O SMS Dresden foi um cruzador rápido operado pela Marinha Imperial Alemã e a primeira embarcação da Classe Dresden, seguido pelo . Sua construção começou em 1906 nos estaleiros da Blohm & Voss em Hamburgo e foi lançado ao mar em outubro de 1907, sendo comissionado na frota alemã em novembro do ano seguinte. Era armado com uma bateria principal composta por dez canhões de 105 milímetros instalados em montagens únicas, tinha um deslocamento carregado de mais de quatro mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 23 nós.
O Dresden teve um início de carreira tranquilo e sem grandes incidentes. Ele visitou os Estados Unidos em 1909 e pelos três anos seguintes atuou como parte das forças de reconhecimento da Frota de Alto-Mar. Foi transferido para a Divisão Mediterrânea em 1913 e depois para a América do Norte para proteger cidadãos alemães durante a Revolução Mexicana. Ele deveria voltar para a Alemanha em 1914, mas foi impedido pelo início da Primeira Guerra Mundial. Em vez disso, o Dresden atuou como corsário na América do Sul antes de se juntar à Esquadra da Ásia Oriental.
O navio participou da Batalha de Coronel em novembro e no mês seguinte da Batalha das Malvinas, sendo o único navio alemão que conseguiu escapar desta última. Fugiu dos seus perseguidores britânicos por vários meses até parar em março de 1915 na Ilha Robinson Crusoe, pertencente ao Chile. Foi emboscado por navios britânicos, que violaram a neutralidade chilena e iniciaram a Batalha de Más a Tierra. O navio foi deliberadamente afundado e a maior parte de sua tripulação ficou internada no Chile até o final da guerra. Seus destroços permanecem naufragados no porto.
Características
thumb|esquerda|240px|Desenho da Classe Dresden A Lei Naval de 1898 autorizou a construção de trinta cruzadores rápidos para a Marinha Imperial Alemã. O programa começou com a Classe Gazelle, seguida pela Classe Bremen e depois pela Classe Königsberg, que incorporaram melhoramentos incrementais no decorrer de suas construções. A Classe Dresden foi alocada para o ano fiscal de 1906 e sua principal alteração em relação a suas predecessoras foi a adição de uma caldeira a mais com o objetivo de aumentar a potência do sistema de propulsão.
O Dresden tinha 118,3 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 13,5 metros e um calado de 5,53 metros à vante. Tinha um deslocamento normal de toneladas e um deslocamento carregado de toneladas. Seu sistema de propulsão era composto por doze caldeiras de tubos d'água que alimentavam duas turbinas a vapor Parsons. Este sistema tinha uma potência indicada de cavalos-vapor ( quilowatts) para uma velocidade máxima de 24 nós (44 quilômetros por hora). Podia carregar 860 toneladas de carvão para uma autonomia de 3,6 mil milhas náuticas (6,7 mil quilômetros) a uma velocidade de catorze nós (26 quilômetros por hora). Sua tripulação era formada por dezoito oficiais e 343 marinheiros.
O armamento principal consistia em dez canhões calibre 40 de 105 milímetros em montagens únicas. Duas armas ficavam posicionadas lado a lado no castelo de proa, seis ficavam à meia-nau com três em cada lateral, enquanto outras duas ficavam lado a lado à ré. A bateria secundária era formada por oito canhões calibre 55 de 52 milímetros. Também haviam dois tubos de torpedo de 450 milímetros montados no convés, um em cada lateral. A embarcação era protegida por um convés blindado com uma espessura máxima de oitenta milímetros. A torre de comando tinha laterais de cem milímetros, enquanto os canhões principais eram protegidos por escudos de cinquenta milímetros.
Carreira Tempos de paz Serviço em casa thumb|240px|O Dresden atravessando o Canal Imperador Guilherme c. 1908–09 O Dresden foi encomendado sob o nome provisório de Ersatz Comet, um substituto do aviso SMS Comet. Seu batimento de quilha ocorreu em 1906 nos estaleiros da Blohm & Voss em Hamburgo e foi lançado ao mar em 5 de outubro de 1907. Foi batizado por Otto Beutler, supremo burgomestre da cidade de Dresden. A equipagem começou em seguida e o navio foi comissionado na Frota de Alto-Mar em 14 de novembro de 1908. Iniciou os seus testes marítimos, mas colidiu e afundou o veleiro sueco Cäcilie em 28 de novembro próximo de Kiel. O eixo de sua hélice de estibordo foi empurrado em trinta milímetros, necessitando de seis meses de reparos. Retomou seus testes marítimos em 1909, mas um acidente em uma turbina exigiu mais reparos que duraram até setembro.
Seus testes marítimos foram declarados completos em 7 de setembro, mesmo com alguns testes ainda não tendo sido realizados, pois ele deveria ir para os Estados Unidos. O motivo era representar a Alemanha na Celebração Hudson–Fulton em Nova Iorque. Viajou acompanhado dos cruzadores protegidos e e do cruzador rápido SMS Bremen. O Dresden deixou Wilhelmshaven em 11 de setembro e parou em Newport no Reino Unido, onde se encontrou com as outras embarcações da esquadra. Eles chegaram em Nova Iorque no dia 24, permanecendo no local até 9 de outubro, retornando para a Alemanha no dia 22.
O Dresden se juntou às forças de reconhecimento da Frota de Alto-Mar, com os dois anos seguintes consistindo na rotina normal de tempos de paz de exercícios em esquadra, cruzeiros de treinamento e exercícios anuais da frota. Ele colidiu em 16 de fevereiro de 1910 com o cruzador rápido . A colisão causou danos significativos ao Dresden, porém ninguém em nenhum dos navios ficou ferido. Retornou para Kiel a fim de passar por reparos, que duraram oito dias. O navio visitou Hamburgo entre 13 e 17 de maio. De 14 a 20 de abril de 1912 foi temporariamente transferido para a Esquadra de Treinamento junto com o cruzador blindado e o cruzador rápido SMS Mainz. O Dresden venceu o Prêmio de Tiro, presenteado pelo imperador Guilherme II, para excelência de artilharia entre os cruzadores rápidos da frota pelo anos de 1911–12. Entre setembro de 1912 e setembro de 1913 seu oficial comandante foi o capitão de fragata Fritz Lüdecke, que voltaria ao comando na Primeira Guerra Mundial.
Serviço internacional thumb|180px|esquerda|O Dresden c. 1909 O navio e o cruzador rápido deixaram Kiel em 6 de abril de 1913 rumo ao Mar Adriático, onde se juntaram à Divisão Mediterrânea, que tinha como peça central o cruzador de batalha SMS Goeben e era comandada pelo contra-almirante Konrad Trummler. Os navios navegaram pela região leste do Mar Mediterrâneo até o final de agosto, quando o Dresden recebeu ordens de voltar para a Alemanha. Chegou em Kiel em 23 de setembro e foi para o Estaleiro Imperial de Kiel passar por uma manutenção que durou até o final de dezembro. Estava programado para voltar ao Mediterrâneo, mas o Estado-Maior do Almirantado enviou o cruzador para a América do Norte com o objetivo de proteger os interesses alemães durante a Revolução Mexicana. O Bremen estava na América do Norte e deveria voltar para casa, mas seu substituto, o SMS Karlsruhe, ainda não tinha entrado em serviço. O Dresden, sob o comando do capitão de fragata Erich Köhler, partiu em 27 de dezembro e chegou em Veracruz em 21 de janeiro de 1914. Os Estados Unidos tinham enviado uma esquadra para a cidade, assim como outros países.
O Estado-Maior do Almirantado ordenou que o Hertha, que estava em um cruzeiro de treinamento para cadetes, se juntasse ao Dresden. O Bremen também foi chamado de volta a fim de reforçar o contingente naval alemão; ao chegar foi encarregado de transferir europeus para transatlânticos da Hamburg-Amerika Linie. O Dresden e o cruzador protegido britânico HMS Hermione resgataram novecentos cidadãos estadunidenses presos em um hotel de Vera Cruz e os transferiram para navios dos Estados Unidos. O cônsul alemão na Cidade do México pediu por forças adicionais, assim o Dresden enviou uma equipe de desembarque formada por um suboficial júnior e dez marinheiros armados com duas metralhadoras MG 08. O navio foi para Tampico no Golfo do México em 15 de abril. Neste mesmo mês o navio mercante alemão SS Ypiranga chegou levando um carregamento de armas pequenas para o regime do ditador mexicano Victoriano Huerta. Os Estados Unidos tinham emposto um embarco de armamentos em uma tentativa de reduzir a violência da guerra civil. A Marinha dos Estados Unidos interceptou o Ypiranga no dia 21. O Dresden confiscou o navio, colocando-o para transportar refugiados alemães para fora do México. Apesar do embarco, os alemães entregaram em 28 de maio as armas e munições para o governo mexicano.
O regime de Huerta caiu em 20 de julho e o Dresden levou o ditador, o secretário da guerra e marinha Aureliano Blanquet e suas famílias para Kingston, na Jamaica, onde os britânicos tinha lhe concedido asilo. Chegou no dia 25 e Köhler descobriu que as tensões políticas na Europa tinham crescido durante a Crise de Julho. Neste altura o Dresden precisava passar por manutenção na Alemanha, assim se encontrou no dia seguinte com seu substituto Karlsruhe em Porto Príncipe, no Haiti. Lüdecke, que tinha chegado no comando do Karlsruhe, trocou de lugar Köhler. O Estado-Maior do Almirantado inicialmente ordenou que o Dresden voltasse para casa, mas a ameaça de guerra cada vez maior fez com que a ordem fossem rescindida no dia 31, com Lüdecke em vez disso sendo instruído a se preparar para atuar como navio corsário no Oceano Atlântico.
Primeira Guerra Mundial Corsário independente thumb|400px|Mapa das movimentações dos diferentes navios da Esquadra da Ásia Oriental; o Dresden está marcado como roxo Lüdecke foi para o sul e manteve silêncio no rádio a fim de manter sua presença em segredo. O Dresden recebeu um relatório na noite de 4 para 5 de agosto informando que o Reino Unido tinha declarado guerra contra a Alemanha. Lüdecke escolheu o Atlântico Sul como área de operações e navegou para próximo do litoral do Brasil. O cruzador parou um navio mercante britânico SS Drumcliffe na foz do rio Amazonas no dia 6. O capitão deste afirmou que não sabia que a guerra tinha começado e recebeu permissão de prosseguir ileso de acordo com as regras estabelecidas pela Convenção de Haia de 1907. O Dresden se encontrou com o carvoeiro alemão SS Corrientes. O cruzador foi para o Atol das Rocas em 12 de agosto e se encontrou com os navios mercantes SS Prussia, SS Baden e SS Persia. Depois disso seguiu para Trindade e no caminho encontrou o britânico SS Hyades, que foi afundado depois de sua tripulação ter sido embarcada no cruzador. O Dresden capturou o carvoeiro britânico SS Holmwood no dia 24 e também o afundou depois de evacuar a tripulação. Chegou em Trindade e se encontrou com a canhoneira SMS Eber e outros navios mercantes.
O cruzador capturou mais dois navios britânicos em 26 de agosto enquanto navegava próximo do estuário do rio da Prata, mas seus motores estavam em condições ruins e isto impediu mais operações. O Dresden parou na Ilha Hoste em 5 de setembro para realizar manutenção nos seus motores, permanecendo no local por onze dias. Neste meio tempo encontrou com o carvoeiro alemão SS Santa Isabel, que tinha partido de Punta Arenas e lhe deu notícias da guerra e que havia um movimentado tráfego mercante no litoral ocidental da América do Sul. Lüdecke assim decidiu seguir para o Oceano Pacífico e o navio cruzou o Estreito de Magalhães em 18 de setembro. No caminho encontrou o francês SS Ortega, mas Lüdecke não ordenou um ataque porque o navio tinha fugido para águas internacionais. Navegou pelo litoral do Chile e parou no Arquipélago Juan Fernández, onde fez contato por rádio com o cruzador rápido , que estava também operando na região. O Dresden não teve mais sucessos contra navios mercantes britânicos e se juntou em 12 de outubro à Esquadra da Ásia Oriental, que tinha atravessado o Pacífico e estava reabastecendo na Ilha de Páscoa. Esta esquadra era comandada pelo vice-almirante Maximilian von Spee. Lüdecke foi promovido no dia seguinte a capitão de mar.