A relação entre a Alemanha Nazista (1933-1945) e líderes do mundo Árabe abrangeu desprezo, propaganda, colaboração e, em alguns casos, a emulação. As relações político-militares de cooperação foram fundadas em hostilidades compartilhadas em relação a inimigos comuns, tais como os imperialismos britânico e francês, o colonialismo, o comunismo e o Sionismo. Hitler fez várias declarações calorosas sobre o Islã como religião e ideologia política. No entanto, Hitler e sua ideologia nazista também consideravam os árabes racialmente inferiores aos alemães.

Percepções nazistas de Países Árabes

Pontos de vista de Hitler sobre o Islã Em discursos, Hitler fez, aparentemente, muitas referências cordiais à cultura islâmica, tais como: "Os povos Islâmicos irão sempre estar mais perto de nós do que, por exemplo, a França."Hitler's apocalypse: Jews and the Nazi legacy, Robert S. Wistrich, Weidenfeld & Nicolson, 17 Oct 1985, page 59 e "A religião muçulmana teria sido muito mais compatível conosco do que o cristianismo."

Um famoso episódio sobre a perspectiva de Adolf Hitler acerca do Islã e dos Árabes, é narrado por Albert Speer em seu livro best-seller de memórias, "Inside the Third Reich". Speer relata que "Hitler ficou muito impressionado com um pedaço de história que ele tinha conhecido a partir de uma delegação de Árabes distintos.""Inside the Third Reich" by Albert Speer, (NY: The Macmillan Co.; 1970), p.142 A delegação especulou que o mundo se teria tornaria muçulmano se os bereberes e os árabes tivessem vencido a Batalha de Tours no século VIII d.C. e que os alemães se tornariam herdeiros de "uma religião que acreditava em espalhar a fé pela espada e subjugar todas as nações a essa fé. Tal credo era perfeitamente adequado ao temperamento Alemão.""Speer, 1970", pp. 142--143 Em seguida, Speer apresenta declarações de Hitler sobre este assunto:Da mesma forma, Hitler foi transcrito dizendo: "Se Carlos Martel não tivesse sido vitorioso em Poitiers [...] então, provavelmente, teríamos sido convertidos ao islamismo, aquele culto que glorifica o heroísmo e que abre o sétimo Céu apenas aos corajosos guerreiros. Então as raças germânicas teriam conquistado o mundo".

De acordo com Speer, Hitler declarou em particular: " "Veja, foi nossa desgraça ter a religião errada. Por que não tivemos a religião dos japoneses, que consideram o sacrifício pela Pátria como o bem supremo? A religião muçulmana também teria sido muito mais compatível conosco do que com o cristianismo. Por que tinha de ser o cristianismo com sua mansidão e flacidez? "

Pontos de vista de Hitler sobre o Mundo Árabe Esta conversa ocorreu quando Hitler recebeu o enviado especial do governante saudita Ibn Saud, Khalid al-Hud al-Gargani.The Arabs and the Holocaust: The Arab-Israeli War of Narratives, by Gilbert Achcar, (NY: Henry Holt and Co.; 2009), pp. 125—126 Mais cedo, nesta reunião, Hitler observou que uma das três razões pelas quais a Alemanha nazista tinha simpatia para com os árabes era:... porque nós estávamos lutando em conjunto contra os judeus. Isso o levou a discutir a Palestina e as condições de lá, e ele afirmou que ele próprio não iria descansar até o último judeu ter deixado a Alemanha. Kalid al Hud observou que o Profeta Maomé ... tinha agido da mesma maneira. Ele expulsou os judeus da Arábia ..."Arabs & Holocaust, Achcar", pp. 125—126 Gilbert Achcar observa com ironia que o Führer não apontou para os visitantes árabes naquela reunião que, até então, incitava os judeus alemães a emigrar para a Palestina e que o Reich ajudou ativamente as organizações sionistas a superar as supostas restrições impostas pelos britânicos à imigração judaica.“Arabs & Holocaust, Achcar” p. 125

Hitler disse a seus comandantes militares, em 1939, pouco antes do início da guerra:Devemos continuar a fazer distúrbios no Extremo Oriente e na Arábia. Vamos pensar como homens e vejamos, nesses povos, na melhor das hipóteses, meio-macacos que estão ansiosos para experimentar o chicote.Antes da Segunda Guerra Mundial, todo o norte da África e o Oriente Médio estavam sob o controle de potencias europeias. Apesar das teorias raciais nazistas que denegriram os árabes como membros de uma raça inferior, alguns árabes que ajudaram o Reich a lutar contra os britânicos pela posse do Oriente Médio foram tratados com honras e respeito. Ao Mufti Haj Amin al-Husseini, por exemplo, "foi concedido o status de ariano honorário" pelos nazistas por sua estreita colaboração com Hitler e o Terceiro Reich.

O governo alemão desenvolveu uma associação amigável com os árabes e cooperou com alguns líderes nacionalistas do Oriente Médio, baseando-se nos interesses anticoloniais e antissionistas que ambos possuíam. Os exemplos mais notáveis desta causa comum foram a revolta Árabe de 1936-1939 na Palestina e outras ações lideradas pelo Grande Mufti Haj Amin al-Husseini, e a Guerra Anglo-Iraquiana, quando o Golden Square (quatro generais, liderados por Rashid Ali al-Gaylani) derrubou o pró-Britânico 'Abd al-Ilah, regente no Iraque e instalou um governo pró-Eixo.Nafi, Basheer M. "The Arabs and the Axis: 1933-1940". Nazi Palestine: The Plans for the Extermination of the Jews in Palestine by Klaus-Michael Mallmann and Martin Cuppers, tran. by Krista Smith, (Enigma Books, published in association with the United States Holocaust Memorial Museum, NY; 2010)Churchill, Winston (1950).

Em resposta ao golpe de Rashid Ali, Hitler emitiu a Diretriz Führer nº 30 em 23 de maio de 1941 para apoiar Ali a fim de combater a influência britânica no Iraque. A mensagem contida na diretriz era: "O Movimento da Liberdade árabe no Oriente Médio é nosso aliado natural contra a Inglaterra."

O General da Aviação Hellmuth Felmy foi designado como uma autoridade central para todos os "assuntos arabes relacionados a Wehrmacht", sob os termos da Diretiva N.º 30"."German Exploitation of Arab Nationalist Movements in World War II" by Gen. OGeneral Felmy resumiu a perspectiva militar dos interesses estratégicos comuns dos alemães e árabes nacionalistas na seguinte passagem:A já tensa situação no Oriente Médio foi ainda mais agravada com o aparecimento das aspirações nacionalistas dos Judeus. O ódio árabe contra os judeus e o desapontamento árabe com falsas esperanças pela independência levaram a tumultos sangrentos. De início com natureza puramente anti-judaica e dirigida contra a crescente imigração judaica para a Palestina, os levantamentos foram mais tarde voltados para a Grã-Bretanha como o poder mandatório. A situação continuou a ser insatisfatória até o início da Segunda Guerra Mundial, quando foi ofuscada pela crise na Europa. Quando a Inglaterra declarou a guerra à Alemanha, as organizações sionistas, que tinham apoiado ativamente o influxo de imigrantes judeus na Palestina, proclamaram de imediato a solidariedade com a Grã-Bretanha contra a Alemanha.Felmy, et al, p. 4

Em 11 de junho de 1941, Hitler e o Comandante Supremo das Forças Armadas emitiram a Diretiva N ° 32, intitulada "Preparativos para o período após "Barbarossa'" que dizia (em parte):Exploração do Movimento da Liberdade árabe. A situação dos ingleses no Oriente Médio será mais precária, no caso de grandes operações alemãs, se mais forças britânicas estiverem limitadas no momento certo por agitação civil ou revolta. Todas as medidas militares, políticas e de propaganda para este fim devem ser estreitamente coordenadas durante o período preparatório. Como agência central no exterior, nomeo a "Equipa Especial F", que deve participar de todos os planos e ações na área árabe, cuja sede deve estar na área do Comandante Forças Armadas do Sudeste. Os especialistas e agentes disponíveis mais competentes serão disponibilizados. O Chefe do Alto Comando das Forças Armadas especificará os deveres da "Equipa Especial F", de acordo com o Ministro dos Negócios Estrangeiros, onde as questões políticas o estiverem envolvidas.O general de Artilharia Walter Warlimont, que estava envolvido em alianças militares com alguns árabes, relata que muitos oficiais alemães acreditavam que:...o único ponto de união política real entre os árabes era seu ódio comum aos judeus, enquanto que os "movimentos nacionalistas árabes", como tal, devido à diversidade de interesses nos vários países árabes, existiam apenas no papel.Felmy, et al, p. 154

Percepções Árabes de Hitler e o Nazismo De acordo com Gilbert Achcar, não houve uma percepção árabe unificada do nazismo:

Hitler e sua ideologia fascista eram controversos nos países islâmicos, como eram na Europa, com ambos tendo apoiantes e opositores.

Grandes programas de propaganda foram lançados nos países árabes, primeiro pela Itália Fascista e posteriormente pela Alemanha Nazista. Os nazistas em particular, focaram em influenciar a nova geração de pensadores políticos e ativistas. 

Erwin Rommel era quase tão popular como de Hitler. Alguns árabes usavam "Heil Rommel" como uma saudação comum em seus países. Os árabes pensaram que os alemães os libertariam da dominação colonial da França e da Grã-Bretanha.  Depois da capitulação francesa frente à Alemanha em 1940, alguns árabes entoavam cânticos contra os franceses e britânicos nas ruas de Damasco: "Não mais Monsieur, não mais Mister, Alá no céu e Hitler na terra." Cartazes em árabe que diziam: "No céu Alá é o governante e na Terra é Hitler"  estavam frequentemente dispostos em lojas nas cidades da Síria.

Alguns árabes ricos que viajaram para a Alemanha nos anos 1930, trouxeram de volta com eles ideias fascistas que foram incorporadas ao nacionalismo árabe. Um dos principais fundadores do pensamento ba'athista e o Partido Baath, Zaki al-Arsuzi, declararam que o fascismo e o nazismo influenciaram muito a ideologia baathista. Um associado de al-Arsuzi, Sami al-Jundi, escreveu: "Nós éramos racistas. Admirávamos os nazistas. Estávamos imersos em literatura e livros nazistas que eram a fonte do espírito nazista. Nós fomos os primeiros que pensaram em uma tradução de Mein Kampf. Quem vivia em Damasco naquela altura era testemunha da inclinação árabe pelo nazismo. Michel Aflaq, fundador da filosofia Baathista, admirou Hitler e os nazistas por enfreentarem a Grã-Bretanha e a América. Essa admiração combinaria aspectos do nazismo com o Baathismo".miniaturadaimagem|Haj Amin al-Husseini e Adolf Hitler em 28 de novembro de 1941. Os dois políticos árabes mais notáveis que colaboraram ativamente com os nazistas foram Grand Mufti de Jerusalém (al Quds) Haj Amin al-Husseini, e o primeiro-ministro Iraquiano Rashid Ali al-Gaylani.

Os britânicos forçaram Mufti al-Husseini ao exílio por seu papel na revolta árabe de 1936-1939 na Palestina. O ex-Mufti tinha agentes no Reino do Iraque, e nas regiões do Mandato Francês da Síria e Mandato Britânico da Palestina. Em 1941, o Mufti apoiou ativamente o golpe de Estado do grupo "Golden Square" iraquiano, liderado por Rashid Ali al-Gaylani.

Depois que o regime iraquiano do "Golden Square" foi derrotado pelas forças pró-britânicas, Rashid Ali, o Mufti e outros veteranos iraquianos se refugiaram na Europa, onde apoiaram os interesses do Eixo. Eles foram particularmente bem sucedidos no recrutamento de dezenas de milhares de muçulmanos para serem membros de unidades alemãs de Schutzstaffel (SS) e como propagandistas para o mundo de língua árabe. A gama de atividades colaborativas foi ampla. Por exemplo, Anwar Sadat, que mais tarde se tornou presidente do Egito, foi um cooperador voluntário na espionagem da Alemanha nazista de acordo com suas próprias memórias.