Barry Lyndon é um filme de drama anglo-estadunidense de 1975, dirigido por Stanley Kubrick, com roteiro baseado no romance As Memórias de Barry Lyndon, de William Makepeace Thackeray.

Foi o primeiro filme de Kubrick após o lançamento do controverso Laranja Mecânica. E, apesar de algumas nomeações a prêmios importantes, jamais gozou do mesmo êxito que obtiveram os demais filmes do diretor. A iluminação deste filme foi inteiramente feita sob luz de velas e natural. Kubrick teve que usar uma lente adaptada da NASA para conseguir o efeito desejado.

Aparentemente, era a intenção do diretor filmar uma outra obra de Thackeray, aquela que se considera sua obra-prima, Vanity Fair. No entanto, Kubrick julgou ser incapaz de transpor todo o conteúdo do livro à tela, preferindo adaptar a trama sobre Barry Lyndon.

O filme é basicamente um conto sobre a ascensão e o declínio social do personagem-título, dividido claramente em duas partes.

Enredo Na primeira parte conhecemos o protagonista, Redmond Barry, um pedante jovem irlandês que se apaixona por sua prima a qual, no entanto, já está comprometida. Irritado, ele desafia o noivo para um duelo e lhe fere mortalmente. Como se tratava de um senhor bem relacionado, o que poderia lhe trazer represálias, Barry decide então abandonar a família e ir refugiar-se em Dublim. No caminho, é vítima de um assalto que o deixa sem qualquer quantia para sua subsistência.

Precisando sobreviver, Barry ingressa no Exército Britânico. Depois de participar de algumas batalhas, deserta mas acaba capturado e recrutado pelo Exército da Prússia. Lá, ele se torna um espião à serviço do Capitão Potzdorf, escolhido para investigar as atividades de um certo Chevalier de Balibari. Barry - que a esse ponto já havia assumido diversas outras identidades - descobre que Chevalier também é um exilado. E, ao invés de espioná-lo, decide auxiliá-lo em suas atividades com a elite européia.

Conhecendo agora os meios da aristocracia, Redmond Barry se torna amante da adorável Senhora Lyndon, que está prestes a se tornar viúva. Quando isso acontece, eles se casam e Barry toma para si o sobrenome Lyndon. Aqui, o filme faz uma brusca pausa antes de seguir para a segunda metade, que mostrará o declínio social do irlandês.

Já estabelecido na aristocracia, Barry Lyndon tem problemas com seu enteado, ao mesmo tempo em que tem seu próprio filho e cria dívidas insuportáveis. Ele traz sua mãe para gerir as contas da família, ao mesmo tempo em que trai a esposa constantemente e eleva o ódio do enteado, ao ponto que eles decidem travar um duelo. Barry Lyndon é ferido no duelo e passa a ser rejeitado por todos seus antigos amigos e, fadado ao oblívio, retira-se da elite.

Elenco Ryan O'Neal — Barry Lyndon / Redmond Barry Marisa Berenson — Lady Honoria Lyndon Patrick Magee — cavaleiro de Balibari Hardy Krüger — capitão Potzdorf Steven Berkoff — Lord Ludd Gay Hamilton — Nora Brady Marie Kean — mãe de Barry Diana Körner — Lischen Murray Melvin — reverendo Samuel Runt

Recepção O filme não foi o sucesso comercial que a Warner Bros. aguardava nos Estados Unidos, embora a recepção tenha sido melhor na Europa.Robey, Tim, "Kubrick's Neglected Masterpiece", in Telegraph Review (31 January 2009), pp. 16-17 Na altura da estreia do filme a reação foi de uma desilusão velada. Os seus defensores eram escassos, mas tão afirmativos como os seus críticos. A sua beleza suprema não foi suficiente para satisfazer os críticos que esperavam um novo filme-choque do realizador de filmes como o Dr. Estranhoamor ou Laranja Mecânica. Barry Lyndon foi apelidado de estático, frio, vazio e anódino.http://www.visual-memory.co.uk/amk/doc/0086.html - ensaio por Mark Crispin Miller Mas ao longo das décadas que se somaram desde a sua estreia, Barry Lyndon adquiriu o estatuto de obra-prima a acrescentar na obra de Stanley Kubrick. Faz parte da lista dos 100 melhores filmes da Time Magazine e encontra-se na 27ª posição da sondagem de críticos efetuada em 2002 pela revista de cinema Sight & Sound.

Roger Ebert adicionou este filme à sua lista Great Movies em Setembro de 2009, escrevendo "desafia-nos a cuidar, pede para ficarmos apenas observadores da sua imponente elegância", e "será um dos mais belos filmes alguma vez feito"."Barry Lyndon (1975)". rogerebert.chicagosuntimes.com. Retrieved September 25, 2010.

Martin Scorsese escreve "Não estou certo se posso afirmar ter um filme favorito de Kubrick, mas retorno repetidamente a Barry Lyndon. Penso que é por ser uma experiência tão profundamente emocional. A emoção é transmitida através do movimento da câmera, da lentidão do ritmo, na forma como as personagens se movem naquilo que as envolve. As pessoas não o perceberam quando ele estreou. Muitos ainda não o percebem. Simplesmente, na cadência sucessiva de imagens de rara beleza, vemos o caminho de um homem à medida que ele evolui da mais pura inocência até à mais fria sofisticação, terminando numa absoluta amargura - a materialização elementar da sobrevivência. É um filme atemorizante pois a beleza da luz dos candelabros é apenas um manto diáfano sobre a pior crueldade. Mas uma crueza real, do tipo que se encontra todos os dias na sociedade civilizada."http://kubrickfilms.tripod.com/id93.html

Ligações externas

Barry Lyndon (no TCM Movie Database

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