Arraba (ar-Raḥbah) ou Alraba (Al-Rahba), também conhecia como Cidadela de Arraba (Qal'at ar-Rahba), é uma fortaleza árabe muçulmana medieval na Síria. Está localizada próximo a margem esquerda do rio Eufrates, adjacente à cidade de Maiadim e 42 quilômetros a sudeste de Deir Zor. Situada sobre um monte com elevação de 244 metros, Arraba vigia a estepe do deserto da Síria e historicamente guardou o vale do Eufrates. Foi descrita como "uma fortaleza dentro de uma fortaleza"; consiste numa torre de menagem que mede 60 por 30 metros, protegida por um recinto que mede 270 por 95 metros. Arraba está amplamente em ruínas atualmente como resultado da erosão.
O sítio original, que foi conhecido como "Rabate Maleque ibne Tauque" em homenagem ao fundador e abássida homônimo, estava localizada junto ao Eufrates. Foi vista pelos exércitos caravaneiros e viajantes muçulmanos como a chave à Síria a partir do Iraque e às vezes vice-versa. Tribos beduínas frequentemente tomaram o controle dela e usaram-na como ponto de lançamento de invasões no norte da Síria. Devido a sua localização estratégica, Arraba foi frequentemente disputada pelos poderes muçulmanos, incluindo os senhores locais, como os hamedânidas, ucaílidas, os mirdássidas e seljúcidas, entre outros. Rabate Maleque ibne Tauque foi destruída num terremoto em 1157.
Alguns anos depois, a atual fortaleza foi construída próximo a margem do deserto pelo senhor zênguida-aiúbida . Seus descendentes mantiveram Arraba como apanágio hereditário conferido por Saladino até 1264. Um deles, , conduziu a terceira grande reconstrução do sítio em 1207. Ao longo do período mameluco (final do ao XIV), a fortaleza foi continuamente restaurada e fortalecido como resultado dos sítios frequentes mongóis ilcânidas do Iraque. Arraba foi a fortaleza mameluca mais importante ao longo do Eufrates como centro administrativo e ponto terminal da rota postal sultanal. Ela caiu em desuso durante o período otomano e desse momento até o começo do , a fortaleza serviu primariamente como abrigo para pastores locais e seus rebanhos. Escavações foram conduzidas no sítio entre 1976 e 1981.
Localização e etimologia
Por toda a história islâmica, Arraba foi considerada, nas palavras do viajante do ibne Batuta, "o fim do Iraque e o começo de Alxam [Síria]". A fortaleza está localizada a 4 quilômetros ao sudoeste do rio Eufrates, 1 quilômetro a sudoeste da moderna cidade síria de Maiadim, e 42 quilômetros ao sudeste de Deir Zor, capital da província de Deir Zor, da qual Arraba faz parte. Segundo o geógrafo do Iacute Alhamaui, o nome do sítio, al-rahba, traduz-se do árabe como a "porção plana de um uádi, onde a água se acumula"; a localização original de Arrabi estava sobre a margem ocidental do Eufrates. A atual fortaleza está situada sobre um monte artificial separado do planalto do deserto da Síria a oeste. Sua elevação é de 244 metros acima do nível do mar.
História
Rabate Maleque ibne Tauque
Fundação
Segundo o historiador Thierry Bianquis, "dificilmente se sabe algo definitivo sobre a história da cidade [Arraba] antes da era muçulmana." Escritores talmúdicos e siríacos (como e Bar Hebreu) identificam-na com a cidade bíblica de Reobote do Eufrates (Rehobot han-Nahar). Alguns historiadores muçulmanos medievais, entre eles Atabari, escreveram que foi um lugar chamado "Furda" ou "furdate Num" (Furdat Nu'm), sendo nomeado em honra a um mosteiro que supostamente existiu nas redondezas chamado "Dair Num" (Dayr Nu'm). Contudo, o historiador persa do al-Baladuri afirma que lá havia "traço algum de que Arraba [...] era uma antiga cidade", e que foi fundada pela primeira vez pelo general abássida Maleque ibne Tauque durante o reinado do califa Almamune . Como tal, a cidade fortaleza foi frequentemente referida como "Rabate Maleque ibne Tauque" pelos historiadores muçulmanos. Segundo o historiador sírio Suhayl Zakkar, Arraba possuía valor estratégico significativo, pois foi "a chave à Síria e às vezes ao Iraque" e foi a primeira parada às caravanas ligadas a Síria que vinham do Iraque. De Arraba, viajantes, caravaneiros e exércitos avançaram para o noroeste ao longo da rota do Eufrates para Alepo ou atravessavam a rota do deserto para Damasco. Devido a seu valor estratégico, foi frequentemente disputada pelos poderes muçulmanos rivais. Tribos beduínas em particular usaram Arraba como principal ponto de lançamento de invasões ao norte da Síria e como mercado e ponto seguro. Maleque ibne Tauque serviu como seu primeiro senhor, e depois de sua morte em 873, foi sucedido por seu filho Amade. O último foi repelido após a captura de Arraba em 883 pelo senhor abássida de Ambar, Maomé ibne Abi Açaje. Por volta do , Arraba tornou-se uma grande cidade.
Em 903, o líder cármata Saíbe Axama foi preso em Arraba antes de ser transferido à custódia do califa Almostacfi em Raca. À época, Arraba foi o centro da província do Eufrates e base de seu governador, ibne Sima. Saíbe Axama foi executado, levando seus partidários da tribo dos a se submeterem a ibne Sima em Arraba no começo de 904. Contudo, pouco depois, eles viraram-se contra ibne Sima, cujas forças repeliram-os numa emboscada nas cercanias de Arraba em agosto. Após mais batalhas, os líderes cármatas e (líderes religiosos ismaelitas) renderam-se novamente a ibne Sima. Em março de 928, os cármatas sob Abu Tair Aljanabi conquistaram Arraba e massacraram vários de seus habitantes. Seus residentes enfrentaram dificuldades por vários anos devido a guerra civil na região circundante. A paz foi restabelecida em 942 com a chegada de cerco comandante abássida chamado Adal que foi enviado por Bajecame, o líder do califado centrado em Bagdá. Adal subsequentemente tornou-se governador das regiões do vale do Eufrates e Cabur.
Período hamedânida
Arraba foi tomada pelos hamedânidas alguns anos depois, tornando-se parte do distrito do Eufrates (Tárique Alfurate) do Emirado de Moçul. À época, a cidade foi descrita pelo geógrafo persa Alistacri como sendo maior que a cidade de Circésio que está do lado oposto do Eufrates. O senhor de Arraba, Jamã, rebelou-se contra o emir de Moçul, Nácer Adaulá . Jamã fugiu da cidade e se afogou no Eufrates, mas não antes de Arraba ser pesadamente danificada pela supressão da rebelião. Nácer Adaulá conferiu a seu filho favorito, Abu Almuzafar Hamadã, o controle de Arraba, seu distrito de Diar Modar, e as receitas do distrito.
Os filhos de Nácer Adaulá contestaram o controle de Arraba no rescaldo da deposição de seu pai em 969. Por fim ela passou para seu filho Abu Taglibe quando seu irmão e comandante subordinado, Hibatalá, capturou-a de Hamadã num ataque surpresa. Abu Taglibe reconstruiu as muralhas de Arraba. Ele restaurou Arraba para Hamadã para evitar a possibilidade de seu inimigo buída, Ize Adaulá Albactiar, formasse uma aliança com Hamadã para derrubar Abu Taglibe. Os hamedânidas perderam o controle de Arraba em 978, depois do que foi capturada pelo emir buída Adude Adaulá . Em 991, os habitantes de Arraba requeriam e receberam um governador nomeado pelo filho de Adude, o emir Baa Adaulá . A cidade foi descrita pelo geógrafa hierosolimitano Mocadaci no final do como sendo o centro do distrito do Eufrates, localizado à beira do deserto, tendo um padrão semicircular e sendo defendida por uma forte fortaleza. Ele também notou que a vizinhança mais ampla foi caracterizada por terras altamente irrigadas e produtivas, com abundantes palmeiras e marmeleiros.
Período ucaílida e mirdássida
No final do , o controle foi Arraba foi contestado entre os ucaílidas de Moçul e os fatímidas do Egito. Prosseguindo o conflito, o califa Aláqueme nomeou um membro da tribo dos , , como senhor de Arraba. Abu Ali foi morto em 1008/1009 durante uma batalha com seus rivais ucaílidas liderados por . O último perdeu Arraba para outro emir ucaílida, . A vitória do último foi de curta duração, pois o emir fatímida de Damasco, Lulu, logo capturou Arraba e Raca, uma cidade fortificada ao noroeste. Ele nomeou um governador para Arraba e retornou para Damasco. Um rico residente de Arraba, ibne Macane, revoltou-se contra os fatímidas e tomou controle da cidade pouco após a partida de Lulu. Embora capaz de expulsar o governador fatímida, ibne Macane foi incapaz de manter a cidade seu suporte externo, pois Arraba estava situada em meio à encruzilhada de vários poderes regionais que cobiçavam a cidade. Assim, ganhou o apoio do emir mirdássida da tribo dos quilabitas, Sale ibne Mirdas. O conflito eclodiu entre ibne Macane e Sale o que levou o último a sitar Arraba. Os dois se reconciliaram e então ibne Macane e seus homens capturada a cidade fortificada de Aná em Ambar. Contudo, quando ibne Macane procurou o apoio de Sale para suprimir uma revolta de Aná, o último usou a oportunidade para matar ibne Macane.
Depois de eliminar ibne Macane, Sale tornou-se senhor de Arraba, e fez sua aliança com os fatímidas. Arraba foi o primeiro grande território que Sale controlou e o núcleo do emirado que estabeleceria em Alepo e boa parte do norte da Síria. Seu filho Timal mais tarde sucedeu-o como emir de Alepo, e Arraba tornou-se sua principal base de poder da qual muitos de seus vizires (conselheiros ou ministros) se originaram. Mais tarde, foi obrigado pelos fatímidas a entregar Arraba ao aliado deles , um general turco que revoltou-se contra seus mestres seljúcidas e o Califado Abássida. A cedência de Arraba para Albaçaciri foi o primeiro passo para Timar perder o Emirado Mirdássida. Junto com a perda de Raca, provocou dissensão dentro dos quilabitas, com o irmão de Timal, , resolvendo restaurar o emirado. A revolta de Albaçaciri foi fracassada e ele foi morto em 1059, o que incitou Atia a capturar Arraba em abril de 1060. Mais tarde, em agosto de 1061, Atia defendeu com sucesso Arraba dos ataques numaíridas. Os mirdássidas perderam Arraba em 1067 ao emir ucaílida, Xarafe Adaulá, um vassalo dos abássidas afiliados aos seljúcidas. Antes disso, Atia e seus homens estavam em Homs, dando a Xarafe Adaulá a oportunidade de repelir os defensores quilabitas de Arraba. Depois, o nome do califa abássida foi lido na cutba da cidade (sermões da sexta-feira) em vez dos fatímidas, um reconhecimento formal da mudança de aliança de Arraba. Em 1086, o sultão seljúcida concedeu Arraba e suas dependências mesopotâmicas superiores de Harrã, Raca, Saruje e Cabur para o filho de Xarafe Adaulá, Maomé.
Período seljúcida
Em algum momento os seljúcida e seus aliados árabes perderam Arraba, mas em 1093 o emir seljúcida de Damasco, , capturou-a junto com várias outras cidades mesopotâmicas superiores. Após sua morte, a posse de Arraba passou aos ucaílidas, mas em 1096, Querboga de Hila capturou e saqueou a cidade. Ele manteve-a até 1102, quando Caimaz, um antigo mameluco (soldado escravo) do sultão seljúcida Alparslano tomá-la. O filho de Tutuxe, Ducaque, e o representante do último, Toguetequim, sitiaram a cidade, mas falharam em capturá-la. Caimaz morreu em dezembro de 1102 e Arraba passou para um de seus mamelucos turcos chamado Haçane, que demitiu muitos dos oficiais de Caimaz e prendeu vários dos notáveis de Arraba devido a suspeitas de golpe contra ele. Ducaque refez o cerco, mas desta vez foi recebido pelos citadinos de Arraba, forçando Haçane a retirar-se à cidadela. Haçane rendeu-se após receber garantias de salvo-conduto de Ducaque bem como um icta (apanágio) em outro lugar na Síria. Segundo o cronista do ibne Alatir, os habitantes de Arraba foram tratados bem por Ducaque, que reorganizou a administração da cidade, estabeleceu uma guarnição lá e conferiu-lhe um governador da tribos dos xaibanitas, Maomé ibne Sabaque.