambiental da sociedade, que em muitos casos, desconhece boa parte das espécies nativas de seu próprio país.
Insetos como entretenimento