Emmanuel Coêlho Maciel (Belo Horizonte, 16 de outubro de 1935 - Teresina, 29 de maio de 2015) foi um maestro, compositor e pesquisador brasileiro.
Atuou como musicista na Orquestra Sinfônica Brasileira, na Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e na Orquestra de Câmara da Universidade de Brasília, onde também lecionou. Também foi professor do Conservatório de Música de São João del-Rei e do Conservatório da Universidade da Amazônia. Foi, ainda, fundador e vice-diretor da Escola de Música de Brasíliahttps://cidadeverde.com/noticias/193835/maestro-emmanuel-coelho-morre-de-parada-cardiorrespiratoria-aos-79-anos.
Em 1976, se mudou para Teresina, à convite do então reitor da UFPI, para fundar o curso de Música e o Departamento de Educação Artística da universidade. No Piauí, foi reconhecido em vida como um dos principais musicistas e pesquisadores de arte do Estado https://ufpi.br/ultimas-noticias-ufpi/973-orquestra-de-c%C3%A2mara-realiza-1%C2%BA-ensaio-para-o-concerto-%22os-40-anos-da-ufpi%22, tendo resgatado o folclore musical local e dado visibilidade à obra do valsista Possidônio Nunes Queiroz. Recebeu três prêmios nacionais de composição pela Fundação Nacional de Artes https://www.overmundo.com.br/overblog/entrevista-com-o-maestro-emmanuel-coelho-maciel.
Biografia
Inícios Nasceu no bairro de Lagoinha, Belo Horizonte, Minas Gerais, filho de Silvino Eugênio da Silva Maciel e Olívia Coêlho Maciel. Seu pai nasceu em um vagão de trem logo depois de a família desembarcar no Brasil, vinda de Portugal. Silvino Eugênio foi soldado da Polícia Militar de Minas Gerais. Já sua mãe, de Diamantina, era filha de Antônio Coêlho de Araújo, fazendeiro ilustre e ex-camareiro do rei. A família de Olívia se opôs ao matrimônio, já que a jovem vinha de boa linhagem, foi colega de sala de Juscelino Kubischek e concluiu o normal. Deserdada pela família, Olívia passou a viver de forma humilde. O casal teve 16 filhos, dos quais apenas Emmanuel sobreviveu à infância.
Lista de obras Principais composições
Música para oboé e instrumentos de cordas, 1969
A primeira audição foi realizada no dia 25 de novembro de 1973, na Sala Martins Penna, em Brasília. Televisionada pela Rede Globo e exibida no programa Concertos para a Juventude, a execução foi realizada pela Orquestra de Câmara da Escola de Música de Brasília e pelo Madrigal de Brasília, sob a direção de Levino Ferreira de Alcântara. O programa contou ainda com a presença de César Guerra-Peixe. De acordo com o crítico do Correio Braziliense Claver Filho, a obra "não é um trabalho para solista e orquestra, mas uma integração completa do oboé e o conjunto de câmara, com seus três movimentos: Allegro, Quase Andante moderato, e Final Allegro grotesco. Música foi dedicada ao oboísta Sebastião Theodoro Gomes". O Correio Braziliense ainda considerou a primeira audição de Música para oboé e instrumentos de cordas, durante o Concertos para a Juventude, como um destaque musical de 1973.
Echnaton – sonatina para violino e piano, 1970
Esta composição foi executada pelo violinista e maestro César Guerra-Peixe em uma série de concertos realizada em cidades paulistas em março de 1985.
Suíte-cantata Sol de Feira, 1970
Composta enquanto Emmanuel morou em Manaus para montar o Conservatório da Universidade da Amazônia, a cantata tem texto de Luiz Bacellar.
Minha Doce e Querida Galatea, 1972
Esta valsa foi por ele renomeada Minha Doce e Querida Netinha, quando acompanhou uma de suas netas mais jovens enquanto aprendia a tocar piano.
Prelúdio e Cânone, para cordas, 1965
Foi apresentada em primeira audição em 1974. Esta obra foi composta em Brasília e recebeu reconhecimento da crítica por ter uma estrutura bem elaborada e nítida. "Claver Filho, crítico do Correio Braziliense, chamava atenção para o tecido contrapontístico do compositor, riquíssimo. Quando a peça foi finalmente apresentada, em outubro daquele ano, a assistência percebeu que 'o que poderia resultar numa simples brincadeira esfacelava a orquestra de cordas, cuida de cada naipe e, pelo profundo conhecimento que o autor possui dos instrumentos de corda, a sonoridade e variedade são raras e de real valor'."
Capricho concertante para viola solo, 1990 Sonata Duo (para violino e violoncelo), 1964 Nefertiti – sonatina para violino e piano, 1970 D’Israel – pequena suite para orquestra escola, 1980 Dança e Canto Langoroso (para flauta, violino, viola e violoncelo), 1963 Cantilena (para orquestra), 1975 Elegia (parte 1º. para violino), 1984 Choro-samba no. 1 (parte 1º. Violino e para viola e piano), 1959 Duas Canções Espaciais – 1. Imensurável Cometa e 2. Entre as Estrelas, 1974 Choro-samba no. 3 (trio violino, violoncelo e piano), 1961 Choro-samba no. 4 , 1960 Choro-samba no. 2 – Evocação ao Barroco Mineiro, 1961 Ininga (violino, viola, violoncelo e piano) e Ininga, três peças para instrumentos de sopro, 1977 Cantiga para violino e orquestra Quinteto para instrumentos de sopro Divertimento para três saxofones e piano Divertimento no. 1 (para quarteto de cordas), 1988 Divertimento no. 2 (para piano, violino, violoncelo e clarinete) Divertimento no. 3 – para quatro instrumentos (oboé ou flauta, violino, violoncelo e piano), 1987 Módulos, para orquestra de cordas, 1983 Coleção Orquestra Mirim – no. 2: Cinco Cirandas do Saci Cantiga e Pregão (homenagem a César Guerra-Peixe) para violino e orquestra, 1976 Suíte Auto dos Reis (temas extraídos do folclore piauiense), Coleção Orquestra Escola, 1980 O meu amor vai para o teu devagarinho, coro misto a quatro vozes, 1960 Despretenciosa, 1970 Prece a Iemanjá, 1960 Celeste Academia, 1967 Pequenino Engraxate, 1960 Se Alguém Quizer, 1967 Folhas Caídas, 1970 Modinha, 1963 José do Egito – cantata para coro e orquestra Andante, para cordas, 1965 Cantigas da Amiga, música sobre poema de Mário de Andrade, 1982 Baladilha, canção para o povo brasileiro, 1963 Peça para orquestra Canção de Câmera, 1966 Introdução e Choro, para violão, 1975 Duas miniaturas para violão, 1984 Cantata Religiosa O Sorriso de Maria, para coral, 1963 Ontem, para coral, sobre poema de Mário de Andrade Agonia e êxtase, para coral, 1985 Teresina, Cidade Menina, para coral Evangelho, para canto e piano, 1955 Salmo 23, para canto e piano, 1965 Xangô-orixá-oxóssi-aiê, sobre poema de Cruz Pena, 1961 Toadas, para coro infantil a duas vozes, 1984 Coleção Missa em estilo tradicional sanjoanense: I. Benedictus, 1959; II. Glória, 1959; III. Kyrie, 1959; IV. Sanctus Musik’à 2, para violino e viola, 1986 Sonatina para dois violoncelos, 1982 Cantata religiosa sobre temas folclóricos brasileiros, 1991 (estreia) Nhá Carola, para coro misto a quatro vozes, sobre versos de Ricardo Gonçalve], 1964 Pedra no Meio do Caminho, sobre poema de Carlos Drummond de Andrade, 1981 Menina Côr de Açucena, para coral, sobre poema de Ricardo Gonçalves, 1979 Menina, 1984 Primeira miscelânea folclórica religiosa, com temas recolhidos do folclore de Jequitaí, Minas Gerais, 1957 Rondeis de Dona Pomona, poemas de Silvino Eugênio Estudo Fugato – para três instrumentos (parte para três flautas) Infancianas 3: Canção Triste, 1950 Infancianas 4: O Cântico de Ana, 1950 Infancianas 1: A Pequena Bailarina, 1950 Infancianas 2: Crepúsculo, 1950 Sincopando Canturia Coração Santo, da Cantata Religiosa Os Sapos, sobre poema de Manuel Bandeira, 1981 Reis Pastorinhas, 1990
Pesquisas e arranjos
Horas de Melancolia, de Possidônio Queiroz Valsa Serenata, de Possidônio Queiroz Valsa da Sagração, de Possidônio Queiroz Valsa no. 9 – Pagã, de Possidônio Queiroz Cantigas de Roda (pesquisa e arranjo) Surgiu um Lugar (pesquisa e arranjo) Canção de José (arranjo) Valsa do Centenário de Teresina, José Lopes dos Santos (arranjo) A Rosa – Reis Pastorinhos (recolhido do folclore de Floriano (Piauí), arranjo) Coleção Orquestra Mirim Trovas Populares (harmonização e arranjo), 1979 Confissão, música de Reginaldo Carvalho sobre poema de Manuel Bandeira (arranjo para violão) Onde Está Você, arranjo para coro a duas vozes, 1965 Casa de Cabôco, 1965 (arranjo) Vida de Viajante, de Dominguinhos, arranjo para coral, 2009 Meu Barco é Veleiro, do folclore pernambucano, arranjo para coro infantil a três vozes, 1984 Mimosa Flor do Sertão, de Castro Alves e Harry Riedel, arranjo para coro infantil, 1974 Coleção Música Folclórica Religiosa Brasileira, contendo 11 peças, com arranjos para coro misto à capela, de 1977 a 1981 Star Dust, arranjo para coro misto a 4 vozes, quarteto de cordas e violão Saudade, harmonização e arranjo para coro a quatro vozes mistas à capela, 1994 Quero amar-te, arranjo, folclore de Santa Catarina Caboclo Sonolento, autor desconhecido, recolhido, harmonizado e arranjado para coro a quatro vozes mistas, 1994 O Burrico de Pau, de Carlos Gomes, arranjo para 2 flautas, clarinete, dois violinos, violoncelo, contrabaixo e piano Romance, de Carlos Gomes, arranjo para clarinete solo Agnus Dei, de Mozart, arranjo para oboé ou flauta Panis Angelicus, de César Franck, arranjo para oboé e duas trompas Ai Lili, Ai Lô, arranjo para orquestra mirim, 1963 Bate o Sino, arranjo para orquestra mirim Noite Feliz, arranjo para orquestra mirim Marcas do que se foi, arranjo para orquestra mirim Jesus Cristo, arranjo para orquestra mirim Boas Festas, arranjo para orquestra mirim Este Ano, arranjo Hoje é Dia de Natal, arranjo Ema-Sariema, música do reisado de Teresina, arranjo para coral, 1982 Carinhoso, de Pixinguinha, arranjo para coral a quatro vozes, quarteto de cordas e violão, 1971 Música do Boi, do folclore de Jaicós, arranjo para coral Alecrim, folclore brasileiro, arranjo para coral Canção do Pajé, de Villa-Lobos, arranjo para flauta, clarinete, dois violinos, viola, violoncelo e coro (grade)
Livros Coleção Saci-Pererê: iniciação ao violino com base no folclore musical brasileiro 500 anos de música brasileira (2014)
Fundação de cursos e orquestras Reconhecimento Recebeu três prêmios nacionais de composição da Funarte, pelas obras: Os Sapos (1981), Ema-Sariema (1982) e Módulos (1983).
Seu nome consta como verbete da Enciclopédia Barsa.
Em 2013, participou do documentário Um Gentleman Incansável: a biografia de Emmanuel Coêlho Maciel, de Pedro Júlio Oliveira.
Foi homenageado no aniversário de 40 anos da UFPI, por sua contribuição ao Estado do Piauí, por concerto em que a Orquestra de Câmara da universidade executou duas de suas obras sob a regência de Cássio Martins, coordenador do Curso de Música da UFPI. Na ocasião, Martins declarou: “É de práxis os grandes compositores terem suas obras reconhecidas após seu falecimento, no entanto, pretendemos homenagear o compositor Emmanuel em vida”http://www.icsrita.org.br/maestro-emanuel-coelho-maciel-ser-homenageado-nos-40-anos-da-ufpi/.
Em 2015, seria homenageado ainda em vida pelo Projeto Música para Todos, pela ocasião de seus 80 anoshttp://www.icsrita.org.br/nota-de-pesar/.
Pelo resgate da obra de Possidônio Nunes Queiroz, recebeu, da Câmara dos Vereadores de Oeiras, o título de cidadão honoráriohttp://www.folhadeoeiras.com/index.php?pg=ver_coluna2&id=49/.
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