Paraná é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está localizado ao norte da região Sul, da qual é único a fazer divisa com outras regiões. Possui como limites ao norte e a nordeste, com São Paulo, a leste com o Oceano Atlântico, ao sul com Santa Catarina, a noroeste com Mato Grosso do Sul, a oeste com os departamentos paraguaios de Canindeyú e Alto Paraná e a sudoeste com a província argentina de Misiones. Compreende uma superfície de , um pouco menor que a Romênia, país com formato semelhante. Com 399 municípios, tem 11,44 milhões de habitantes, fazendo dele o quinto estado mais populoso do Brasil. Curitiba é sua capital e município com maior população. Os outros municípios mais populosos são Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Cascavel, São José dos Pinhais e Foz do Iguaçu. É o quarto estado mais rico do Brasil pelo PIB, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Sua economia está alicerçada nos setores agrícola (cana-de-açúcar, milho, soja, trigo, café, mandioca), industrial (agroindústria, papel e celulose) e no extrativista vegetal (madeira e erva-mate).
Seu relevo é elevado, com 52% do território encontrando-se além dos seiscentos metros e somente três aquém dos trezentos. Paraná, Iguaçu, Ivaí, Tibaji, Paranapanema, Itararé e Piquiri são os rios mais caudalosos. Possui um clima subtropical.
No século XVII foi encontrada na área do Paraná uma região aurífera, antecedente à descoberta das Minas Gerais, o que ocasionou a colonização tanto na costa como no interior. Com o avistamento das Minas Gerais, o ouro de Paranaguá perdeu a relevância. As famílias abastadas, que tinham enormes extensões de terra, começaram a se ocupar da produção de gado, com a qual mais tarde proveria a população das Minas Gerais. Entretanto, somente no século XIX, os proprietários rurais conquistaram decisivamente as terras do centro e do sul do Paraná.
No fim do século XIX, a erva-mate prevaleceu na economia e originou uma nova fonte de renda para os líderes que dividiam o poder. Com o surgimento das ferrovias, conectando a região da araucária aos portos e a São Paulo, já no fim do século XIX, aconteceu novo surto de progresso. Desde 1850, o governo provincial realizou um grande programa de povoamento, principalmente de alemães, italianos, poloneses e ucranianos. Estes concorreram definitivamente para o crescimento da economia paranaense e para a transformação de sua organização social.
Etimologia
O nome do estado provém do termo da língua geral paulista paraná, que significa “rio”.NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 590. Apesar disso, algumas fontes dizem que o termo para significa “mar”, e anã, “que se parece/assemelha”, sendo, por isso, “(rio) parecido com/semelhante ao oceano”, provavelmente por sua dimensão. Refere-se ao rio Paraná, que delimita a fronteira ocidental de seu território, onde ficava o salto de Sete Quedas, hoje submerso pela represa da Usina Hidrelétrica de Itaipu, na divisa com Mato Grosso do Sul e com o Paraguai. O rio Paraná nasce da confluência dos rios Paranaíba e Grande, que se encontram quase mais a oeste de Minas Gerais. O potamônimoPotamônimo ou potamónimo é um vocábulo que define um topónimo que tem origem num nome de um rio. deu o nome à região, que foi elevada à categoria de província autônoma em 1853, desmembrando-se de São Paulo, e a de estado em 1889. A pronúncia “Paranã” era encontrada até há pouco tempo.. Os naturais do estado são denominados paranaenses.
História
Pré-história e povos indígenas Os primeiros paleoíndios chegaram ao que é hoje o Paraná há 15 mil anos, conforme atestam vestígios arqueológicos encontrados em diferentes partes do estado. Há cerca de 10 mil anos, com o clima da região cada vez mais quente e úmido, mais povos caçadores-coletores paleoíndios, relacionados aos sambaquieiros e às tradições Humaitá e Umbu, se fixaram no território paranaense.
Por volta de quatro mil anos, os agricultores e ceramistas proto-jê chegaram ao Paraná, vindos do Planalto Central Brasileiro, e se miscigenaram aos caçadores-coletores que já habitavam a região. Esses eram os ancestrais dos caingangues e xoclengues.
Por volta de dois mil anos atrás, os povos tupi-guaranis alcançaram as terras paranaenses, chegando primeiro ao norte e oeste do estado, para depois ocuparem o Planalto de Curitiba e o litoral.
Na época da chegada dos europeus, o Paraná era ocupado pelos guaranis, do ramo tupi-guarani, no litoral e parte do interior, e os caingangues, do ramo macro-jê, que ocupavam a maioria do interior do estado.
Período colonial thumb|esquerda|Capitanias do Brasil em 1534 Com a assinatura do Tratado de Tordesilhas (1494), o território paranaense a oeste de Paranaguá ficou pertencente à Espanha, enquanto o litoral foi posse portuguesa. No século XVI, o litoral do Paraná foi esporadicamente visitado por diversas expedições à procura de madeira de lei. esquerda|miniaturadaimagem|Mapa da região do Guayrá Em 1554, os espanhóis começaram a colonização da região conhecida como Guairá, que abrangia grande parte do atual território paranaense, com a fundação naquele ano, por Domingo Martínez de Irala, da vila de Ontiveros, localizada nas margens do Rio Paraná, próxima ao Salto de Sete Quedas, a qual, em 1557, foi substituída pela Cidade Real do Guairá, localizada na confluência do Rio Piquiri com o Paraná. Em 1576, fundaram a Vila Rica do Espírito Santo, na região do atual município de Nova Cantu, cuja localização foi transferida, em 1589, devido a um surto de varíola, para as margens do Rio Ivaí. No final do século XVI e início do XVII, padres jesuítas espanhóis estabeleceram missões para a catequese e proteção dos indígenas, as quais sofreram constantes ataques dos bandeirantes paulistas. Em 1629, os estabelecimentos dos jesuítas, exceto Loreto e Santo Inácio, se encontravam inteiramente destruídos pelos bandeirantes e, em 1632, Antônio Raposo Tavares cercou e destruiu Vila Rica, último reduto espanhol eficaz para proporcionar resistência. Com isso, os espanhóis abandonaram a região..
Na primeira metade do século XVII, com o descobrimento do ouro no território (inicialmente no litoral) e a escassez de indígenas para escravizar, os bandeirantes paulistas passaram a se dedicar e a colonizar a região. Em 1648, a povoação de Paranaguá foi elevada à condição de vila pelo bandeirante Gabriel de Lara e, anos depois, ali foi instalada uma casa de fundição. Em 1649, Eleodoro Ébanos Pereira subiu a Serra do Mar e descobriu jazidas de ouro nos Campos de Curitiba e, com isso, mineradores vindos de Paranaguá e outras vilas na Capitania de São Vicente se fixaram ali, formando povoações como a Vilinha e Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, este último elevado à condição de vila em 1693, sendo o embrião da atual cidade de Curitiba.
A Capitania de Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá, fundada pelo Marquês de Cascais em 1656,. substituiu a Capitania de Santana,.. que começava na foz da baía de Paranaguá e acabava na atual cidade catarinense de Laguna....
Os desafios na extração do ouro eram enormes, em virtude do razoável desconhecimento dos métodos de exploração e da carestia de mão-de-obra, posto que o indígena havia sido exterminado. Dessa forma, no momento em que foi encontrado ouro em Minas Gerais, o ouro do Paraná perdera toda a relevância.. Apenas em 1820, o oeste do Paraná foi entregue a Portugal, sendo incorporado à Província de São Paulo.
Com a decadência da mineração de ouro, o povo de Paranaguá começou a se dedicar à agricultura e o de Curitiba, à criação de gado. Esta progrediu em função da demanda de alimentação e deslocamento dos mineradores das Minas Gerais. Com a construção do Caminho Viamão-Sorocaba, o qual conectava a Comandância Militar do Rio Grande de São Pedro com a Capitania de São Paulo por intermédio da região de Curitiba, começou uma nova etapa na história paranaense: o tropeirismo, o qual se prolongou pelos séculos XVIII e XIX. Multiplicaram-se as propriedades rurais de criação de gado e a figura humana principal começou a ser o fazendeiro tropeiro, ou seja, o vendedor de tropas de gado, principalmente muar.
Período imperial Em 19 de fevereiro de 1811, no sul da Capitania de São Paulo, foi fundada a Comarca de Paranaguá, compreendida inicialmente pelas localidades de Antonina, Cananeia, Castro, Curitiba, Guaratuba, Iguape, Lages, Vila Nova do Príncipe, e com sede em inicialmente em Paranaguá, até sua transferência a Curitiba em 1812. Em 6 de fevereiro de 1842, Curitiba, sede da comarca, foi promovida à condição de cidade por uma lei provincial paulista. Além da economia da comarca ser baseada no comércio de gado, existia também um enorme desenvolvimento do cultivo de erva-mate, que eram exportadas para os mercados do Prata e do Chile.. Em julho de 1842, o presidente de São Paulo, o baiano José da Costa Carvalho, como uma punição aos paulistas pela sua presença nas revoltas liberais de 1842, influenciadas pela Guerra dos Farrapos no Rio Grande do Sul, solicita ao Imperador Dom Pedro II que a Comarca de Curitiba e Paranaguá seja elevada à condição de província.
Em 12 de abril de 1843, o deputado por São Paulo, Joaquim José Pacheco, também natural da Bahia, requere uma solicitação ao governo propondo a criação de uma nova província baseada nos limites territoriais compreendidos pela comarca. O projeto foi discutido por deputados paulistas e mineiros até o dia 17 de agosto de 1853, com o Imperador sancionando a Lei Imperial nº 704 em 29 de agosto de 1853, desmembrando de São Paulo a Comarca de Curitiba e Paranaguá e elevando-a à categoria de província denominada Paraná. Curitiba foi escolhida como capital da nova província e, em 19 de dezembro de 1853, tomou posse o seu primeiro presidente, Zacarias de Góis e Vasconcelos, tendo ele anteriormente também governado as províncias do Piauí e Sergipe.miniaturadaimagem|upright|Lei Imperial n.º 704, de 29 de agosto de 1853, que criou a Província do Paraná
Devido à reduzida população provincial, começou um programa oficial de imigração europeia com desembarque no Porto de Paranaguá (especialmente de poloneses, alemães, austríacos, ucranianos e italianos), o qual colaborou para o desenvolvimento da colonização e da economia.
No final do , novo estímulo de progresso se deu com a construção das ferrovias, já que possibilitou o desenvolvimento da indústria de madeira, pois determinadas estradas de ferro conectavam as matas de araucárias aos portos, como Paranaguá, e a São Paulo. Ao mesmo tempo, o fim do transporte de muares causou uma crise na sociedade pastoril.
Período republicano
esquerda|miniaturadaimagem|Panteon dos Heroes, onde jazem os corpos dos legalistas que combateram no Cerco da Lapa.
Em 15 de novembro de 1889, foi proclamada a República no Brasil e o Paraná se tornou um Estado da Federação, tendo sua primeira constituição estadual promulgada em abril de 1892. Durante a gestão do presidente Floriano Peixoto, a Revolução Federalista (1893-4) e a Revolta da Armada (1891) tiveram consequências no Paraná, em que foram declarados muitos combates..
Em 1912, iniciou-se a Guerra do Contestado, conflito que contrapôs os moradores carentes da região localizada entre os rios Negro, Iguaçu, Canoas e Uruguai, denominada "Contestado" por ser disputada entre Paraná e Santa Catarina, e as forças oficiais. O conflito no Contestado e o litígio entre Paraná e Santa Catarina terminaram em 1916..
A colonização do norte do Paraná se iniciou ainda no Império, nos primeiros anos da província, com a chegada de paulistas e mineiros no norte velho, mas ganhou grande impulso a partir da década de 1920, com as companhias colonizadoras e a chegada de colonos nacionais (sobretudo paulistas) e estrangeiros.