O catolicismo em Timor-Leste faz parte da Igreja Católica Romana, sob a liderança espiritual do Papa no Vaticano. Desde a sua independência da Indonésia, Timor-Leste tornou-se o segundo país predominantemente católico do mundo (depois do Vaticano), um legado do seu estatuto como uma antiga colónia portuguesa. Cerca de 96,9% dos timorenses são católicos, apenas 2,2% pertencem a uma fé protestante a partir de 2010.

O país foi dividido em três circunscrições eclesiásticas: a Arquidiocese de Díli e as dioceses de Baucau e Maliana.

O núncio apostólico de Timor-Leste é simultaneamente, neste momento, o núncio da Malásia. Atualmente, o núncio é Wojciech Załuski.

História

miniatura|250px|Estátua do papa São João Paulo II em Tasitolu.

No início do , os comerciantes portugueses e holandeses estabeleceram o primeiro contacto com Timor-Leste. Os missionários mantiveram um contacto esporádico até 1642 quando Portugal assumiu e manteve o controlo até 1974, com uma breve ocupação do Japão durante a Segunda Guerra Mundial.

A Indonésia invadiu Timor-Leste em 1975 e anexou a antiga colónia portuguesa. Os sistemas de crenças animistas timorenses não encaixaram a monoteísta Constituição da Indonésia, resultando nas conversões em massa para o cristianismo. O clero português foi substituído por sacerdotes indonésios e a missa latina e portuguesa foi substituída pela missa indonésia. A Igreja desempenhou um papel importante na sociedade durante a ocupação indonésia de Timor-Leste. Enquanto apenas 20% dos timorenses declaravam-se católicos no momento da invasão de 1975, o índice atingiu 95% no final da primeira década após a invasão. Durante a ocupação, o bispo Carlos Filipe Ximenes Belo tornou-se um dos mais proeminentes defensores dos direitos humanos em Timor-Leste e muitos sacerdotes e freiras arriscaram as suas vidas na defesa dos cidadãos contra os abusos militares. A visita do papa João Paulo II em 1989 a Timor-Leste expôs a situação do território ocupado aos meios de comunicação mundiais e forneceu um catalisador para os ativistas independentes para buscar apoio global. Oficialmente neutro, o Vaticano desejou manter boas relações com a Indonésia, a maior nação muçulmana do mundo. Após a sua chegada a Timor-Leste, o papa beijou simbolicamente uma cruz e pressionou-a no chão, aludindo à sua prática habitual de beijar o chão à chegada a uma nação, e ainda evitando sugerir abertamente que Timor-Leste era um país soberano. Ele falou fervorosamente contra os abusos no seu sermão, evitando nomear as autoridades indonésias como as responsáveis. O papa falou contra a violência em Timor-Leste, e pediu que ambos os lados mostrassem contenção, implorando os timorenses a "amar e rezar pelos seus inimigos".

Em 1996, o bispo Carlos Filipe Ximenes Belo e José Ramos-Horta, os dois principais ativistas timorenses para a paz e a independência, receberam o Prémio Nobel da Paz pelo "o seu trabalho conducente para uma solução justa e pacífica para o conflito em Timor-Leste".

Muitos sacerdotes e freiras foram assassinados na violência em Timor-Leste que se seguiu ao referendo de independência de 1999. A nação recém-independente declarou três dias de luto nacional após a morte do papa João Paulo II em 2005.

A Igreja Católica Romana continua muito envolvida na política, com os confrontos de 2005 com o governo sobre a educação religiosa na escola e a suspensão dos julgamentos de crimes de guerra por atrocidades contra timorenses pela Indonésia. Eles também aprovaram o novo primeiro-ministro nos seus esforços para promover a reconciliação nacional. Em junho de 2006, a Catholic Relief Services recebeu ajuda dos Estados Unidos para ajudar as vítimas dos meses da agitação no país.

A 11 de setembro de 2019, o Papa Francisco elevou a diocese à Arquidiocese metropolitana, recebendo como sufragâneas as Dioceses de Baucau e Maliana.Notizia dell'elevazione ad arcidiocesi e dati statistici 2019

No Consistório Ordinário Público de 2022, foi criado o primeiro cardeal de Timor-Leste, Virgílio do Carmo da Silva, S.D.B..

Católicos por município miniatura|240px|Fiéis rezando em frente a Paróquia do Sagrado Coração de Jesus de Becora. miniatura|240px|Procissão em Becora. miniatura|Sagrada Família em Remexio

De acordo com o censo demográfico de 2010 da Direção-Geral de Estatística, a percentagem dos católicos por município distribui-se da seguinte maneira: Catolicismo em Timor-Leste Município População Católicos Ainaro 98,4 % Aileu 85.5 % Baucau 98,0 % Bobonaro 99,6 % Cova Lima 99,7. % Díli 94,5 % Ermera 98,3 % Liquiçá 95,3 % Lautém 96,7 % Manufahi 96,0 % Manatuto 98,2 % Oecusse 99,3 % Viqueque 96,1 %Fonte:

Ver também Circunscrições eclesiásticas católicas de Timor-Leste Arquidiocese de Díli Diocese de Baucau Diocese de Maliana

Bibliografia